Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Yes, nós temos apartheid!!!



Recentemente, todos assistimos às cenas de brutalidade praticadas pela PM paulista contra jovens da periferia paulistana num shopping por estes se reunirem em um dos "rolezinhos" marcados pela internet. Isso porque a administração do shopping solicitou o auxílio da PM a expulsão dos jovens do centro comercial, amparada numa liminar judicial que previa, inclusive, multa de R$ 10 mil para cada participante do "rolezinho". E a PM paulista, com sua tradicional "diplomacia", fez isso da forma como bem conhecemos: a la cassetete e balas de borracha, provocando um tumulto muito maior do que a administração do shopping supunha que os jovens poderiam provocar com o "rolezinho".
Isso já havia ocorrido em João Pessoa no ano passado no Shopping Tambiá quando jovens haviam marcados um encontro na praça da alimentação daquele centro comercial e foram brutalmente arrancados do local por seguranças privados e PM's chamados pela direção do estabelecimento. 
Na verdade, o que estamos começando a assistir é aquilo que já sabemos existir há muito tempo e que começa a se expor de forma mais visível agora: o apartheid social que existe em nosso país.
A juventude pobre e negra que vive nas periferias de nossas cidades, sem nenhuma condição de acesso a alguma opção de lazer, ao mesmo tempo que percebe uma ilha de opções diversão crescendo ao seu redor, como a construção de shoppings, vê nisso uma oportunidade de entretenimento. Porém, percebe que este lazer é dirigido não à "nova classe média" construída pelo governo do PT nos últimos 10 anos, conforme divulgado ufanisticamente pela propaganda oficial e pelos apoiadores do governo, mas sim para os de sempre - os que têm dinheiro e cara de riquinho/a -. Essa é a democracia que vivemos em nosso país de prosperidade petista!!!
Nos causa mais espanto e, ao mesmo tempo, ojeriza é quando verificamos fatos desse tipo ocorrerem em um país cujo governo, nos últimos 10 anos, promove uma propaganda enganosa de promoção de "distribuição de renda" que vem sendo confrontada diretamente pela realidade e não por outra coisa qualquer. Os "rolezinhos" são em exemplo claro de que a "distribuição de renda" petista é, no mínimo, questionável do ponto de vista de sua aplicabilidade. Não é possível que os petistas continuem cegos/as quanto a isso! 
Na verdade, o que estamos presenciando com os "rolezinhos" é uma continuidade do processo que se abriu em junho, com as mobilizações pela luta por um transporte público de qualidade, seguido por grandes passeatas por melhorias nos serviços públicos de saúde, educação, moradia, dentre outros pedidos. Não sabemos onde este momento vai dar, mas é preciso que todos/as lutadores/as e organizações do movimento emprestem todo o apoio necessário a esta luta justa da juventude da periferia das cidades que querem apenas ter o direito de se divertir, nada além disso.
Os empresários dos shoppings alegam, de forma cínica, que o espaço é privado e, por isso, eles têm o direito de defender o patrimônio deles e dos comerciantes que ali estão. Porém, partindo do pressuposto dessa discussão jurídica, aonde fica o direito de ir e vir desses jovens? Além disso, é nesse momento que verificamos, com mais nitidez, o papel da PM ao criminalizar a juventude pobre de nosso país pelo simples fato de que esta procura diversão.
Esta é a face do preconceito e da discriminação mais explícita que se apresenta em nosso país à juventude pobre e negra de nosso país.
Esta é a face do nosso apartheid social. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

"Melhor ser uma burra feliz do que uma esperta amarga."

Calma, homens e mulheres! Antes de mais nada, um esclarecimento se faz extremamente necessário. O título do artigo expressado acima é referência a uma frase dita pela personagem Joana (interpretada pela atriz Bel Kutner), na novela global "Amor à Vida", no capítulo levado ao ar no 1º dia de 2014. Para entender o contexto dessa infeliz frase, vamos colocá-lo aqui ao conhecimento de todos/as (como se isso amenizasse a infelicidade dessa declaração, o que evidentemente, não ocorrerá!)
Para quem acompanha ou não a novela da Globo, Joana é a enfermeira chefe do Hospital San Magno, local onde se passa boa parte das cenas da novela, por sinal. Esta é uma mulher quarentona, independente, resolvida financeiramente, mora sozinha e como se costuma dizer, "dona de seu próprio nariz". Até o dia em que conhece Luciano (interpretado pelo ator Lucas Romano), filho da enfermeira Ordália (interpretada pela atriz Eliane Giardini). Luciano é um jovem ambicioso, que deseja ser médico e que se relaciona com Joana, que através desse relacionamento banca o curso de Medicina do garotão. Após a conclusão do curso, Luciano abandona a enfermeira, que fica arrasada por ter sido usada pelo jovem médico. Depois de um tempo, Luciano volta a procurá-la, se dizendo arrependido, querendo retomar a relação e ela, naturalmente, desconfiada dos sentimentos do garotão. Até que no capítulo do dia 1º de janeiro deste ano, ela finalmente cede aos encantos do jovem médico e vai pra cama novamente com ele e retoma a relação. No dia seguinte, assim que acorda, o cara pede a Joana as chaves de seu carro pra dar uma saída e ela, mesmo titubeante, dá as chaves. Assim que ele sai, é que ela solta a "bendita" frase do título, depois de pensar na possível besteira que pode ter feito: "melhor ser uma burra feliz do que uma esperta amarga".
É aí que queremos abrir a discussão com todos/as que estão lendo este artigo. Até quando teremos que continuar vendo e ouvindo estes comentários machistas a respeito das mulheres e, em especial, das mulheres que, como Joana, possuem mais de 40 anos e são independentes financeiramente e moram sozinhas? Por que, para boa parte da mídia e da sociedade, as mulheres para serem felizes, precisam estar se relacionando com um homem ao seu lado? E, pior, por que considerar que só serão felizes as mulheres que estiverem com um homem ao seu lado? E se não estiverem com um homem, serão infelizes? Quer dizer que todas as lésbicas são infelizes?
Esses estereótipos que nos são colocados pela mídia todos os dias, todas as horas, precisam ser desconstruídos e DESTRUÍDOS. Não é possível aceitar que esses conceitos e afirmações invadam nossas casas sem pedir licença e assistamos a isso de forma passiva, sem esboçarmos nenhuma reação. 
O movimento de mulheres, em particular, e o movimento operário comprometido com a luta das mulheres PRECISAM dar uma resposta a esta postura da Rede Globo, que é na verdade um ataque à luta das mulheres pela sua liberdade sexual! 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O que fazer com R$ 46?



