Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Saindo de um campo de batalha, mas não da guerra



No último dia 20 de fevereiro, na mesma ocasião em que os/as trabalhadores/as da educação municipal de Sta. Rita debatiam, em assembleia, se deveriam ou não aceitar o empréstimo da Prefeitura para receber os seus salários atrasados de dezembro e o 13º, assinei minha exoneração dos quadros efetivos daquela instituição e, por tabela, também desta batalha travada por esta categoria de luta. 
Ingressei na PMSR em 12 de maio de 2003, como sempre em minha vida, por meio de concurso público. Já em 2004, fiz parte do Comando de Greve que durou 45 dias, no último ano da (indi) gestão Maroja. Depois, foram 8 anos enfrentando o governo Marcus Odilon, que simplesmente destruiu aquilo que pode se chamar de políticas públicas, até chegar ao caos que existe hoje em Sta. Rita.
Em 2007, enfrentamos uma greve duríssima, com a prefeitura de Marcus Odilon enviando para a escola em que eu trabalhava - a EMEF Antonio Ferreira Nunes, popularmente conhecida como Isaura Guerra, no Alto das Populares - o secretário de Educação, o ex-vereador Adones Júnior e o adjunto, o atual vereador, Farias, junto com vários capangas, para na marra tentar reabrir a escola, já que esta era uma das fortalezas da greve, segundo o movimento e a própria secretaria. Foi um dia extremamente tenso na escola e na comunidade.
Mas, sem dúvida, 2012 é um ano que JAMAIS será esquecido de nossa memória. A greve de 4 meses, a truculência da prefeitura durante o movimento antes, durante e, principalmente, após são coisas que fazem parte de um aprendizado político individual e coletivo que não serão nunca desperdiçados, apenas pelos tolos.
E é exatamente neste ponto que quero me reportar ao falar de minha saída de Sta. Rita.
Saio por força das circunstâncias  Saio por uma imposição legal. Não saio feliz, portanto. Passei no concurso do Estado e, assim, tenho que me desfazer de um dos dois concursos que já possuo. Optei por Sta. Rita, já que em Bayeux estou na direção do sindicato dos servidores municipais. A experiência política, dentro e fora da sala de aula, que tive nesses 9 anos, 9 meses e 8 dias que atuei em Sta. Rita, levarei para sempre na minha trajetória pessoal e política.    
A classe trabalhadora de Sta. Rita, especialmente o magistério, me ensinou muito esses anos, com sua vibração, sua disposição de luta, apesar dos reveses, apesar das vacilações da direção do sindicato, mas sempre se mostrou como uma categoria disposta à luta e, assim, nos apontou por várias vezes como devemos agir em vários momentos da luta.
Na sala de aula, com todas as dificuldades encontradas no dia a dia, aprendemos a conviver com isso e principalmente, superar tudo isso. Ao longo de todos esses anos, conheci pessoas extraordinárias, pelas quais guardo imenso carinho e gostaria aqui de agradecer o convívio que tive com elas durante esse período. Às professoras e professores Donátila, Egizomar (que agora assumiu, com todo louvor, a coordenação do Projovem no município), Ana Freire, Luzia, Ebenezer, Antonio Carlos, Chagas, Suênia, Márcio Brito, Leda, muito obrigado por ter participado do convívio de vocês. Queria agradecer também a amizade que desfrutei do pessoal de apoio. Betânia, Marconi, Erivaldo (mais conhecido com Irmão), Fábio, o pessoal da cozinha - que não conheço o nome de todo mundo, me desculpem, sei de alguns, mas pra não ser injusto, falo assim mesmo. Gente muito boa, que trabalha com dedicação extrema para a escola, mas que não é reconhecida pela prefeitura.
Quero agradecer também aos meus diretores, especialmente os últimos, Solange e Nivaldo, além de minhas supervisoras, Mary e Fátima, que tiveram que me aturar por todos esses anos, especialmente de 2006 para cá, quando cheguei na EMEF Antonio Ferreira Nunes.
Santa Rita e toda a experiência que vivemos, dentro e fora da sala de aula, foi muito importante para mim, Agora, levaremos tudo isso para nossa atuação em Bayeux, no município, onde já estamos desde 2004 e para o Estado,onde estamos iniciando a caminhada agora. Valeu, Santa Rita!!! Continuaremos nos encontrando na luta!!!               

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Uma explicação para a renúncia de Bento XVI


       



