Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

domingo, 9 de setembro de 2012

O que é democracia?


O que é democracia?
Henrique Canary,
São Paulo/SP

Tiririca passou no teste do TRE. A novela parece ter chegado ao fim. Pelo menos por enquanto. Afinal, Francisco Everardo Oliveira Silva tem ainda quatro anos de mandato pela frente. O tempo vai dizer se eleger um palhaço como deputado federal é uma boa forma de protesto ou se, ao contrário, Tiririca será mais um a votar contra os trabalhadores na Câmara. 
De qualquer forma, o caso todo parece uma grande piada: o mesmo sistema eleitoral que permitiu que os votos dados a Tiririca acabassem elegendo outros três deputados, tentou impedir a diplomação do comediante em base ao argumento de que ele seria analfabeto. Não temos nenhuma simpatia por Tiririca, cujas músicas estão cheias de preconceitos machistas e racistas, mas é evidente que o questionamento de sua alfabetização é uma enorme hipocrisia, uma tentativa de dar alguma credibilidade ao sistema eleitoral. Não deu certo.
Para os trabalhadores, o fundamental agora é entender: que sistema é esse que se desmoraliza por completo em cada eleição e mesmo assim continua de pé? Por que, apesar da população odiar os políticos e haver novas eleições a cada quatro anos, são sempre os mesmos que mandam? Em resumo, qual o segredo ou mistério da democracia?

Estado e regime
Para definir o que é democracia, precisamos antes entender dois outros conceitos: Estado e regime. 
O Estado é o conjunto de instituições públicas de um país: tribunais, Exército, polícia, ministérios, Receita Federal, Congresso etc. O Estado é a maior força militar, política e econômica da sociedade. Quem já foi abordado pela polícia, paga imposto de renda ou já teve que se explicar diante de um juiz, sabe bem do que estamos falando. As instituições do Estado estão por toda parte.
Mas qualquer mecânico sabe que um monte de peças jogadas dentro de um capô não faz um carro andar. É preciso que elas funcionem e que estejam corretamente conectadas entre si. A explosão na câmara de combustão do motor não serve de nada se não há um sistema de pistões, manivelas e engrenagens, capaz de transmitir a energia produzida às rodas. Com o Estado ocorre o mesmo. Assim como as partes de um motor, as instituições do Estado precisam se conectar de alguma maneira.
Qual instituição do Estado é a principal num determinado momento? Qual delas manda? E qual obedece? A resposta a essas perguntas permite definir o regime político de um país. Se, por exemplo, o Exército e a polícia forem as instituições dominantes, estaremos diante de uma ditadura militar. Se, ao contrário, o Congresso e a presidência, eleitos pelo voto popular, cumprirem o papel principal, teremos uma democracia. O regime é, portanto, a forma de funcionamento do Estado, a maneira como as instituições do Estado se conectam entre si para fazer esse Estado funcionar.
A função do Estado é manter a ordem social existente, ou seja, proteger a propriedade burguesa e garantir a exploração da classe trabalhadora pelos patrões. 
Se para isso for necessário uma ditadura, virá uma ditadura. Se for possível explorar através de uma democracia, teremos uma democracia. Ou seja, o regime pode ser democrático ou ditatorial, mas o Estado continua servindo à burguesia.
Por isso, ao falarmos de Estado, é preciso agregar a que classe social ele serve, que tipo de “ordem” ele mantém, que propriedade defende. Se for um Estado a serviço do capitalismo, diremos “Estado burguês”. Se for um Estado controlado pelos trabalhadores, diremos “Estado operário”. O mesmo vale para o regime. Se vivemos em um Estado burguês, então teremos uma democracia burguesa ou um regime democrático-burguês.

As características da democracia
A primeira característica da democracia burguesa é a existência de liberdades individuais e coletivas: liberdade de organização, de manifestação, de expressão, de reunião etc. Essa é uma conquista extremamente importante, arrancada com muita luta ainda na adolescência do capitalismo, no final do século 18. A defesa dessas liberdades democráticas é um princípio dos revolucionários porque elas são fundamentais para a educação política dos trabalhadores. Durante a ditadura militar no Brasil, por exemplo, as manifestações foram proibidas; os partidos de esquerda, perseguidos; a arte, censurada. A classe trabalhadora ficou quase vinte anos sem lutar. Somente com as greves operárias no final dos anos 1970, essas liberdades foram restabelecidas e os trabalhadores puderam reconstruir suas organizações e voltar à cena política do país.
A segunda característica da democracia burguesa é a igualdade jurídica. Segundo esse princípio, todos são iguais perante a lei, têm os mesmos direitos e obrigações: prestam o serviço militar, pagam impostos, fazem a prova do ENEM, param no sinal vermelho etc.

As mentiras da democracia
Aqui nos deparamos com a primeira mentira da democracia burguesa. Se prestarmos atenção, veremos que as liberdades democráticas e a igualdade jurídica só existem pela metade, ou somente para alguns, e por isso são uma farsa.
O direito de greve existe, mas centenas de greves são declaradas ilegais pela justiça todo ano. O direito de manifestação existe, mas os sem-teto são imediatamente reprimidos pela polícia quando resolvem fechar uma rua para protestar. O direito de se organizar em partidos existe, mas os partidos que não tem representação parlamentar não são chamados aos debates, como se simplesmente não existissem. Todos os partidos têm acesso à TV, mas os partidos pequenos têm 30 segundos, enquanto a coligação que elegeu Dilma tinha mais de 10 minutos.
Todos são iguais perante a lei, mas o caveirão não entra atirando no Leblon e quando o banqueiro Daniel Dantas foi preso, houve um escândalo nacional porque o coitadinho foi algemado. Os filhos da burguesia prestam o ENEM como todo mundo, mas antes disso estudam nas melhores escolas particulares e fazem os melhores cursinhos. Todos pagam a mesma alíquota de ICMS, mas uma família pobre gasta mais da metade de sua renda no supermercado, enquanto para os ricos o item comida não representa quase nada no orçamento doméstico. Todos têm o direito de ir e vir, mas os usuários dos trens urbanos no Rio de Janeiro levam chicotadas dos seguranças da SuperVia.
Podemos encontrar milhares de exemplos. Em todos eles, veremos que as liberdades garantidas em uma lei, são limitadas ou anuladas em outra, e que a igualdade jurídica é uma ficção.