A presidente Dilma Rousseff publicou, no Diário Oficial da União, no dia de hoje - 24/12/13 -, com data de 23/12/12, o Decreto nº 8166, que aumenta o valor do salário mínimo nacional para R$ 724,00, um reajuste de 6,78%. Em números absolutos, um reajuste de R$ 46,00.
Os defensores do governo petista se apressarão em afirmar que o atual governo promove uma política de valorização do salário mínimo, ao sempre procurar fazer com que este tenha um ganho real de reajuste, sempre que possível, como agora, com pouco mais de 1% de reajuste em relação à inflação do ano.
Porém, este argumento dos defensores do governo - militantes dos movimentos sociais, MST, PT, PCdoB, UNE, UBES, dentre outras - não se sustenta. Na campanha eleitoral de 2002, o então candidato Lula anunciou aos 4 cantos deste país que, uma vez eleito, iria em quatro anos de governo, duplicar o valor do salário mínimo da classe trabalhadora brasileira.
Quando Lula assumiu o governo, em 2003, o salário mínimo estava em R$ 240,00. Quatro anos mais tarde, em dezembro de 2006, ao encerrar seu primeiro mandato, o salário mínimo estava em R$ 380,00. Ou seja, um aumento de 58,3%. Isso em tempos de crescimento econômico, como o próprio governo anunciava de forma efusiva e vibrante. A promessa eleitoral de Lula só veio a ser alcançada ao final do segundo mandato, quando o salário mínimo chegou a R$ 545,00, no final de 2010. Coisas de Lula e do PT!!!
Enquanto isso, os banqueiros acumulavam cada vez mais lucros astronômicos, graças à política econômica desenvolvida por esse mesmo governo que, por um lado, fechava a mão e criava as maiores dificuldades para conseguir aprovar um aumento salarial justo e decente para os/as trabalhadores/as do nosso país, e por outro, concedia sem nenhuma dificuldade, ganhos cada vez mais significativos para os donos do capital tupiniquim, das mais variadas formas - seja através de redução fiscal, seja por meio dos leilões promovidos pelo governo ou pelo pagamento dos juros da dívida -. O governo do PT já mostrou, por mais de uma vez, que tem sido bastante generoso (para dizer o mínimo) com o empresariado nacional e internacional. Basta lembrar a frase célebre de Lula, ainda no primeiro mandato de seu governo, quando este afirmou que "os banqueiros nunca lucraram tanto quanto em seu governo". Lula não estava mentindo quando afirmou isso, vale salientar.
Voltando ao tema do novo valor do salário mínimo, reajustado no decreto presidencial citado acima pela presidente Dilma, a ser válido a partir de 1º de janeiro de 2014, é preciso mais uma vez reforçar que os argumentos de valorização do salário mínimo e outros blábláblás que já estão sendo utilizados pelos defensores do governo, quando confrontados com a realidade, não conseguem convencer ninguém, a não ser eles mesmos.
O atual reajuste representa, em números absolutos, exatos R$ 46 a mais no bolso de cada trabalhador/a desse país. E não adianta afirmar que isso não repercute diretamente na vida de boa parte da classe trabalhadora nacional, que não é verdade. Na campanha eleitoral do ano passado, estudando a cidade de João Pessoa, verificamos que pouco mais da metade de nossa classe em nossa capital sobrevive recebendo entre 1 ou 2 salários mínimos. Portanto, o salário mínimo tem um impacto FUNDAMENTAL na vida de milhares de pessoas em nossa cidade, em nosso Estado e em nosso país.  
E o que representa esses R$ 46 de aumento anual que a presidente Dilma e seu governo acaba de garantir para os/as trabalhadores/as brasileiros/as? Representa um ACHINCALHE, uma GOZAÇÃO, um DESRESPEITO a milhões que dependem disso que Dilma e sua tropa chamam de SALÁRIO MÍNIMO!!!
Em um ano, fazendo uma simples conta matemática, R$ 46 de aumento representam R$ 3,83 p/mês e R$ 0,12 p/dia. E aí, gostaria de encerrar este artigo fazendo a seguinte pergunta aos apoiadores e defensores do governo Dilma, espalhados pela Paraíba e país: o que vocês fariam com esta fabulosa quantia, garantida pelo seu grandioso governo? 

Em tempo: segundo o DIEESE, em novembro/13, o valor do salário mínimo deveria ser R$ 2.761,58. Alguém se lembra dos tempos em que CUT, PT e PCdoB defendiam isso?. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Expedito e o atestado de incompetência na saúde de Bayeux










