Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A saída de cena de Ciro Gomes

A Executiva nacional do PSB decidiu, por 20 votos a favor e apenas 7 contrários, retirar a candidatura de Ciro Gomes à Presidência e, ao mesmo tempo, anunciar sua disposição em apoiar Dilma Roussef, candidata do PT e do Palácio do Planalto na corrida presidencial. Segundo o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, a decisão teve que ser tomada porque a manutenção da candidatura de Ciro Gomes poderia atrapalhar as candidaturas do partido em vários estados do país. "Foi quase uma escolha de Sofia. Ou levar à degola vários candidatos ao governo e ao Senado ou ter candidatura própria", afirmou Eduardo Campos à Folha (27/04/10), explicitando o dilema do PSB em nível nacional e regional país afora.
A verdade é que a candidatura Ciro Gomes nunca foi vista com bons olhos pela direção nacional do PSB e por vários de seus integrantes país afora, além de incomodar bastante o Palácio do Planalto, a começar pelo próprio Lula que, em várias ocasiões - sempre que possível -, dava um "puxão de orelhas" no PSB por não apoiarem a candidata Dilma Roussef. Para piorar ainda mais a situação para o lado de Ciro Gomes, ele sentindo que a batalha estava próxima de ser perdida, começou a atirar fogo para todos os lados, inclusive o famoso "fogo amigo". Declarou em alto e bom que Serra era mais preparado e capaz do que Dilma para exercer a Presidência; depois fez críticas ao próprio PSB; e, por fim, afirmou em alto e bom som em entrevista à Rede TV! que o PMDB era um "ajuntamento de assaltantes".
Neste aspecto, ele não disse nenhuma inverdade pois um partido que possui figuras nacionais de destaque como José Sarney, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Jarbas Vasconcelos, Orestes Quércia e tantos outros que se for começar a citar seus nomes, vou passar o dia inteiro defronte à tela do computador escrevendo seus nomes no blog, não pode realmente ser considerado uma ante sala do Paraíso. O problema é que no atual esquema político-partidário-eleitoral Ciro Gomes jamais poderia dar declarações deste tipo. Além do mais, ele também não tem cacife moral para dar declarações deste porte.
O agora ex-candidato Ciro Gomes classificou a decisão da Executiva nacional de seu partido como "erro tático" mas se dispôs a aceitar e seguir a decisão de sua direção nacional. Não sobram muitas opções para Ciro. Se decidisse sair agora do PSB, ficaria sem legenda para disputar as próximas eleições. Portanto, a hora para Ciro é arriar a bandeira e ver o que vai se passar daqui pra frente, dentro e fora do PSB. O mais provável que ele não irá se envolver diretamente na campanha presidencial, focando agora apenas na sua reeleição para a Câmara dos Deputados. Se ele vai votar em Dilma, isso já outra conversa.
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que a decisão do PSB favorece Serra (PSDB/SP), que isso fará com que a eleição seja decidida em primeiro turno a favor do candidato tucano, apoiado pelos "Democratas". É muito cedo para fazer tais afirmações, até porque a possibilidade maior é que os eleitores de Ciro não migrem para o candidato da oposição de direita - José Serra -, mas sim que possa se fragmentar entre Dilma e Marina (PV/AC), que por sua vez ambas candidatas já expressaram sua vontade de terem Ciro No seu palanque. Para isso teremos que esperar os desdobramentos da decisão de ontem da Executiva nacional do PSB, que se reunirá na próxima semana com integrantes da coordenação de campanha de Dilma Roussef para discutirem a possibilidade de aliança entre as duas legendas. É do futuro dessa negociação que dependerá se a profecia do presidente nacional do DEM se concretizará ou não. Afinal de contas, foi Ciro Gomes e ninguém -muito menos o blogueiro aqui - que afirmou que seguiria as orientações de sua direção nacional a partir de agora. Veremos se isso é verdade ou apenas para preencher folha de papel, que costumeiramente aceita tudo.
A verdade disso tudo é que, como mesmo afirmou o presidente nacional do PSB, esta decisão foi tomada para não sacrificar os candidatos nos estados, tanto a governador quanto a senador. Peguemos o exemplo de nossa terrinha, a Paraíba. O ex-alcaide de nossa capital fechando aliança com o PSDB e o DEM - que apóiam Serra no plano nacional - e com a candidatura presa, de certa maneira, à candidatura de Ciro Gomes, enquanto o PT paraibano fecha aliança com o PMDB e Ricardo Coutinho fica a ver navios nessa história.
Com esta decisão da executiva nacional do PSB, Ricardo ganha fôlego para pressionar o PT/PB a somar forças com ele na disputa pelo Palácio da Redenção. Afinal de contas, ele participou da tal reunião que rifou Ciro Gomes. Tanto é assim que alguns jornais de hoje - 28/04/10 - já estampam matérias nesse sentido, de Ricardo já pressionando o Partido dos Trabalhadores local a vir construir com ele a candidatura das oposições em 2010. Ele sabe que esta não será uma tarefa fácil, ainda mais por conta do Encontro Estadual do PT/PB ter decidido, por ampla maioria, apoio à reeleição de Zé Maranhão (PMDB), mas a esperança é a última que morre. Afinal de contas, Ricardo Coutinho é torcedor do Botafogo local, nada mais natural do que ser um devoto desse dito popular.

sábado, 24 de abril de 2010

E o Mengão passou...