O mundo foi pego de surpresa nesta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013, quando do anúncio da renúncia do papa Bento XVI de seu pontificado. Afinal, desde Gregório XII, em 1415, não havia a renúncia de um papa de seu trabalho clerical. Na era moderna, então, Bento XVI inaugura um novo momento na história da Igreja Católica.
O anúncio de sua renúncia se dá, segundo palavras do próprio Joseph Ratzinger (Bento XVI), por conta de “que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino”, segundo um trecho da carta lida pelo papa renunciante durante reunião com cardeais no Vaticano.
Quando assumiu o comando da Igreja Católica, em 2005, Bento XVI tinha o papel de ser um papa de transição. A Igreja Católica vivia um período difícil, com a perda de um papa de grande prestígio popular e que foi, ao longo de seu papado, um grande colaborador do imperialismo e do regime capitalista na destruição dos regimes do Leste Europeu e também da afirmação do Estado de Israel como fiel aliado dos países imperialistas no Oriente Médio. Além disso, João Paulo II foi fundamental na desarticulação, dentro das fronteiras do catolicismo, dos defensores da “Teologia da Libertação”, ao mesmo tempo que dava condições para que os carismáticos crescessem às custas da “Teologia da Prosperidade”. Tudo para combater o crescimento das igrejas consideradas evangélicas que, especialmente na América Latina, e do islamismo, na Europa, África e EUA, ameaçavam (e ainda ameaçam) a hegemonia da Igreja Católica.
Bento XVI vem, então, para ser esse papa de transição para tentar reafirmar o catolicismo como a religião mais importante do planeta e com maior número de fiéis. Porém, em pouco mais de 7 anos de pontificado, Bento XVI não conseguiu nem uma coisa nem outra. Pelo contrário. A Igreja Católica até pode continuar sendo a religião mais importante do planeta, mas o número de fiéis vem caindo a cada ano que passa em várias partes do mundo.
Peguemos o Brasil, por exemplo. Em nosso país, ao longo dos anos, a Igreja Católica continua sendo majoritária em nossa sociedade, mas tem perdido espaço para o segmento evangélico de forma crescente. O Censo 2010 do IBGE mostra bem essa evolução deste segmento em relação ao catolicismo. Mas não apenas deste segmento religioso. Surpreendentemente, o segmento religioso que mais cresceu foi o dos “sem religião”, com 8% da população nacional.
Pegando os últimos 50 anos até 2010, o que se verifica é que, apesar do catolicismo continuar sendo majoritário entre as religiões no Brasil (que é, reconhecidamente, um dos maiores países católicos do mundo), a sua maioria vem caindo ao longo dos anos em relação aos outros segmentos religiosos, especialmente os evangélicos. Por exemplo, em 1960, os católicos eram 93,1% da população brasileira, enquanto os evangélicos eram apenas 4% no mesmo período; 50 anos depois, os católicos são 64,6% de nossa população e os evangélicos são 22,2%. Ou seja, em cinco décadas, os católicos reduziram 28,5% de seus fiéis, enquanto os evangélicos cresceram mais de 5 vezes. Isso sem pegarmos o segmento dos pentecostais e neopentescostais.
Bento XVI não conseguiu, no seu curto papado, apesar do seu discurso extremamente conservador, em defesa das tradições da Igreja, fazer com que esta arrebanhasse mais fiéis. Ao contrário, a Igreja Católica, enfrentou inúmeros processos na justiça comum por causa de vários casos de pedofilia praticados por seus membros, especialmente nos EUA, mas que também ocorreram no Brasil. Além disso, foi no papado de Bento XVI que a Igreja Católica enfrentou vários protestos, como o do movimento de mulheres e LGBT’s, por conta de seus posicionamentos reacionários contrários ao aborto, à possibilidade de ascensão das mulheres no interior da Igreja e ao casamento homoafetivo. Paralelo a isso, assistimos neste período ao crescimento do ramo chamado evangélico, especialmente do setor pentecostal, sobretudo nas áreas mais pobres do planeta, como América Latina, África e Ásia. E a porção de fiéis arrebanhados por estas igrejas veio sobretudo da Igreja Católica, que a olhos vistos perdeu muitos seguidores. Isto, apesar desta ter assumido um discurso semelhante ao pregado pelas “Universais” da vida. Porém, uma coisa é o original, outra é a cópia.
O concreto é que a renúncia de Bento XVI se deve, em nossa modesta opinião, a uma crise que existe na Igreja Católica que ele, enquanto papa transitório, se dispôs a enfrentar e não conseguiu resolver, nem que minimamente: a perda constante e acelerada de fiéis para outras religiões. A tarefa do novo papa é construir uma política que impeça, ou pelo menos, reduza essa sangria que o catolicismo vem sofrendo há décadas, sobretudo em países centrais de sua religião, como o Brasil, como já demonstramos nesse artigo. Mas, a estrutura milenar da Igreja Católica pode ser um empecilho muito grande para esse sucessor de Bento XVI, isso se esse estiver disposto a enfrentar essa estrutura, o que duvido muito.
Já começam a surgir comentários de analistas que acompanham o desenrolar da política do Vaticano que a Igreja Católica precisa, com o novo papa, se renovar no discurso e na prática. O problema é de que forma isso se dará. Porque a única novidade nos últimos dois mil anos no catolicismo foi a Teologia da Libertação, que foi duramente reprimida no papado de João Paulo II, ao ponto de seu principal teólogo, o brasileiro frei Leonardo Boff ter sido calado por determinação do Vaticano para todo o sempre. Assim, fica difícil imaginarmos algum avanço com o novo papa que vem, seja ele europeu ou não.
Segundo outros analistas, a renúncia de Bento XVI assume ares de “guerra civil” na disputa pelo poder no Vaticano. Segundo um dos maiores estudiosos do Vaticano, Massimo Franco, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, autor do premiado "Era uma Vez um Vaticano", a renúncia do papa seria “o sintoma extremo, final, irrevogável, da crise de um sistema de governo e de uma forma de papado”. O editorial do prestigiado jornal italiano, “Corriere della Sera”, assinado pelo seu diretor, Ferruccio de Bortoli, o gesto de Bento XVI “foi certamente encorajado pela insensibilidade de uma cúria que, em vez de confortá-lo e apoiá-lo, apareceu, por diversos de seus expoentes, mais empenhada em jogos de poder e lutas fratricidas”. Como se vê, a crise é muito maior do que pensamos e não é só em Brasília e no Brasil que a política é suja e nociva aos interesses do povo.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carta Aberta a Ernandes Santiago