O SINTRAMB realizou, no dia 11 de outubro de 2013, um ato público em frente ao PSF II e III, no bairro do Mutirão, por conta do descaso e abandono da Prefeitura em relação a este PSF. Isto porque, desde o dia 11 de abril deste ano, o consultório dentário da unidade de saúde está INTERDITADO pelo CRO - Conselho Regional de Odontologia - por conta de, dentre outros motivos, o autoclave estar quebrado e seu conserto (que custa, segundo apuração feita pelo Sindicato, apenas R$ 200), não ter sido providenciado até hoje pelo prefeito Expedito Pereira nem pelo secretário Fernando Ramalho, ambos médicos, para não falar do vice-prefeito, Francisco Macedo, também médico.
O protesto feito pelo SINTRAMB foi direcionado à população do bairro, principal alvo do desprezo da atual administração municipal que, apesar de seu slogan de que "a maior obra é cuidar das pessoas", não vem na prática correspondendo a isto e os habitantes da cidade já percebem isso nos 9 meses de (indi) gestão. O despreparo do (des) governo Expedito 4 é tão grande que no meio do ato público no PSF do Mutirão chegou uma viatura da Secretaria de Saúde transportando um equipamento autoclave à unidade de saúde aparentemente novo. Momentos depois, os diretores do SINTRAMB apuraram com os servidores da respectiva unidade de que aquele equipamento era usado, na verdade emprestado da policlínica Benjamim Maranhão. Esse é o modo de "cuidar das pessoas" de Expedito Pereira!
Os serviços públicos e os servidores enfrentam, nos 9 meses de (des) governo Expedito 4 um ataque sem precedentes nos últimos anos na cidade de Bayeux. Um caos se instala na cidade deixando a população que mais necessita desses serviços completamente desnorteada, perdida, sem ter noção de como será sua vida daqui pra frente.
Um dia antes do ato público feito pelo SINTRAMB no PSF II e III do Mutirão ocorreu um fato lamentável na cidade, provocada pela IRRESPONSABILIDADE uma administração que só se preocupa em satisfazer a si e a seus aliados de ocasião: pela 3ª vez em 9 meses de (indi) gestão, o Hospital Materno Infantil foi INTERDITADO, desta vez pelo Ministério Público e os Conselhos Regionais de Medicina, Enfermagem e Odontologia. Uma VERGONHA!!!
Nesta terça-feira, 15 de outubro, a Secretaria de Saúde de Bayeux, teve que admitir sua INCOMPETÊNCIA ao emitir uma nota pública onde orienta a população da cidade que, a partir dessa data, "todos os tendimentos em caráter de urgência, deverão ser dirigidos diretamente às Unidades de Pronto Atendimento da Grande João Pessoa". Isso, depois de avisar na mesma nota, que "a partir desta terça-feira (15) os serviços de Pronto Atendimento infantil e adulto do Hospital Materno  João Marsicano passa a funcionar em caráter ambulatorial, no período diurno, das 7:00h às 19:00h". Atestado maior de INCOMPETÊNCIA não pode haver em uma cidade governada por 3 médicos!!!
O mínimo que o povo de Bayeux espera é um posicionamento firme da Câmara Municipal da cidade e do Conselho Municipal de Saúde sobre esse ABSURDO administrativo que vivemos hoje na cidade, além da saída do secretário Fernando Ramalho da pasta. É o mínimo que todos esperamos!    

Cartaxo e Ricardo, parem com essa palhaçada! O título é da torcida!!!




Todos/as que me conhecem minimamente sabem que, quando o assunto é futebol, torço por duas equipes no país: na Paraíba, meu coração de torcedor bate pelo Auto Esporte, o famoso "Clube do `Povo"; e pelo Flamengo, quando extrapolamos as fronteiras de nosso Estado. Apesar disso, acredito que a conquista obtida pelo Botafogo paraibano, no último dia 03 de novembro, no Almeidão, vencendo o Juventude/RS e assegurando o título de campeão brasileiro da série D, não apenas é digno de nota, mas de reconhecimento pelo futebol apresentado pelo "Belo" ao longo de toda a competição. O Botafogo mostrou,dentro das 4 linhas, que merecia o título (como acabou confirmando isso). Ouso dizer que a história do futebol paraibano se escreverá, a partir de agora, antes e depois dessa conquista do clube do Contorno da Maravilha.
Porém, em meio a toda festa feita pela torcida botafoguense, começou a surgir e a repercutir na mídia paraibana, ao longo de toda a semana, uma disputa bisonha entre o prefeito da Capital, Luciano Cartaxo (PT) e o governador do Estado, Ricardo Coutinho (PSB), para ver qual dos dois merecia os louros da vitória e conquista do Botafogo na série D do futebol brasileiro.
Tudo porque, após a vitória dentro de campo, chegada a hora de entrega do troféu ao clube pessoense, quem fez isso foi Ricardo Coutinho, deixando Cartaxo e todo seu staff profundamente irritados, pois estes se achavam no direito de fazer isso, pois o prefeito - torcedor ferrenho do Botafogo, diga-se de passagem - despejou cerca de R$ 1,4 milhão no Botafogo, ajudando de maneira decisiva a equipe no campeonato.
Esta disputa pra ver quem é o pai da criança - ou melhor, quem mais ajudou o clube da capital nesta conquista - nos remete a um outro assunto, que está inserido profundamente neste debate.
Nada contra Cartaxo ou Ricardo serem torcedores do Botafogo, isto é uma decisão de cunho pessoal e que não devemos questionar. O problema é quando essas pessoas, ocupando cargos públicos, resolvem "ajudar" seus clubes de coração, utilizando-se para isso de dinheiro público. E aí não adianta afirmar que Cartaxo também "ajudou" os demais clubes da capital, como o CSP e o Auto Esporte. Essa "ajuda" se deveu tão somente porque ficaria muito mal na fita "ajudar" apenas o clube do coração, daí a "democratização da ajuda". 
Essa "ajuda" da PMJP foi feita passando por cima de qualquer legislação. Não há previsão disto no orçamento municipal nem tampouco emenda a este dispositivo apresentada por qualquer vereador, muito menos pelo Executivo. E, além disso, é preciso afirmar aqui com todas as letras: DINHEIRO PÚBLICO NÃO É PARA SALVAR A PELE DE NENHUMA ORGANIZAÇÃO PRIVADA, SEJA EMPRESA OU CLUBE DE FUTEBOL!
Assistimos, há muito tempo, no Brasil e também na Paraíba, ocorrer o seguinte fato: o setor privado de nossa economia ataca com duros golpes o setor público, taxando-o de ineficiente, incompetente, corrupto e pro aí vai. Sabemos que existem muitos problemas no setor público, mas sabemos também que em todos esses casos a responsabilidade por isso é dos sucessivos governos, sejam de direita ou "esquerda", que mantém a mesma política de sucatear o público. Porém, quando o setor privado se encontra em dificuldades, aí esses ataques desaparecem e todos vão se buscar socorro no setor público, aquele que é ineficiente, incompetente, corrupto. Nesse momento, desaparecem essas "qualidades" e o setor público é adorado pelos capitalistas.
Pois bem. Nossa opinião muito franca e direta sobre isso é seguidora daquele velho dito popular: "quem não tem competência, não se estabelece". O setor privado em dificuldades deve enfrentar seus problemas, criado por ele mesmo, e resolvê-los SOZINHO, sem precisar do setor público para isto. Para ficar mais claro ainda para quem não entendeu ou não quer entender: SOU CONTRA AUTO ESPORTE, CSP OU BOTAFOGO RECEBER DINHEIRO PÚBLICO PARA ADMINISTRAR SEU FUTEBOL. Que resolvam suas pendências financeiras fazendo uma boa campanha de marketing para conseguir mais e mais torcedores e, sobretudo, montando boas equipes em condições de disputar qualquer campeonato nacional.
Como sempre afirmamos nas campanhas eleitorais, "quem paga a banda pode exigir que ela toque a música que ele (o pagador) quiser". Assim funciona em todas as esferas de nossas vidas. E é o que ocorreu nesta polêmica sem sentido travada em Cartaxo e Ricardo Coutinho. Cartaxo se acha no direito de colher fundos políticos através da conquista do "Belo" porque injetou R$ 1,4 milhão no clube ajudando-o a montar a equipe vencedora da série D; já Ricardo também se acha com esse direito porque está reformando o Almeidão, garantindo assim as condições para as boas apresentações feitas pelo clube pessoense nas 4 linhas. 
O que Cartaxo e Ricardo devem fazer é jogar dinheiro público no esporte amador, para que todos/as paraibanos/as possamos nos orgulhar dos talentos que existem por aí, espalhados pelo Estado e que não têm nenhuma condição assegurada pelo poder público de se desenvolver e colher bons resultados nas competições que disputam. Esse deve ser o caminho do dinheiro público quando o assunto é esporte.
Por fim, para encerrar este debate sobre isto.    

