Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Algumas considerações sobre o novo Ministro da Educação





Carlos Alberto Decotelli da Silva é o novo ministro da Educação anunciado pelo presidente Bolsonaro. Ele tem 67 anos e, segundo o presidente, o novo ministro é formado em Economia pela UERJ, mestre pela FGV, doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.
Decotelli é o primeiro ministro negro do governo Bolsonaro e o 11º ministro militar de seu governo. Isso demonstra um pouco o que significa Bolsonaro e seu governo. Ele vem na esteira de uma recente polêmica ocorrida no MEC provocada por seu antecessor no cargo, Weintraub que, como último ato de sua desastrosa gestão à frente do Ministério, revogou uma portaria que determinava cotas para negros, indígenas e portadores de deficiências nos cursos de pós-graduação nas universidades brasileiras. Dias depois, o mesmo MEC, através de seu ministro interino, revogou tal medida, fazendo com que tais cotas voltassem a vigorar. Bolsonaro, com a nomeação de Decotelli, tenta apagar tal polêmica causada por Weintraub e também se afastar da pecha de racista que o acompanha há anos. Como se isso fosse possível!!!
Outra coisa a ser colocada na nomeação do novo titular do MEC é que ele representa uma vitória do grupo dos militares e também do ministro da Economia, Paulo Guedes, contra o grupo dos "olavistas" no interior do governo, que defendiam um nome com mais afinidade ao antecessor no cargo. 
O Palácio do Planalto tem algumas expectativas em relação ao papel do novo ministro na pasta que irá comandar. Segundo o Executivo, espera-se que "ele distensione as relações do MEC com o Congresso e o Judiciário. Entre suas missões estão a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e a aprovação da proposta sobre o Fundeb permanente" (https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/06/bolsonaro-anuncia-carlos-decotelli-ex-presidente-do-fnde-para-educacao.shtml). Além disso, Decotelli terá também como tarefa "conduzir o papel do MEC na reabertura das escolas fechadas com a pandemia do cornavírus" (idem).
Porém, como mais um ministro militar, ainda mais numa área como a Educação, não devemos nos surpreender se, no próximo período, a discussão sobre a implantação das escolas cívico-militares voltar à tona em todo o país.
Sobre o novo Fundeb, esperamos que Decotelli, agora como ministro da Educação, realmente dê prioridade a esta discussão. Coisa que seu antecessor, Weintraub, fez questão de não fazê-lo e nem ele, enquanto presidente do FNDE entre fevereiro e agosto de 2019. Esperamos que agora este tenha uma postura bem diferente.
Afora todas estas considerações, a nova nomeação de Bolsonaro é mais do mesmo. Apesar dos vários títulos acadêmicos que possui o novo titular do MEC, isso não é garantia de que este terá um grande futuro à frente da pasta. Se fosse assim, FHC teria sido um excelente presidente. Muitos ainda o consideram o "príncipe da sociologia brasileira", no entanto, foi um dos que mais atacaram a Universidade brasileira em seus 8 anos de (des)governo.  Assim, veremos como será sua gestão no MEC para fazermos uma melhor avaliação!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

A crise do futebol brasileiro na pandemia do coronavírus e o seu retorno



Há um debate em curso na conjuntura brasileira - em especial, no cenário esportivo nacional - sobre o retorno das atividades do futebol brasileiro (como de resto, de boa parte das atividades econômicas). Isso atinge especificamente as praças de futebol menos "abastadas" do país, aonde os clubes de futebol sentem mais os efeitos da pandemia do coronavírus, mas de forma geral os grandes clubes do país também fazem a mesma reivindicação e as federações de futebol, a partir da CBF, repercutem a questão: quem bancará os custos dos exames sobre a Covid-19 a ser feito pelos atletas e Comissões Técnicas das equipes envolvidas nos campeonatos estaduais e, quiçá, no Campeonato Brasileiro???
Tal questão nos remete ao velho debate que, vez ou outra, sempre retorna ao debate em terras tupiniquins quando há uma crise envolvendo o capitalismo verde-amarelo, ainda mais quando vivenciamos uma crise excepcional e exponencial como esta, protagonizada pelo coronavírus que, segundo projeções do Banco Mundial, pode gerar uma recessão de cerca de 8%, ao final desta pandemia. Os liberais da "terrinha" sempre apregoam a não interferência do Estado na economia, ou melhor dizendo, a separação do Estado diante da economia, ou melhor ainda, a glorificação do "deus-mercado" (segundo as ideias neoliberais) mas, quando o "calo aperta no sapato" todos, (sem distinção), vão correndo em direção ao Estado como sua "tábua de salvação".
Tal postura não é diferente neste momento da crise vivida pelos clubes de futebol brasileiros, grandes ou pequenos, na pandemia do coronavírus. Todos, sem distinção, (como acabamos de frisar acima), fazem questão de perguntar às suas federações locais acerca de quem custeará os exames sobre a Covid-19 no retorno às atividades do futebol em seus Estados. Isso porque nenhum destes deseja assumir, sozinho, tais despesas.
Isto, apesar de todos estes clubes e seus dirigentes, além daqueles/as de suas federações estaduais e da própria CBF terem bastante claros em suas consciências o que diz os Estatutos de cada uma de suas entidades. Queremos, aqui, relembrar algumas passagens destes para os/as torcedores/as de nosso país.
O Estatuto da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), afirma explicitamente em seu artigo 1º que esta "é uma associação de direito privado" e, logo depois, em seu artigo 6º, afirma que "goza de peculiar autonomia quanto sua organização e funcionamento, não estando sujeita a ingerência ou interferência estatal ou privada".
Além desse teor específico contido no Estatuto da CBF, entidade maior do futebol brasileiro, isso também consta no Estatuto de outras entidades do nosso futebol. A exemplo da Federação Paraibana de Futebol - FPF -, aonde também ocorre polêmica semelhante acerca deste assunto, com os clubes fazendo esta cobrança. O estatuto da federação, em seu artigo 1º, estabelece que esta "é uma sociedade civil de direito privado" e o parágrafo 2º deste afirma que a federação "goza de peculiar autonomia quanto sua organização e funcionamento, não estando sujeito a ingerência ou interferência estatal ou privada", ou seja, é idêntico ao que estabelece o Estatuto da CBF em seu artigo 6º.
São, portanto, entidades privadas que em nada dependem do dinheiro público ´para sobreviverem. Quando ganham "horrores", nunca se lembram do Estado; quando estão na "pindaíba", recorrem a este. Assim como os acionistas da Bolsa de Valores!!!
Observa-se, neste aspecto, que os dirigentes de futebol de nosso país, popularmente chamados de "cartolas", não se diferenciam em nada de boa parte dos empresários e banqueiros brasileiros quando o assunto é aplicar a velha máxima: "façam o que digo, mas não façam o que eu faço".