A tarefa era muito difícil. Ganhar do Caracas e ainda torcer por uma série de combinações para passar às oitavas de final da Libertadores. O Flamengo jogou muito mal na quarta-feira, 21/04, passou apertado pelo time venezuelano por 3x2, num sufoco danado, e o dia da chegada dos portugueses ao Brasil, há 510 anos atrás foi um tormento para a imensa nação rubro-negra, que tinha de torcer para o Internacional de Porto Alegre não perder ou empatar para o Deportivo Quito (o Inter venceu por 3x0 a euipe equatoriana, jogando em casa); O Cerro/Uruguai não podia vencer o Emelec, também do Equador por mais de dois gols de diferença; e finalmente, o Racing/Uruguai não podia golear o Cerro Porteño, do Paraguai, por mais de três gols de diferença. Esses dois últimos jogos terminaram empatados em 0x0. Com isso, o Flamengo classificou-se para as oitava de final da Libertadores e agora pega o Corinthíans, o famoso "Timão".
Claro que como rubro-negro doente, fiquei contente pela classificação, mas mais ainda pelo fato de pegar o "Timão" na próxima fase e poder ser o carrasco do fim do sonho do centenário desse time que é tão badalado especialmente por essa imprensa paulista puxa-saco. Um "Timão" que não conseguiu ficar nem entre os 4 melhores do Paulistão deste ano, ficou assistindo de camarote às finais do Campeonato Paulista.
Agora, é esperar as próximas quartas-feiras e torcer pro Mengão despachar o "Timão" e seguir firme na Libertadores.
PS: Sobre as demissões feitas pela presidente do Fla, Patrícia Amorim. Acho que ela agiu certo em demitir o vice de futebol, Marcos Braz. Esse camarada vivia arrumando muita confusão dentro do elenco e dando muitas regalias a alguns jogadores, como Adriano. Mas a demissão de Andrade acredito ter sido injusta, ele foi o principal responsável pela conquista do Brasileirão/09 e levou o time à final da Taça Rio e não pode ser responsabilizado pelo tropeço do time naquela decisão. Porém, espero que a decisão possa trazer bons frutos para o Mengão na Libertadores e no Brasileirão deste ano.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estamos mesmo perdidos!

A última pesquisa Consult/Correio, para a disputa para as duas vagas do Senado em 2010, publicada na edição de 21/04/10 do jornal "Correio da Paraíba" nos mostra duas coisas: por um lado, a força do poder econômico que, mais uma vez, predominará nestas eleições - como sempre, para variar -; e, por outro, que estamos definitivamente perdidos em termos de opções.
A pesquisa aponta que se as eleições fossem hoje, os eleitos seriam o ex-governador cassado por corrupção, Cássio Cunha Lima (PSDB) - com 48, 7% dos votos - e o campeão nacional do nepotismo e das concorrências sem licitação, Efraim Morais (DEM) - com 32,7% dos votos -, não sem coincidência ambos aliados de primeira hora daquele que se reivindica o mais honesto dos mortais, o "socialista" Ricardo Coutinho (PSB). Atrás desses, vem Vitalzinho (PMDB), com 18, 3%, Manoel Júnior (também do PMDB), com 10, 8%, Wellington Roberto, com 7,7% e o atual senador Roberto Cavalcanti (PRB), COM 4,1% dos votos.
A representação paraibana atual do Senado é uma das piores de sua história - se é que já houve alguma melhor -. Um de seus membros chegou a ser preso e algemado pela Polícia Federal numa de suas operações contra corrupção - Operação Confraria -; outro, vem sendo acusado, vez por outra, de escândalos envolvendo seu nome à frente da Mesa Diretora do Senado quando ocupou a 1ª Secretaria daquela Casa e, mais recentemente, ganhou a fama de ser o maior empregador do Senado; e, finalmente, o terceiro responde processo na Justiça Federal por sonegação fiscal envolvendo milhões de reais antes mesmo de assumir a cadeira de senador quando substituiu o atual governador José Maranhão (PMDB). Estes são os currículos de nossas "Excelências" senadores da República e os que se colocam à disposição do voto dos paraibanos não têm muita diferença em relação a estes, infelizmente. Pelo menos os citados na pesquisa Consult.
O líder da pesquisa, o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), como todos e todas se lembram, foi cassado acusado de corrupção e abuso de poder econômico por ter usado cheques da FAC na campanha eleitoral de 2006 - quando conquistou sua reeleição -; Efraim Morais (DEM) é o tal senador citado acima que tem hoje a fama de maior empregador do Senado, graças à revista "Veja"(possui 76 funcionários lotados em seu gabinete, sendo apenas 9 do quadro efetivo do Senado) e ao programa televisivo CQC (em outro artigo, falaremos sobre isto); o terceiro senador da República que responde a processo por sonegação fiscal é o último colocado na pesquisa Consult/Correio, o empresário Roberto Cavalcanti.