Muitos que lerem este artigo provavelmente não conhecem o personagem ao qual se destina esta Carta Aberta. Este blogueiro também não o conhece pessoalmente, mas quem frequenta a página do Facebook do Sinfesa (Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Santa Rita), conhece este personagem através de uma postagem feita por ele endereçada diretamente ao presidente do citado Sindicato. Uma postagem, diga-se de passagem, de extremo mau gosto e absurdamente desrespeitosa. Fosse comigo, acionaria um advogado para representar na justiça contra este indivíduo.
Todos que frequentam as assembleias do Sinfesa e participam, ainda que minimamente, do movimento dos servidores municipais de Santa Rita - do qual estou me despedindo após praticamente 10 anos de atuação, por ter sido aprovado no concurso do Estado - sabem que, ao longo de todo esse período, fiz oposição à direção do Sinfesa, tendo José como seu presidente neste tempo. Porém, esta oposição foi feita de forma honesta e respeitosa. Nunca, em nenhum momento, parti para atacar o companheiro no plano pessoal, procurando desqualificá-lo no plano moral, embora muitas vezes nem sempre a recíproca tenha sido a mesma. 
A postagem do senhor Ernandes Santiago no Facebook, se reportando a uma tal agressão que o presidente do Sinfesa teria sofrido do ex-prefeito de Sta. Rita e os efeitos que esta teriam provocado nele são dignos de repúdio por parte de toda a categoria. É uma tentativa clara de desmoralizar não apenas o presidente do Sindicato, mas toda a categoria. Aprendi em meus anos de militância que quando se tenta desqualificar um dirigente com ataques morais, na verdade, está se tentando atacar a organização como um todo. Quem dos/as lutadores/as de Sta. Rita já viram este indivíduo nas lutas da categoria?  Quem já assistiu Ernandes Santiago passar pelas mesmas angústias que cada um de nós tivemos nos 8 anos de (indi)gestão Povo da Silva 4?
Companheiros e companheiras, como já afirmei, tenho ao longo de todos esses anos, muitas divergências com o companheiro José dos Santos Farias, mas isso não me impede, de forma alguma, de defendê-lo de um ataque tão repugnante, tão vil, tão baixo, que deve ser REPUDIADO por toda nossa categoria, pois a intenção não é desqualificar o presidente do Sinfesa, mas sim desmoralizar a luta de toda uma categoria que tem como seu símbolo a defesa intransigente de seus direitos e conquistas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vivemos numa DEMOCRACIA na Paraíba?




No dia 1º de fevereiro, a Paraíba foi surpreendida com uma notícia espantosa: o anúncio do fechamento da programação da Paraíba FM e, consequentemente, de três de seus programas jornalísticos que, de forma mais veemente e crítica, faziam oposição ao atual governador do Estado, Ricardo Coutinho. A argumentação utilizada pelos empresários do sistema  em que a Paraíba FM era vinculada era de que seu fechamento se devia à razões de ordem financeira, coisa difícil de se acreditar pela intempestividade da forma como se deu tal fechamento.
Além do mais, esse episódio do fim da Paraíba FM encerra com chave de ouro um ciclo iniciado em 2011, logo após a chegada de Ricardo Coutinho ao Palácio da Redenção, quando a equipe comandada por Gutemberg Cardoso e Josival Pereira, então na Correio FM, saíram deste sistema de comunicação também de forma intempestiva por não baterem de frente com o mandatário do Poder Executivo Estadual. O Palácio da Redenção e seus babões de plantão hã de negar isso até a morte, mas toda a Paraíba sabe disso perfeitamente. De uma leva só, saíram além dos citados, Marcelo José, Lenilson Guedes e tantos outros. Alguns meses depois, esses desembarcaram no sistema Cabo Branco e lá iniciaram um novo projeto, intitulado Paraíba FM, onde junto com outros competentíssimos profissionais, produziram três grandes programas do rádio paraibano, pela manhã, ao meio-dia e no horário das 18h: "Paraíba Agora", "Polêmica Paraíba"e "A Hora do Rush". Além dos já citados, toda a Paraíba tinha a satisfação de ouvir Edileide Vilaça, Padre Albeni, Maurílio Batista, Verônica Guerra, e tantos outros cobras do radiojornalismo paraibano a cumprir sua missão de bem informar o povo de nossa terra com um mínimo de informação crítica. Depois, também por influência do Palácio da Redenção, Marcelo José, Josival Pereira e Nilvan Ferreira saíram da Paraíba FM e foram ganhar a vida em outras paradas. Era o início do fim do projeto ambicioso iniciado há dois anos atrás. 
Evidentemente, que este blogueiro que vos fala e escreve nem sempre concordava com a opiniões emitidas pelos apresentadores destes programas, porém nestes programas nos era permitidos discordas deles e, principalmente, exprimir nossas posições divergentes do status quo existente atualmente em nosso Estado. Isso é que era o mais importante na Paraíba FM, esse era o seu diferencial em relação a outros sistemas de comunicação que ora continuam em vigor em terras tabajaras, sempre submissos ao que vem do Palácio da Redenção.
Esse é o maior prejuízo ao povo paraibano com o fim da Paraíba FM. Teremos, a partir de agora, a DITADURA DA INFORMAÇÃO em nosso Estado. Não teremos agora uma Tabajara. Teremos várias Tabajaras, espalhando aos quatro recantos deste Estado as "informações" de um governo que, em nome do povo, só tem causado prejuízos a esse mesmo povo. Pois que mais mal um governo pode causar a um povo do que privá-lo da informação crítica, da informação divergente?
Com o fim da Paraíba FM, só nos resta perguntar: na Paraíba, sob a égide de Ricardo Coutinho, vivemos realmente numa DEMOCRACIA?   