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Algumas considerações acerca das retiradas (e derrubadas) de estátuas no mundo



Na esteira dos atos e manifestações que ocorrem nos EUA e em várias partes do mundo, após o brutal assassinato do negro americano George Floyd por um policial branco, em 25 de maio deste ano, em Minneapolis, tem havido uma série de acontecimentos que podemos classificar como progressivos, do ponto de vista político e que merecem uma boa discussão historiográfica: a retirada (ou derrubada) de monumentos históricos (em sua maioria, estátuas) de personagens que tiveram relações com a escravidão ou com regimes autoritários ao longo da História.
Isso já havia ocorrido anos atrás nos EUA, quando da luta contra o racismo e a violência policial (as mesmas razões desta luta atual) por conta de uma outra ação da polícia norte-americana e algumas estátuas de líderes confederados daquele país, que lideraram os chamados Estados Confederados da Guerra Civil norte-americana, que apoiavam abertamente a escravidão naquele país, foram derrubadas pelas pessoas. Isso causou ampla repercussão na sociedade daquele país, mas não da forma como atualmente.
Agora, com a profunda repercussão dos acontecimentos registrados a partir do assassinato de Floyd e, a partir de então, com os sucessivos atos ocorridos no coração do império e também em outras partes do mundo, começaram a se verificar também cenas desta mesma natureza anterior, nos EUA e no mundo. 
Em Bristol, na Inglaterra, manifestantes arrancaram do pedestal a estátua que homenageava o traficante de escravos Edward Colston e a jogaram no rio da cidade. Posteriormente, esta foi retirada deste rio pelas autoridades locais e levada para um "lugar seguro", segundo estas mesmas autoridades, conforme a matéria (https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/06/11/estatua-de-traficante-de-escravos-e-retirada-do-rio-no-inglaterra.htm).
Em Boston, nos EUA, a estátua de Cristóvão Colombo, considerado o "descobridor das Américas", foi decapitada em 09 de junho deste ano por ser considerado "um dos responsáveis pelo genocídio indígena" no continente (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2020/06/10/estatua-de-cristovao-colombo-e-decapitada-em-boston.htm).
Em Richmond, capital da Virgínia, nos EUA, a estátua de Jefferson Davis, presidente da Confederação dos Estados da América durante a Guerra Civil Americana, foi derrubada na noite de 10 de junho deste ano (https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/06/11/estatua-de-jefferson-davis-e-derrubada-nos-eua.htm). Virgínia era o Estado aonde situava-se a sede dos Estados Confederados durante a Guerra Civil.
Em Poole, na Inglaterra, há um intenso debate acerca da retirada ou não da estátua do fundador do escotismo, Robert Baden-Powell. Isso porque associações criticam este por apoiarem, com citações explícitas em seu diário pessoal, o fundador do nazismo, Adolf Hitler (https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/06/11/estatua-de-fundador-dos-escoteiros-deve-ser-derrubada-na-inglaterra.htm).
As estátuas do rei Leopoldo II, da Bélgica e de Robert Milligan, foram retiradas na Antuérpia e Londres, respectivamente. Leopoldo II foi responsável pela morte de milhões de africanos na colonização do Congo, considerado como território privado do rei de 1877 a 1908. Sua "brutalidade na exploração do trabalho de africanos na extração de borracha e marfim foi exposta na imprensa mundial. Já Robert Milligan era um comerciante de escravos. Chegou a possuir 526 escravos em suas duas plantações de açúcar, na Jamaica" (https://www.poder360.com.br/internacional/estatuas-ligadas-a-racistas-sao-removidas-na-europa-depois-de-manifestacoes/).
Tais notícias, como afirmei anteriormente, denotam uma boa discussão política e historiográfica acerca da questão. Sobre a questão historiográfica, temos um ponto a colocar. Embora as razões apontadas para as atitudes tomadas para tais atos, entendíveis por demais, mas a simples retirada (ou derrubada) de tais monumentos históricos não são por mim compreensíveis. Isto por que entendo que é preciso preservar a memória histórica, apesar de não possuir concordância com vários personagens históricos, como alguns dos citados neste texto.
Para ficar bem claro: apesar de não possuir nenhum acordo com a escravidão, com os abusos cometidos em nome desta ou em nome da colonização ou, ainda, em nome do nazismo (ou de qualquer regime autoritário/ditatorial), acredito ser importante que se preservem registros históricos acerca destes fatos ocorridos em nossa História para que toda uma geração possa tomar conhecimento de tais ocorridos, como forma da memória histórica acima referida.
Evidentemente, este é um bom debate a ser feito em torno a esta questão. E, mais uma vez, tais considerações merecem todo e qualquer argumento a ser feito. Uma discussão em aberto.
Do ponto de vista político, é um movimento progressivo, pois abre um questionamento à ordem estabelecida, tanto dentro quanto fora dos EUA. Tanto dentro quanto fora do coração do império, portanto. Como vem ocorrendo em vários momentos desde que "explodiram" os atos e manifestações contra o racismo e a violência policial após o assassinato de George Floyd, a discussão sobre o socialismo e sua necessidade com mais esta crise vivida com o capitalismo e sua repercussão diante da nossa classe e suas desventuras sofridas por esta diante de tudo isso com mais esta pandemia, com mais este elemento que vem a se somar a tantos outros elementos que o capitalismo proporciona para aumentar as agruras que este regime cria para aprofundar a miséria que este causa à nossa classe.
Portanto, a progressividade destes atos que vem ocorrendo nos EUA e na Europa, com as estátuas de "homenageados" simbolizando a escravidão, o racismo, regimes autoritários ou coisas do tipo, precisa de algo mais que a simples retirada ou derrubada de estátuas. É preciso questionar o regime político que sustenta a ideia da exploração capitalista, que também sustentava a escravidão, o colonialismo, o nazismo ou qualquer outro regime autoritário. Questionar o regime capitalista, o "Estado Democrático de Direito" (que preserva a propriedade privada), que é a fonte da exploração e opressão existente na sociedade que vivemos, é fundamental para superarmos o momento que estamos.
Sem questionarmos isto, sem questionarmos o capitalismo que explora e oprime nossos povos, a retirada e derrubada de estátuas de exploradores e opressores em todo o mundo, infelizmente, ficará apenas nisso. A progressividade de tais atos não avançará e se limitará a tais fatos. É preciso ir além.  
Construir o socialismo, um governo socialista dos trabalhadores, apoiado nos Conselhos Populares. Eis a alternativa de nossa classe para superar o capitalismo!!!