A força da democracia
Apesar de todas as mentiras, a democracia burguesa tem se demonstrado uma máquina bastante eficiente e difícil de ser desmascarada. Em que reside, então, a força do regime democrático-burguês, seu poder de iludir? Com essa pergunta chegamos ao coração do sistema, à verdadeira câmara de combustão da democracia burguesa, que fornece energia a todas as outras partes do mecanismo: o voto.
A principal característica da democracia burguesa é a eleição dos governantes através do voto universal. Voto universal significa que todos têm direito a votar, sem distinção de raça, sexo ou classe social.
Dito assim, parece pouco importante, mas não é. O voto universal foi uma grande conquista, também arrancada com muita luta. No Brasil, até o final do século 19, só podiam votar aqueles que fossem ao mesmo tempo: homens, brancos e proprietários. Mais tarde, o direito ao voto foi estendido aos pobres, mulheres e analfabetos. No Brasil República, os negros nunca foram oficialmente proibidos de votar. No entanto, como a maioria dos ex-escravos era analfabeta, a população negra acabava de fato excluída das eleições. Com relação às mulheres, se considerava que elas já estavam representadas por seus maridos e por isso não precisavam votar.
O voto universal foi uma conquista tão importante, que acabou se tornando o principal critério para se avaliar o nível de liberdade de uma sociedade. Se estabeleceu que: “Voto universal = país livre e democrático”. “Ausência de voto universal = ditadura”. Todos os outros direitos, como emprego, saúde, educação etc., foram sendo lentamente eliminados da consciência da população. Não é segredo para ninguém, por exemplo, que Dilma prepara uma nova reforma da Previdência, que vai acabar na prática com um direito fundamental dos trabalhadores: a aposentadoria. Quantas vozes se levantaram contra isso até agora? Muito poucas. A CUT, por exemplo, maior central sindical do país, permanece calada. Imaginemos agora que Dilma pretendesse acabar com o voto universal. Seria um escândalo internacional. De Washington, Obama protestaria. A ONU emitiria um comunicado. Até o palhaço Tiririca seria contra. Mas como se trata “apenas” do direito à aposentadoria... para quê tanto barulho? Assim, a liberdade humana foi reduzida ao direito de, uma vez a cada quatro anos, apertar um botão
.
O enigma do voto 
Mas como o voto se tornou tão importante e por que dizemos que ele é a fonte de todas as ilusões da democracia burguesa? Pelo simples fato de que ele “iguala” coisas que são completamente diferentes e não podem ser igualadas. Na vida real, patrões e empregados têm interesses opostos. Mas no dia da eleição o voto do trabalhador vale tanto quanto o voto do empresário. Esse fato é martelado na cabeça do povo, como se fosse a prova definitiva de que todos são iguais, de que a sociedade é realmente livre e igualitária. 
Não é por acaso que a TV, o governo e os jornais se refiram às eleições como “a festa da democracia”. De fato, esse é momento mais importante do regime democrático-burguês. Não importa que durante os próximos 4 anos os trabalhadores terão que enfrentar o governo como seu inimigo. Não importa que se mentiu durante a campanha. Não importa que a TV só tenha mostrado dois ou três candidatos. O que importa é que todos puderam votar! Se votaram errado, paciência...
Assim, ao longo dos quatro anos que separam uma eleição da outra, o eleitor é programado para chegar diante da maquininha e fazer exatamente aquilo que se espera dele: votar. “Não desperdice seu voto!”, “Vote!”, diz a campanha do TRE.

As armas do sistema
Mas se os trabalhadores são a maioria da população e a burguesia é a minoria, por que a burguesia sempre ganha? Por que os trabalhadores não usam o voto universal a seu favor? É nesse momento que entra em cena o outro ator do “espetáculo da democracia”: o poder econômico.
As gigantescas doações feitas por mega-empresários, combinadas com grandes coligações de até 10 partidos, para ocupar tempo de TV, criam verdadeiras super-candidaturas, que têm à sua disposição programas hollywoodianos, jatinhos particulares, marqueteiros internacionais, milhares de cabos eleitorais e muitas outras armas. Os candidatos operários ou de esquerda simplesmente desaparecem, esmagados pelo peso de milhões de reais. Nessas condições, não é de se admirar que os trabalhadores acabem votando em seus próprios carrascos.
Depois das eleições, os empresários enviam a fatura: uma licitação facilitada aqui, uma licença ambiental ali, um empréstimo do BNDES acolá. E assim a máquina gira até as próximas eleições, quando começa tudo de novo.
Como se vê, toda a democracia burguesa é um grande mentira, mas muito bem contada.

A superação da democracia
Apesar de sua força, a democracia burguesa está longe de ser invencível. Como todo mecanismo, ela também se desgasta e nem sempre a troca de peças resolve o problema. Todo motor funde quando menos se espera. 
A revolução socialista, ao destruir o Estado burguês e suas instituições, eliminará também a democracia burguesa, substituindo-a pela democracia operária, muito mais ampla e verdadeira do que a farsa a que estamos submetidos. O Estado operário será controlado pela maioria explorada e oprimida e a democracia operária se revelará como o regime das maiores liberdades democráticas que o mundo já conheceu.
O socialismo, ao eliminar a exploração do homem pelo homem, assentará as bases para a dissolução lenta e gradual do próprio Estado operário, seu poder e suas instituições, ou seja, para a superação da democracia e a conquista da verdadeira liberdade humana: o comunismo.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os 10 mais bem pagos do futebol mundial



O site Uol revelou, em matéria publicada hoje, 04/09/12, a relação dos 10 jogadores de futebol mais bem pagos do mundo, segundo dados do jornal espanhol "A Marca". Segundo essa relação, o jogador camaronês Eto'o (atualmente atuando no clube russo Anzhi) é o mais bem pago do planeta, com um salário anual de cerca de € 20 milhões. O melhor do mundo, o argentino Lionel Messi, é apenas o 9º da lista, com um salário anual de € 10,5 milhões. O também argentino Dario Conca, que já jogou no futebol brasileiro e hoje atua na China, é a surpresa da lista. Conca aparece em 8º, à frente de seu compatriota e até mesmo do mega astro Cristiano Ronaldo, com um salário anual de € 10,6 milhões.
Todos esses supersalários impressionam quando comparados á realidade do nosso trabalhador brasileiro. Pegando o salário anual do camaronês Eto'o - € 20 milhões -, que traduzindo para a moeda brasileira, representaria algo em torno de R$ 51.200.000,00. Isso representa o salário anual de mais de 6.330 trabalhadores brasileiros recebendo um salário mínimo. Fazendo um outro cálculo, para um trabalhador brasileiro que recebe um salário mínimo receber o mesmo que Eto'o recebe em um ano, este teria que trabalhar, ininterruptamente, cerca de 6859 anos. Pouco, não acham?
Essa é a vida sob o capitalismo!!!    

sábado, 25 de agosto de 2012

Cartilha sobre Acumulação de Cargos Públicos


Estamos divulgando abaixo uma cartilha sobre o polêmico debate acerca da acumulação de cargos no serviço público, elaborada pelo advogado do SINTRAMB, Paulo Cabral. A direção do SINTRAMB espera, com isso, ajudar os/as servidores/as municipais de Bayeux a tirarem suas dúvidas em relação a isso. Qualquer outro esclarecimento, mande sua dúvida para o e-mail do sindicato (sintramb.pb@gmail.com) ou ligue para nossa sede, 8872-4721.