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Afinal, quem se curvou a quem no episódio do Rio Jaguaribe/Manaíra Shopping? O PT ou prefeito Luciano Cartaxo?


A cidade de João Pessoa assistiu, nos últimos dias, a uma "briga de cachorro grande", como costuma dizer o povo na sua sabedoria. Trata-se da polêmica sobre a reforma feita no Shopping Manaíra (mais uma) que, segundo o deputado estadual Anísio Maia (PT), estaria sendo feita de forma irregular pelo citado estabelecimento, causando segundo o deputado petista, mais um crime ambiental. Anísio foi mais além e disse que, com esta obra feita, "o poder público está sendo desmoralizado" (www.pbagora.com.br, de 23/01/13).
No dia 28 de janeiro do corrente ano, cinco dias após a grave denúncia do parlamentar petista, o presidente do PT de João Pessoa, Jackson Macedo, divulgou uma nota na imprensa afirmando, com todas as letras, que "o governo do prefeito Luciano Cartaxo não estará refém de especulação imobiliária, de pressões monopolistas e nem subordinará o bem comum de toda cidade aos interesses imediatos do capital privado". Além disso, presta solidariedade ao deputado Anísio Maia e afirma que "o PT está junto, solidário e atento a essas questões".
Porém, neste dia 29 de janeiro, um dia após essa nota do PT/JP ter sido amplamente divulgada na imprensa paraibana, eis que somos surpreendidos com a decisão da Semam de liberar a obra do referido empreendimento. "Fomos lá e observamos que não existe nenhuma irregularidade. Não existe essa história de aterramento do Rio Jaguaribe. O que estava sendo feito era apenas a junção de areia para que as máquinas pudessem ficar estáveis no solo", afirmou Edilson Nóbrega, secretário da Semam.
Toda João Pessoa sabe que, se vivêssemos num país sério, o Shopping Manaíra não teria nem um tijolo levantado, quanto mais a estrutura que possui hoje. Os que vivem nessa cidade e acompanham sua realidade, sabem que este shopping foi erguido sobre um mangue, causando um prejuízo ambiental de danos irreversíveis. Posteriormente, outras reformas foram feitas também causando prejuízos ao "bem comum", como destaca a nota do presidente municipal do PT.
Porém, o que assistimos mais uma vez é a vitória do poder econômico sobre o "bem comum". E com uma pitada de desmoralização do poder público, a que se referia o deputado petista Anísio Maia. Afinal de contas, depois da grave denúncia do parlamentar, referendada pela direção municipal do PT, eis que surge um órgão público, ligado diretamente ao prefeito Luciano Cartaxo, e avalia a reforma feita no shopping.
A pergunta estampada no título desse artigo traz em si a própria resposta: o governo de Luciano Cartaxo sai desse episódio provocado por aliados seus completamente DESMORALIZADO. Pois, após tanto alarde do deputado e da direção municipal do PT, afirmando com veemência que nem o partido nem o prefeito Cartaxo se curvariam a interesses privados em detrimento do "bem comum", recebem como troco o aval da Semam, liberando (mais uma vez, pra variar) obras no citado empreendimento.
Procura-se uma diferença substancial entre o governo do PT e os demais que já passaram pela PMJP.