Cartaxo e Ricardo, parem com essa palhaçada! O título é da torcida!!!

sábado, 5 de outubro de 2013

A "nova forma de fazer política" de Marina Silva


Em 16 de fevereiro deste ano, ocorreu uma reunião em Brasília de algumas pessoas para debater a construção de um novo partido no Brasil. A ex-senadora pelo PT/AC e ex-candidata a presidente pelo PV nas eleições passadas, Marina Silva, era a principal coordenadora desta reunião. Debatia-se ali a criação da "Rede Sustentabilidade", o nome da nova sigla partidária.
Marina Silva e seus aliados de plantão estabeleceram que a Rede seria "um novo instrumento político na luta pela sustentabilidade e pela ampliação da democracia no Brasil" e sua opção ideológica, segundo Marina Silva, seria "nem direita nem esquerda". Este seria o perfil desse partido, que viria para criar "uma nova forma de fazer política" no país. Além de Marina, fazia parte também da Comissão Nacional Rede Pró-Partido a herdeira do Banco Itaú, Maria Alice Setubal. Já se nota com isso que tipo de "novo instrumento político" seria esse!
Marina Silva, quando ministra do Meio Ambiente no governo Lula, foi a principal responsável pelo ingresso dos alimentos transgênicos no país, além de ter sido decisiva na aprovação da lei sobre a Amazônia, que representa, segundo os ambientalistas honestos desse país, uma entrega da maior riqueza natural do país, a floresta amazônica. Por isso tal lei foi extremamente saudada pela bancada ruralista no Congresso Nacional. Não é à toa que sua candidatura a presidente em 2010 venceu apenas no Distrito Federal. Nem no seu estado de origem, o Acre, ela conseguiu uma vitória eleitoral. Os/as trabalhadores/as desse estado conhecem bem Marina e seu legado político.
Como já afirmamos, Marina embarcou este ano numa aventura política de criação de um novo partido. Neste aspecto - e só neste aspecto - a atitude de Marina Silva deve ser até elogiada, porém, como já mostramos neste artigo, as ideias da Rede em nada tinham de novidade, como alardeava a ex-senadora e seus fiéis aliados em todo o país.
A filiação de Marina Silva ao PSB revela, de forma inquestionável, que "a nova forma de fazer política" defendida por ela, era só mais um capítulo da interminável novela da política nacional, chamada "ESTELIONATO ELEITORAL", pois se esse é realmente o desejo da ex-sanadora, porquê ela não definiu um perfil para o partido que queria criar, ao invés de ficar alardeando por aí que não era "nem direita nem esquerda"? Por mais que a expressão "ser de esquerda" ande desgastada nos últimos tempos, mas é OBRIGAÇÃO de qualquer ativista político se colocar de forma clara e transparente para o povo qual sua OPÇÃO IDEOLÓGICA. Pois, se não for assim, estará dando mais um golpe na classe trabalhadora, que já está de saco cheio disso.
A opção de Marina pelo PSB coloca, ao contrário do que ela afirma, ser mais do mesmo na política. Vai passar a defender uma candidatura de um governador que paga o PIOR salário dos profissionais da educação do país, além de perseguir duramente os militantes dos vários movimentos sociais que existem em Pernambuco. Eduardo Campos é a nova roupagem do político tradicional, perseguidor e corrupto que, com sua carinha de bom moço, consegue (ainda) enganar boa parte de nossa classe. 
A ida de Marina para o PSB foi excelente para Eduardo Campos, porque com isso ele consegue dar um fôlego muito grande para sua pré-candidatura a presidente em 2014. Porém, só nos próximos dias é que conseguiremos dimensionar a repercussão dessa filiação de Marina Silva ao seu novo partido, dentro dos seus/suas eleitores/as. Nas redes sociais, alguns já se manifestam de forma contrária, outros a favor. Não dá pra dimensionar, neste momento, a rejeição de seu eleitorado a esta opção política feita pela ex-senadora.
Porém, independente disso, do ponto de vista classista, a escolha de Marina Silva demonstra, de forma inequívoca, seu OPORTUNISMO POLÍTICO ao quadrado. Pois, se ela realmente deseja construir uma "nova forma de fazer política", o PSB não é, definitivamente, a melhor opção para isto. Se ela tem mesmo essa intenção, deveria então não se filiar a nenhum partido e continuar na sua caminhada de construção de seu novo partido, a "Rede Sustentabilidade", como já declaram alguns de seus eleitores.  