domingo, 24 de maio de 2020

A pandemia do coronavírus e o debate do retorno do futebol





Desde dezembro de 2019, o mundo vive o debate e também a tormenta com a pandemia do coronavírus, desde a China (início de toda essa celeuma) até o planeta como um todo, nos dias atuais. Isso chegou, há algum tempo, ao mundo dos esportes também, inevitavelmente ao futebol, um dos esportes mais populares do planeta, e no Brasil considerado a "paixão nacional".
Isso fez com que os campeonatos estaduais, considerados os "termômetros" das rivalidades existentes no futebol nacional há décadas, fossem suspensos. Isso incluiu as competições nacionais como a Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro de todas as divisões. Tal suspensão foi válida também para homens e mulheres, em todas os níveis de competição, já que estamos tratando de futebol.
No último período, começou a ganhar força no país, a partir de um debate internacional, o retorno do calendário esportivo nacional, a partir do futebol. O campeonato de futebol alemão voltou a ter jogos da Liga de futebol daquele país, seguindo protocolo de treinos nos clubes e partidas rígido naquele país que foi um dos que mais controlou a pandemia do coronavírus na Europa. Este exemplo tem estimulado alguns dirigentes do futebol brasileiro a quererem que isto ocorra em terras tupiniquins. A questão que se apresenta é: a realidade alemã pode servir de parâmetro para a realidade brasileira?
Alguns clubes brasileiros se colocam à frente de outros neste debate, como Internacional e Grêmio, ambos do Rio Grande do Sul; e Flamengo e Vasco, do Rio de Janeiro, no sentido de quererem retornar aos gramados e disputar jogos. Outros, como Botafogo, no Rio de Janeiro e São Paulo, no Estado de mesmo nome, se colocam contrários à ideia. 
O presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, chegou a dizer que o jogador que não quisesse jogar, podia pedir demissão do clube; já Raí, ex-jogador do São Paulo e atual diretor do clube, posicionou-se contrário ao retorno das atividades do clube às partidas por conta da pandemia do coronavírus. 
Posição mais terrível e à direita foi tomada em conjunto pelos presidentes do Flamengo e do Vasco, Rodolfo Landim e Alexandre Campelo, respectivamente. Ambos se reuniram recentemente com o presidente Bolsonaro, em Brasília, e acertaram com este, o retorno das atividades destes clubes e deverão. consequentemente pressionar a Prefeitura do Rio de Janeiro a fazer com que esta aceite a elaborar um novo protocolo sobre isso, sob protesto de outros clubes, sobretudo do Botafogo. O ex-presidente deste clube, Carlos Augusto Montenegro, já afirmou que admite o clube perder pontos a disputar partidas em plena pandemia. No mesmo clube, o técnico Paulo Autuori também é contrário o retorno às atividades.
Na verdade, as posturas de Bolsonaro, Landim e Campelo revelam uma postura de irresponsabilidade, populismo e ganância. Bolsonaro apresenta-se como um "Médici" do século XXI, procurando usar da imagem do futebol para tentar, com isso, alavancar sua cada vez mais desgastada imagem perante a opinião pública, por conta dos recentes acontecimentos; Landim e Campelo procuram usar o desgaste natural que a pandemia do coronavírus causa na receita dos clubes para fazer com que isso não cause ainda mais arranhões nas estruturas dos clubes. Na do Flamengo, que não consegue resolver (sequer explicar como consegue arrumar dinheiro para contratar por milhões Gabigol ou renovar o contrato de Jorge Jesus mas, ao mesmo tempo, não encaminha as indenizações das famílias dos "meninos do Ninho") e o Vasco que possui meses de salários atrasados de seus jogadores.
Para os torcedores destes clubes, tais posturas são vergonhosas e dignas de REPÚDIO, merecedoras de serem totalmente alvos de protestos, pois elas mostram que tais dirigentes não estão preocupados nem um pouco outra coisa, a não ser o lucro que estão perdendo com o futebol paralisado nos tempos que estamos vivendo. E assim se comporta também a CBF, que não toma nenhuma atitude para buscar socorrer os médios e pequenos clubes do nosso país.
Tudo isso ocorrendo e esses dirigentes, junto com o genocida de Bolsonaro, em conluio com o irresponsável do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), querem fazer retornar o futebol às suas atividades normais, como se estivéssemos na Alemanha. Fala sério.....