sábado, 12 de janeiro de 2013

Carta Aberta ao PROFESSOR Neroaldo Pontes


Desde o dia 1º de janeiro deste ano, a Secretaria de Educação de Sta. Rita está sendo dirigida pelo professor Neroaldo Pontes. Quando seu nome foi anunciado como o futuro secretário da pasta, houve uma certa euforia em vários setores da categoria, inclusive dentro daqueles e daquelas que sempre estão na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade dentro da cidade de Sta. Rita ao longo de todos esses anos, especialmente nos últimos 8 anos da (indi) gestão de Marcus Odilon, particularmente pródiga em destruir não apenas a educação, mas todos os serviços públicos da cidade. Sua indicação, Neroaldo, acendeu em muitos/as uma chama de esperança de dias melhores na educação municipal a partir dos primeiros dias de 2013. Menos em mi, devo afirmar.
Afirmo isso, professor Neroaldo, não porque jogo sempre no time do contra, como gostam de afirmar alguns, mas por conhecê-lo de longa data, especialmente a sua trajetória política, coisa que muitos de Sta. Rita só conhecem através das páginas dos jornais e das imagens da TV. Eu a conheço um pouco além disso, e por isso não tinha motivo algum para ter esperança.
Você, Neroaldo, tem um currículo realmente digno de nota.Porém, isso só não basta para credenciá-lo como um bom administrador. Peguemos, por exemplo, FHC. Um grande intelectual mas que no exercício da presidência foi um dos maiores entreguistas do patrimônio público de nosso país e que praticamente levou nossas universidades às ruínas, não sem fazer o mesmo com a educação pública como um todo.
Na sua passagem pela UFPB, Neroaldo, você se construiu atuando nos anos 80 e 90 do século passado naquilo que denominávamos naquela época de "campo progressista", que era o setor que defendia a educação pública, gratuita e de qualidade. É bem verdade que este campo, que envolvia estudantes, professores e servidores técnico-administrativos, era muito amplo, havia muitas força políticas que atuavam dentro dele, com interesses diversos, mas que na hora da luta, tinham a bandeira acima citada como garantia da unidade. 
Foi assim, Neroaldo, que fez esse "campo progressista" colocar na rua em 1988 a candidatura de Genival Veloso contra a de Antonio Sobrinho à Reitoria da UFPB, mesmo sabendo que era pra acumular forças. E foi, naquela ocasião, uma das maiores (senão a maior e mais empolgante) campanha já feita dentro dos muros da universidade até os dias de hoje). A entrega do movimento estudantil mais combativo naquela campanha fez com que ela saísse dos gabinetes e ganhasse a universidade em todos seus recantos, levando a mensagem de universidade transformadora. Quatro anos mais tarde, em 1992, este mesmo setor do movimento estudantil uniu a campanha eleitoral para o DCE da UFPB com a campanha para Reitor, apoiando o então candidato, Neroaldo Pontes.
Naquela oportunidade, Neroaldo havia saído da direção da ADUFPB, o sindicato dos professores/as da UFPB, onde na ocasião havia se travado uma dura luta com o governo Collor e também com a Reitoria da UFPB acerca da questão dos 84,32% do Plano Collor, onde a universidade vinha de uma longa greve por causa disso. Neroaldo, como presidente da ADUFPB, era a principal liderança da categoria e isso o ajudou bastante no processo eleitoral seguinte.
Já no processo eleitoral de Reitor, Neroaldo teve que se posicionar sobre dois assuntos muito polêmicos: sobre os professores, teve que reafirmar o compromisso de que, ao assumir a Reitoria, iria pagar os 84,32% á categoria, coisa que a Reitoria na época não assumia; sobre os técnico-administrativos, assumiu que NÃO iria acabar o horário corrido da categoria. Fez isso assumindo o compromisso em um panfleto fartamente distribuído entre a categoria.
Repetindo, a campanha de Neroaldo Pontes dentro do segmento estudantil foi feita por nós, que na ocasião participávamos da chapa "Reviravolta". Naquela ocasião, estavam na chapa eu e o professor Feitosa, dos que estão hoje em Sta. Rita. Porém, assim que assumiu a Reitoria da UFPB, as atitudes de Neroaldo Pontes provocaram o racha na direção do DCE da UFPB. Sim, porque assim como Neroaldo venceu a eleição para Reitor, a chapara "Reviravolta" também venceu as eleições para o DCE. Naquela oportunidade, eu era representante da entidade no Conselho Universitário.
As primeiras atitudes de Neroaldo Pontes como Reitor da UFPB provocaram um racha na direção do DCE/UFPB. Pra começo de conversa, Neroaldo tentou acabar com o horário de corrido dos técnico-administrativos, logo aquele compromisso assinado por ele em panfleto distribuído na categoria. Com isso, para nosso grupo do movimento estudantil na UFPB, Neroaldo já começava a mostrar quem era. A gota d'água foi quando ele se negou, enquanto Reitor, a pagar os 84,32% que ele, enquanto presidente da ADUFPB, tanto lutou para que tanto o MEC quanto a Reitoria da UFPB, pagassem aos trabalhadores da educação.  Com isso, nós rompemos com Neroaldo Reitor e passamos, dentro do movimento estudantil na UFPB, a fazer oposição a seu Reitorado. 
Neroaldo, à frente da Reitoria da UFPB, inaugurou uma nova fase daquilo que chamávamos de "campo progressista". Este, a partir da era Neroaldo, foi se desintegrando, ao ponto de passar a não mais existir. Hoje em dia, o "campo progressista" na UFPB é uma saudosa memória!
Depois que saiu da Reitoria da UFPB, Neroaldo continuou sua caminhada rumo à direita, cada vez mais à direita. Com pouco tempo, foi prestar seus serviços ao neoliberal PSDB, como secretário de educação de João Pessoa, na gestão de Cícero Lucena; depois dos bons serviços prestados ao neoliberalismo na esfera municipal, foi a vez de Cássio Cunha Lima recrutá-lo para fazer o mesmo, só que no Estado. Foi Neroaldo quem implantou na Paraíba as eleições diretas nas escolas estaduais, mas apenas nas grandes cidades, não em todas. Isso manteve o domínio político nas pequenas cidades. Neroaldo, o grande, sempre antenado com o poder da classe dominante.
Agora, depois de um tempo ofuscado e afastado, eis que Neroaldo Pontes ressurge das cinzas, trazido por Reginaldo Pereira, prefeito de Sta. Rita, para tentar recuperar a imagem da educação pública da cidade. Uma educação que, no último período, enfrentou uma greve de 120 dias e encerrou o ano de 2012 com a categoria sem receber o 13º salário e o mês de dezembro.
Com toda essa situação caótica, qual a proposta de Neroaldo, o grande? Que os profissionais da educação de Sta. Rita encerrem o ano letivo de 2012 até o dia 31 de janeiro, sem ter NENHUMA garantia de pagamento desses salários atrasados. Dá para acreditar nisso?
Professor Neroaldo Pontes, essa proposta não tem adjetivos para classificá-la. O mínimo que pode-se dizer dela é que esta é INDECENTE, além de ser totalmente DESRESPEITOSA para com nossa categoria. Neroaldo, o mínimo que você deveria ter conosco é RESPEITO. Pergunto a você: quando eras Reitor da UFPB, alguma vez chegasse a fazer uma proposta desse tipo aos professores daquela instituição de ensino? Eu me antecipo e respondo porque vivi naquela universidade nos anos em que fosse Reitor: NÃO, NUNCA!!! Você pode ser tudo na vida, menos LOUCO!!! Então, pergunto de novo: Por quê você se acha no direito de fazer uma proposta dessas em Sta. Rita, para nossa categoria? Qual a diferença   entre nós e os professores universitários da UFPB? Mais uma vez, me antecipo e respondo: exceto o salário, NENHUMA!!! Somos professores, meu caro. Somos profissionais da educação, EXIGIMOS RESPEITO!!!
Outra coisa, Neroaldo. Quem estudou para ser padre foi você, não eu. Você foi treinado para pagar penitências, jejuar, não os profissionais da educação de Sta. Rita. Nós aprendemos as ténicas do ensino, os conteúdos das disciplinas que lecionamos, e a receber nossos salários ao final do mês que trabalhamos. É isso que sabemos fazer. É disso que precisamos. É isso que EXIGIMOS que você e Reginaldo Pereira façam ONTEM!!!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Em João Pessoa, muda o prefeito, mas os empresários de ônibus continuam no poder!