Cartilha sobre Acumulação de Cargos Públicos

A QUESTÃO DA CUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS
A Constituição Federal brasileira permite a cumulação excepcional de dois cargos de professor, um cargo de professor com outro técnico ou científico, e dois cargos de profissionais da área de saúde, desde que haja compatibilidade de horários.

COMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS
Tanto a Constituição Federal, em seu art. 37, XVI, como a Lei 8.112/90, em seu art. 118, § 2°, condicionam a acumulação à compatibilidade de horários, não fazendo qualquer referência à carga horária. Nestes termos, desde que comprovada a compatibilidade de horários, não há que se falar em limitação da jornada de trabalho, sendo que entendimento contrário implicaria, sem respaldo legal, criar outro requisito para cumulação de cargos
Inexistirá compatibilidade se em alguns dos cargos for exigida dedicação exclusiva, muito comum em cargos de magistério. Nestes casos, será impossível a acumulação até mesmo com atividades privadas remuneradas.
Igualmente inexistirá compatibilidade se em um dos cargos houver jornada variável, que possa conflitar com a jornada fixa do outro cargo

DOIS CARGOS DE PROFESSOR
Para se enquadrar na permissão constitucional é preciso que se trate de atividade efetiva de magistério, que se caracteriza pela transferência do conhecimento e pelo desenvolvimento do potencial individual alheio.
Para que seja permitida a acumulação, o professor tem que estar desenvolvendo atividade típica de magistério, ou seja, lecionando efetivamente. Grande dúvida surge com relação aos diretores de escolas. Estes, apesar de desempenharem atividade vinculada à educação, não ministram aulas propriamente, não podendo dessa forma serem equiparados a Professor, não lhes aplicando a permissão.

UM CARGO DE PROFESSOR COM OUTRO TÉCNICO
Para possibilitar a acumulação, é imprescindível que o cargo possua natureza estritamente técnica. Mas o conceito do que venha a ser técnico não é dado pela Constituição ou pela legislação.
Pelo exposto, conclui-se que cargo técnico seria aquele exercido exclusivamente por profissional especializado, com formação específica, não necessariamente curso superior, cujo desempenho exija efetiva e imprescindível utilização desse conhecimento.
Nesse contexto, auxiliar administrativo não pode ser considerado cargo técnico. Esse é o entendimento majoritário, embora discordemos.

DOIS CARGOS OU EMPREGOS DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE COM PROFISSÃO REGULAMENTADA
A Constituição autoriza a cumulação de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
Para adequada aplicação da regra constitucional, deve-se extrair o correto entendimento do que venha a ser cargos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
São aqueles profissionais que exercem atividades técnica diretamente ligada ao serviço de saúde, como médicos, odontólogos, enfermeiros, etc. Entretanto, se o cargo é de direção ou de assessoria e apenas profissionais de saúde podem provê-lo, será viável a cumulação; é que, embora de natureza administrativa, tem o cargo o caráter de privatividade, o que é previsto na norma.

ACUMULAÇÃO COM CARGO TEMPORÁRIO
O texto constitucional ao prever a vedação e exceções a acumulação de cargos públicos remunerados não fez distinção entre cargos permanentes ou temporários.

ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA
O Supremo Tribunal Federal entende possível a cumulação apenas quando se tratar de cargos, funções ou empregos acumuláveis na atividade, nas hipóteses constitucionalmente permitidas.

QUAL O PROCEDIMENTO
Em caso de acumulação inconstitucional, estando o servidor de boa-fé, este deverá escolher em qual dos cargos permanecerá, nos termos do citado artigo. O servidor poderá fazer a opção até o último dia do prazo para apresentar defesa.
Para isso, a Autoridade Administrativa notificará o servidor para apresentar opção no prazo improrrogável de dez dias, contados da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e regularização imediata. Não fazendo a opção, caracterizará a má-fé e por consequência o servidor perderá ambos os cargos, devendo, ainda, devolver o que recebera ilegalmente.

CONCLUSÃO
Ao contrário do que parece num primeiro momento, a simplicidade do texto constitucional traz muita dificuldade prática para delimitação da abrangência das exceções à inacumulabilidade remunerada de cargos e empregos públicos. Daí a necessidade de que a análise seja feita caso a caso, com direito à defesa.


SINDICATO DOS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE BAYEUX
Gestão Resistência, Luta e Participação









quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um raio X da educação pública paraibana e pessoense