– Quarentena geral já!
– Não ao retorno do futebol!
– Não aos jogos sem torcida!
– Em defesa da saúde de jogadores, torcedores e demais profissionais do futebol!
– Fora Bolsonaro e Mourão!




Bolsonaro, o exterminador de seu governo!!!







Um velho amigo e militante do PSTU costumava me dizer que a realidade é muito mais dinâmica do que nossas avaliações políticas. Isso tem se constatado nos últimos anos e, mais especificamente, nas últimas semanas e nos últimos dias em nosso país de forma impressionante no atual governo Bolsonaro, dada a capacidade fenomenal que este possui de produzir fatos que podem levá-lo rapidamente à autodestruição. 
Em 21 de maio deste ano, pela primeira vez, ocorreu um movimento conjunto de partidos de oposição e entidades sindicais, populares e estudantis que, juntas, assinaram e protocolaram na Câmara dos Deputados, em Brasília, um pedido de impeachment do Presidente da República por crimes de responsabilidade à Constituição Federal e à democracia brasileira (https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/21/oposicao-pedido-impeachment-bolsonaro.htm), em sua maioria praticados por conta da série de atos praticados por este (ou contando com sua participação e adesão) às manifestações que ocorreram recentemente em Brasília e no resto do país, aonde as principais palavras de ordem eram pelo fechamento do Congresso Nacional, do STF, pedindo a volta do regime militar, do AI-5, intervenção militar, dentre outras coisas. Sete partidos (PT, PCdoB, PSOL, PCB, PCO, PSTU e UP), além de MTST e Articulação de Povos Indígenas, mais 400 entidades do campo já citado, foram signatários do pedido de impeachment do Presidente Jair Bolsonaro junto à Câmara dos Deputados. Mais um dentre os muitos que já circulam naquela Casa, com a diferença de que este é fruto de uma iniciativa coletiva, unificada, de todas estas organizações partidárias e do movimento como um todo.
No mesmo dia, mas noticiado pela imprensa no dia seguinte (22/05), o ministro do STF, Celso de Mello, relator do processo que investiga denúncia do ex-ministro Sérgio Moro contra presidente Bolsonaro por suposta interferência política na PF, enviou à PGR pedido de perícia nos celulares de Bolsonaro e de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/05/22/interna_politica,857374/celso-de-mello-envia-para-a-pgr-pedido-de-pericia-em-celular-de-bolso.shtml). Evidentemente, isso não apenas aumentou o cerco sobre o presidente, mas causou enorme alvoroço nas hostes bolsonaristas, com rechaço inclusive do general Heleno, responsável pela segurança pessoal do presidente, que emitiu uma "Nota à Nação Brasileira", aonde afirma poder existir "consequências imprevisíveis", caso tal fato ocorra (https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2020/05/general-heleno-ameaca-golpe-apos-stf-pedir-pericia-de-celular-de-bolsonaro/).
Para aumentar o desespero de Bolsonaro e seus fiéis escudeiros - leia-se bolsonaristas e bolsominions -, o mesmo ministro do STF Celso de Mello determinou, no dia 22 de maio do corrente ano, a retirada do sigilo do vídeo da reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril deste ano em que Bolsonaro, segundo o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, teria dito em depoimento à PF e também em sua entrevista quando saiu do comando da pasta, que o presidente teria tido intenção de promover "interferência política" na PF (https://brasil.elpais.com/brasil/2020-05-22/celso-de-mello-retira-sigilo-de-video-de-reuniao-onde-bolsonaro-menciona-trocas-na-seguranca-para-proteger-familia.html). A simples retirada deste sigilo foi suficiente para se verificar o grau da natureza que não apenas Bolsonaro, mas muitos de seus ministros, possuem acerca da coisa pública e também do conceito que possuem daqueles que consideram como sendo seus adversários ou inimigos.  A começar do próprio Bolsonaro, como já afirmamos, passando pelo ministro da Educação, Weintraub; Salles, do Meio Ambiente; Paulo Guedes, da Economia; Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos; indo até o presidente da CEF, Pedro Guimarães, sem citar outros presentes. 
É uma reunião que ilustra perfeitamente o nível da equipe que está a comandar este país e que serve para, neste momento, elevar ainda a temperatura da crise política e econômica que vivemos, além da crise sanitária pela qual passamos com a pandemia do coronavírus, que já causou a morte de mais de 23 mil pessoas (segundo informação mais atualizada do Ministério da Saúde).
Assim, as cenas dos próximos capítulos dessa crise são imprevisíveis, tornando a frase de nosso velho amigo e militante dita acima cada vez mais certa. Porém, apesar da pandemia, nossa capacidade de intervenção na realidade não pode nem deve ficar limitada. Precisamos intervir, de alguma forma, e buscar alternativas de fazer com que nossa classe seja parte integrante (ou até, mesmo, protagonista, deste processo)!!!

FORA BOLSONARO E MOURÃO!!!
QUARENTENA GERAL PARA TODOS, JÁ!!!

sábado, 9 de maio de 2020

Bolsonaro zomba DUAS vezes seguidas da cara do povo brasileiro que sofre com as mortes provocadas pelo coronavírus!!!