Currículos bem mais picantes possuem dois aspirantes ao Senado, que ainda não foram definidos por seu partido, o PMDB: Vitalzinho e Manoel Júnior. Os dois "nobres representantes do povo paraibano" assinam atualmente uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) em tramitação na Câmara dos Deputados, a PEC 440/09, que propõe a criação de Pisos Salariais Estaduais para os profissionais da educação básica, o que no caso da imensa maioria dos Estados e municípios brasileiros representaria uma tragédia, a começar pelo nosso, o 2º mais pobre da Federação, à frente apenas do Piauí - não sabemos até quando -. Manuel Júnior tem um outro agravante: em 2004, durante a campanha para prefeito de João Pessoa, quando ele era candidato a vice-prefeito da capital, junto com Ricardo Coutinho, foi denunciado por nós com provas documentais à época, que ele estava sendo citado no relatório da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso Nacional que investigava Grupos de Extermínio no Nordeste brasileiro. O relator desta CPMI era o deputado federal paraibano Luiz Couto (PT) que, por causa dela, vive até hoje sob forte proteção da PF. São esses os currículos dos prováveis candidatos de nossa terrinha ao Senado Federal para se juntar aos que lá já estão.
Agora, me respondam: estamos ou não estamos realmente perdidos?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Maranhão manda o recado

Para bom entendedor, meia palavra, basta. É o que diz um antigo ditado popular. Porém, o governador candidatíssimo à reeleição em outubro próximo, Zé Maranhão (PMDB),mandou um recado mais do que claro aos trabalhadores paraibanos e, em especial, aos da CAGEPA, empresa estatal de água e esgotos de nosso Estado. Afirmou, em alto e bom som e com todas as letras que o problema do mau funcionamento da empresa se deve à falta de "dedicação de alguns servidores efetivos do quadro efetivo". Ou seja, para o aliado de Lula, do PT, do PCdoB e da CUT na Paraíba, a CAGEPA é uma empresa superestruturada, com máquinário ultramoderno, de ponta, referência nacional e internacional e que, se enfrenta os problemas que enfrenta na atualidade, com o grau de reclamações que recebe da população, sobretudo da camada mais pobre, é porque isso tem um responsável direto, o de sempre: o servidor público ineficiente, incompetente.
Além de jogar a culpa nos quadros efetivos da CAGEPA, o governador Zé Maranhão ainda soltou uma pérola: autoafirmou-se como "ante-privacionista". O governador peemedebista zomba da nossa inteligência e memória. Será que ele acha que esquecemos da SAELPA? Do PARAIBAN? Governador, vá dizer essas brincadeirinhas pros seus novos aliados, a turma do PT, PCdoB, CUT, mas para nós, trabalhadores e trabalhadoras que ainda temos vergonha na cara e não arriamos nossas bandeiras, nossa resposta é o REPÚDIO!!!
Infelizmente, até o presente momento nenhuma palavra, nenhuma nota do Presidente Estadual do PT, do PCdoB, da CUT, ou de alguma liderança dessas organizações sobre essa fala do governador. E se você, caro (a) leitor (a), estiver aguardando por isso, espere sentado, porque em pé, cansa, viu?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Alguém consegue entender o PCdoB?

É plenamente possível que um partido político reveja, em um determinado momento, sua posição política acerca de algum tema da conjuntura ou sobre um dado governo que este apóie. Isto faz parte da vida política de toda e qualquer organização política. Porém, é preciso ter acima de tudo coerência política. E, ao longo de sua trajetória política, isso não parece ser o forte do PCdoB.
No último dia 29 de março, em pomposa solenidade anunciada e realizada na sede da OAB/PB, em João Pessoa, o PCdoB paraibano anunciou que estava rompendo com Ricardo Coutinho e aderindo à candidatura de Zé Maranhão. Alguns dias após este anúncio (05 de abril do corrente ano, mais precisamente) - que gerou uma crise no interior do partido, com Watteau Rodrigues anunciando aos quatro cantos que não iria entregar o cargo de Coordenador do Procon Municipal - e o fato é que até o momento em que escrevo este artigo, seu nome ainda consta no site da PMJP como comandante do referido órgão, o Presidente Estadual do PCdoB, Agamenon Sarinho, divulgou uma nota em nome do Comitê Estadual do PCdoB endereçada ao povo paraibano em que explica as razões pelas quais o partido decidiu romper com Ricardo Coutinho e apoiar Zé Maranhão. Segundo a nota, isso se deveu ao fato de "derrotar em toda linha as forças adversárias associadas aos interesses antinacionais e inimigas do povo brasileiro, representadas pelo PSDB e DEM. Por isso, o PCdoB após, na Paraíba, a aliança em torno do PMDB, que reúne amplo arco político em prol das pré-candidaturas de Dilma Roussef (PT) a presidente e José Maranhão (PMDB) ao governo do estado." (www.politicapb.com.br, 06/04/10).
É uma explicação plausível, perfeitamente entendível para qualquer pessoa, menos para aquela que conhece o histórico do PCdoB. Principalmente este blogueiro que, assim como outras pessoas, devem ter lido uma outra nota assinada pelo mesmo Agamenon Sarinho, publicada em vários sites de notícias, e que não faz muito tempo, precisamente entre uma outra nota e outra, 3 meses e 22 dias. Em 14 de dezembro de 2009, no portal PBAgora, o Presidente Estadual do PCdoB publicizou uma nota em que afirmava algumas coisas, como: 1) recriminava publicamente duas figuras públicas do partido, o ex-secretário de Planejamento do governo Maranhão III, Ademir Alves de Melo e o Coordenador do Procon Municipal, Watteau Rodrigues, por conta dos dois estarem expondo suas opiniões na imprensa local sobre o processo eleitoral de 2010; 2) afirmava, categoricamente, que o partido tinha instâncias deliberativas e seriam nestes espaços decisórios que suas decisões seriam tomadas e que o Comitê Estadual já havia tomado a decisão abrir o debate no interior do partido sobre a posição que o PCdoB teria em 2010; 3) ao longo da nota, Agamenon Sarinho, falando como Presidente Estadual do PCdoB, afirma com todas as letras que "tanto Ricardo Coutinho quanto José Maranhão são aliados - e amigos - do PCdoB e receberam justificadamente nosso apoio em suas eleições, bem como apoiamos e participamos de suas administrações. Mais adiante, no parágrafo seguinte, o mais importante: Agamenon Sarinho afirma categoricamente que "mesmo que o PCdoB, em face de sua definição quanto à chapa que apoiará nas eleições majoritárias do próximo ano, abdique da participação na administração de um dos dois governos, isso não deve significar retirada de apoio."
Nenhum malabarista, por mais anos de experiência que possa ter no Cirque du Soleil, conseguiria bater o PCdoB nesse quesito. São anos de acúmulo servindo à burguesia e enganando os trabalhadores com essa política. Pois do mesmo jeito que o PCdoB classifica hoje o PSDB e o DEM como inimigos do povo brasileiro, já estiveram ao lado desses partidos várias vezes, em várias ocasiões, em várias administrações por esse país. Ou já se esqueceram do PCdoB ao lado de Roseane Sarney quando esta foi governadora do Maranhão?
Mudar de posição faz parte da política. Infelizmente, esse não é o caso do PCdoB.