Recentemente, na manhã do último dia 27/12, os representantes do Conselho de Transporte e Trânsito (CTT), órgão ligado à Semob - Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa -, foi aprovado mais um reajuste no valor das passagens de ônibus na capital paraibana. Segundo a decisão do CTT, que deve ainda ser sancionada pelo prefeito Luciano Agra (ou Cartaxo), a passagem custará R$ 2,30, um reajuste de 4,54%.
A PMJP, através da Semob, utiliza um argumento principal a seu favor para justificar mais este aumento nas passagens dos ônibus em nossa cidade, o de que este é menor do que a inflação prevista para o período. Porém, isto não apaga a realidade imposta na conjuntura vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras de nossa cidade, que todos os dias, ano após ano, tem que "usufruir" dos ônibus dessa cidade em que vivemos.
Luciano Agra e seu esquema político que ele ajudou a governar essa cidade nos últimos 8 anos fez com que os empresários de ônibus de João Pessoa liderados pela AETC lucrassem como nunca haviam lucrado antes. O marco disso foi a criação da integração e da bilhetagem eletrônica que, como dizíamos à época, ameaçavam o emprego dos cobradores de ônibus, o que progressivamente já está acontecendo, sob a conivência do Sindicato da categoria, que nada faz para combater isso. Várias linhas em João Pessoa já não tem mais cobradores, obrigando os motoristas a cumprirem dupla função, colocando os passageiros em risco durante o trajeto. É a prova do "compromisso" dos empresários do setor e da AETC com o povo que, diariamente, utiliza esse transporte "de qualidade" e que os ajuda a ficarem mais ricos.
Nos últimos 8 anos, o esquema de Agra produziu um aumento de 100%, uma coisa completamente fora da realidade nacional, que obedece apenas à sanha de lucro da AETC e seus filiados. Ou seja, Agra e seu esquema político continuou, nesses 8 anos, reproduzindo uma prática que já se tornou comum na PMJP: manter os altos lucros dos empresários de ônibus de João Pessoa. Tudo isso porque são eles alguns dos principais financiadores das campanhas eleitorais dos grandes partidos a cada 4 anos. Todos/as em nossa capital sabem disso, é uma prática corrupta aberta e que precisa ser combatida de forma veemente!
Para se perceber o absurdo desse aumento extorsivo nos 8 anos de Ricardo/Agra em João Pessoa em prol dos empresários do transporte, pegamos dois índices de inflação no mesmo período, o INPC e o IPCA. Ambos só temos os dados atualizados até o mês de novembro deste ano. 
Segundo o INPC, no mesmo período (últimos 8 anos), a inflação foi de 41,54%, o que faria a passagem em João Pessoa ser R$ 1.63, caso fosse usado pela PMJP tal índice de reajuste.
Pelo IPCA, índice oficial do governo para medir a inflação do país, esta foi de 40,89%, o que faria a passagem em João Pessoa ser R$ 1.62, caso fosse usado pela PMJP tal índice de reajuste.
A diferença parece ser pequena, mas quando analisamos o impacto que o próximo valor das passagens tem sobre o/a trabalhador/a que recebe salário mínimo, verificamos que não é bem assim. Para quem recebe 1 salário mínimo, o impacto da nova passagem de ônibus em João Pessoa será de 20,35%. Se a PMJP usasse o INPC como índice de reajuste do valor da passagem, este impacto seria de 14,42%; se este índice fosse o IPCA, o impacto seria um pouco menor, 14,33%.
Para quem avalia que este argumento está fora da realidade quero lembrar que, segundo o Censo 2010 do IBGE. mais de 50% da população de nossa capital vive (ou tenta viver) com uma renda de 1 ou 2 salários mínimos.
Está provado e comprovado, portanto, que entre o atual valor aprovado pelo CTT da Semob e da PMJP e o que poderia ser, caso essa mesma PMJP utilizasse outro critério que não o interesse dos empresários e da AETC, temos uma diferença entre um valor e outro de 41,97%. Uma diferença que chega a ser maior do que a inflação do período de 8 anos detectada pelo IPCA. 
Para quem pensa que essa situação irá mudar com o próximo prefeito, Luciano Cartaxo, fique sentado, pois em pé, cansa. Afinal de contas, Cartaxo foi apoiado por Agra e este indicou praticamente metade do secretariado de Cartaxo. Portanto. é mais do mesmo.
O que não pode mudar é a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, juventude e demais setores comprometidos com a melhoria das condições de vida de nossa classe. Vamos seguir na luta por um transporte de qualidade em nossa cidade;

