Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

terça-feira, 10 de maio de 2022

Breves considerações ao cancelamento de títulos na Paraíba em 2022




A Justiça Eleitoral encerrou no último dia 04/05 o prazo para que eleitores/as de todo o o país regularizassem sua situação com esta e pudessem, assim, estar em condições de votar nas eleições gerais do próximo dia 02 de outubro deste ano, de presidente a deputado estadual, passando por senador, governador e deputado federal. Na Paraíba, o TRE local já apresentou alguns dados do resultado final desta situação eleitoral no Estado, o qual iremos tecer algumas considerações.

Segundo o TRE/PB, exatas 267.549 não poderão votar nas eleições deste ano no Estado em outubro próximo porque já estão com seus títulos eleitorais cancelados. Isso ocorre apesar das punições previstas no Código Eleitoral a quem tem este documento cancelado, que são: impossibilidade de votar e de se candidatar; bloqueio para empréstimos na Caixa Econômica; bloqueio para renovação de matrículas em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; veto a inscrições em concursos públicos; impedimento a recebimento de salário em autarquias, fundações do governo, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público; e bloqueio à retirada de passaporte e de carteira de identidade. Nenhum impedimento desses direitos foi suficiente para fazer com que essas mais de 260 mil pessoas tenham seu título cancelado em 2022 (https://g1.globo.com/pb/paraiba/eleicoes/2022/noticia/2022/05/09/eleicoes-2022-quase-300-mil-titulos-de-eleitor-sao-cancelados-na-paraiba.ghtml).

Deste total, 43.319 foram impedidas de participar das eleições deste ano porque já estão há três eleições consecutivas sem votar. Ou seja, nas eleições de 2016, 2018 e 2020, essas pessoas não compareceram às urnas nem justificaram a ausência e tão pouco pagaram a multa estipulada pela Justiça Eleitoral por terem feito isso. Na prática, isso significa que tais pessoas possuem uma aversão ao regime político de nosso país há, pelo menos, 6 anos. Desconhecer ou desmerecer este fato é "tapar o sol com a peneira", como diz a sabedoria popular.

Por outro lado, 224.230 pessoas tiveram seus títulos cancelados porque não atenderam ao chamado da Justiça Eleitoral para regularizarem suas situações eleitorais perante a mesma. Assim, estão impedidas de participar do processo eleitoral deste ano. Neste caso, não é possível presumir que tais pessoas tenham algo contrário ao regime e/ou ao processo eleitoral em vigor, mas pode haver algum percentual neste número.

O percentual de títulos cancelados na Paraíba por conta de pessoas que recusam-se a participar das eleições não é algo para se desprezar. Exatos 4,13%, apesar de uma campanha midiática intensa em defesa da "festa da democracia", como é chamada pela grande imprensa as eleições burguesas ou, como costumamos afirmar, a novela recorrente que os trabalhadores são obrigados a assistir a cada dois anos, intitulada "Estelionato Eleitoral", com os candidatos dos grandes partidos mentindo muito para nossa classe e fazendo destas eleições a justificativa legal para atacar, cada vez mais, nossos direitos e conquistas arduamente obtidos com muita LUTA ao longo dos anos. 

Isso tudo serve para mostrar que existe no interior de nossa classe um "fogo de monturo", como se diz no interior da Paraíba, pronto para crescer muito e explodir como nunca. E as forças que reivindicam a classe trabalhadora e o socialismo precisam se conectar, cada vez mais, a este pessoal na perspectiva da construção da revolução!!!

segunda-feira, 28 de março de 2022

Ricardo Coutinho cobra fatura de sua entrada no PT e Anísio Maia e aliados pagam o pato!!!





Em setembro do ano passado, o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho reingressou ao Partido dos Trabalhadores, com pompas e glórias, em cerimônia celebrada por ninguém menos que a presidente nacional do partido, a deputada federal Gleisi Hoffmann, e o presidenciável Luís Inácio Lula da Silva. Na esteira de seu retorno ao PT, vieram o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, e as deputadas estaduais Cida Ramos e Estela Bezerra, além da ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena  e do também deputado estadual, Jeová Campos. Com exceção de Luciano Cartaxo e Jeová Campos, todos citados/as na "Operação Calvário", desenvolvida pelo MP e Gaeco, por conta de desvios de dinheiro público na saúde e educação na Paraíba, além de terem vindo do PSB.

Oito meses depois, Ricardo Coutinho começa a cobrar a fatura da conta de seu retorno ao PT. E justamente contra aqueles que foram contra o apoio do PT à sua candidatura a prefeito de João Pessoa, em 2020, quando ainda estava no PSB. Na ocasião, o deputado estadual Anísio Maia era o candidato petista à Prefeitura de João Pessoa e, junto com a direção municipal do partido, dirigida à época por Giucélia Figueiredo e assessorada juridicamente por Anselmo Castilho, resistiu às pressões oriundas da Direção Nacional do PT, que queria que o partido apoiasse a candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho à PMJP naquele ano. Detalhe: a questão chegou a ir à Justiça, com Josenilton Feitosa, dirigente partidário na oportunidade, assinando a petição pela direção municipal pela manutenção da candidatura de Anísio Maia, coisa que acabou ocorrendo, à revelia das pretensões da Nacional do PT.

Pronto. Estava armada mais uma crise dentro do PT/PB que, segundo o Conselho de Ética e a Direção Nacional do PT foi resolvido com a suspensão, por 6 meses, do deputado estadual Anísio Maia, de qualquer atividade partidária, e de 4 meses, para os demais militantes partidários (Anselmo Castilho, Giucélia Figueiredo e Josenilton Feitosa). No caso de Anísio Maia, significa dizer que ele não poderá ser candidato à reeleição em outubro próximo pelo PT, caso permaneça no partido, o que significa na prática um convite a sair do partido; para os demais, é um caso a se pensar. 

Entre os 4 punidos, dois já tomaram suas decisões. A primeira foi a ex-presidente municipal do PT/João Pessoa, Giucélia Figueiredo. Em declaração à imprensa, ela afirmou que "não sai do PT em hipótese alguma" (https://parlamentopb.com.br/giucelia-figueiredo-garante-que-nao-sai-do-pt-em-hipotese-alguma/); já Anselmo Castilho, que também já foi presidente do PT de João Pessoa, fez uma Carta Aberta aos filiados e filiadas do partido anunciando sua desfiliação do partido por não concordar com o fato do PT "não estar respeitando suas próprias regras" (file:///C:/Users/nvteds/Downloads/Carta%20Aberta%20ao%20Partido%20dos%20Trabalhadores.pdf). Já Anísio Maia e Josenilton Feitosa ainda não anunciaram o que irão fazer. Há uma expectativa de que Anísio anuncie a desfiliação do PT e a ida para o PSB ou PCdoB que, inclusive, já o convidou para se filiar ao partido (https://parlamentopb.com.br/pcdob-presta-solidariedade-e-convida-anisio-maia-para-filiacao/).