domingo, 4 de abril de 2010

A crise na PM paraibana e a situação política de Zé Maranhão

A Semana Santa na Paraíba que parecia ser uma semana muito tranquila, regada apenas a celebrações religiosas típicas da ocasião e a despedidas de alguns políticos de seus cargos por conta da disputa eleitoral de outubro próximo, de repente ganhou contornos gravíssimos, de uma séria crise institucional, que graças às manobras do Palácio da Redenção e de boa parte da mídia paraibana, não chegou ao conhecimento de grande parte da população paraibana, mas um expressivo setor, pelo menos o dos que formam opinião, ficaram atentos ao que estava ocorrendo no Estado a partir de 1º de abril. E não tinha nada a ver com o famoso Dia da Mentira, era na "vera", como a gente dizia quando era pirralho quando brincava na rua com os amigos.
De repente, ficamos sabendo que havia dentro da Polícia Militar da Paraíba um movimento intitulado "Polícia Legal" e que estava reivindicando melhorias para a tropa. Mais: esse movimento, ao contrário de outros que já ocorreram na PM/PB, era organizado por oficiais da tropa e não por praças e sargentos, como antes. Suas reivindicações não eram apenas salariais, mas denunciavam as péssimas condições de trabalho a que estavam submetidos todos os policiais militares do Estado e, consequentemente, colocando para toda a população da Paraíba a fragilidade da segurança estadual. Além do atual governo não estar cumprindo um acordo feito com a categoria pelo governo anterior de estabelecer a paridade salarial com a Polícia Civil, os PM's estavam tendo que trabalhar em viaturas alugadas pelo Estado que cujo aluguel estava atrasado havia meses; as viaturas que eram do Estado estavam com emplacamento atrasado havia anos, algumas com até 6 anos de atraso; coletes à prova de balas e munições vencidos, ou seja, o caos em matéria de segurança pública. O porta-voz do movimento, o deputado federal Major Fábio (DEM), em várias estações de rádio, jornais, TVs e sites de notícia, anunciou a situação colocada pelo movimento "Polícia Legal" e pediu à população que não saísse às ruas nesses dias (www.politicapb.com.br, 01/04/10). Além de tudo isso, oficiais do alto escalão da PM/PB, como os comandantes de vários batalhões de todo o Estado entregaram seus cargos, seguindo o exemplo de Campina Grande, que foi quem iniciou este movimento. Uma crise institucional de seríssima repercussão.
O Movimento "Polícia Legal" expôs de maneira dura e crua para toda a população paraibana - pelo menos à parcela que teve acesso a tais informações sobre este assunto - como está a segurança pública em nosso Estado. Ou melhor dizendo, como não está. Completamente sucateada e totalmente despreparada para as mínimas ocorrências, quanto mais as complexas. A maior prova recente disso foi o sequestro da esposa de um empresário por dois bandidos do Rio de Janeiro, ocorrido num prédio na praia do Cabo Branco na semana anterior à Semana Santa, onde um PM, sem nenhum preparo para aquele tipo de ocorrência estava na operação e foi seriamente ferido no pescoço e com isso pode ficar paraplégico para o resto de sua vida. Um jovem pode ter tido sua vida prejudicada para sempre por conta de um despreparo da PM/PB. E agora, como ficam este jovem e sua família?
Voltando ao assunto da crise da PM. Esta também colocou em xeque a autoridade do governador Zé Maranhão sobre a tropa, em especial sobre os oficiais. O artigo 86 da Constituição da Paraíba trata das competências privativas do governador do Estado e uma delas, no seu inciso XVIII é: "exercer o comando supremo da Polícia Militar, promover seus oficiais, expedir carta patente para os mesmos e nomear o Comandante Geral e o Chefe do Estado Maior". Não basta Maranhão publicar MP em Diário Oficial concedendo reajuste para toda a tropa. Não é isso que vai fazer com que ele tenha autoridade sobre a tropa, principalmente sobre os oficiais. Maranhão sabe muito bem disso. É preciso muito mais do que isso. É preciso ganhar a confiança da tropa, mas para isso é fundamental o diálogo permanente, ter pessoas dentro da corporação que tenham carisma e possam ser esse elo aglutinador. Mas Maranhão não é homem de diálogo nem tem essas pessoas que sejam esse elo de ligação dentro da PM. Assim, sua missão de fazer com que ele exerça em sua plenitude o que diz o artigo 86, XVIII, da Constituição Estadual, será muito árdua, e creio que dificilmente será alcançada nesse final de governo. Talvez, quem sabe, no próximo governo, caso ele venha a ganhar as eleições de outubro próximo.
Porque, infelizmente para Maranhão - e ele também sabe disso, como político experiente que é -a Polícia Militar da Paraíba e seus oficiais respeitam a Constituição estadual e o artigo 86, XVIII. Só que o governador, para eles, é outro. Alguém duvida depois desse movimento "Polícia Legal"?