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Um beijo, uma foto, uma polêmica. Há sentido nisso?


Esta foto acima, publicada no Instagram do atacante corintiano Emerson Sheik pelo próprio, desencadeou revolta de uma torcida organizada do time paulista (foto abaixo) e reacendeu uma antiga e atual polêmica em nossa sociedade, sobre a crescente onda homofóbica que permeia em nosso ambiente social.



O ex-jogador Neto, ídolo corintiano dos anos 90, em seu blog fez uma surpreendente declaração, com a qual temos pleno acordo. Diz o ex-meio campo do Corinthians que "fora do campo cada um faz o que quiser. O que o torcedor tem que cobrar é desempenho no gramado". Nisso, Neto acerta em cheio. Mas, por quê as pessoas se preocupam tanto com isso? Por quê cinco membros da Camisa 12, uma das muitas torcidas organizadas se arvoraram a representantes da imensa nação alvinegra e foram até o CT do Corinthians com faixas imensas protestar contra o ato do atacante do Timão com dizeres profundamente homofóbicos e darem declarações à imprensa do tipo "a nação inteira está freneticamente indignada. Pode até ser a opção dele, mas nós estamos sempre tirando sarro dos bambis (modo pejorativo com o qual é chamada a torcida do São Paulo). O mínimo que ele tem de fazer é um pedido de desculpas", disse Marco Antônio, membro da diretoria da Camisa 12".
Vê-se dessa declaração, além da homofobia, uma outra questão: o membro da diretoria da Camisa 12 está preocupado é com as brincadeiras que as outras torcidas poderão, a partir de agora, tirar com eles, já que eles estão acostumados a zoar da torcida são-paulina há anos com termos pejorativos e homofóbicos. Na verdade, diria até que essa é a principal preocupação dele.
A decisão de fazer tal ato exposta na foto por Emerson Sheik e a repercussão provocada por isso revela o tamanho não apenas da homofobia que ainda persiste em nosso país , mas sobretudo, da hipocrisia que existe em nossa sociedade. Muitos e muitas ainda afirmam diante de câmeras de TV, quando perguntadas que não acham nada demais a existência de relações homoafetivas, mas quando confrontadas com uma cena dessas, mesmo que seja apenas de brincadeira, como fez questão de enfatizar o atacante corintiano, o preconceito, a discriminação, a homofobia, vem à tona e faz exalar o odor fétido de todos esses sentimentos.
Fazendo coro com o ex-jogador Neto, e se o atacante Sheitk for homossexual? O que os membros da Camisa 12 tem a ver com isso? Ele está cumprindo suas obrigações como atleta ou não? Está ou não fazendo o seu melhor pelo clube? É isso que importa ou não? Será que não existe nenhum gay, lésbica, travesti, transsexual que torça pelo Timão? 
Na verdade, isso revela a velha discussão do "padrão" de relações afetivas criado por nossa sociedade, de que tal "padrão aceitável" é o heterossexual, sendo qualquer um que saia desses trilhos é feio, anormal, um desvio, sendo portanto abominável. Algumas pessoas, portanto, tratam isso comrequintes de crueldade, seja empunhando faixas com dizeres homofóbicos, como fez a torcida Camisa 12 ou partindo pra pancadaria, como fazem outros, chegando em alguns casos a matar as pessoas LGBT's por considerá-las seres de segunda, terceira categoria que não merecem viver. 
Quando as pessoas, inclusive das torcidas organizadas do Corinthians, vão começar a entender, que gente foi feita pra brilhar?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Deixem de arrodeio, acabem logo com a Festa das Neves!!!




"Festa das neves não acontecerá mais no Centro, anuncia procurador de Justiça
O procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Cidadania, Valberto Lira, anunciou na manhã de hoje, durante entrevista ao programa ‘Tambaú Debate, que a parte profana da Festa das Neves acontecerá em outra localidade da capital.
De acordo com Valberto Lira, a nova localização da Festa das Neves será definida em reuniões com representantes da Prefeitura de João Pessoa. Ele justificou que a decisão sobre a mudança do local do evento se dá pelos problemas na área de segurança e congestionamento do trânsito."

Esta foi a matéria divulgada pelo site do jornalista Luís Torres em seu blog na segunda-feira, 12 de agosto, reproduzindo a lamentável declaração dada pelo procurador de justiça, Valberto Lira, sobre a Festa das Neves, a mais tradicional de nossa cidade.
Nunca uma tradição foi tão atacada nos últimos anos quanto a Festa das Neves. Primeiro, com o ex-prefeito e hoje senador pela Paraíba, Cícero Lucena, quando teve a "fantástica" ideia de colocar a Festa das Neves no anel interno da Lagoa do parque Solon de Lucena; depois, veio Ricardo Coutinho que, junto com o atual arcebispo da paraíba, D. Aldo Pagotto, continuaram a solapar a parte profana de "Nevinha", como popularmente era e sempre foi chamada a NOSSA Festa das Neves, encurtando o período de duração desta e mudando o seu tradicional local, não mais colocando a festa na rua General Osório, por um pedido desse que é, sem dúvida, um dos mais atrasados arcebispos que a Paraíba já teve nos últimos tempos.
Agora, vem o procurador de justiça somar esse coro dos ataques à Festa das Neves e afirmar que, a partir do próximo ano, ela não mais acontecerá no centro da cidade. E para onde irá então, caro Valberto Lira? Já ouvi dizer que iria para o Parque de Exposições, no Cristo, o que seria uma lástima.
O que essas pessoas não entendem ou não querem entender é que: 1º) a Festa das Neves NÃO pertence a eles - Cícero Lucena, Ricardo Coutinho, D. Aldo Pagotto, Valberto Lira ou ao raio que os partam -, mas ao povo dessa cidade; e 2º) a Festa das Neves TEM que acontecer é no CENTRO DA CIDADE mesmo, pois a sua razão de ser é em comemorar o nascimento da cidade, que se deu exatamente ali onde hoje ela acontece. Por isso, ela é uma Festa TRADICIONAL! Qualquer outra coisa neste sentido é acabar com a HISTÓRIA da cidade. Aonde estão os membros do IHGP? Não estão vendo isso não? Ou estão concordando com esse absurdo?
A PMJP e o prefeito Luciano Cartaxo precisa se pronunciar sobre isso. Queremos saber também qual a posição da Funjope a respeito disso. Precisamos também de um posicionamento firme do vereador Fuba. Esse é um assunto que diz respeito a todas as pessoas que vivem nessa cidade e que assistem, todos os anos, ao funeral de uma de suas maiores tradições populares, a Festa das Neves. E que, caso seja encaminhada a proposta de Valberto Lira, será colocada definitivamente a pá de cal sobre ela. Se é isso que vocês querem, deixem de arrodeio, acabem logo com a festa!