O MEC, junto com o INEP, acaba de divulgar pela imprensa nacional o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do nosso país, desde os anos iniciais - 1º a 4ºano - até chegar ao Ensino Médio, passando pelos anos finais do Ensino Fundamental. A conclusão é preocupante, no que diz respeito à Paraíba e, em particular, para nossa capital, João Pessoa. 
Esta divulgação feita pelo MEC primeiro elenca as melhores escolas públicas do país. Nas séries inciais (1º ao 4º ano), são selecionadas as 20 melhores e, nas séries finais, outras 30. Dessas 50 selecionadas, NENHUMA da Paraíba, nem nos anos iniciais e tampouco finais. Entre as 20 melhores dos anos iniciais, 4 são do Ceará, todas municipais; entre as 30 dos anos finais, 7 escolas de 4 estados (BA, SE, PE e CE), sendo que destas 5 são da rede federal de ensino, 1 estadual e 1 municipal. A melhor escola pública do país nas séries iniciais é a Carmélia Dramis Malaguti, da cidade Itaú de Minas, com um Ideb 8,6 e pertence à rede municipal de ensino; já entre os anos finais, a melhor escola pública do país é o Colégio de Aplicação do CE da UFPE, localizado em Recife, com um Ideb 8,1 e pertence à rede federal de ensino. Notem que nos dois casos não figura em 1º lugar nenhuma escola da rede estadual de ensino!
Comparando esses números com os da Paraíba e João Pessoa, a situação é preocupante, como já afirmamos inicialmente. A melhor escola pública de nosso Estado no quesito anos iniciais está situada na cidade de Várzea, alto sertão paraibano e uma das cidades mais pobres do Estado, tendo-se como referência o PIB. A escola chama-se Sandoval Rubens de Figueiredo e pertence à rede municipal de ensino, com um Ideb 6,6; já nos anos finais, a melhor escola pública da Paraíba situa-se em João Pessoa, e é o Instituto D. Adauto, com um Ideb 5,3. Nos dois quesitos apontados pela investigação do MEC/INEP,  a melhor escola municipal de João Pessoa é a EMEF Aruanda, localizada nos Bancários. Tanto nos anos iniciais quanto finais, ela desponta em primeiro lugar na rede de ensino de nossa capital, com um Ideb 6,3 e 5,2, respectivamente.
Esses números mostram a distância educacional que separa a Paraíba do resto do país. Comparando a melhor escola pública do país (nos anos iniciais) com a melhor escola pública da Paraíba, a diferença é muito grande (8,6 contra 6,6, respectivamente); nos anos finais, a distância permanece grande (8,1 contra 5,3, respectivamente). Pegando a capital, a distância de nível permanece semelhante ao quadro estadual. A melhor escola pública municipal de João Pessoa tem um Ideb de 6,3 contra 8,6 no plano nacional, entre os anos iniciais. Quando vamos para os anos finais, a diferença aumenta (5,2 contra 8,1 no plano nacional). É um absurdo!!!
Mais do que absurdo, isso comprova  o descompromisso de todos que já passaram pela Prefeitura de João Pessoa e pelo Palácio da Redenção. O descompromisso com a educação, com os professores/as e, principalmente, com o futuro de nosso Estado, nossos jovens. Descompromisso que se caracteriza por um governador que, vindo dos movimentos sociais, trata a educação como caso de polícia, perseguindo e maltratando os trabalhadores da educação e, por tabela, os alunos e alunas da rede pública.
Como explicar que Várzea, um dos municípios mais pobres de nosso Estado, tenha a melhor escola pública da Paraíba? Como explicar que a melhor escola estadual da Paraíba tenha um Ideb que não consegue ficar entre os 20 melhores do país, entre os anos iniciais? Como explicar que a melhor escola paraibana não consiga ficar entre os 30 primeiros nacionais, entre os anos finais? Essas perguntas também valem para a rede de ensino de nossa capital.
Sem pretender desmerecer o município de Vaárzea, o problema disso tudo é que a educação em João Pessoa, a partir de 2005, quando o PSB chegou ao poder municipal, sempre foi tratada como a "pérola da administração municipal". Criou-se uma propaganda em torno da "qualidade" da educação em João Pessoa que isso se repetiu como um mantra, chegando muito perto da máxima de Goebells, chefe da propaganda nazista no início do século passado: "uma mentira dita mil vezes acaba virando verdade", afirmava o líder alemão. O projeto "Escola Nota 10", criado por Ricardo Coutinho enquanto prefeito e que continua em vigor até os dias atuais, estabeleceu uma verdade absoluta na educação municipal de João Pessoa que poucos têm a coragem de contestar. Dentre esses, este que vos escreve essas linhas!
Os números do MEC/INEP comprovam, definitivamente, a falácia e a falência do projeto educacional do PSB em João Pessoa e na Paraíba. Depois de todos esses anos, este projeto foi incapaz de fazer nossa educação evoluir de forma satisfatória. Tais números mostram também que é urgente construirmos um novo modelo educacional em João Pessoa e na Paraíba, pois senão nossa educação pública, que já se encontra em um abismo, chegará definitivamente a um buraco sem fundo, e aí sim estaremos IRREMEDIAVELMENTE perdidos!!!   

terça-feira, 24 de julho de 2012

Se vira nos 30, Ricardo!!!





Um dos quadros mais famosos dos domingos da TV brasileira, do "Domingão do Faustão", se aplica agora direitinho na imagem do governador Ricardo Coutinho (PSB). Em pouco mais de 18 meses de (des)governo, o governador paraibano amarga um dos piores índices de aprovação de um chefe do Poder Executivo neste país, em igual período de (des)governo.
A pesquisa realizada pelo Ipespe e divulgada nesta terça-feira, 24 de julho de 2012, nas páginas do "Jornal da Paraíba", não apenas é reveladora como acachapante contra Ricardus  I (mais uma vez, peço licença ao companheiro Rubens Nóbrega pelo uso deste termo). Segundo a pesquisa, apenas 30% dos/as paraibanos/as aprovam o (des)governo de Ricardo Coutinho. Esta já é a quarta pesquisa feita pelo Ipespe, avaliando a administração estadual. 
A primeira foi feita em outubro do ano passado e, naquela oportunidade, Ricardo Coutinho    estava relativamente bem na fita, com 40% de aprovação. Nas duas pesquisas seguintes, o apoio popular ao governador foi progressivamente escorrendo feito areia entre os dedos, chegando atualmente em 30% de apoio popular. O mais interessante revelado pela pesquisa é que, no quesito "ótima administração", Ricardus I foi regredindo na avaliação do povo. Em outubro de 2011, 12% do povo considerava sua gestão ótima; em maio deste ano, caiu 8%; depois, em junho, foi para 7%; e agora, na quarta pesquisa, Ricardo Coutinho tem o status de ótimo administrador para 3% dos/as paraibanos/as.
Entre os que não aprovam há um empate técnico nesses 9 meses de pesquisa avaliativa do (des)governo atual. Em outubro, eram 30% que não aprovavam, agora são 29%. Porém, aqui cabe destacar um dado importante: tanto os 30% de outubro quanto os 29% de julho são o resultado das somas entre os quesitos ruim e péssimo. Mas não deixam de ser dados importantes para uma avaliação desse (des)governo. Ainda segundo a pesquisa, ainda existem 38% que consideram este governo como regular. São os que ainda acreditam que Ricardus I conseguirá fazer algo de positivo neste mandato.
A verdade que a pesquisa revela é a queda fulminante de um político que, até recentemente, era um fenômeno eleitoral e que hoje em dia, já se transformou para uma parte significativa do povo deste Estado como um tirano, um ditador, um traidor de classe. E o preço disso o governador Ricardo Coutinho está sentindo na pele, praticamente todos os dias, o preço dessa sua prática enquanto chefe do Executivo. Seguidas derrotas na Assembleia Legislativa, onde praticamente não existe mais bancada de situação naquela Casa Legislativa; nos vários protestos que já foram feitos contra seu (desgoverno) que, por sua vez, são a resposta dos setores organizados da sociedade, em especial da classe trabalhadora desse Estado, que não suportam mais os ataques vindos do Palácio da Redenção, praticados por aquele que uma parte significativa dos movimentos sociais acreditavam, em 2010, que teriam um futuro melhor com Ricardus I à frente do governo estadual; e, finalmente, a pesquisa indica um futuro muito difícil - para se dizer o mínimo - para o (des)governo de Ricardo Coutinho.
Essa é a lição da História. Como bem diz o ditado popular, "nada melhor do que um dia após o outro e uma noite no meio". O governador Ricardo Coutinho, por estar ocupando a cadeira mais importante do Estado, acreditou que dali emanava a fonte de todo o poder. Mas não, governador! "Aqui se faz, aqui se paga", também afirma outro velho e conhecido ditado popular.        