domingo, 28 de março de 2010

A Escola Nota 10 de Ricardo Coutinho merece esta nota?

Um dos projetos recentes mais celebrados pelo alcaide pessoense e sua "tropa de elite" foi a Escola Nota 10, concebida para melhorar a qualidade das escolas municipais de nossa cidade verde. Como recompensa, um 14º salário para os profissionais da educação da rede municipal. Mais uma vez, a educação concebida como mercadoria e não como um processo de melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem. Isso porque para terem direito a este 14º salário tinha que se cumprir alguns requisitos que nada tinha a ver com a atividade docente e se chegar a um determinado percentual ao final do ano. A escola que não alcançasse tal percentual, seus profissionais não receberiam o tão perseguido 14º salário, e assim aconteceu com algumas escolas municipais.
Pois bem, mas será que realmente este projeto merece o nome que tem, Escola Nota 10? Ou será mais uma grande jogada midiática e publicitária da Prefeitura Municipal de João Pessoa, que diga-se de passagem, tem à sua frente um camarada que sabe como ninguém usar a mídia em seu favor como poucos na atual conjuntura política paraibana.
Para fazer esta análise sobre o escola Nota 10, procuramos ser os mais criteriosos possíveis, do ponto de vista científico, para que não pairasse nenhuma dpuvida sobre a referida análise e, consequentemente, sua conclusão. Obviamente, podem surgir discordâncias quanto à conclusão, mas quanto aos dados aqui apresentados, aí se tornam difíceis de serem refutados, pois creio que até o alcaide e sua "tropa de elite" concordam com eles e, inclusive, devem utilizar alguns desses dados na campanha eleitoral deste ano. Tais dados foram extraídos do IDEME - Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba (que publicou em seu site, em 2008, um trabalho sobre o PIB de todos os municípios paraibanos entre 2002-2006) e do site do MEC (onde pesquisamos o IDEB de alguns municípios paraibanos). No IDEME, pegamos a relação dos 15 municípios do Estado com maior PIB e os 15 com menor PIB e de posse desse dado pegamos o IDEB de cada um desses municípios para fazermos uma comparação destes com o de João Pessoa e daí verificarmos se o Projeto Escola Nota 10 merece realmente esta nota.
Antes de iniciarmos a análise, dois esclarecimentos sobre a questão do IDEB se fazem importantes para quem está lendo e não sabe muito a respeito sobre isso: 1) está disponível no site do MEC até a data em que este blogueiro pegou os dados (isto ocorreu no domingo 28/03/10, pela manhã), os índices projetados para 2009 e não os índices definitivos para tal ano. O que isso significa? Que os municípios deveriam se esforçar para atingir ou superar tais índices que na verdade são metas a serem alcançadas ou superadas por cada uma das unidades federativas; 2) como sempre o MEC faz em relação ao IDEB, tais índices são elaborados com base nos anos iniciais e nos anos finais da educação básica para, com isso, se ter uma avaliação mais sólida do avanço ou não de cada unidade da Federação e, assim, poder identificar os problemas e tentar resolvê-los. Em nossa análise, resolvemos pegar os índices projetados em 2009 dos anos finais - segundo o MEC - dos 15 municípios pesquisados pelo IDEME com maior e menor PIB da Paraíba porque é isso que interessa aos trabalhadores, saber como está sendo o resultado final da educação.
Finalmente, esta é a relação - segundo a parceria IDEME/IBGE - dos 15 municípios paraibanos com maior PIB na Paraíba entre os anos 2002-2006. Vale relembrar que este estudo é o mais recente divulgado pelo IDEME, publicado em 2008. Pela ordem decrescente, os municípios são:
João Pessoa - 2,6
Campina Grande - 2,8
Cabedelo - 2,9
Santa Rita - 2,4
Bayeux - 2,5
Patos - 2,3
Caaporã - 2,8
Cajazeiras - 2,7
Sousa - 2,8
Guarabira - 3,1
Pedras de Fogo - 2,4