Na última quinta-feira, 07 de maio do corrente ano, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a todo o país, via imprensa, que iria fazer um churrasco para cerca de 30 convidados neste sábado, 08/05, no Palácio da Alvorada (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/05/07/bolsonaro-diz-que-fara-churrasco-no-proximo-sabado-para-uns-30-convidados.htm). Depois, afirmou em tom irônico (como é de sua característica) a seus seguidores, na grade do Palácio da Alvorada, aonde normalmente concede entrevistas a jornalistas e fala com seus apoiadores, que este churrasco reuniria bem mais convidados. Esta foi a primeira vez que Bolsonaro zombou da cara de todo o povo brasileiro diante da pandemia do coronavírus, que já matou mais de 10 mil pessoas em todo o território nacional, com mais de 148 mil casos confirmados, segundo matéria do portal G1, de acordo com dados das Secretarias Estaduais de Saúde da manhã de hoje (https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/05/09/casos-de-coronavirus-e-numero-de-mortes-no-brasil-em-9-de-maio.ghtml).
Posteriormente, o presidente Bolsonaro anuncia pelas redes sociais que o anúncio feito durante alguns dias (como vimos agora há pouco), do tal "churrasco da morte" tratava-se (segundo o mesmo) de "fake news"  e, para não perder o costume bolsonariano, tratou os jornalistas que divulgaram o evento amplamente informado pelo singular habitante do Palácio do Planalto nestes tempos de coronavírus, de "idiotas" e tratou seus antigos aliados do MBL (Movimento Brasil Livre), de ultradireita, como um bando de "sem noção" por estes terem entrado na justiça para tentar impedir a realização do churrasco (https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/09/depois-de-anunciar-churrasco-bolsonaro-diz-que-informacao-e-fake-e-critica-jornalistas.ghtml). Pela segunda vez em três dias, Bolsonaro zombou da cara de milhões de brasileiros e brasileiras.
Pior: agindo desta maneira, Jair Messias Bolsonaro age como não como um presidente eleito por pouco mais de 57 milhões de brasileiros/as, mas como um moleque no mais deplorável sentido da palavra. Assim se comportou Bolsonaro neste episódio. E assim agirá todo aquele/aquela que concordar com este tipo de degradável comportamento.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O "bloqueio total" (lockdown), o aumento do número de casos e mortes da Covid-19 e a crise do governo Bolsonaro



O site G1 registra, na manhã de hoje, 04 de maio do corrente ano, de acordo com os dados das Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país, um aumento no número de casos e mortes causadas pela Covid-19, não apenas nas últimas 24h, mas também quando comparamos na última semana, infelizmente. E é um crescimento considerável. Crescimento que faz com que nosso país tenha superado a China e que leva o Brasil a ficar entre os 10 países que figuram no topo dos países em todo o mundo neste triste e lamentável ranking no último período.
De acordo com o site citado, temos hoje (até agora), 102.155 casos confirmados da Covid-19 com 7.055 mortes já registradas em todo o território nacional (uma taxa de letalidade de 14,47%). Em relação ao mesmo período, ocorrido na semana anterior, houve de 51,5% no número de casos confirmados e de 53,2% em número de mortes. 
Isso tudo faz com que alguns governos, estaduais e municipais espalhados pelo país, passassem a ter um outro olhar sobre a questão da Covid-19 e seu combate. Desta maneira, a partir desta segunda-feira, 4 de maio, cidades como São Paulo e Estados como Maranhão, terão implantados em seus respectivos locais o "bloqueio total" como forma de combater, de forma mais efetiva, a propagação do coronavírus. Coisa que, por exemplo, foi feita em países como a Nova Zelândia e deu resultados em poucas semanas. Mas, é bom lembrar: deu certo neste país porque a política foi implantada de forma efetiva e séria, com apoio decisivo da população e rigoroso cumprimento da mesma por conta das autoridades, a começar da justiça e polícia, com aplicação de multas e até de prisões para aqueles/as que ousassem descumprir o "bloqueio total".
Aqui na Paraíba, apesar do novo decreto feito pelo governador João Azevedo (Cidadania) e pelos prefeitos Luciano Cartaxo (PV) e Romero Rodrigues (PSD), de João Pessoa e Campina Grande, respectivamente, dentre outros, nenhum se assemelha à decisão tomada pelo prefeito Emerson Panta (PSDB), de Sta. Rita que, em vídeo, anunciou que também implantará naquela cidade da Grande João Pessoa o "bloqueio total" como forma de combater o coronavírus. 
Acreditamos que, assim como o isolamento social, a radicalização da implantação do "bloqueio total" a ser feito por Estados e Municípios, assim como já foi feito em países com Itália e Nova Zelândia, sejam políticas eficazes no combate a esta doença, enquanto não vem a vacina. Porém, deve ser uma coisa muito bem planejada e, principalmente, bem feita.
Outra coisa que devemos pensar é o seguinte: caso esta política seja vitoriosa, o governo Bolsonaro (que já está em crise), poderá aprofundar definitivamente esta crise, fazendo com que sua intenção de criar uma base de sustentação no Congresso, via "Centrão", vá por água abaixo, e este busque sustentação ainda mais nas Forças Armadas que, a estas alturas, se transformaria numa incógnita ainda maior do que já é. Evidentemente, que tudo isso é mera suposição. A realidade sempre é maior do que nossa projeção. Por isso, precisamos esperar pelos acontecimentos.
Um outro elemento que não devemos desprezar é a política que vem sendo levada pelas direções do movimento da classe trabalhadora, que não vem ajudando em nada nossa classe a enfrentar este duro momento pelo qual passamos. Vejamos o último período.
Tivemos a celebração do 1º de Maio da classe trabalhadora, aonde poderíamos ter experimentado um instante de unificação dos setores que estão na luta dos trabalhadores para chamar nossa classe a resistir e construir o enfrentamento contra os ataques que estamos sofrendo há tempos, deste governo e de seus aliados, principalmente durante esta pandemia do coronavírus, aonde nossos algozes vêm se aproveitando do momento para, ainda mais, retirar nossos direitos. Mas, o que aconteceu? As lideranças majoritárias do movimento, a começar pela CUT, CTB, Força Sindical, FBP, dentre outras, se uniram e decidiram chamar para um mesmo palanque (mesmo que virtual, por conta da pandemia), esses nossos algozes, como FHC, Rodrigo Maia, Alcolumbre, Dias Toffoli, Doria, Witzel, para dividir o mesmo local conosco, que estamos cotidianamente na luta de nossa classe. Esses caras, que passam o tempo todo tramando para acabar com nossos direitos, foram chamados para celebrar a data histórica de nossa classe. Não por acaso, pouco depois, na madrugada de sábado para domingo - de 2 para de 3 de maio - Alcolumbre (DEM/AP), dirigiu sua tropa no Senado para aprovar mais um ataque contra nossa classe, dizendo que era um "socorro financeiro" para Estados e Municípios por causa do coronavírus. Me engana que eu gosto..........
Precisamos construir uma saída de classe para enfrentarmos o governo Bolsonaro e seus aliados no Congresso e no Judiciário. Defender "Frente Ampla", no terreno eleitoral, não resolverá a crise da classe trabalhadora. É preciso construir uma Frente Única para enfrentarmos o governo Bolsonaro, com unidade de ação. Só assim conseguiremos derrotá-lo. 
Precisamos também apostar na construção, pela base de nossa classe, da política do "FORA BOLSONARO E MOURÃO". Não é possível acreditar que haja dicotomia entre a permanência de Bolsonaro e a luta contra a Covid-19 em nosso país. Bolsonaro no poder é um empecilho a que haja uma real enfrentamento da crise sanitária que temos no país. E Mourão em seu lugar já deu provas mais do que suficientes de que será mais do mesmo, caso assuma o posto.
Portanto, apoiar o isolamento social, a política do "bloqueio total" a ser implantado em alguns locais mas, ao mesmo tempo, seguir defendendo a ruptura com este governo e a defesa do "FORA BOLSONARO E MOURÃO" e criticar a política da "Frente Ampla", defendida pela "esquerda oficial" (leia-se PT, PCdoB, PSOL, PDT, Rede e seus "satélites") é o que deve continuar a ser feito. Sem falar na defesa inconteste do SOCIALISMO  e da REVOLUÇÃO!!! 