Anísio Maia não escondeu sua decepção com a decisão do PT Nacional (https://parlamentopb.com.br/anisio-maia-revela-enorme-decepcao-com-autoritarismo-do-pt/), assim como Feitosa (https://agendapolitica.polemicaparaiba.com.br/feitosa-sinaliza-saida-do-pt-partido-prefere-quem-vive-na-lama-da-corrupcao/), apesar da direção estadual do PT/PB ter divulgado uma nota em que afirma que as punições feitas são o resultado esperado de um processo. "Pagaram pra ver", afirma a direção estadual do PT/PB; ao mesmo tempo, o deputado federal Frei Anastácio prestou solidariedade ao deputado Anísio Maia e afirmou que "estarei ao lado de Anísio nas próximas eleições aonde ele estiver", não sem antes afirmar que "não descarta deixar a legenda dentro da janela partidária". Cenas dos próximos capítulos.....

Com todo esse imbróglio nas hostes petistas, um fato chama a atenção: em nenhum momento, a imagem de Lula foi arranhada por nenhum dos envolvidos. Apesar de todos/as terem ciência que este sabe perfeitamente do que se passa dentro do PT, em todos os sentidos. Por exemplo, na Carta Aberta que Anselmo Castilho elabora, ele faz menção à sua saída, mas que continua na campanha de Lula, em nenhum momento citando este como corresponsável pelo que ocorre no PT local, apesar deste ser um dos principais incentivadores para o retorno de Ricardo Coutinho ao partido. Enfim, é uma prática do PT não apenas de João Pessoa ou da Paraíba, mas do Brasil como um todo: ninguém macula a imagem de Lula!!!

domingo, 20 de fevereiro de 2022

O PT/PB continua sua degeneração política e oferece opções de opressão à classe trabalhadora paraibana!!!





Em meados do século XIX, Karl Marx afirmava que "(...)Aos oprimidos é permitido uma vez a cada poucos anos decidir quais representantes específicos da classe opressora devem representá-los e reprimi-los". Infelizmente, ao longo dos anos, poucos que dizem defender a classe trabalhadora, no Brasil e no mundo, aprenderam esta lição deixada pelo fundador do socialismo científico. 

É o caso de militantes e dirigentes do PT/PB neste ano em que teremos mais uma eleição burguesa no calendário político brasileiro. Há poucos dias atrás, a imprensa local anunciava a realização de uma reunião de dirigentes do PT/PB com o pré-candidato ao Governo da Paraíba, senador Veneziano Vital (MDB). Nesta reunião participaram um dos vice-presidentes nacionais do PT, Márcio Macedo, o presidente estadual do partido na Paraíba, Jackson Macedo e o ex-governador do Estado, Ricardo Coutinho. Estes deverão reunir-se nesta segunda-feira, 21/02, para com outros petistas, lançar um manifesto de apoio ao projeto de Veneziano Vital rumo ao Palácio da Redenção. Para estes petistas, Veneziano é a "melhor opção para disputar o Palácio da Redenção com o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva" que busca voltar à Presidência nas eleições deste ano (https://parlamentopb.com.br/petistas-se-reunem-segunda-com-veneziano-e-devem-lancar-manifesto-por-candidatura-ao-governo/)

Em resposta a este movimento de dirigentes partidários do PT/PB, militantes e dirigentes do partido, encabeçados pelos deputados Frei Anastácio (federal) e Anísio Maia (estadual) lançaram um manifesto de apoio à reeleição do atual governador paraibano, João Azevedo (Cidadania), junto com Lula em outubro próximo. Para estes/as petistas, é "necessário ter um palanque forte do campo progressista, democrático e popular para acolher a candidatura Lula e capaz de agregar os anseios do povo paraibano" (https://parlamentopb.com.br/mais-de-145-liderancas-petistas-lancam-manifesto-pro-lula-e-joao/). O nome de João Azevedo significa tudo isso, segundo o manifesto lançado.

Assistimos, nestes dois episódios, uma deplorável cena de petistas paraibanos falando em nome dos trabalhadores de nosso Estado sobre quem deverá continuar massacrando nossa classe nos próximos 4 anos ou, como diria Marx, irá "representá-los e reprimi-los". 

Veneziano Vital e João Azevedo são dois lados da mesma moeda, ambos pertencem ao "andar de cima" e representam os interesses dos patrões, mantendo assim a dominação de classe em nosso Estado e com atuação firme e decidida na preservação do atual regime capitalista em nosso país e também na Paraíba. Mas, para os petistas paraibanos, cada um a seu modo, tanto o senador emedebista quanto o governador cidadão são capazes de oferecer um futuro promissor à classe trabalhadora paraibana, abençoados pelo seu candidato a presidente, Lula.  

O PT/PB coloca para os/as trabalhadores/as paraibanos/as a trágica opção para que esta decida quem deverá continuar oprimindo nossa classe no próximo período. Ambos os setores petistas "esqueceram"  que Veneziano, por um lado, faz parte do time dos "golpistas" que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e que João Azevedo, por outro, foi o responsável direto pela "Reforma da Previdência" em nosso Estado, além de atacar os direitos os trabalhadores em seu governo, vide a situação da Educação na Paraíba. Mas, nada disso representa algo significativo para o PT/PB, já que este considera Veneziano e João Azevedo como legítimos representantes de nosso povo e que devem merecer a confiança de nossa classe no Estado.

Desta forma, os dois setores do PT/PB deixam de seguir uma alternativa classista para, em seu lugar, oferecer qual melhor nome a reprimir os/as trabalhadores /as paraibanos/as. Tudo em nome de combater a ultradireita, representada por Bolsonaro. Mas, será que Veneziano Vital ou João Azevedo são a melhor opção para isto???

Por isso, defendemos a construção de um Pólo Socialista e Revolucionário no Brasil e também na Paraíba para oferecermos uma real alternativa de classe e, desta forma, termos efetivas condições de combater nosso inimigo de classe, representado nacionalmente por Bolsonaro mas, que na Paraíba, atende pelos nomes de João Azevedo, Veneziano Vital, Pedro Cunha Lima (PSDB), Nilvan Ferreira (PTB) e tantos outros.


FORA BOLSONARO, MOURÃO E JOÃO AZEVEDO!!!

POR UM PÓLO SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIO NO BRASIL E NA PARAÍBA!!!



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

O combate à corrupção, a relação entre alguns escândalos e a dívida pública brasileira e a forma de superar esta chaga!!!