Conde - 2,8
Mamanguape - 2,2
Alhandra - 3,1
Sapé - 2,1
Destes 15 municípios, 8 pertencem à Grande João Pessoa. Pegando os índices dos anos finais projetados para 2009, que foi o critério por nós escolhido (por ser aquele que, em nosso entendimento, atende ao interesse dos trabalhadores) e que estão ao lado de cada município divulgado, verifica-se que a situação de nossa cidade administrada pelo alcaide atual não é muito confortável para merecer um projeto com o título Escola Nota 10. Dos 15 municípios com maior PIB do Estado, 8 ultrapassam a 2ª cidade mais verde do planeta no IDEB dos anos finais. Enquanto João Pessoa apresenta um IDEB de 2,6, esses outros municípios apresentam números superiores: Cajazeiras (2,7), Campina Grande, Caaporã, Conde e Sousa (2,8 cada), Cabedelo (2,9), Alhandra e Guarabira (3,1 cada).
Alguns defensores do alcaide poderiam argumentar que isso se trata de "empate técnico" em vários desses casos e que portanto isso tudo que está sendo afirmado aqui não abalaria tanto a imagem nem do alcaide nem de sua administração nem muito menos do projeto Escola Nota 10. Porém, a repercussão midiática e publicitária do projeto e a ênfase com que ela continua sendo divulgada pela Secretaria de Educação fazem com que percebamos que estamos sim de uma das "meninas dos olhos" do alcaide que está prestes a se despedir do Paço Municipal para tentar voos mais altos num futuro muito próximo.
Porém, o fraco desempenho do IDEB de João Pessoa e, consequentemente, da rede municipal de educação, não se restringe apenas quando comparada aos municípios com os maiores PIB da Paraíba, para grande surpresa deste blogueiro.
Tal fraco desempenho também continuou ocorrendo quando comparamos o IDEB pessoense com os dos 15 municípios com menor PIB do Estado, que são (em ordem decrescente):
Bom Jesus - 3,0
Passagem - 2,1
Bernardino Batista - 2,6
Amparo - 3,0
Riacho de Sto. Antonio - 2,0
Santarém - 3,3
Várzea - 4,6
Carrapateira - 3,3
Zabelê - s/IDEB dos anos finais
Curral Velho - 3,5
Parari - s/IDEB dos anos finais
Coxixola - IDEB não disponível no site do MEC
São José do Brejo do Cruz - 2,8
Areia de Baraúnas - 2,7
Quixaba - IDEB não disponível no site do MEC
Como afirmamos acima, com muita surpresa, verificamos que João Pessoa, quando comparada com os municípios mais pobres do Estado, perde para 8 dos 15 em termo de IDEB. Convenhamos que, respeitando as diferenças regionais e os municípios aqui citados, não era para isso acontecer. Em alguns casos, a diferença é grande. Como vimos, nossa capital apresenta um IDEB dos anos finais de 2,6 e os 8 municípios com menor PIB do Estado que a superam são: Areia de Baraúnas (2,7), São José do Brejo do Cruz (2,8), Amparo e Bom Jesus (3,0 cada), Carrapateira e Santarém (3,3 cada), Curral Velho (3,5) e o incrível município de Várzea (4,6) que, dos 30 municípios citados no relatório do IDEME de maior/menor PIB da Paraíba, foi o que apresentou o maior IDEB tanto nos anos iniciais quanto finais.
O que isso significa? O que representam esses números? Representam anos e mais anos de políticas educacionais equivocadas, tratando a educação pública como mercadoria e moeda de troca de favores políticas e do odiento toma lá-dá cá da nossa política tradicional que, injfelizmente, não desapareceu na atual administração do girassol do alcaide "socialista". Assim, seus defensores podem até questionar essa avaliação final mas não podem fazer cara feia quanto aos números aqui demonstrados, pois eles não saíram de minha cabeça mas sim de fontes oficiais que, como já afirmei anteriormente, muito provavelmente, o alcaide e sua "tropa de elite" utilizarão como munição na campanha eleitoral deste ano para iludir corações e mentes.
Por fim, uma pergunta que não pode passar: depois de ler este artigo, você ainda dá nota 10 ao projeto Escola Nota 10 do alcaide Ricardo Coutinho?