domingo, 28 de julho de 2013

A visita do papa e a crise na fé católica


       A edição deste domingo, 28 de julho de 2013, do jornal “Correio da Paraíba”, traz uma pesquisa sobre a crise da fé católica na Paraíba, no tocante à quantidade da perda de fiéis desta religião, bem como o ganho de outras tantas, no momento em que o país viveu uma semana intensa de divulgação da doutrina católica, com a realização da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, e a visita do papa Francisco.
    A pesquisa tem como fonte o Censo 2010 do IBGE e revela números significativos, mas detectamos dois equívocos na interpretação dos números feita pela equipe do “Correio da Paraíba”: avaliou-se, por exemplo, que os evangélicos cresceram 88% no número de fiéis. Porém, não sabemos concretamente o que significa esse setor “evangélicos” que a equipe do “Correio” classifica, pois em seguida vem os números de outras religiões que poderíamos classificar também como tais, a perceber: testemunhas de jeová e os membros da Igreja dos Santos dos Ùltimos Dias, popularmente chamados de mórmons. Vale ressaltar que este não é um equívoco apenas da equipe do “Correio da Paraíba”, mas da mídia em geral e assimilado pelo nosso povo, que classificam os fiéis das igrejas protestantes como sendo “evangélicos” para diferenciá-los dos católicos quando, na verdade, os dois são cristãos e evangélicos, pois ambos divulgam o Evangelho de Cristo, contido no livro bíblico conhecido por Novo Testamento. O outro equívoco foi em relação às religiões de matriz africana, onde ela separou a umbanda e o candomblé. Na nossa interpretação, mesmo sabendo das eventuais diferenças entre as religiões, tanto do campo protestante quando da matriz africana, decidimos unifica-las exatamente por conta de sua origem.
      Deixando essa “polêmica” de lado, vamos aos números divulgados pelo “Correio” deste domingo, 28/07/13. Segundo o Censo 2010, na Paraíba, houve uma redução de 0,87% no número de católicos. De 2.924.154 adeptos, a Igreja Católica passou, em 2010, a ter 2.898.656 fiéis, uma redução de 25498. Para se ter uma ideia dessa perda, é como se a Igreja Católica na Paraíba tivesse perdido uma cidade inteira como Areia, por exemplo.. Não é pouca coisa.
No outro lado da tabela, juntando todo o setor protestante – evangélicos, testemunhas de Jeová e mórmons - e não apenas o classificado pela equipe “Correio” como “evangélicos”, tivemos em 10 anos na Paraíba um crescimento de 86,7%, com esse setor passando de 317.511 membros em 2000 para 592.868 fiéis. A religião espírita teve também um crescimento fabuloso nessa década, de 85,41%, passando de 12.499 para 23175 adeptos; nas religiões africanas, verificou-se também na Paraíba um crescimento na Paraíba de 40,8%, com 1704 membros em 2000, passando para 2399 adeptos em 2010. Vale ressaltar que o candomblé foi o principal responsável por esse crescimento, segundo o Censo 2010 do IBGE. Essa religião africana teve um crescimento de 214,3% em nosso Estado na 1ª década do século XXI. Analisaremos as razões deste detalhe daqui a pouco.
      Por fim, um dado bem interessante que o IBGE expressa no Censo 2010. O crescimento do que ele chama de “sem religião”. Poderíamos incluir neste quesito ateus e agnósticos, mais preferencialmente ateus. Este setor teve um crescimento de 20,25%, passando de 177.303 membros em 2000 para 213.214 pessoas em 2010.