* NÃO AO AUMENTO DAS PASSAGENS! MÃOS AO ALTO, 2,30 É UM ASSALTO!!!
* REDUÇÃO E CONGELAMENTO DAS PASSAGENS EM JOÃO PESSOA!!!
* FIM DA FARRA DOS EMPRESÁRIOS DO SETOR DE TRANSPORTE EM JOÃO PESSOA!!!
* PELA CRIAÇÃO DA EMPRESA MUNICIPAL DE TRANSPORTE COLETIVOS, ADMINISTRADA   POR UM CONSELHO DE USUÁRIOS E TRABALHADORES!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A classe política pessoense zomba dos trabalhadores de nossa cidade!




Em julho deste ano, os vereadores de João Pessoa aprovaram um reajuste nos seus salários da ordem de 61,6%, fazendo com que passem a receber, a partir de 2013, R$ 15.000,00. Ontem, 26 de dezembro de 2012, os vereadores estenderam sua "boa vontade" ao futuro prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, bem como seus adjuntos. 
Na sessão da data acima citada, os vereadores pessoenses votaram e aprovaram o PL nº 1643/12. Com isso, Luciano Cartaxo começará 2013 ganhando R$ 22.000,00, um reajuste de 22%, enquanto Nonato Bandeira ficará com R$ 16.500,00, um reajuste de 30,9%. Já os secretários municipais passarão a receber mensalmente R$ 15.000,00, um reajuste de   61,6%, enquanto seus adjuntos ficarão com R$ 11.000,00.
Enquanto isso, a classe trabalhadora brasileira se contentou com o anúncio, feito nessa mesma semana com o reajuste de 9% do salário mínimo, fazendo com que este fique em R$ 678,00 para 2013. 
Não é possível que a população que sofre com os serviços públicos que não funcionam  seja obrigada a pagar por um salário 32 vezes maior que um salário mínimo. Não há sentido nenhum em um político receber um salário completamente fora da realidade, seja de R$ 15 mil ou de R$ 22 mil. Nós, do PSTU, defendemos que os vereadores recebam salários iguais ao que recebem os trabalhadores. Um salário suficiente para seus gastos de alimentação, moradia, vestuário, saúde... suficiente para viver, sem mordomias e privilégios. Como o salário calculado todos os meses pelo DIEESE, suficiente para uma família com quatro pessoas. 
Tudo isso serve para nos mostrar que a classe política brasileira, em geral, e a pessoense, em particular, ZOMBAM  de todos nós, e em especial, de nossa classe. Precisamos nos organizar e mostrar pra eles todo nosso REPÚDIO diante disso. 

- Pela derrubada do aumento do salário de vereadores, prefeito, vice e secretários.
- Chega de privilégios! Salário do vereador = salário de trabalhador!
- Pela garantia de condições de funcionamento das escolas e unidades de saúde e o atendimento das reivindicações do funcionalismo.   



domingo, 23 de dezembro de 2012

Ricardo Coutinho, o senhor dos sofismas



O governador Ricardo Coutinho anunciou recentemente, durante seu programa de rádio "Fala Governador", exibido na Rádio Tabajara, que irá pagar o abono natalino do Bolsa Família às famílias paraibanas que participam deste programa. Isto, segundo o governador, será feito entre os dias 7 a 24 de janeiro de 2013, nas agências credenciadas dos Correios espalhadas pelo Estado.
Esta é uma das promessas de campanha de Ricardo Coutinho que até então não vinha sendo cumprida, como tantas outras. Aliás, continua sendo não cumprida. Na verdade, Ricardo continua exercendo uma prática na qual ele é craque: a arte do sofisma. Ricardo prometeu, em 2010, pagar o 13º do Bolsa Família. O que ele anunciou a pagar em janeiro de 2013 foi um ABONO de R$ 32,00, enquanto o benefício básico do Bolsa Família é R$ 70,00!!! 
Outro dado interessante sobre este anúncio do governador é que, em novembro deste ano,  Ricardo havia dito que não iria cumprir este compromisso de campanha mais uma vez, já que em 2011 não havia feito isso, segundo notícia divugada pelo portal PBAGORA (http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20121217112902&cat=politica&keys=rc-anuncia-pagamento-bolsa-familia). Como a repercussão desta declaração foi extremamente negativa, Ricardo voltou atrás.
A verdade é que Ricardo Coutinho, mais do que ninguém, sabe que sua popularidade está muito baixa e que ele precisa de medidas como essas para recuperar a estima da população paraibana para, em 2014, garantir sua permanência no Palácio da Redenção. Com ou sem sofismas!!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PSTU repudia declaração da vereadora Eliza Virgínia (PSDB)