quinta-feira, 25 de março de 2010

O PSOL escolhe seu candidato

No último domingo, 21/03, o PSOL escolheu seu candidato a governador para a disputa eleitoral em 2010. Trata-se do professor universitário da UEPB Nélson Junior, que venceu as prévias internas contra o também professor, só que do IFPB, David Lobão, ex-candidato da Frente de Esquerda em 2006 a governador.
Recentemente, fiz neste blog um artigo defendendo o nome de David Lobão como o melhor nome do PSOL para ser o candidato majoritário para poder repetir - se possível - a Frente de Esquerda em 2010 na Paraíba entre os partidos que verdadeiramente representam os interesses da classe trabalhadora paraibana: PSOL, PSTU e PCB. Fui mal interpretado por alguns militantes do PSOL que, por e-mail, mandaram alguns recadinhos malcriados sobre meu artigo. Tudo sem sentido pois, mais do que defender David Lobão naquele artigo defendi, isto sim, a repetição da Frente de Esquerda por entender que ela é um instrumento FUNDAMENTAL e IMPRESCINDÍVEL para o avanço da consciência e das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras do 2º Estado mais pobre da Federação.
Por isso, gostei da primeira declaração que li de Nélson Júnior dada ao portal Paraibaonline quando afirmou que "esse é o momento de abrirmos diálogo com os partidos da frente de esquerda - PSTU, PCB e PCR -, no sentido de formarmos uma chapa conjunta para as eleições de 2010", ressaltando também que este movimento deva se estender ao conjuntos das organizações dos movimentos sociais. Este é um passo importante para iniciarmos uma campanha que fale à classe trabalhadora deste Estado, que vive sendo enganada pelos poderosos há séculos.
Agora, é esperar que os dirigentes partidários tenham a sensibilidade política suficiente para que possamos repetir a experiência exitosa da Frente de Esquerda de 2006 e possamos colocar uma campanha socialista e anticapitalista nas ruas paraibanas, apresentando uma proposta alternativa, no campo dos trabalhadores.
Apesar de, provavelmente, PSTU e PSOL apresentarem candidaturas próprias a Presidente este ano, creio que no plano local o melhor para as suas legendas é a aliança pois como disse no artigo passado, juntos os dois são pequenos; separados, são minúsculos. Creio que assim devem raciocinar suas lideranças, sempre olhando para a classe trabalhadora paraibana.

Ricardo Coutinho e o bom trato da coisa pública

O alcaide de nossa cidade, Ricardo Coutinho, costumeiramente afirma (e seus seguidores repetem isso como um mantra) que um de seus principais diferenciais em relação a outros governantes públicos é o bom trato da coisa pública. Que costuma respeitar o dinheiro do contribuinte, dos impostos pagos por cada um destes e arrecadados pela máquina administrativa pública.
Porém, não é isso que vem aparecendo aos olhos deste blogueiro e de outros olhos mais atentos ao longo do mandato do atual alcaide. Vejamos dois exemplos típicos do período em que Ricardo Coutinho chegou ao mais alto posto do Executivo municipal.
Desde que ele chegou lá, uma chaga que já havia naquele espaço permaneceu por lá: o nepotismo. O maior problema para muitos é que isso se deu justamente no governo de Ricardo Coutinho, uma pessoa que grande parte da população votou acreditando que muitas práticas antigas e odiadas estariam enterradas, e o nepotismo era uma dessas. Pois bem, não foi isso que se viu. Não só membros da família do alcaide estavam com seus empregos garantidos na máquina da Prefeitura sem pra isso terem se submetido a nenhum concurso público, apenas na base do famoso QI (Quem Indica), como também integrantes da base governista no Executivo e Legislativo teriam também parentes empregados na Prefeitura, segundo denúncias publicadas pela imprensa local. Isso não me parece ser um bom exemplo de quem trata bem o dinheiro público.
Outro fato que merece destaque ocorreu em dezembro do ano passado. O Tribunal de Contas do Estado determinou que o alcaide deveria devolver mais de R$ 3 milhões de dinheiro desviado do FUNDEB por aquele que trata bem o dinheiro público para ajudar na construção da Estação Ciência, aquele elefante branco situado próximo ao Farol do Cabo Branco que destruiu 5 ha de Mata Atlântica para poder estar de pé e, na oportunidade, a ecovereadora Paula Frassinete não moveu um dedo nem um pedacinho da língua contra aquela agressão ao meio ambiente na 2ª cidade mais verde do planeta. Pra completar, o TCE/PB deu 60 dias para Ricardo Coutinho cumprir a determinação. Ricardo ou alguém de seu staff poderia dizer a mim ou a população pessoense se ela foi cumprida?
Antes que isso ocorra, eu respondo: NÃO!!! Esse é o político que trata bem o dinheiro público?
Deixo pra cada um o seu livre arbítrio!