Desde o fim dos governos do PT, ocorrido em 2016 com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, que se fala muito em combater a corrupção no nosso país. Especialmente após a revelação dos escândalos do Mensalão (que aconteceu no primeiro mandato de Lula, em 2005) e do escândalo do Petrolão (revelado durante o governo Dilma). Anos antes, houve um dos maiores escândalos registrados no Brasil, que percorreu a ditadura militar: o caso Coroa Brastel, que poucos conhecem atualmente. Foram três grandes casos de corrupção ocorridos no Brasil, envolvendo o Congresso Nacional, a Petrobras e o sistema financeiro nacional, respectivamente. Porém, apesar de tudo isso, nem de longe esses escândalos superam o maior caso de corrupção que ainda existe no país e que atende pelo nome de DÍVIDA PÚBLICA.

Para relembrar estes escândalos, devemos registrar que o "Mensaláo do PT", como ficou mais conhecido, significava corromper com cerca de R$ 30 mil/mês (em 2005) os parlamentares do Congresso Nacional para votarem junto com o governo Lula em matérias importantes naquela Casa Legislativa; o caso do Petrolão envolveu o pagamento superfaturado feito pela Petrobras a várias empreiteiras que eram contratadas para realização de obras espalhadas pelo país mas que ou não eram realizadas ou construídas pela metade. Este escândalo, em 2016 quando foi revelado, girava em torno de R$ 30 milhões. Por fim, o caso Coroa Brastel tornou-se um dos maiores escândalos da ditadura militar - senão o maior - e atingiu o sistema financeiro nacional na ocasião, através da emissão de  letras de câmbio sem lastro e custou cerca de R$ 300 milhões (cotação de 1998). Fazendo a atualização de todos esses valores, verificamos o tamanho da corrupção no Brasil e as dimensões do problema que ocorre há décadas (para não dizer séculos) em nosso país.

Falamos em séculos apenas para relembrar que a independência brasileira, feita em 1822, precisou ser reconhecida por Portugal e, para isso, o Brasil conseguiu um empréstimo de 2 milhões de libras esterlinas para pagar ao governo português. Tal "ajuda" veio da Inglaterra para o Brasil nesta empreitada, que culminou com a assinatura do Tratado de Paz e Aliança, assinado em agosto de 1825,. Começava aí a dívida pública brasileira.

A dívida pública brasileira permanece como maior "calo" financeiro - com consequências políticas até hoje - e é o maior caso de corrupção existente no Brasil do século XXI que, como verificamos , vem desde a primeira metade do século XIX.

Segundo dados da Auditoria Cidadã da Divida, em 31/12 do ano passado, a dívida pública nacional estava na ordem de R$ 7.378.330.084.715 (em bom português, 7 trilhões, 378 bilhões, 330 milhões, 84 mil e 715 reais). Paralelo a isso, também em dezembro/2021, já haviam sido pagos em juros e amortizações dessa dívida pública o equivalente a R$ 1.960.823.058.735 (1 trilhão, 960 bilhões, 823 milhões, 58 mil e 735 reais) ou R$ 5,4 bilhões ao dia. Portanto, os três escândalos juntos citados anteriormente não chegam perto do que representa a dívida pública brasileira. Só para aqueles/as que desejem criticar esses dados, eles são oriundos do governo federal, tornados públicos pela Auditoria Cidadã da Dívida.

É uma montanha de dinheiro publico que, em vez de ser direcionado à resolução dos graves problemas sociais por que passa nosso povo (como direito à saúde e  educação públicas, transporte de qualidade, saneamento básico nas cidades, construção de moradias populares para combater o déficit habitacional existente. política de geração de emprego e renda para o povo, dentre outros), todo esse volume de dinheiro vai satisfazer a sanha destrutiva do capital, seus empresários e banqueiros, que não possuem outra preocupação em suas vidas do que explorar a classe trabalhadora ao máximo e lucrar cada vez mais com isso.

Mais uma vez, neste ano de eleições gerais, o tema da corrupção e seu combate vem à tona. Desta vez, surge um personagem que aparece como o "salvador da pátria" neste questão e que atende pelo nome de Sérgio Moro, ex-juiz da "Operação LavaJato" e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, com o qual manteve uma fina afinidade durante anos, até sair do ministério, em abril de 2020. Moro já foi tornado parcial pelo STF na condução do processo que prendeu o ex-presidente Lula (PT) e teve, segundo constatações, uma PF que prendeu menos do que deveria em casos de corrupção durante sua gestão como ministro da Justiça (https://extra.globo.com/noticias/brasil/criticada-por-moro-pf-prendeu-menos-por-corrupcao-reduziu-numero-de-inqueritos-mas-fez-mais-operacoes-com-bolsonaro-25399966.html). Além disso, atualmente está envolvido numa polêmica política-judicial com relação à sua contratação como consultor da empresa americana Alvarez & Marsal depois que deixou o governo Bolsonaro. A encrenca em que ele está metido se dá por conta de quanto teria recebido por este trabalho (sem registrar isso ao Fisco nacional) e também porque esta empresa teria como suas contratadas empresas que foram alvo da "Operação LavaJato", como a Odebrecht.

Tudo isso serve para demonstrar que a corrupção não apenas está entranhada no sistema político nacional e espalha-se por outras esferas de nossa sociedade, chegando até a deixar a impressão ao nosso povo que não tem nada de mais roubar dinheiro público. No entanto, como já demonstramos, a corrupção destrói a vida de milhões de brasileiros/as cotidianamente, ao não lhes garantir direitos mínimos para sua sobrevivência.

Tentar acabar com a corrupção atualmente em nosso país é jogar mais ilusões nos corações e mentes de nosso povo. É preciso ter claro que isso é impossível  de ocorrer nos marcos do atual regime capitalista que vivemos. Capitalismo e corrupção são gêmeos siameses, que não sobrevivem se estiverem separados. Por isso que, durante todos esses anos, nenhum partido ou político vinculado à ordem capitalista contestou - ou contesta - a dívida pública brasileira, mesmo esta sufocando a vida de nosso povo. 

Nesse aspecto, Lula e Bolsonaro - para citar a atual polarização política de nosso país - não possuem diferença alguma. Assim como podemos citar também FHC, Temer, Sarney, Collor e Dilma (apenas para citar os/a ex-presidentes da República e seus respectivos partidos). Mas, fiquemos atentos: isso se espalha por todo o sistema político brasileiro dominado pelo capital. E isso se dá por um simples motivo: todos esses citados defendem, com maior ou menor firmeza, a manutenção do atual regime capitalista em nosso país, daí o porquê não contestarem a dimensão da dívida pública brasileira e suas trágicas consequências políticas-econômicas e sociais na vida de nosso povo.