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Brasil supera a China em número de mortes da Covid-19, Mas, Bolsonaro afirma:e daí???



Após Jesus encontrar Marta e Maria perto de Betânia, eles vão ao túmulo de Lázaro, uma caverna com uma pedra que cobre a entrada. Jesus ordena: “Retirem a pedra.” Marta está preocupada, pois não entende o que Jesus vai fazer. Ela diz: “Senhor, ele já deve estar cheirando, porque já faz quatro dias.” Mas Jesus diz: “Eu não lhe disse que, se você acreditasse, veria a glória de Deus?” — João 11:39, 40.
Então a pedra é removida. Jesus olha para o céu e ora: “Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Na verdade, eu sei que sempre me ouves, mas falei por causa da multidão que está ao meu redor, para que acreditem que tu me enviaste.” A oração que Jesus faz em voz alta mostra aos observadores que ele vai fazer algo por meio do poder de Deus. Então Jesus diz bem alto: “Lázaro, venha para fora!” E Lázaro sai com as mãos e os pés ainda enrolados com as faixas de sepultamento e o rosto coberto com um pano. Jesus diz: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir.” — João 11:41-44.



Segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados também pela imprensa (inclusive internacional), o Brasil entrou para o seleto grupo dos 10 países que mais mortos têm de Covid-19 no mundo, desde que essa pandemia se estabeleceu no planeta. De acordo com estes números, o país já ultrapassou a China em número de óbitos neste lamentável ranking. São, até o mais recente balanço do Ministério da Saúde, 5.385 mortes com 71.886 casos de pessoas infectadas pelo coronavírus https://brasil.elpais.com/brasil/2020-04-29/brasil-supera-china-em-mortos-por-coronavirus-admite-agravamento-da-crise-mas-bolsonaro-diz-e-dai.html). Percebamos que o Brasil passou em número de mortes o país originário da Covid-19 em um número muito menor de dias desde que esta terrível doença se instalou em nosso país. Na China, não custa recordar, o coronavírus surgiu em dezembro do ano passado, ao passo que em nosso país, esta doença começou a se instalar há pouco mais de um mês. Daí, podemos perceber a rapidez impressionante de sua proliferação, apesar das medidas tomadas pelos vários governos (estaduais e municipais, sobretudo) com o isolamento social decretado em muitos locais.
Porém, apesar de tudo isso, verificamos também que nos últimos dias, a política do isolamento social, tão questionada desde o início pelo presidente Bolsonaro e seus apoiadores (em especial pelos grandes empresários que o apóiam), vem sendo não apenas questionada de forma mais ampla (com a realização de carreatas e descumprimento dos decretos firmados), como vem levando a que vários governadores e prefeitos - a começar do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - tenha decidido recuar da quarentena no Estado e afrouxar esta política, sob custa de vitimar ainda mais a população, em especial os mais pobres e quem mora nas periferias, sobretudo as das grandes cidades, como uma megalópole tipo São Paulo. Apesar de todos/as perceberem, cotidianamente, a elevação dos índices de casos e mortes causadas pela Covid-19, no Brasil e no mundo. Só nos EUA, já se registram números que marcam 1/3 da quantidade de casos dessa doença ocorridos no mundo inteiro.
Há casos, no entanto, que nos chamam mais atenção (e preocupação) muito maior porque, ao contrário de alguns, prezamos pela vida humana. O caso de Manaus, no Estado do Amazonas, é emblemático. Segue a mesma linha dramática que assistimos, há dias atrás, na Itália e em Guayaquil, no Equador, aonde vimos caminhões do Exército carregando os corpos das vítimas para o cemitério por não não haverem mais carros funerários suficientes para fazer o transportes deste (no caso italiano); e corpos aos montes nas ruas da cidade equatoriana citada, sem caixões em número adequado para que estes pudessem ter um enterro digno, no caso do país sulamericano citado. Agora, assistimos drama semelhante ocorrendo com nossos/as irmãos/ãs manauaras, que não encontram vagas suficientes nos cemitérios da cidade para sepultar seus entes queridos. Para que isso aconteça, a prefeitura da cidade, junto com o governo do Estado, teve que abrir valas e mais valas no principal cemitério da cidade para enterrar estas pessoas. E, o pior desta tragédia: as pessoas sendo enterradas de maneira coletiva, umas ao lados das outras, sem velório, com no máximo 4 pessoas da família acompanhando o sepultamento. Uma cena lamentável para aquele/a que está sendo sepultado e para a sua família.
Todo este sofrimento familiar não é suficiente para sensibilizar o coração do presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro. Diante dos dados apresentados pelo seu Ministério da Saúde em relação ao crescimento da Covid-19 no país, ele soltou a "singular" frase, respondendo aos jornalistas: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre" (https://veja.abril.com.br/politica/e-dai-nao-faco-milagres-diz-bolsonaro-sobre-mortes-por-covid-19/).
Este é o presidente que, por reiteradas vezes, se afirma na frente de todos/as como cristão e que, por causa disso, nomeará para o STF alguém "terrivelmente evangélico"; se diz contra ao que ele chama de "ideologia de gênero"(coisa que o STF rechaçou por unanimidade recentemente); defende a volta da ditadura militar e idolatra um de seus principais torturadores e outras coisas mais. Apesar de tudo isso, repetimos, se afirma cristão. E, com tudo isso, despreza a vida humana, bem maior não apenas da Constituição Federal (que ele jurou defender quando assumiu a Presidência da República), mas que é também a defesa maior de todo aquele que se diz cristão. Pelo menos, em tese!!!