terça-feira, 26 de junho de 2012

A "coerência" petista nas eleições de João Pessoa em 2012

Melhor do que qualquer avaliação política sobre a aliança firmada entre o PT e o PPS em João Pessoa, conformando a chapa Luciano Cartaxo prefeito e Nonato Bandeira vice, com as bençãos do atual prefeito, Luciano Agra, recém saído dos quadros do PSB, é a leitura da Resolução Política da Direção Estadual do PT/PB, tomada em novembro do ano passado. 
Com certeza, os hoje defensores dessa aliança política dirão, no alto do seu cinismo político, que esta Resolução foi tirada em um outro momento da conjuntura e que, portanto, esta não se aplicaria à realidade atual. Assim, a aliança PT/PPS estaria legítima. Porém, para quem lê com atenção a Resolução, não consegue entender como, em um espaço de pouco mais de 6 meses, algumas coisas podem mudar tão rápido. Por exemplo, em uma parte da Resolução, a Direção Estadual do PT/PB afirma, textualmente que "o Governo Agra tem se pautado no descaso, no desvio de conduta e em um mar de escândalos que envolve corrupção, além de truculência praticada contra os mais fracos. Também tem trilhado pela prática de cooptação, tendo como instrumento a máquina administrativa, e que envolvam lideranças partidárias das mais diversas matizes." Para maiores e melhores esclarecimentos, registramos na íntegra a Resolução Política da Direção Estadual do PT/PB sobre o governo Agra, repetimos, feita em novembro de 2011. Confiram com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões.

Resolução da Direção Estadual

1- O PT apoiou a candidatura do PSB na eleição de 2008, que constava Luciano Agra como vice-prefeito e a aliança composta pelo campo de centro-esquerda.

2- Assim como o governo estadual, a gestão Agra mudou o seu campo de aliança e de sustentação, formado agora por partidos de direita e adversários do governo Dilma.
3- O Governo Agra tem se pautado no descaso, no desvio de conduta  e em um mar de escândalos que envolve corrupção, além de truculência praticada contra os mais fracos. Também tem trilhado pela pratica de cooptação, tendo como instrumento a máquina administrativa, e que envolvem lideranças partidárias das mais diversas matrizes.
4- Diante da situação de desastre administrativo e o caos generalizado o Diretório Regional resolve:

a) Orientar aos filiados, dirigentes e vereadores a fazerem oposição ao Governo de Luciano Agra.

b) Denunciar e exigir apuração sobre os recentes e variados escândalos que ora dilapidam a administração pública municipal.

c) O PT/PB e a bancada de deputados na Assembléia Legislativa farão todos os esforços junto ao Ministério Público para que sejam apurados os escândalos que envolvem a gestão Agra.