Assim, só a revolução socialista, encampada pelos "de baixo" contra os "de cima! pode por um fim definitivo a esta situação a que todos/as nós somos submetidos diariamente no Brasil. Um país que, embora rico em causas naturais, tem um povo massacrado cotidianamente pela ditadura do capital sob suas cabeças, lhes negando todo e qualquer mínimo direito, e até mesmo o não exercício das liberdades democráticas, sem falar na imensa carga de preconceitos e discriminações existentes, com as nefastas práticas do machismo, do racismo e da lgbtfobia.

Por isso, torna-se cada vez mais atual a defesa da SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA e a REALIZAÇÃO IIMEDIATA DE UMA AUDITORIA INDEPENDENTE para esclarecer, de uma vez por todas, este "fantasma" da cena nacional, que atormenta a vida de milhões em todo o país. Sem isso, continuaremos a observar, na conjuntura nacional e local, casos e mais casos de corrupção e o surgimento de "salvadores da pátria" no combate à esta chaga do capital sem, no entanto, oferecer as mínimas condições para seu derradeiro fim. Pois todos que estão transitando na esfera do capital, têm como acordo fundamental a manutenção do regime capitalista. 

E este não interessa à manutenção da vida de nosso povo nem tampouco à existência de um planeta verdadeiramente a serviço daqueles/as que produzem as riquezas deste mundo.


domingo, 13 de fevereiro de 2022

A filiação de Alexandre Santiago ao PT/PB e a continuidade da degeneração política do partido !!!





Portais de notícias locais deram destaque à notícia da filiação do empresário Alexandre Santiago ao PT/PB. Segundo o site WSCOM, esta filiação deverá se concretizar esta semana e é apontada por lideranças petistas no Estado com alegria e entusiasmo. 

Alexandre Santiago, ao contrário do que muitos possam pensar, não é um empresário qualquer. Ele é um dos principais sócios da Facene/Famene, universidade particular situada em João Pessoa e que oferece vários cursos, especialmente na área da saúde. Seu site de apresentação dá destaque aos cursos de Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia, além de uma Residência Multiprofissional em Saúde Hospitalar. Possui outros cursos de graduação e pós-graduação, além de cursos técnicos. Em Bayeux, na Grande João Pessoa, possui uma clínica-escola que atende à população da cidade em várias especialidades clínicas. Enfim, estamos tratando de uma instituição de ensino privado na Paraíba com uma certa potencialidade e (porque não dizer?), respaldo em parcela da sociedade paraibana. Alexandre Santiago, assim, é um "tubarão do ensino", que ganha seus lucros à custa de muita exploração de trabalhadores/as que atuam nas unidades de ensino pertencentes à Facene/Famene.

Ainda segundo o site WSCOM, o convite de filiação ao empresário foi feito por três lideranças petistas paraibanas: o presidente municipal do partido, Antonio Barbosa; o ex-deputado federal, Luiz Couto; e um dirigente estadual do PT/PB, Cícero Legal. Este último, na recente crise que envolveu o partido durante as eleições municipais de João Pessoa, em 2020, foi um dos interventores do partido indicados pela direção nacional do PT, por se contrapor à candidatura do deputado estadual Anísio Maia e favorável a que o partido apoiasse o então candidato a prefeito da capital paraibana, o ex-governador Ricardo Coutinho, na época no PSB local. 

Para o presidente do PT/JP, a filiação de Alexandre Santiago ao partido "(...) É um reforço importante para construção da chapa majoritária e de proporcionais no Estado". Ainda sobre esta filiação, o ex-deputado Luiz Couto destacou que "(...) Ele vem com o intuito de somar e colocar em prática a aliança de confiança e de trabalho traçada já nas eleições passadas, com a contribuição do ex-governador Ricardo Coutinho" (https://wscom.com.br/empresario-alexandre-santiago-aceita-convite-do-pt-e-se-filiara-ao-partido-na-proxima-semana/). Não custa lembrar que Ricardo Coutinho já está no PT/PB desde o final do ano passado.

Ainda segundo o ex-deputado Luiz Couto, a vinda de Alexandre Santiago ao PT significa que este tem "o sonho de mudar os rumos do nosso Estado e do Brasil e confiando na nossa política" (idem). Após esta fala de Luiz Couto, a pergunta que não quer calar: é o empresário Alexandre Santiago que confia na política do PT ou o PT é que confia num real representante do capital e "tubarão do ensino" na Paraíba??? 

Por fim, gostaríamos muito de saber a opinião dos/as petistas que defendem a Educação Pública e Gratuita ao se deparar com tal fato no PT/PB. Sobre isso, mais uma pergunta: realmente, vale tudo para enfrentar e derrotar Bolsonaro (reconhecidamente nosso inimigo de classe) nas urnas e abandonar as lutas contra o governo e seus aliados, como os patrões e "tubarões do ensino"???

Assim caminha a degeneração política do PT/PB..........




terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O novo salário mínimo em 2022, os novos salários dos/as professores/as e do prefeito de João Pessoa e o valor da cesta básica da capital paraibana


No início deste ano, a partir de 1º de janeiro, entrou em vigor o novo valor do salário mínimo decretado pelo governo Bolsonaro, a ser pago aos/às trabalhadores/as brasileiros/as de todo o país. Por mais um ano, este reajuste foi feito sem que o salário mínimo tivesse um ganho real. Agora, o novo salário mínimo passou a ser de R$ 121
2,00

Nesta segunda-feira, 07/02, o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos SocioEconômicos - divulgou mais um estudo realizado pela entidade acerca do custo da cesta básica em 17 capitais brasileiras país afora. Destas capitais, em 16 houve aumento no valor da cesta básica em comparação ao estudo anterior. 

Em relação à capital paraibana, João Pessoa aparece como uma das três capitais onde o valor da cesta básica aparece como o mais baixo, Mas, antes que se comemore tal fato, é preciso verificar que isso, para os padrões do custo de vida dos padrões pessoenses e paraibano, é muito alto. Senão, vejamos.

Segundo o DIEESE, a cesta básica em João Pessoa custa R$ 538,65. Quando fazemos uma relação com o atual salário mínimo nacional, constatamos que isso representa 44,44% do total deste. Ou seja, quase metade do salário mínimo do/a trabalhador/a pessoense é consumido com produtos da cesta básica, sendo pouco mais dos 56% restantes dirigidos para gastos com transporte, aluguel, roupa, escola, gás de cozinha e outras coisas mais. Como imaginar uma vida dessas???

Enquanto isso, no outro lado da tabela, assistimos um outro tipo de embate que chega a ser hilário, pra não ser considerado trágico. E este ocorre nas barbas da Justiça, para deixar as coisas com um desfecho ainda mais original. Detalhemos.