terça-feira, 23 de março de 2010

O fiel da balança

Há várias maneiras de se ler uma pesquisa eleitoral. Uma delas é dos vencedores da pesquisa que, se não tiverem o devido cuidado, podem superestimar o resultado e assim, de vencedores momentâneos, tornarem-se derrotados históricos; outra delas é a dos vencidos de momento que costumam desdenhar das pesquisas quando se encontram neste patamar.
Há uma suspeita que corre em todas as cabeças da manipulação das pesquisas, de que elas não representariam a realidade das vontades dos eleitores e eleitoras, mas sim as vontades dos dirigentes partidários que gostariam de transmitir a sua realidade aos eleitores e não a realidade concreta das ruas e urnas.
Porém, as pesquisas existem e aqui estamos para analisar os resultados de algumas delas que assolam já a atual campanha eleitoral em nosso estado. Pelo menos de novembro para cá, já tivemos três que merecem uma análise apurada.
A primeira delas foi do Instituto Opinião, publicizada em novembro do ano passado. Nela se via os seguintes resultados:
Ricardo Coutinho (PSB) - 35,4%
José Maranhão (PMDB) - 34,6%
Cícero Lucena (PSDB) - 12,4%
David Lobão (PSOL) - 0,7%
Nulos/Brancos - 6,2%
Indecisos - 10,7%
Esta pesquisa mostrava um empate técnico entre o prefeito da capital e o governador do Estado, demonstrando um grande equilíbrio entre os dois candidatos mais cotados a assumir a cadeira mais importante da Paraíba nos próximos quatro anos. Porém, o que chamava a atenção era o percentual do senador tucano Cícero Lucena, que já naquela ocasião se colocava como um "elemento surpresa" na disputa, para usar um termo futebolístico. Naquele momento, o senador tucano detinha pouco mais de 330 mil votos (segundo o TSE, a Paraíba tinha 2.664.527 eleitores em novembro/09). Também naquele momento Cícero já sofria uma pressão muito grande para deixar sua intenção de ser candidato ao governo do Estado para que o PSDB (partido que ele preside na Paraíba) apoiasse o prefeito Ricardo Coutinho. Tal pressão partia do ex-governador cassado, Cássio Cunha Lima, do mesmo partido, e de seu grupo, que atua dentro e fora do PSDB. No entanto, Cícero mantinha - e mantém até hoje, por enquanto - sua intenção firme de ser candidato.
A segunda pesquisa divulgada foi realizada pelo Instituto Consult entre os dias 25 a 28/02 deste ano a apontou os seguintes números:
José Maranhão (PMDB) - 40,1%
Ricardo Coutinho (PSB) - 32,6%
Cícero Lucena (PSDB) 8,7%
Não sabe - 12,05%
Nenhum - 6,5%
Como podemos perceber, nesta pesquisa já não aparece mais o nome do professor David Lobão (PSOL) entre os prováveis candidatos, ficando esta restrita aos considerados "principais" candidatos pela mídia. Já começa aí a manipulação das pesquisas eleitorais sobre as cabeças dos eleitores e eleitoras, querendo com isso criar a realidade dela (a mídia) e não o que está realmente ocorrendo no plano real. É a matrix funcionando a todo vapor sobre nossas cabeças, cabe a cada um poder discernir ou não.
Os resultados da pesquisa Consult mostram duas coisas diferentes em relação à do Instituto Opinião, feita em novembro: 1) Maranhão passou a dianteira em relação a Ricardo Coutinho, muito embora este tenha um bom patamar percentual para uma pré-campanha. Qualquer candidato adoraria ter um percentual em torno de 30% antes de iniciar uma campanha eleitoral, ainda mais sabendo que esta será um campanha extremamente dura. Porém, já não existe mais empate técnico entre os dois, como apontou o Instituto Opinião em novembro/09; 2) A outra diferença é a queda de 4 pontos percentuais de Cícero Lucena em apenas três meses. Segundo dados do TSE, o número de eleitores da Paraíba em fevereiro/10 aumentou um pouco em relação a novembro/09: era de 2.675.103 aptos a votar. Isso indicava que o resultado da pesquisa Consult dava a Cícero 232.734 votos, ou seja, uma perda de 97667 votos em um trimestre. É muita coisa para quem pretende chegar no Palácio da Redenção em 03 de outubro próximo.
Deve-se lembrar que tal queda ocorreu após o anúncio público de Cássio declarando apoio à candidatura de Ricardo Coutinho e que iria fazer todo o esforço para que o PSDB marchasse ao lado de tal candidatura. mesmo Cícero reafirmando sua intenção em manter a candidatura para garantira um palanque eleitora para o candidato a Presidência do PSDB este ano, o governador de São Paulo, José Serra, isso não foi suficiente para que o senador tucano segurasse o mesmo percentual da primeira pesquisa eleitoral.
As pressões continuaram, tanto no plano estadual quanto no plano nacional para que Cícero abortasse esta candidatura. Eis que diante de todo esse "fogo amigo" surge uma terceira pesquisa, divulgada na semana passada, mas realizada entre os dias 05 a 07 de março, pelo Instituto Vox Populi. Vejamos os número desta terceira pesquisa:
José Maranhão (PMDB) - 44%
Ricardo Coutinho (PSB) - 32%
Cícero Lucena (PSDB) - 8%
Nulos/Brancos - 7%
Não sabe/Não respondeu - 9%
Nota-se uma semelhança entre o Vox Populi e o Consult. Primeiro, Maranhão se mantém na ponta, só que na pesquisa Vox Populi ele aumentou a diferença em relação a Ricardo Coutinho, que estacionou nos 32%, assim como Cícero também estacionou nos 8%. Ou seja, pouca coisa mudou em 2010. A próxima pesquisa pode trazer novidades, por exemplo, será que Maranhão manterá esses índices com essa greve dos professores estaduais desgastando a imagem de seu governo? E Cícero, será que vai manter sua candidatura? Como se comportará Ricardo Coutinho após renunciar à Prefeitura, em termos de índices percentuais? Cenas do próximo capítulo.
O que até agora podemos perceber claramente são duas coisas. Uma é o alto número de indecisos que aparecem em todas as três pesquisas realizadas, algo extremamente normal, em se tratando deste tipo de pesquisa. O guia eleitoral, a própria campanha que começará em agosto quando esquentar, os debates televisivos, e o próprio dia da eleição, vão ajudar a diminuir esses índices de indecisos. A outra característica que as pesquisas apontam é que o senador tucano é o fiel da balança desse processo eleitoral na Paraíba. Para onde ele e seu grupo político pender, a eleição estará praticamente resolvida. Os candidatos Zé Maranhão e Ricardo Coutinho sabem muito bem disso e tentam, cada um à sua maneira, atrair Cícero para sua teia. Vamos ver quem vai ser mais ousado e sedutor nesse jogo.