Na manhã desta terça-feira, 11 de dezembro de 2012, ocorreu uma manifestação do movimento de mulheres na Câmara Municipal de João Pessoa, por conta das declarações machistas e homofóbicas feitas pela vereadora Eliza Virgínia (PSDB), na semana passada, na tribuna da Câmara, num debate sobre a Lei "Maria da Penha", onde a parlamentar afirmou que "as secretarias de mulheres estão repletas de mulheres mal amadas e que não gostam de homens".
Confira abaixo a nota de REPÚDIO feita pelo PSTU sobre este assunto.


PSTU repudia declaração da vereadora Eliza Virgínia (PSDB)

      A vereadora Eliza Virgínia (PSDB) protagonizou, na última quinta-feira, 06/12, na tribuna da Câmara Municipal de nossa cidade, mais um episódio lamentável de agressão ao movimento de mulheres de nosso Estado e de todo o país, quiçá mundial. A vereadora afirmou, segundo várias matérias divulgadas nos portais de notícias de João Pessoa, que “as secretarias de mulheres estão repletas de ‘mulheres mal amadas e que não gostam de homens’”.
      A vereadora Eliza Virgínia fez essa declaração absurda e completamente desrespeitosa à luta das mulheres em uma sessão que debatia a Lei “Maria da Penha”. Isso nos revolta ainda mais, pois num debate sobre a violência sofrida pelas mulheres, muitas vezes praticadas por aqueles que elas julgam serem seus “companheiros”, a vereadora tucana emite uma opinião preconceituosa como essa.
      A vereadora Eliza Virgínia aproveita-se de um antigo estereótipo consagrado pela mídia burguesa para atacar, sem nenhuma justificativa, o movimento de mulheres. E mais: ajuda a difundir tal estereótipo!
      O movimento de mulheres iniciou sua trajetória de luta quase que no mesmo período em que passou a existir movimento operário em nosso planeta. O movimento operário, desde seu nascedouro, lutou arduamente por melhorias nas condições de vida e trabalho de nossa classe. Isso atingia diretamente as mulheres, que na formação do capitalismo, eram a principal mão de obra explorada pelos patrões, juntamente com as crianças. Esse pedaço da classe trabalhadora mundial tinha jornadas de trabalho exaustivas, de cerca de 12 a 14 horas por dia. E tudo isso sem nenhum direito trabalhista, como férias, repouso semanal remunerado e tantos outros direitos trabalhistas adquiridos ao longo da luta de nossa classe. As mulheres, neste processo, foram decisivas para a conquista desses e outros direitos. Não custa também lembrar que as mulheres, em período de guerras, foram fundamentais para manter a produção capitalista. Durante a Revolução Russa, as mulheres cumpriram um papel extraordinário na luta pelo socialismo e na construção de um novo modelo de sociedade, onde estas conseguiram direitos que até então eram inimagináveis, mesmo nos países capitalistas desenvolvidos. Direito ao seu próprio corpo e assim definir como seria feito o planejamento familiar, direito ao aborto, ao divórcio e tantos outros.
      No Brasil, assim como em outros países, as mulheres produziram, ao lado do movimento operário, grandes lutas de nossa classe. Conquistaram o direito ao voto na década de 30 do século passado, lutaram pela bandeira “O petróleo é nosso”, que resultou na criação da Petrobras, contra a ditadura militar e pelas eleições diretas em 1984, entre tantas outras lutas. Apesar disso, as mulheres continuam relegadas pelo sistema a uma condição subalterna, apesar de serem maioria em nossa sociedade.
      Isso se traduz no fato de as mulheres ainda ganharem menos do que os homens, mesmo exercendo a mesma função; no racismo às mulheres negras, que são vistas como mero objeto sexual; na homofobia descarada às lésbicas, tratadas como seres de outra espécie. Todo esse preconceito é reproduzido em nossas escolas, nos postos de saúde, em qualquer lugar de nossa sociedade. O pior é que isso encontra eco naqueles que deveriam trabalhar para garantir mais direitos à nossa classe e rejeitar a disseminação do preconceito, que são os parlamentares eleitos pelo povo.
      A declaração da vereadora Eliza Virgínia (PSDB) é um ataque brutal à luta de todas as mulheres lutadoras de nossa cidade, Estado, país e do mundo. O PSTU se solidariza com a luta das mulheres, ao mesmo tempo em que REPUDIA veementemente a infeliz afirmação da vereadora, ao mesmo tempo em que chama todos e todas que apoiam a luta de nossas mulheres a fazermos uma grande manifestação em frente à Câmara Municipal de João Pessoa, para exigirmos uma retratação da vereadora, além de acreditarmos devem ser tomadas outras providências em relação `a postura preconceituosa da vereadora Eliza Virgínia.



DIREÇÃO ESTADUAL PARAÍBA