Recentemente, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), apresentou uma proposta de reajuste salarial aos/às trabalhadores/as da Educação municipal que, na verdade, agride a Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica, a 11.738/08. Segundo a proposta, a categoria receberia 31,5% de reajuste, sendo contemplada ao final do ano com 33,4% de forma paulatina, com incorporações ocorrendo mensalmente ao salário da categoria docente e também em sua produtividade. De início, segundo essa mesma proposta, os/as professores/as teriam 15% nos vencimentos, sendo o restante incorporado ao salário ao longo do ano. A direção do SNTEMJP, de forma efusiva, foi a porta-voz desta proposta, e a defendeu na Assembleia virtual que realizou na semana passada. fazendo com que a categoria presente à mesma a aprovasse. Uma vergonha!!!

Agora, pra fechar com "chave de ouro", a imprensa paraibana publica uma decisão da Justiça paraibana, que autoriza o prefeito de João Pessoa a receber, a partir de agora, a bagatela de R$ 25.501/mês. Um reajuste de 15,91% sem ser parcelado, como no caso dos/as professores/as municipais da capital paraibana governados por Cícero Lucena; já a secretária de Educação de João Pessoa, Maria América Castro, passará a receber exatos R$ 17.432/mês, um reajuste de 16,21% (também sem ser parcelado, como os/as comandados/as por ela em João Pessoa). Ou seja, para Cícero e América, vale o ditado: "faça o que digo, mas não faça o que faço". 

Simples assim.....


sábado, 5 de fevereiro de 2022

O Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica, o governo Bolsonaro, a postura da CNM e as tarefas do movimento




A "novela" do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica está longe de acabar, pelo menos neste ano de 2022. Iniciada no fim do ano passado, com a publicação da Portaria Interministerial nº 10, em 20/12, que determinava o reajuste do Piso Salarial Nacional em 33, 23%, esta "novela" apenas se iniciava. Ganhou novo capitulo com uma nota da Assessoria de Comunicação do MEC, postada no site do ministério em 14 de janeiro deste ano, que gerou uma série de boatos em todo o país, especialmente dentro da categoria docente da Educação Básica, que afirmava que Bolsonaro iria editar uma MP revogando o reajuste determinado pela Portaria acima mencionada. Isto gerou não apenas boatos, mas também movimentos de burocracias sindicais, da base da CNTE, como a instalada no SINTEP/PB, que fechou um acordo com o governador da Paraíba, João Azevedo (Cidadania), onde foi quebrado o Piso Salarial Nacional e festejado como uma "grande vitória" para a categoria estadual. Neste acordo, efusivamente defendido pela burocracia sindical cutista na Paraíba,  a categoria docente da Educação Básica receberia um percentual de 31,3% em janeiro, com o restante a ser pago em fevereiro (retroativo a janeiro, caso o governo Bolsonaro pagasse o determinado na Portaria Interministerial já citada).

Ocorre que, antes deste acordo, prefeituras no interior da Paraíba já haviam decidido pagar a seus professores/as um reajuste bem maior do que os 33,23% determinado pela Portaria Interministerial. Prefeituras como Princesa Isabel e São José de Piranhas, no sertão paraibano, decidiram reajustar em 35% os salários de suas respectivas categorias, avisando para o Governo do Estado e demais prefeituras tabajaras que era - e é - possível atender ao disposto pela Lei 11.738/08 e na Portaria anteriormente citada.

Apesar de tudo isso, a burocracia sindical do SINTEP/PB continua acreditando que fez um bom acordo e que fez o correto. Porém, o que ocorreu a partir da negociação do SINTEP/PB foi que outros sindicatos e também governos municipais passaram a seguir este péssimo exemplo e, com isso, prejudicar professores/as de seus municípios. Para ficarmos em 3, citamos Bayeux, Santa Rita e João Pessoa.

Os dois primeiros ainda não reajustaram os salários de suas categorias docentes. Em Santa Rita, a situação é a mais grave dos três. Há 6 anos, o prefeito Emerson Panta (PP), NÃO reajusta os salários de professores/as do município, apesar de receber (todo ano) cada vez mais verbas de Fundeb para pagamento dos salários da categoria e manutenção e desenvolvimento do ensino, como determina a Lei do Fundeb. Porém, de forma inequívoca, Panta descumpre a lei da maneira mais descarada possível. Picaretagem maior não pode haver. Com a palavra, o Ministério Público!!!

Já em Bayeux, a prefeita Luciene de Fofinho (PDT), se apresenta como uma mulher temente a Deus perante à cidade, mas na hora de cumprir a lei e servir a todos/as, aí o "bicho pega". Luciene de Fofinho não paga o reajuste do Piso Salarial Nacional a professores/as, assim como também não paga o reajuste salarial de vigilantes municipais e do pessoal  de apoio, da ordem de 10,18% que, assim como o pessoal da Educação, também têm data-base em janeiro. Parece que a irmã Luciene não é tão "temente a Deus" como diz!!!

Em João Pessoa, o prefeito Cícero Lucena (PP), mesmo partido de Emerson Panta, prefeito de Sta. Rita, fez a proposta mais indecente até agora. Proposta no estilo "Casa Pio": ele propôs um reajuste de 33,4%, sendo que 15% será pago nos vencimentos da categoria e o restante será incorporado em forma de abono, mensalmente, aos salários dos/as professores/as, até isso ser incorporado em definitivo no final do ano ao salário, além de um percentual na produtividade. Isso vale também para aposentados e, para os demais servidores da Educação, o reajuste é de apenas 10%. Assim como no Estado, a direção do SINTEMJP foi efusivamente defensora da proposta, manobrando de forma inacreditável na Assembleia virtual a aprovação desta proposta da PMJP.

O mais absurdo de tudo isso é que o governo GENOCIDA e inimigo público número 1 da Educação Pública, comandado por Bolsonaro, não apenas publicou a Portaria Interministerial de 20/12/2021 (já citada) como assinou a Portaria oficializando o reajuste de 33,24% a professores/as da Educação Básica de todo o país, colocando a governadores e prefeitos a responsabilidade de pagarem seus profissionais do magistério.

Imediatamente, a CNM - Confederação Nacional dos Municípios -, entidade que representa prefeitos/as dos 5570 municípios do país, publicou uma nota afirmando que a portaria assinada pelo presidente Bolsonaro "não tem base legal" e chamando prefeitos/as a não pagarem o reajuste do Piso Salarial Nacional a professores/as de seus respectivos municípios. 

Assim, fica colocada uma tarefa importantíssima para a CNTE e o movimento dos/as trabalhadores/as em Educação de todo o país diante desta postura da CNM, caso o/a prefeito/a de seu município acate a recomendação da entidade: organizar a base da categoria e fazer uma GREVE  da categoria para que seja pago o reajuste do Piso Salarial Nacional à categoria!!!