O que significa os números do Censo 2010
      A Arquidiocese da Paraíba, em nota, avalia que os resultados dessa pesquisa do IBGE representam a existência de uma “sociedade de consumo”, onde “as pessoas são substituídas pelas coisas, pelo dinheiro, pelo poder, pelo prazer. Nesse tipo de relação desumana, desagregadora, os valores presentes no Evangelho de Jesus têm pouca ou nenhuma importância”. Para o pastor da Igreja Cidade Viva, o jovem deve estar ligado a uma fé cristã, pois assim ele se torna mais participativo. E conclui: “quando você se torna cristão, você muda seus comportamentos”. O presidente da Federação Espírita Paraibana, Marco Lima, claro, discorda dessa fala e afirma que as pessoas estão buscando novas doutrinas que satisfaçam sua necessidade interior. Infelizmente, na matéria do “Correio da Paraíba”, sentimos falta da fala de alguém ligado às religiões de matriz africana e de alguém do setor “sem religião”.
      Queremos iniciar nossa avaliação pela fala do presidente da Federação Espírita Paraibana, concordando parcialmente com ele quando diz que as pessoas buscam algo que satisfaça suas necessidades interiores. Parcialmente porque ele defende isso no campo da religiosidade (e é natural que assim o faça, afinal ele é um religioso). Se alguém o questionar a respeito da opção de alguém por se tornar ateu, muito provavelmente ele não afirmará neste sentido. Porém, este movimento citado pelo líder dos espíritas paraibanos não é nada novo, isso remonta aos tempos primitivos, quando a religião começou a existir na história da humanidade. Foi essa busca por uma resposta a algo desconhecido que o ser humano começou a se apegar a explicações sobrenaturais, aos deuses inicialmente até chegarmos ao Deus monoteísta do cristianismo. Tudo para atender a essas necessidades interiores.
      Porém, a crise da Igreja Católica num país como o Brasil, onde desde sua fundação, esta sempre foi amplamente majoritária – e ainda é, os números mostram isso – tem relação direta com os fatos amplamente divulgados pela mídia nos últimos anos com os sucessivos escândalos vividos pela Igreja Católica: corrupção no Banco do Vaticano, casos de pedofilia no Brasil e em vários outros países, dentre outros. E o pior, a alta cúpula da Igreja se comportou da mesma forma que os políticos, escondendo para debaixo do tapete tais fatos. Só quando a imprensa passou a dar destaque a isso é que a Igreja Católica passou a tomar iniciativas em relação a isso.
      Esse é um fator importante para a quebra do número de fiéis da Igreja Católica para outras religiões, especialmente as protestantes. Porém, essas também não estão imunes a escândalos tão graves quanto os vividos pela Igreja Católica, como recorrentes casos de desvios de dinheiro, casos de escândalos sexuais, de algumas das igrejas desse setor.
      Um fato que precisa ser registrado aqui é o crescimento de uma das religiões de matriz africana, o candomblé. Esta, entre 2000-2010, cresceu 214,3% na Paraíba. Sozinha, foi a religião que mais cresceu, em números relativos. Em nossa avaliação, uma das razões para tal crescimento tem a ver com a postura respeitosa das religiões de matriz africana em relação a temas considerados muito polêmicos para as demais religiões, especialmente as cristãs, como a questão da homossexualidade, por exemplo. Esse posicionamento do candomblé, da umbanda e demais religiões desse setor têm feito com que muitos e muitas tenham se dirigido até elas.
      Porém, a crise da fé religiosa, como um todo é um sinal da crise do capitalismo. Não podemos nos esquecer que a religião é um dos pilares ideológicos da manutenção do capitalismo, na perspectiva de perpetuação do status quo. As doutrinas religiosas, via de regra, têm servido ao longo da História, para manter os regimes de pé, para manter a dominação de classe viva. No capitalismo não é diferente. É bem verdade que há pessoas religiosas que têm compromisso com a luta do povo, e essas são sempre muito bem vindas, são nossas aliadas.
      Aliás, esse é um ponto importante de nossa avaliação. Não há nem nunca houve, nenhuma orientação de que para fazer parte da luta socialista, que o/a militante deva ser ateu/atéia. Muito pelo contrário, como citamos acima, existem muitos/as lutadores/as do povo que são fiéis de várias crenças religiosas e assim são bem vindas à luta popular. Rechaçar essas pessoas à nossa luta é de uma estupidez total. Relacioná-las ao significado ideológico da Igreja Católica é outra estupidez e só nos afasta daqueles e daquelas que podem, efetivamente, nos auxiliar na difícil tarefa de construir a revolução socialista em nosso país.
      Feito esse parêntese importante, voltemos ao tema principal de nosso artigo: a crise da fé religiosa, especialmente a da fé católica em nosso país, e em especial, na Paraíba.

      A falta de perspectiva, de futuro, encarada pelas pessoas a cada dia que passa, é um dos fatores decisivos para a crise atual da sociedade capitalista. Assim, assistimos ao alto número de jovens se entregando ao mundo das drogas, ao crescimento desenfreado da violência urbana – com a vida cada vez mais banalizada -. Assim, uma das válvulas de escape é a ida para outras religiões, fora a Igreja Católica, que não tem conseguido dar respostas a essa nova situação, por conta de sua estrutura secular, engessada. O novo papa já afirmou, desde a posse, que pretende dar uma nova dinâmica à Igreja Católica, adequando-a a esses novos tempos. Esse será um grande desafio para ele, pois a Igreja Católica é uma instituição secular e, portanto, extremamente difícil de ser modificada nas suas estruturas internas. Daí a razão do crescimento das outras religiões.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Uma palavra aos taxistas de João Pessoa