Fonte: www.ptparaiba.org.br



sábado, 23 de junho de 2012

Uma imagem vale por mil palavras



A recente imagem, espalhada pelos vários órgãos de imprensa e sites de notícias de todo o país, de Lula selando com um aperto de mão o apoio de Paulo Maluf à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, deu muito o o que falar não apenas no campo da esquerda, mas no campo político de forma geral.
A imagem sela, definitivamente, a entrega do PT ao campo da direita. Pelo menos para quem quiser ver, evidentemente. Mas, para entender como isso se deu, é preciso fazermos uma breve histórico político-eleitoral do PT, mais especificamente das   campanhas eleitorais que Lula disputou desde 1989. Fazendo isso, podemos entender como podemos chegar a verificar esta cena da aliança entre Lula-Maluf em São Paulo.
Em 1989, na 1ª eleição presidencial direta depois da ditadura militar, o PT disputou com Lula aquela eleição com uma aliança com o PSB e o PCdoB. Era um ensaio da Frente Popular que se configuraria anos mais tarde, mas não era ainda de todo assumida, pois a candidatura Lula trazia em seu conteúdo todo o rescaldo das lutas e mobilizações do final dos anos 70 e todo os anos 80 contra a ditadura e pela redemocratização. Era, portanto, uma candidatura que refletia as lutas daquele período, apesar da queda do Muro de Berlim, ocorrida justamente em 1989, que foi aproveitada pela burguesia para atacar ideologicamente a candidatura. A derrota em 1989 para Fernando Collor, no 2º turno, aliada à ofensiva ideológica da burguesia por conta dos acontecimentos do Leste Europeu fez com que a direção do PT passasse a afirmar que o problema principal foi que a candidatura não ampliou as alianças políticas, era preciso construir um arco amplo de alianças. Em outras palavras, era preciso tornar o PT confiável à burguesia nacional e internacional. A partir daquele momento, Lula e o PT elaboraram toda uma política com este objetivo.
As eleições seguintes - 1994 e 1998 - foram sendo construídas pela direção nacional com esta política: tornar o partido confiável à burguesia.Porém, como a burguesia não atendia a este recado do PT e atacava sem dó a classe trabalhadora, o PT ainda se apresentava com um verniz de classe para os trabalhadores e explorados. Foi assim nas eleições de 1994, quando ampliou a aliança, mas não muito diferente do que foi em 1989. A diferença é que, nesta eleição, participaram da aliança o PPS, PV e o PSTU, recém criado naquela mesmo ano. Foi a primeira e última eleição que PT/PSTU marcharam juntos. Em 94, a bandeira da candidatura Lula foi combater o Plano Real, recém lançado pelo governo Itamar, através do seu ministro da Fazenda e candidato a presidente, Fernando Henrique Cardoso, que foi eleito no 1º turno. Já em 1998, o PT incorporou o PDT na aliança, com Brizola sendo o vice de Lula. Era um passo importante que o partido dava em direção à burguesia e ao latifúndio gaúcho, antigas bases do brizolismo naquele estado, sem falar em um setor de peso da burguesia fluminense.
Mas é em 2002 que o PT consegue dar o grande salto em direção à burguesia. Sua direção consegue finalmente conquistar a confiança do grande empresariado nacional e internacional. Todos devem se lembrar da viagem que Lula e Zé Dirceu fizeram aos EUA antes da campanha eleitoral daquele ano começar para se reunir com banqueiros e empresários norte-americanos para, justamente, se mostrar confiável aos imperialistas. Ao mesmo tempo, colocaram um dos maiores empresários do setor têxtil do mundo para ser o seu vice, o dono da Coteminas, José Alencar. Como o próprio Lula afirmava na época, era a união capital-trabalho na prática.Essa "união capital-trabalho" rendeu mais de 52 milhões de votos na disputa em 2º turno contra o tucano José Serra. Em 2006, a Frente Popular foi repetida, com José Alencar novamente na vice, e nova vitória, com mais de 58 milhões de votos, também em 2º turno, também contra um tucano, desta vez Geraldo Alckmin.
Os pragmáticos do PT, a começar da sua direção nacional, espalhando-se pelas direções estaduais e municipais, parlamentares, assessores, e todos que ocupam algum cargos nas três esferas de poder, dirão que a tática empregada pelo PT revelou-se vitoriosa, por conta do partido, desde a eleição presidencial de 2002, estar sendo vitorioso. Não há como negar que é um argumento. Mas................
Há vitórias e vitórias. Fazendo um paralelo utilizando o futebol, como Lula gosta muito de fazer, quando o Brasil perdeu para a Itália na Copa da Espanha, em 1982, por 3x2 (com 3 gols inesquecíveis e dolorosos para nós, brasileiros, do italiano Paolo Rossi), um dos craques brasileiros daquela seleção, Zico, afirmou que aquela derrota era ruim não apenas   para o Brasil, mas para o futebol como um todo, pois a partir dali, se estabeleceria a ideia de que o importante era vencer, não importava como. 
Essa é a ideia que fica com as vitórias eleitorais do PT. É a mesma ideia do PSDB, DEM, PMDB, PP, de qualquer partido burguês. O importante é vencer a eleição de outubro, não importa com que programa, não importa com que candidato, não importa com que aliados. O que importa é VENCER!
Esta lógica, impregnada em TODOS os partidos da esquerda oficial* - PT, PCdoB, PSB, PDT, PV, PPS - serve apenas para confundir as consciência da classe trabalhadora, fazendo com que nossa classe não distinga efetivamente no processo eleitoral quem são os lutadores dos traidores de classe e, mais ainda, dos exploradores. Assim, cada vez mais nas eleições que ocorrem a cada dois anos em nosso país, o poder econômico determina quem são os eleitos.
A aliança Lula-Maluf em São Paulo é apenas a ponta do iceberg da picaretagem em que se transformou a política nacional. Lula, que anos atrás, denunciou a existência de 300 picaretas no Congresso Nacional, não apenas é um desses como se associa a um dos líderes desses 300 que, com certeza, são bem mais isso. A aliança Lula-Maluf é um tapa na cara de todos os lutadores que construíram o PT acreditando estar construindo uma ferramenta de luta e assistem sua maior liderança entregando o partido a um dos maiores corruptos da história recente do país. O apoio de Maluf ao PT em São Paulo é um abuso às mulheres petistas que assistiram ao longo dos anos o crescimento da violência contra a mulher, enquanto Maluf afirmava: "estupre, mas não mate!" A aliança Lula-Maluf é uma afronta aos trabalhadores que lutaram contra a ditadura e enfrentaram a dura pressão da PM dirigida por Maluf naqueles tempos. Tudo isso é o que representa esta aliança espúria em São Paulo.
Interessante é a postura do PSB  e de Erundina neste episódio. Para alguns, Erundina e o PSB se saíram bem no caso. Porém, se ambos fossem classistas, teriam uma postura bem diferente da que tiveram. Não apenas teriam denunciado duramente a aliança, como teriam se retirado desta. Mas não foi isso que ocorreu. Erundina chiou, a direção nacional do PSB também, ela se retirou da condição de vice de Haddad, porém o PSB continua na coligação com o PT/PP. Ou seja, se vencer a eleição, Erundina estará junto com Lula e Maluf administrando São Paulo, ou seja, mamando nas tetas da prefeitura. Assim é bom, né?
Para concluir, e para mostrar a todos/as como Lula-Maluf contribuem de maneira decisiva para tornar o mundo da política mais detestável aos olhos do povo, vejamos duas frases feitas pelos dois, em épocas distintas.

"Perto do Lula e do Fernando Henrique Cardoso, eu me considero comunista".
Paulo Maluf, em crítica ao governo federal, em 2007.


"O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".
Luiz Inácio Lula da Silva , no Comício das Diretas Já, na Praça da Sé, em 1984.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Uma opinião socialista sobre a Rio+20


RIO + 20 e a farsa do "desenvolvimento sustentável" 

Vinte anos depois da Eco-92, o Brasil é palco de mais uma conferência ambiental, a Rio + 20, que vai ocorrer entre os dias 13 a 22 de junho.

GILBERTO MARQUES, DE BELÉM (PA) E JEFERSON CHOMA, DA REDAÇÃO






Diante da enorme destruição ecológica das últimas décadas, a possibilidade das mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos naturais, a pauta da conferência vai discutir meios que possam conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com a preservação ambiental. Mas será que possível algum tipo de “desenvolvimento sustentável” ou “economia verde” sob o capitalismo? 

Afinal, quem é o culpado? 
Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos. 

Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos. 

Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.

Capitalismo é responsável pela devastação
O surgimento da sociedade capitalista provocou uma separação entre o ser humano e a natureza, que começou a ser vista como uma mera mercadoria, objeto de dominação, pela ciência e pela técnica. Nas formações sociais pré-capitalistas, não havia essa cisão. Em grande parte da Idade Média, por exemplo, a natureza era vista como “provedora” dos recursos fundamentais para a sobrevivência dos indivíduos. O homem era visto como parte da natureza e não acima ou separado dela.