Simples assim...............



sábado, 22 de janeiro de 2022

Política, teu nome é OPORTUNISMO - Parte II








Em artigo anterior, de mesmo nome, analisamos o contexto nacional sob esta ótica. Analisaremos agora o mesmo assunto, desta vez em terras tabajaras. Infelizmente, o título cai como uma luva não apenas para as movimentações feitas no campo da direita, mas também entre aqueles que se colocam como defensores dos trabalhadores, como é o caso do PT/PB. E, como atuamos há anos no movimento dos trabalhadores, privilegiaremos nossa análise observando a movimentação destes últimos atores.

Em 2018, o PT participou das eleições na Paraíba apoiando a candidatura do atual governador João Azevedo, candidato na época pelo PSB, partido do então governador na ocasião Ricardo Coutinho, que compôs uma aliança com mais 13 partidos de várias matrizes ideológicas que, naquela oportunidade, apoiavam tanto a candidatura de Haddad à Presidente da República (como o próprio PT e o PCdoB), como apoiadores da candidatura Ciro Gomes (PDT) e até de Bolsonaro (como o DEM e PTB), além de outros partidos de direita, como PRB, PROS, Podemos, dentre outros. Um verdadeiro "balaio de gatos" que venceu as eleições para governador na Paraíba e elegeu boa parte dos deputados estaduais e federais no Estado.

Isso fez com que o PT/PB se comprometesse, desde o início, com o governo de João Azevedo que, após o escândalo da "Operação Calvário", que revelou os bastidores da maior corrupção já revelada na Paraíba, com desvio de milhões de reais de dinheiro público na Saúde e Educação através de contratos milionários com Organizações Sociais - OS's -, cujas investigações ainda estão em curso pelo MPPB e Gaeco e que atingiram em cheio o Governo da Paraíba, chefiado pelo ex-governador Ricardo Coutinho (na época no PSB) e boa parte de seus auxiliares diretos, muitos dos quais foram aproveitados por João Azevedo no início de seu governo, em 2019, mas logo afastados por ele após o estouro deste escândalo. Sem falar que o nome de João Azevedo também passou a ser citado como um dos envolvidos na "Operação Calvário". Um dos desdobramentos disso foi o acirramento da crise interna no PSB/PB, levando a que João Azevedo, meses depois, rompesse com o partido e se filiasse ao Cidadania, partido em que se encontra hoje em dia. Mesmo com todo esse escândalo, o PT/PB continuou apoiando o governo João Azevedo.

Pouco mais de um ano após a "Operação Calvário" começar a destroçar os meandros dos bastidores da política paraibana e a pandemia do coronavírus ameaçar a vida de milhões em todo o mundo e também na Paraíba, o governo João Azevedo não mediu esforços para seguir a cartilha do governo Bolsonaro, a quem ele diz ser "oposição" no plano nacional, e fazer a "Reforma da Previdência Estadual" ser aprovada, em 2º turno, na Assembleia Legislativa da Paraíba, em agosto de 2020, durante a pandemia, sem nenhuma discussão com a categoria dos servidores públicos estaduais e, pior, prejudicando e muito toda uma categoria de trabalhadores/as. Apesar de afirmar que votou contra a Reforma da Previdência Estadual de João Azevedo, o PT/PB continuou apoiando o governo

Durante todo este período, o PT/PB (e uma parte importante da direção nacional do partido) vivia um "namoro" com o ex-governador Ricardo Coutinho. Isso ficou ainda mais claro nas eleições municipais de 2020, quando Ricardo Coutinho se lançou candidato a prefeito de João Pessoa pelo PSB e o PT lançou o deputado estadual Anísio Maia como o seu candidato na mesma eleição. Foi uma eleição extremamente tumultuada para o PT/PB. Houve intervenção da direção nacional sobre o diretória municipal porque esta entendia que o partido deveria apoiar o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e não ter candidatura própria; já o diretório municipal de João Pessoa conseguiu garantir, até o final, a candidatura de Anísio Maia. Enquanto isso, a militância petista se dividiu entre apoiar o candidato do partido e o candidato do PSB. Ao final, Ricardo Coutinho teve pouco mais de 10% dos votos enquanto Anísio Maia não chegou a pontuar 1,5% no mesmo processo eleitoral.

De certa forma, isso serviu para alimentar ainda mais o "namoro" da direção nacional petista com o ex-governador Ricardo Coutinho e vice-versa. Mas, as relações entre este e o governador João Azevedo eram um entrave nesta relação. Porém, isso não foi suficiente para impedir que Ricardo Coutinho voltasse para o PT/PB em setembro do ano passado e arrastasse com ele nessa sua volta os deputados estaduais Jeová Campos, Cida Ramos e Estela Bezerra, além da ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena, que estavam com ele no PSB. Eis o primeiro capítulo do OPORTUNISMO - Parte II!!! 

Ricardo Coutinho que, no início do século XXI, rompe com o PT, vai para o PSB  e leva consigo muitos/as do PT para seu novo partido, trava uma disputa ferrenha com Nadja Palitot pelo controle do PSB, ganha essa disputa, vence duas eleições majoritárias seguidas no PSB, "despreza" o PT de certa maneira e agora, volta para este partido com honras e glórias. OPORTUNISMO de mão dupla!!!

O segundo capítulo desta série consegue ser pior do que o primeiro. Se dá em dezembro do ano passado, quando o PT anuncia a filiação do ex-prefeito Luciano Cartaxo ao partido, feita através de uma conversa com a direção nacional do partido. Ela consegue ser pior porque Cartaxo rompeu com o partido em setembro de 2015 por conta, segundo ele, dos "escândalos políticos" que tomavam conta da legenda naquela ocasião. Na oportunidade, ele saiu do PT e filiou-se ao PSD. Depois, foi para o PV e, agora, retorna para o PT. Aí está o segundo capítulo do OPORTUNISMO - Parte II!!!

Pra encerrar a série, chegamos às eleições 2022 na Paraíba. Como já afirmamos, nem a "Operação Calvário", nem a "Reforma da Previdência Estadual" de João Azevedo feita tipo Control C Control V de Bolsonaro foram suficientes para retirar o apoio do PT/PB ao governo estadual. Mas, o argumento preferido dos reformistas (leia-se "lulistas") de que é preciso derrotar o fascismo (leia-se governo Bolsonaro) e, para isso, vale tudo (inclusive se juntar a Alckmin, no plano nacional - leia-se os "golpistas" -) faz com que o PT/PB "esqueça" que passou 4 anos no governo João Azevedo e decida apoiar o senador Veneziano Vital (MDB) ao governo da Paraíba, desde que ele decida disputar o cargo e também decida apoiar Lula a Presidente em outubro próximo. Assim como Alckmin, para o PT/PB, o fato de Veneziano ter votado no impeachment de Dilma em 2016 (ter sido, portanto, um "golpista"), é um apenas um DETALHEEis o terceiro e derradeiro capítulo do OPORTUNISMO - Parte II!!!