      Tradicionalmente, o dia 25 de julho de cada ano é comemorado pelos taxistas pela passagem do dia de São Cristóvão, patrono dos motoristas, não apenas dessa categoria, mas de todos que sobrevivem trabalhando nessa função tão importante na sociedade em que vivemos e que tem, no nosso país, um peso econômico significativo e um contingente expressivo de trabalhadores.
      Normalmente, neste dia os taxistas comemoram este dia por meio de carreatas, em cortejo atrás da imagem do santo. Porém, este ano decidiram fazer isso de forma bem diferente pelas ruas da capital paraibana. Aproveitando a onda das manifestações que assolam o país, a categoria, impulsionada pelo seu sindicato, promoveu um grande protesto pelas principais ruas e avenidas da cidade, criando um gigantesco engarrafamento em João Pessoa. Tudo para chamar a atenção das autoridades públicas, em especial da PMJP, para a pauta que eles tinham interesse em debater com o poder público, que consistiam em alguns pontos, que são: fiscalização dos táxis com sistema de rádio táxi de outros municípios e trabalhando na Capital; pagamentos de propinas entre mensageiros e taxistas da Capital e outros municípios; carros de pequeno porte sendo credenciado como transporte de turismo; fiscalização com blitz em conjunto com a BPTran a noite e nos finais de semana; sinalização precária nas praças de táxis; construções de abrigos em alguns pontos de táxis; fiscalização nos eventos, determinando os locais para taxistas; proposta de parceria com o programa Minha Casa, Minha Vida; analisar os débitos do ano de 2011 e 2012 do ISS que os taxistas são isentos; e a circulação dos táxis nas faixas exclusivas de ônibus.
      Desses pontos da pauta debatidos ontem em audiência com o prefeito Luciano Cartaxo, segundo informes da própria PMJP, apenas o último (circulação dos táxis nas faixas exclusivas de ônibus) não foi acordado na reunião, com a prefeitura se comprometendo em estudar o caso com a Semob. Após a reunião, a categoria saiu satisfeita com o resultado desta e encerrou a manifestação.
      Gostaria de me dirigir agora a esses trabalhadores que, diuturnamente, vivem tentando, de forma honesta, ganhando o pão de cada dia para sustentar sua família. O movimento que vocês fizeram neste 25 de julho é digno de elogios. Organizado, ordeiro, pacífico, com uma pauta organizada, chamando a atenção das autoridades, que há muito tempo deixaram esta categoria completamente abandonada, especialmente no quesito segurança. E é sobre a pauta de reivindicações entregue ao prefeito Luciano Cartaxo que eu gostaria de tratar, no sentido de colaborar com o debate, como morador dessa cidade.
      Acredito que um dos pontos que faltou na pauta entregue pelos taxistas ao prefeito foi justamente este: a questão da segurança da categoria. A PMJP criou uma Secretaria de Segurança Pública e Cidadania, que tem como objetivo, segundo o site da própria PMJP, “ fortalecer as políticas de segurança urbana no município de João Pessoa por meio de medidas preventivas, com vista a minimizar os índices das violências e implantar uma cultura de paz” e está sob o comando do ex-vereador Geraldo Amorim. Portanto, a Prefeitura deveria estabelecer um plano de apoio à categoria no sentido de combater a violência que aflige esses trabalhadores. Senti falta desse ponto na pauta dos companheiros.
      Queria também chamar atenção para um ponto, para mim, muito preocupante, e que notei repercutiu nas redes sociais durante o próprio instante em que ocorria a manifestação da categoria. A imprensa em geral chamava a atenção apenas para um ponto da pauta da categoria: a luta de vocês contra os alternativos, a tentativa dos taxistas de barrar a presença dos alternativos em João Pessoa, com o pensamento de que esses trabalhadores estariam prejudicando o trabalho de vocês. Vi, inclusive, pela TV, a fala do presidente do Sindicato dos Taxistas que ia nessa direção. Já falei com alguns taxistas – às vezes ando de táxi – e eles falam também assim. Na minha avaliação, é um equívoco pensar assim, é jogar trabalhador contra trabalhador. O trabalhador que faz o serviço como alternativo pega o passageiro que usa o ônibus e não o táxi. É preciso ressaltar que o transporte alternativo existe por conta do alto índice de desemprego que assola a classe trabalhadora brasileira, por um lado, e por outro, do transporte público que, como afirmei na campanha eleitoral passada em João Pessoa, para ser precário, precisa melhorar muito. Dados do sindicato dos trabalhadores alternativos demonstram que existem cerca de 55 municípios na Paraíba que dependem única e exclusivamente desse tipo de transporte para que as populações possam se deslocar para outros locais, pois os ônibus não chegam até lá. Costumo andar tanto de ônibus quanto de táxi, como também de alternativo e percebo o que disse anteriormente: as pessoas que se utilizam desse último tipo de transporte NÃO utilizam o táxi, salvo alguma situação de emergência. Sugeriria até ao sindicato da categoria que realizasse uma pesquisa sobre esse assunto. Outra coisa: a decisão da Prefeitura do PT de “combater o transporte clandestino” atende aos interesses não dos taxistas, mas aos dos empresários de ônibus, que como afirmei, são os mais prejudicados por essa categoria. Luciano Cartaxo deveria era buscar resolver a situação dos trabalhadores que prestam o serviço alternativo e não ficar “jogando pra galera”, como fez com vocês, na reunião com o Sindicato. O que ocorre há anos em João Pessoa e na Paraíba é “sui generis”. Temos uma categoria – a dos alternativos – querendo ser regularizada, trabalhar de forma legal, cadastrada, e o poder público simplesmente NÃO quer. Isso é incrível!!! Tudo por conta do lobby fabuloso dos empresários de ônibus do nosso Estado, que só pensam nos seu próprio bolso.    Sobre a “invasão de táxis de outros municípios”, citada pelo prefeito Luciano Cartaxo, essa poderia ser resolvida, caso a PMJP, juntamente com os outros prefeitos dos 11 municípios que dizem integrar a Região Metropolitana de João Pessoa ou Grande João Pessoa, como é mais conhecida, e implantasse algumas medidas em benefício dos taxistas, como o fim das praças e a consequente implantação do ponto livre em toda essa região. Evidentemente que tal decisão dependeria de um acordo entre todos os prefeitos que integram tal Região Metropolitana. Tal acordo, porém, esbarra numa questão de cunho clientelista, típico da política brasileira: muitos dos prefeitos desses municípios da Grande João Pessoa, novos e antigos, para conseguir votos e garantir a continuidade de seu projeto político, costumam se utilizar da concessão de novas praças de táxi para, assim, ter assegurada sua eleição ou de seu aliado político. Isso faz com que muitos dos municípios paraibanos, inclusive da Grande João Pessoa, possuam mais táxis cadastrados do que o necessário, de acordo com a sua população.

      Esta medida que proponho demandaria um debate dentro da categoria com o poder público e, evidentemente, poderia gerar algumas polêmicas, dentro e fora do setor, mas é disso que precisamos. Um debate franco, claro, sincero e honesto entre trabalhadores e poder público, com todos pensando no melhor para a sociedade e não para alguns poucos. Quem pensa assim são os empresários de ônibus que, através de seu lobby, pressionam o poder público que, por conta das conveniências políticas, sempre pende para o lado destes. Precisamos quebrar essas amarras e fazer com que a PMJP e o Governo do Estado trabalhem a partir de agora para os trabalhadores, pois os empresários já lucraram demais durante todos esses anos.