sábado, 25 de abril de 2020

Números não mentem jamais. Já governos costumam cair.......





Demoramos algum tempo a escrever um novo artigo acerca dos desdobramentos da conjuntura nacional porque esta se apresentou, nos últimos dias, com uma velocidade que nem o mais extraordinário vidente poderia prever que esta se revelaria da forma como se apresentou. Tanto que, por exemplo, o site Uol fez uma reportagem especial, no dia 24 de abril deste ano, sobre a mais nova crise gerada no governo Bolsonaro, que teve início com a demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e teve sua provável conclusão nesta sexta-feira, 24/04/2020, do agora ex-ministro da Justiça, o antes todo-poderoso Sérgio Moro. (pelo menos é o que se acha até o momento) (https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/oito-dias-que-abalaram-o-governo-bolsonaro/).
Governos têm seu início e seu final, isso é certo. Mas, todos estes também possuem, em dado momento, um ponto em que chegam a um instante em que alcançam uma ocasião em que estes conhecem o princípio de seu fim. Alguns governos recentes conheceram isso. Bolsonaro, de acordo com seus últimos movimentos, também começa a sentir isso, querendo ou não seus seguidores. Os número não mentem. Vejamos.
Em 1989, o governador de Alagoas, Fernando Collor, do inexpressivo PRN (até então), que ficou conhecido nacionalmente pela alcunha de "caçador de marajás", tornou-se presidente da República, ao ganhar numa ferrenha disputa em 2º turno contra o petista Lula (PT) naquela eleição. Collor tomou posse em 15 de março de 1990 e sofreu impeachment em 30 de dezembro de 1992, exatos dois anos, nove meses e quinze dias após ter chegado ao Palácio do Planalto. Porém, o início do seu fim no governo se deu um pouco antes, com 2 anos, 2 meses e 12 dias, quando seu irmão, Pedro Collor (já falecido), revelou em entrevista bombástica à revista Veja na época as entranhas de seu governo e, a partir dali, seu governo começava a desmoronar. 
Alguns anos depois, em 2010, a  ministra das Minas e Energia do governo Lula, Dilma Rousseff (PT), foi eleita a primeira mulher presidente da República brasileira e tomou posse em 01/01/2011 para seu primeiro mandato, tendo sido reeleita em 2014, tomando posse novamente em 01/01/2015 para o segundo mandato. 
Ainda no seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff vê seu mandato se acabar durante as manifestações daquilo que ficou conhecido como as "jornadas de junho de 2013", manifestações que começaram em São Paulo contra os reajustes das tarifas de transporte coletivo, mas que se acabaram por se espalhar por outras questões sociais, que afetavam a vida do povo em geral e que também atingiram o país como um todo e paralisaram o Brasil de maneira geral por dias, incluindo nisso o governo Dilma. As "jornadas de junho de 2013", que teve como épico a dura repressão verificada após o ato de 13/06 daquele ano em São Paulo, foi o marco decisivo para o início do fim do governo Dilma. Seu impeachment ocorreu em 31 de agosto de 2016, quando esta já estava no segundo mandato. Ou seja, tal crise política  atravessou boa parte de seu governo. Assim, o início do seu fim no governo se deu com 2 anos, 5 meses e 12 dias.
Agora, Bolsonaro experimenta algo semelhante. Justo ele, que foi eleito com um discurso de que teria vindo para por fim a um sistema que, segundo ele e seus seguidores, estaria corrompido por tais práticas corruptas e que precisava ser combatido para que isso pudesse ser definitivamente extinto. Para tanto, entre outras coisas, chamou para seu governo um símbolo da luta anticorrupção no país, que seria o juiz Sérgio Moro, que ganhou o status de superministro ao se tornar titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública para, com "carta branca", segundo palavras do próprio Bolsonaro, iniciar tal combate à corrupção e à criminalidade em nosso país. Coisas que a realidade, em nosso país, a partir dos fatos que começaram a surgir de dentro do próprio governo, começaram a "jogar contra" o governo, o presidente Bolsonaro e seus aliados mais próximos, a começar de seus filhos.
Ao contrário de Collor e Dilma, o início do fim de seu governo em nossa avaliação começa com a demissão de Moro. E isso ocorre com 1 ano, 3 meses e 23 dias após sua posse como presidente da República. Portanto, um tempo bem menor do que o verificado nos governos citados.
Queremos, com isso, fazer uma ressalva historiográfica. Segundo o historiador Edward Hallet Carr, em seu famoso livro "Que é história?", "os fatos são sagrados, a opinião é livre". Ou seja, na minha avaliação, estes fatos que descrevi acima foram os decisivos para determinar os pontos finais para o início do fim de cada um desses governos que abordei. Evidentemente, que qualquer pessoa pode discordar de mim, no todo ou em partes. Não há nenhum problema nisso. Porém, não se pode discordar, em hipótese alguma, que os fatos aqui descritos foram decisivos para  que tais governos começassem a experimentar o seu fim. 
A demissão de Moro marca o fim de uma etapa importante no governo Bolsonaro. As repercussões de tal processo ainda se verificarão, mais cedo ou mais tarde. As hostes bolsonaristas ainda estão se recuperando do baque que sofreram. A resposta mais rápida que estão a fazer é a mesma de sempre: desqualificar o antes aliado de primeira hora, Sérgio Moro. Em todos os sites, canais de TV, rádio, portais, procuram destruir (ou desconstruir) a imagem daquele a quem era considerado o "herói nacional" no combate à corrupção. Veremos quais serão as cenas dos próximos capítulos................ 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Bolsonaro e sua política genocida em curso