Com o capitalismo tudo mudou. O ritmo da produção impõe uma apropriação crescente dos recursos naturais, necessários á sobrevivência humana, muito maior que o tempo que a natureza precisa para se recompor. No capitalismo não se produz para satisfazer as necessidades humanas, mas para obter lucro. Assim, a necessidade de acumulação crescente de capital e lucro, produz cada vez mais mercadorias. Isso provoca consumo crescente e apropriação acelerada da natureza. Os ritmos naturais se desenvolvem em séculos, uma dinâmica incompatível com produção mercantil, o que impões uma forte e intensa exploração dos recursos naturais levando à ruptura de sua dinâmica. 

Olhando para as consequências da Revolução Industrial, Karl Marx já alertava para essa situação, no seu livro "O Capital". Acusava a produção capitalista de “perturbar a interação metabólica homem e terra”, ou seja, as trocas energéticas e de materiais entre os humanos com o seu meio ambiente natural - condição necessária para a existência da civilização. Segundo Marx,“ao destruir as circunstâncias entorno desse metabolismo ela [a produção capitalista] impede a sua restauração sistemática como uma lei reguladora da produção social, e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento da raça humana”. Isso nos remete outra conclusão: a crise ambiental desencadeada pelo capital é muito mais uma questão de sobrevivência humana e muito menos de sobrevivência do planeta.

Nas últimas décadas, essa exploração se ampliou, especialmente após a crise econômica dos anos 1970. Para retomar suas taxas de lucros, os capitalistas lançaram mão da globalização e da liberalização dos mercados. Assim, o saque dos recursos naturais por parte das multinacionais tomou uma dimensão planetária, como produto da crise do sistema. Mas, por outro lado, a luta contra a espoliação e destruição ecológica também ganhou uma dimensão global, abrangendo desde as reivindicações dos povos indígenas do Equador que combatem a indústria petroleira na Amazônia, até luta dos camponeses da China que resistem à contaminação de rios e do solo causa por indústrias. 

Um debate necessário 
Não é possível separar a luta ambiental do combate a todos os problemas estruturais produzidos pela sociedade capitalista. Ao mesmo tempo que aumenta como nunca a produtividade, o capitalismo também faz crecer a miséria e a exploração. Atualmente, quase um bilhão de seres humanos passam fome. Nos países perifericos, 80% das doenças decorrem da falta de qualidade da água. Segundo os dados da ONU, um bilhão de habitantes moram em favelas. Enquanto isso, no campo, a paisagem é transformada pelos complexos do agronegócio, controladas pelas grandes empresas. 

A defesa do meio ambiente deve ser parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de emprego, salário e vida. É uma luta anticapitalista e antiimperialista e, em essência, pela construção de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas relações de produção que possam estabelecer um relacionamento equilibrado e realmente sustentável do ser humano com a natureza, “condição inalienável para a existência e reprodução da cadeia de gerações humanas”, como assinalava Marx.

Mas isso não significa deixar de lado a luta presente. A luta pelas políticas públicas, por legislações ambientais mais efetivas, pela proteção de espécies em extinção, deve ser acompanhada pela vontade de mudança da estrutura de dominação burguesa.

Fonte: www.pstu.org.br

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aos democratas da UFPB de plantão, a vitória de Margareth






Desde que os antigos gregos formularam o conceito de democracia e, séculos mais tarde, a Revolução Francesa, aperfeiçoou tal conceito colando a este um outro - o da cidadania - que muitos a usam (a democracia) do jeito que bem entendem. 
Porém, é a partir de Marx e, principalmente após Lenin que nós, socialistas, definimos democracia a partir de um elemento muito simples: o de que lado você está na luta de classes. Para nós, socialistas, a democracia tem um viés de classes. E não é só para nós não. A burguesia também pensa assim. Para fora, ela diz que a democracia tem valor universal, que ela vale para todos, que todos são iguais para todos e outras baboseiras do gênero. Os reformistas do PT também pensam e repetem esse mantra. Todavia, basta olhar para o lado e ver os índices de analfabetismo, de racismo, de homofobia e violência contra a mulher para verificarmos a universalidade da democracia que temos, não apenas em nosso país, mas no mundo como um todo.
Fazemos esse preâmbulo porque, neste momento em que ocorre uma eleição para Reitor da UFPB em seu 2º turno, a candidata que apoiamos, a professora Margareth Diniz, vem sendo atacada desde o primeiro turno de diversas maneiras pela candidata apoiada pelo atual Reitor, que vem fazendo de tudo para impedir sua vitória, sem no entanto merecer uma nota crítica desses setores (evidentemente, sabemos tais as razões).
Agora, no 2º turno, que ocorreu durante todo o dia 06/06, graças a uma ação judicial vitoriosa conquistada por Margareth no TRF 5º Região, os aliados da candidata da situação vieram com tudo pra cima desta com o discurso de que estava sendo quebrada a autonomia da UFPB e que, por causa disso, as pessoas não deveriam ir votar, porque isso seria legitimar uma eleição que não seria legal. Estes clamam pelo respeito à DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIA, tão duramente conquistada ao longo dos anos e que não pode ser atropelada dessa maneira, dizem vários/as nas redes sociais.
Ninguém nega a importância e a dureza que foi conquistar a DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIA. Mas, antes de mais nada, este blogueiro aqui queria perguntar: a DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIA agora tem dono, é? Este blogueiro também deu sua parcela de contribuição para que ela pudesse existir e se consolidar, modéstia a parte. Além do mais, não me recordo de muitos desses democratas de plantão das redes sociais terem bradado pela autonomia da UFPB quando o Ministério Público Federal foi lá e detonou com o horário corrido dos servidores técnico-administrativos. Onde estavam vocês, heróicos defensores da autonomia universitária? Da mesma maneira, não soube de nenhum movimento desses "arautos" da democracia quando o atual Reitor, Rômulo Polari, nomeou 12 conselheiros pro tempore para o Consuni para garantir maioria neste Conselho. Por quê vocês não se manifestaram contra este atentado á democracia universitária, "paladinos da democracia"? Por fim, quando o TRE/PB exigiu que a Reitoria (segundo informes oficiais) centralizasse as urnas em local, por quê se permitiu essa intervenção nas questões internas da universidade? Mais uma vez, onde estavam estavam vocês, heróicos defensores da autonomia universitária? Por quê não fizeram nada para impedir tal agressão?
A resposta já foi dada lá atrás, por Marx e Lenin, define-se pelo lado de classe. 