Para reflexão de todos e todas.................

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

2022 chega e mais um ano de LUTA pelo direito ao Piso Salarial Nacional do Magistério!!!




Em artigo anterior, de agosto do ano passado, debatíamos acerca da confusão proposital estabelecida no movimento docente da Educação Básica de todo o país por conta de uma "votação" ocorrida na Câmara dos Deputados do PL 3776/08, que determina a alteração do índice de reajuste do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica que, pela Lei 11.738/08, sancionada no governo Lula, deve ser o ICA - Índice Custo Aluno - e, no PL citado, este índice passaria a ser o INPC (que, em 2021, registrou um acúmulo de 12 meses em 10,16%).

Este ano, nem bem 2022 começou, duas polêmicas atravessam este debate do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica. Uma, vem do Congresso Nacional, através do PL 2075/21, apresentado pelo deputado federal Hildo Rocha (MDB/MA), que consegue ser pior do que o PL 3776/08. O PL do deputado maranhense, além de determinar que o reajuste do Piso Salarial do Magistério deva ser pelo INPC, revoga pontos importantes da Lei do Piso de 2008, como o fim da jornada de 1/3 consagrada nesta legislação atualmente em vigor, que é muito importante para a valorização da carreira docente e qualificação da mesma; altera a decisão do acórdão do STF sobre a Lei do Piso, ao afirmar que o Piso Salarial passará a ser calculado com base na remuneração do/a profissional e não mais nos seus vencimentos - "cabeça" dos contracheques, como se costuma dizer -; além de alterar o conceito de profissional do magistério, coisa que de certa forma já foi feita pelo governo Bolsonaro, com a Lei 14.276, de 27 de dezembro de 2021.

A segunda polêmica iniciou-se no governo Bolsonaro, com a publicação no Diário Oficial da União, no dia 20/12/2021, da Portaria Interministerial nº 10, que estabeleceu o reajuste do Piso Salarial Nacional em 33,23%; posteriormente, em 14/01 deste ano, a Assessoria de Comunicação Social do MEC emitiu uma nota técnica onde, nas suas entrelinhas, fica claro o discurso do ministério (e do governo Bolsonaro, consequentemente) em querer revogar a Portaria Interministerial citada e o reajuste publicado no DOU. Obviamente, isso se deve a pressões de prefeitos e governadores mais uma vez contrários ao reajuste do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica, com o velho discurso de que isso afetará as finanças de seus Municípios e Estados, agora aproveitando-se da ocasião excepcional da pandemia do coronavírus, apesar de sabermos da enxurrada de dinheiro que veio para estes de verbas do Fundeb durante estes dois anos de pandemia (onde muitos sequer pagaram as sobras do Fundeb, como o governo da Paraíba e a Prefeitura de João Pessoa (João Azevedo - Cidadania - e Cicero Lucena - PP -, respectivamente).

Que Bolsonaro, governadores e prefeitos de todo o país sejam inimigos da Educação Pública, já sabemos disso há décadas, não há nenhum segredo nisso. O grande problema é quando verificamos sindicatos e dirigentes sindicais que dizem ser "oposição" a tudo isso fazerem acordos espúrios e jogarem na lata do lixo toda uma trajetória de luta da categoria da Educação de anos e anos por conta de motivos escusos, que ninguém sabe ao certo quais são.

O caso da Paraíba, neste aspecto, é emblemático. No momento em que escrevo este artigo, haverá uma Assembleia Geral do SINTEP/PB na tarde desta sexta-feira, 21/01, que definirá a aceitação ou não da proposta feita pelo governo João Azevedo às direções do SINTEP e da APLP para o pagamento do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica. E a proposta indecente do governador foi pagar, ainda em janeiro, o percentual de 31,3% com a promessa feita aos sindicalistas de que, caso o governo Bolsonaro ratifique o percentual de 33,23% expresso na Portaria Interministerial de 20/12 do ano passado, ele complementará a diferença no mês seguinte; caso contrário, ele mantém este percentual nos contracheques da categoria.

A direção cutista do SINTEP, encastelada no sindicato há cerca de 40 anos e que, no recente Congresso da CNTE colocou duas diretoras na direção da Confederação, além de ter em seus quadros um dirigente sindical envolvido em um processo de estupro de vulnerável na cidade do Conde/PB, aceitou de IMEDIATO a proposta do governo e, nesta quinta-feira (20/12), todas as 14 Assembleias Regionais aceitaram tal proposta, sem impor nenhuma garantia de aceitação ao governo, acreditando na "palavra" do governador que não pagou as sobras do Fundeb, mesmo toda a categoria sabendo que há dinheiro suficiente para isso.

Evidentemente, tal proposta cria um precedente extremamente perigoso para toda a categoria Magistério na Paraíba e no Brasil. Pois a concretização desta proposta com certeza será efetivada por outros gestores e, assim, prejudicará (e muito) a luta do Piso Salarial Nacional do Magistério da Educação Básica em toda a Paraíba e no país.

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), que recém realizou seu 34º Congresso Nacional e escolheu uma nova direção, reconduzindo à Presidência da entidade o professor Heleno Araújo para mais um mandato de 4 anos, precisa definir uma tática de enfrentamento a todos esses duros ataques que vem ocorrendo à Educação Pública em nosso país e ao Piso Salarial Nacional do Magistério. Neste momento que atravessamos, é preciso que a CNTE organize nossa categoria em todo o país, através dos sindicatos, na construção de uma GREVE GERAL da categoria na defesa da EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE e no pagamento do PISO SALARIAL NACIONAL DO MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA, definido na Portaria Interministerial nº 10, de 20/12/2021. Este é o papel que a CNTE, como direção nacional do movimento dos/as trabalhadores/as da Educação de todo o país, deve cumprir desde já!!!

Mas, para Antonio Arruda, Edvaldo Faustino, Carlos Belarmino, Felipe Baunilha, Maria Leônia e Soraya Maria, vale o ditado: "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Lastimável.........


domingo, 16 de janeiro de 2022

Política, teu nome é OPORTUNISMO!!!




As eleições 2022 prometem ser uma das mais "quentes" de todos os tempos, especialmente por conta da polarização política que tomou conta do país após a ascensão da ultradireita ao poder, através da eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Não vamos, neste artigo, nos ater às razões desta vitória já que, em artigos anteriores, fizemos tais análises. 

O ponto central deste artigo será uma característica que permeará esta eleição, que já vem se consolidando em todos os cenários até agora colocados, seja da direita tradicional, da ultra direita, da esquerda reformista ou até mesmo de setores da esquerda socialista (como PSOL): o OPORTUNISMO ELEITORAL!!!