Quando somos crianças (pelo menos era assim no MEU tempo de criança), o dia 19 de abril era celebrado nas escolas como um dia de alegria, pois lembrávamos o Dia do Índio, o dia dedicado aos primeiros habitantes de nosso território, que nos ensinaram muitos termos linguísticos, costumes e gostos culinários, além de outras coisas. Isso, de certa forma, permanece em nossas escolas até os nossos dias. Muito embora, o dia 19 de abril tenha adquirido, nos últimos anos, uma característica também de denúncia à situação de perseguição e extermínio que nossos povos indígenas têm sofrido, não apenas ao longo de nossa História (como começamos a perceber mais concretamente nos últimos anos, graças ao desvendamento dado pelos vários estudos feitos), mas especialmente nos recentes governos que temos tido em nosso país, para só falarmos do regime militar pós-1964 para cá.
O governo Bolsonaro, a partir de seu mandatário, transformou este dia, com a manifestação ocorrida em várias partes do país, a partir de Brasília, neste domingo, 19 de abril de 2020, num outro dia a ser lembrado, desta vez de forma triste. Poucos, talvez apenas Bolsonaro e seus amigos da caserna, lembravam que 19 de abril também celebrava o dia do Exército. Pelo menos, este blogueiro não lembrava disso. Mas, ele e seus amigos fizeram questão do país saber disso com as manifestações que aconteceram pedindo, entre outras coisas, a intervenção militar no país (leia-se a volta da ditadura militar) e o retorno do AI-5, sem falar no fechamento do Congresso Nacional e do STF. 
Bolsonaro (sem partido) que, em plena pandemia do coronavírus, ignora completamente as recomendações da OMS e do seu Ministério da Saúde, defendendo abertamente o fim do isolamento social e apoiando-se em sua "tropa de choque" na defesa das aglomerações e do retorno ao trabalho o quanto mais rápido possível, fez um fervoroso discurso em Brasília para sua turbe de alucinados e destilou mais veneno em sua legião de seguidores. O grande problema de tudo isso é que nem setores da centro-direita nem a "esquerda oficial" se dispõem a dar um freio de arrumação em tudo isso para parar de vez Bolsonaro. 
E o que significa dar um "freio de arrumação" em Bolsonaro, neste momento conjuntural??? Só há uma saída, neste momento: construir o FORA BOLSONARO e MOURÃO!!!
Não há mais condições de, com tudo isso que vem ocorrendo em nosso país, com a crise causada pela disseminação do coronavírus e a falta de uma condução séria que não vem sendo feita por este governo, de manter Bolsonaro à frente dos destinos do país. É preciso que tiremos Bolsonaro e Mourão já!!!]
Um dos maiores exemplos disso se dá neste "auxílio financeiro" que o governo Bolsonaro afirma conceder aos trabalhadores informais, autônomos, mães de família, dentre outros. Esta merreca de R$ 600. Até agora, apesar da propaganda oficial do governo, sabemos que milhões ainda não receberam ou estão em "análise" pelo sistema da Caixa. Enquanto isso, meia dúzia de banqueiros em todo o país receberam, logo no início desta crise, cerca de R$ 1,2 trilhão deste mesmo governo Bolsonaro, sem nenhuma burocracia. Este é o "compromisso" do governo!!!
Não dá para termos o discurso de que, neste momento, é mais prioritário cuidarmos da pandemia do coronavírus e preservarmos as vidas do que tirar Bolsonaro e Mourão do governo. Pois as duas coisas são simultâneas. Bolsonaro e Mourão atrapalham a preservação das vidas em nosso país, pois sua política, neste aspecto, é genocida, é de eliminação das vidas humanas. Para preservamos nossas vidas, precisamos tirá-los dos governo!!!
Porém, ao mesmo tempo que precisamos tirá-los do governo, temos que colocar em seu lugar um governo comprometido com os trabalhadores, governando com Conselhos Populares ao seu lado, para que assim, nossas reivindicações sejam atendidas. Só assim poderemos ter um governo realmente voltado para nossa classe!!!