Aos democratas da UFPB de plantão, a vitória de Margareth!        

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Flamengo, sim. Violência contra a mulher, jamais!!!

Flamengo, sim. Violência contra a mulher, jamais!!!




Antonio Radical e Tanque,
De João Pessoa/PB

A nossa paixão pelo "Mais Querido do Brasil", não se coloca no campo do absolutismo. Somos sim torcedores do Mengão, mas também somos contra práticas discriminatórias, como as feitas pelo machismo, racismo e/ou homofobia.
O futebol, que é um esporte de massas, vivencia constantemente casos de forte discriminação. Vários jogadores africanos e latinos sofrem constantemente agressões racistas até mesmo das suas torcidas na Europa; aqui no Brasil em jogos com nossos hermanos também já foram denunciados casos de jogadores dentro de campo se utilizando de xingamentos racistas na tentativa de desestabilizar o oponente.
Fora dos gramados existem inúmeros casos de jogadores reproduzindo violência contra mulheres. O atacante da seleção brasileira, Robinho (ex-Santos), atualmente no Milan, foi acusado de estupro em 2009 na Inglaterra (quando atuava pelo Manchester City) em um clube noturno da cidade de Leeds. Marcelinho Paraíba, em novembro de 2011, foi detido em Campina Grande por tentativa de estupro e está respondendo a processo por isso. Adriano o “Imperador”, um dos ídolos da massa rubro-negra, em 2010 mandou amarrar a sua noiva Joana Machado a uma árvore na favela da Chatuba no Rio de Janeiro, e depois do caso ter tido repercussões internacionais o então goleiro Bruno saiu em defesa do amigo com a seguinte frase: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?"
O Flamengo viveu um processo semelhante recentemente quando seu goleiro na época, Bruno, foi acusado e preso por ter participado do assassinato de Eliza Samúdio, que tinha um filho deste. O caso ganhou repercussão nacional, por conta da violência dos atos praticados contra Eliza até sua morte. Misteriosamente, até hoje, seu corpo não foi encontrado.
Na ocasião, anunciou-se que o Flamengo havia suspenso o contrato com o goleiro. Agora, passados alguns anos do ocorrido, circula em vários portais a notícia de que Bruno pode ganhar um habeas corpus e, assim, retornar ao Flamengo, vestindo mais uma vez sua camisa. O pior é que essa possibilidade ganhou eco no clube, com alguns dirigentes rubro-negros.
Mais espantoso é perceber a passividade da presidente do CRF, a ex-nadadora Patrícia Amorim, que até o momento não veio a público dar uma palavra sobre o assunto, o que mostra a força do machismo no interior do Flamengo, que reproduz em níveis menores a pressão machista que existe em nossa sociedade, que ainda perduram.
Isso está diretamente relacionado ao que ocorre - ou não ocorre, por sinal - da política nacional implementado pelo governo federal, especialmente na era Dilma, a respeito da situação das mulheres neste país. Tal política, apesar do discurso oficial, não corresponde à verdade. 
Como bem colocam as companheiras Vanessa Portugal e Vera Lúcia, militantes do PSTU, em um artigo sobre a condição das mulheres brasileiras sob o governo Dilma, "No Brasil, há cerca de 97 milhões de mulheres. Elas compõem quase metade do mercado de trabalho, mas são a minoria entre aqueles que possuem carteira registrada. Uma grande parcela delas trabalha sem contrato de trabalho, fazendo bicos. Só um terço trabalha em empregos formais, especialmente nas áreas de saúde e educação, sendo que são a maioria entre os servidores públicos. Ocupam, em todas as esferas do mundo do trabalho, os piores postos, os mais desvalorizados socialmente e os que pagam os menores salários, por exemplo, costureiras, empregadas domésticas, manicures. Por isso, são a maioria das que ganham até um salário mínimo. E, por falar em salário, em particular, ganham em média 33% menos que um homem para exercer uma mesma função". Isso mostra que a situação salarial de nossas mulheres brasileiras não mudou no governo da 1ª mulher presidente do país. Infelizmente, as notícias ruins para as mulheres brasileiras não param por aí.
No governo Dilma, a violência contra a mulher continua e, infelizmente, num ascenso muito preocupante, apesar da lei Maria da Penha. Para se ter uma ideia do que representa isso, antes do governo Dilma, haviam 10 assassinatos de mulheres por dia em todo o país. Tal estatística não mudou com uma mulher presidente. 
Tais fatos se explicam nos cortes orçamentários feitos nos dois primeiros anos de governo Dilma, que somam mais de R$ 105 bi. Esses cortes afetam, sobretudo, as áreas sociais, que são o suporte fundamental para a vida da classe trabalhadora brasileira, e as mulheres como maioria da população, acabam sendo as mais afetadas. Afinal de contas, os cortes no orçamento feito por Dilma atingem a educação, saúde, moradia, transporte. Isso repercute, por exemplo, na falta gigantesca de creches para as mulheres trabalhadoras, que seguem enfrentando uma dura realidade de conciliar trabalho e um local seguro onde possa deixar seus filhos para poder garantir sua sobrevivência e a de seus filhos. Mesmo após o anúncio do lançamento do programa de creches, é bem provável que tal situação persista, prejudicando sensivelmente a condição de vida das mulheres. 
É todo esse somatório de coisas que faz com que o machismo avance na sociedade brasileira. NÃO EXISTE UMA POLÍTICA GOVERNAMENTAL QUE PROMOVA UMA LUTA FRONTAL CONTRA O MACHISMO. É isso que faz com que se abra a possibilidade da soltura de um Bruno da prisão e, mais, que este volte a vestir a camisa do Flamengo.
Nem Dilma nem Patrícia Amorim se colocam, de forma efetiva, nesta luta contra o machismo, refletindo assim a dificuldade que as mulheres em todo o Brasil têm de denunciar as práticas machistas.
Sou rubro-negro de coração, mas da luta contra o preconceito não abro mão, só com a construção do socialismo é que teremos condições reais de termos uma sociedade sem qualquer forma de preconceito inclusive nos esportes.


TORCER PELO FLAMENGO, SIM! 
COLABORAR COM A VIOLÊNCIA CONTRA
 A MULHER, JAMAIS!