Analisaremos aqui esta característica no campo da esquerda já citada. Ela consegue esconder, sem meias palavras, estratégias e discursos elaborados durante anos para, com isso, conquistar apoios e votos para ganhar uma eleição e, assim, voltar ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro deste ano. Com um discurso simples e que consegue chegar aos corações e mentes da maioria das pessoas: "é preciso fazer alianças para vencer uma eleição. Sozinho, não se ganha uma eleição".

Com este pensamento rasteiro, mas eficiente, Lula, o PT e seus "satélites" no terreno partidário-militante (partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais, entidades estudantis, do campo e da cidade) vão espalhando esta mensagem como se fosse a mais "revolucionária" de todos os tempos.

Porém, a realidade dos fatos costuma ser mais dura e cruel do que qualquer mensagem pintada de "revolucionária" que Lula e seus discípulos espalhem. 

A realidade posta nos dias atuais revela que Lula e o PT jogaram por terra todo um discurso (ou "narrativa", como queiram) construída por eles próprios após o dia 31 de agosto de 2016, quando ocorreu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A partir desta data, Lula, o PT e seus "satélites" criaram o discurso de que houve um "golpe" contra a presidente, o partido e todos/as que votaram a favor do impeachment e participaram de sua articulação eram "golpistas".

Isso não durou muito. Nas eleições de 2018, tanto o PT como seus partidos aliados - PCdoB e PSOL, principalmente - aliaram-se com alguns dos "golpistas" tanto criticados por eles em 2016; isso repetiu-se nas eleições de 2020, em vários municípios de todo o Brasil. Porém, muitos/as não queriam ver esse tipo de coisa e continuavam a repetir o bordão do "golpe de 2016" e dos "golpistas". Isso aumentou consideravelmente após a prisão de Lula em 2018, impedindo-o de concorrer às eleições daquele ano, pavimentando a eleição de Bolsonaro, e também após sua soltura, meses depois.

O OPORTUNISMO ELEITORAL das atuais eleições começa a se desenhar a partir de março de 2021, quando o ministro do STF, Edson Fachin, anulou as condenações de Lula relacionadas à "Operação LavaJato" e, assim, ele voltou a ser elegível (https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/03/08/fachin-anula-condenacoes-de-lula-relacionadas-a-operacao-lava-jato.ghtml). A partir deste momento, tem início pelo PT e por Lula, ainda sem alarde, a construção da "Frente Ampla" para 2022. Com o discurso já elaborado: "tudo para derrotar Bolsonaro e a extrema-direita"!!!

Três meses depois deste fato, um segundo episódio ocorre: a saída do deputado federal Marcelo Freixo do PSOL e sua ida para o PSB para facilitar a construção da "Frente Ampla" no Rio de Janeiro ao Palácio Guanabara (https://www.poder360.com.br/partidos-politicos/freixo-deixa-o-psol-depois-de-16-anos-em-preparacao-para-2022/) e, consequentemente, a candidatura Lula no Estado. Vale lembrar que, ainda no PSOL, Freixo debatia alianças com figuras da direita, como Rodrigo Maia e Eduardo Paes (ambos do DEM) para viabiiizar esta "Frente Ampla" com seu nome; posteriormente a estes dois acontecimentos, Lula e o PT foram construindo ainda mais a viabilidade da "Frente Ampla", mesmo sem o ex-presidente assumir que é candidato ao Palácio do Planalto em 2022, preferindo anunciar isso para mais tarde ainda este ano. Porém, os movimentos continuaram sendo feitos, especialmente (para desespero de quem sofre de APP - Amnésia Política Proposital -) com aqueles/as que eram tachados de "golpistas" pelo próprio Lula. Quem não lembra do encontro com Eunício Oliveira  (MDB) no Ceará??? Ou da reunião com Renan Calheiros em Brasíia (MDB/AL)??? Ou, ainda, com o ainda presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ)??? Sem falar em encontros com outras lideranças ligadas ao "Centrão"!!!

Tudo isso foi servindo para demolir o discurso do "golpe de 2016" e dos "golpistas" construído por Lula, pelo PT  e por seus "satélites"!!!

Após isso, veio a "cereja do bolo" lançada por Lula e pela cúpula petista para 2022: a aliança com Geraldo Alckmin (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/12/20/lula-e-alckmin-se-encontram-em-jantar-em-sao-paulo.ghtml), tendo este como vice na sua chapa. Uma cópia da chapa de 2002, com uma nova modelagem: Alckmin chega a uma fatia do eleitorado que Lula e o PT não alcançam, que é um setor no qual Bolsonaro tem espaço e que Lula precisa chegar, o setor conservador. Aí está a segunda parte do OPORTUNISMO ELEITORAL da esquerda reformista e a primeira da esquerda socialista, como PSOL e outros. Este setor sempre teve duras - e certeiras - críticas a Alckmin, especialmente à sua postura como governador de São Paulo pelo PSDB, mas agora ficam calados por conta do apoio que dão a Lula e ao PT nas eleições de 2022. Lamentável......

Pra fechar com "chave de ouro" o OPORTUNISMO ELEITORAL da esquerda reformista nestas eleições, assistimos a notícia de Temer afirmando ter sido procurado por Lula para debater uma aliança nas eleições deste ano (https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/01/13/temer-diz-ter-sido-procurado-por-interlocutor-de-lula-para-tratar-de-aliana-nas-eleies.ghtml). E o pior: nenhum desmentido, até agora, da parte de Lula ou da direção do PT, sobre esta notícia, o que nos leva a crer que tal fato é verdade. Sendo assim, o discurso do "golpe de 2016" está, DEFINITIVAMENTE, morto e enterrado. Afinal, estamos falando de Michel Temer (MDB/SP), vice de Dilma à época, apontado pelo PT e seus "satélites" como o principal mentor do "golpe" (principal "golpista", portanto) e que foi o maior beneficiário deste, já que tornou-se Presidente com o impeachment de Dilma. E agora, quase 6 anos após o "golpe", é novamente procurado para aliar-se mais uma vez ao PT. Para bom entendedor, meia pá.....bá.....!!!

Nas terras tabajaras, um outro episódio serve para fechar também com "chave de ouro" o OPORTUNISMO ELEITORAL : o provável apoio do PT/PB ao senador Veneziano Vital (MDB/PB) ao governo do Estado caso este decida apoiar Lula a presidente. Neste caso, o OPORTUNISMO ELEITORAL seria duplo, da parte do PT. Este passou 4 anos apoiando o governo João Azevedo (Cidadania), inclusive com cargos na administração estadual, sairia e passaria a apoiar uma candidatura de "oposição" e deixaria de tratar Veneziano como mais um "golpista", assim como tantos outros no cenário nacional, como Alckmin e Temer, por exemplo.

Por isso reafirmamos: em 2022, mais do que nunca, politica, teu nome é OPORTUNISMO!!!