Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Luciene de Fofinho e o polêmico cartaz nas unidades de saúde de Bayeux





A prefeita de Bayeux, Luciene de Fofinho (PDT), nem bem assumiu em 1º de janeiro deste ano e já está causando polêmica dentro e fora da cidade, com uma atitude que merece um bom debate acerca da atitude tomada por ela. 

Em seu 1º dia de mandato, a prefeita Luciene de Fofinho afixou no Hospital Materno Infantil e na UPA de Bayeux um cartaz com os seguintes dizeres: "Você que é Funcionário do Hospital pago com recurso Público, trate bem as pessoas, se não for para atender bem o paciente, não venha trabalhar ou peça exoneração, ninguém procura o Hospital para passear, com certeza tem alguma necessidade." Em seguida, assina com seu nome, Luciene Gomes, Prefeita de Bayeux, e coloca uma observação: "Me ligue ou mande mensagem em caso de qualquer reclamação, você que é usuário, tomarei as providências na hora!". O comunicado é concluído com a disposição de um telefone de um serviço chamado "Alô Prefeita" para que toda a população insatisfeita possa fazer suas reclamações diretamente à Chefe do Poder Executivo Municipal.

Antes de abordarmos as reclamações de alguns órgãos classistas sobre este aviso colocado pela prefeita de Bayeux e também nossas impressões sobre este, gostaríamos antes de tecermos alguns comentários sobre o que, em nossa avaliação, levou Luciene de Fofinho a tomar tal atitude.

Relembremos que Luciene de Fofinho assume a Prefeitura de Bayeux com, pelo menos, 6 AIJEs (Ações de Investigação Judicial Eleitoral) sobre seus ombros, três destas ajuizadas pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e outras três por coligações adversárias na última eleição. As acusações vão desde uso indevido de recursos para o combate à Covid-19 em Bayeux até o inchaço na folha de pagamentos durante a campanha eleitoral (https://parlamentopb.com.br/justica-eleitoral-marca-audiencias-em-acoes-que-pedem-cassacao-de-luciene-de-fofinho/). Cabe destacar que as referidas audiências foram remarcadas para o início de fevereiro, a pedido da defesa de Luciene de Fofinho.

Este é ou não um bom motivo para a prefeita de Bayeux, Luciene de Fofinho, iniciar seu mandato colocando um aviso deste tipo nas principais unidades de saúde da cidade para, com isso, buscar encobrir tais notícias negativas     que envolvem sua figura, especialmente no início de seu governo??? Outra coisa não menos importante: Luciene se aproveita de uma insatisfação latente do povo de Bayeux, especialmente os mais necessitados, que buscam os serviços de saúde da cidade e que normalmente encontram tal serviço sucateado há anos e, com este aviso, procurar jogar o povo contra os servidores de saúde que, assim como o povo, são tão prejudicados quanto este. Pois o serviço de saúde de Bayeux sofre há anos com a falta de atenção da Prefeitura local em vários aspectos, como a falta de EPI's para que seus servidores possam trabalhar minimamente (será que já esqueceram da falta de luvas para dentistas trabalharem em seus gabinetes odontológicos nos PSF's???); a falta de medicamentos básicos nas farmácias dos diversos PSF's espalhados pela cidade para poder remediar o sofrimento do povo bayeuxense, quando este procura o serviço ambulatorial, como uma simples dipirona (esqueceram disso também???); a falta de receituário médico em alguns PSF's para que médicos possam efetuar suas receitas para os pacientes que os procuram nas unidades de saúde; sem falar que, em algumas ocasiões, tanto o CRM quanto o CRO vieram a Bayeux e interditaram algumas unidades de saúde (em diferentes governos municipais) por conta da total falta de condições de trabalho nestas unidades (será que Luciene de Fofinho, vereadores/as e apoiadores da gestão já esqueceram disso???) Observem todos/as que abordamos apenas questões referentes a condições de trabalho, não citamos questões salariais, que também são importantes, pois afinal de contas, é inconcebível que, em Bayeux, profissionais efetivos ganhem menos do que profissionais prestadores de serviço, mesmo sendo da mesma função. E isso já  acontece há muitos anos, basta constatar no Sagresonline do TCE/PB!!!

Atender bem o usuário do serviço público é obrigação do servidor público, seja ele da Saúde, da Educação, da Segurança, da Infraestrutura, da Administração, das Finanças, da Chefia de Gabinete ou de qualquer outra área ligada à Prefeitura Municipal de Bayeux. Assim, não há a necessidade da prefeita Luciene de Fofinho vir a público pregar um cartaz como fez. Basta exigir que os diretores das unidades públicas, de qualquer setor, faça o que tem de fazer: exigir que cada servidor (independente se é efetivo ou prestador de serviço) cumpra seu horário e dever. Porém, para isso, é fundamental que a Prefeitura de Bayeux também faça seu "dever de casa", qual seja, no caso da saúde, ofereça as condições de trabalho mínimas para que o profissional possa exercer bem sua função. Se assim não fizer, como cobrar deste profissional o cumprimento de seu dever???

As reclamações de órgãos classistas, como SIMED e SINTRAMB, quando criticam a decisão da prefeita Luciene de Fofinho em fazer o que fez na divulgação do aviso, são corretas em classificá-lo como "assédio moral". Porém, para além disso, proponho que estas entidades deveriam buscar construir uma unidade de ação neste momento e, junto com outras entidades, fazerem uma reunião e tomar algumas providências práticas com relação a isto. Assim, proponho: 

1) Que SINTRAMB e SIMED chamem entidades e Conselhos da área da Saúde para debaterem a questão e tirarem encaminhamentos sobre o assunto, como Sindicato dos Enfermeiros, Sindicato dos Odontólogos, SINDSAÚDE, COREN, CRM, CRO, CRESS, dentre outros;

2) Que busque se agendar uma reunião com o MPT para debater este problema criado com esta divulgação feita com o aviso publicado pela prefeita Luciene de Fofinho;

3) Que se organize com todas estas entidades um ato de protesto em frente ao HMI em Bayeux. A pandemia do coronavírus não pode, em minha avaliação, ser empecilho para uma atividade deste tipo (a não ser para pessoas do grupo de risco).

Ainda sobre os dizeres do aviso que Luciene de Fofinho afixou em Bayeux, queremos também enfatizar o seguinte: ela cobra um bom atendimento do servidor público aos usuários da saúde porque estes são pagos com "recurso público", de acordo com ela. Neste aspecto, ela tem razão. Sendo assim, colocamos a Luciene de Fofinho e aos novos secretários de Finanças e de Administração de Bayeux a responsabilidade de realizarem uma auditoria nas contas municipais da cidade, especialmente de 2017 para cá. Afinal, foram  recursos públicos utilizados neste lamentável período que Bayeux vivenciou e que seu povo precisa saber, detalhadamente, como tudo isso foi ou não aplicado. 




sábado, 2 de janeiro de 2021

Luciene de Fofinho e a dura e difícil tarefa de resgatar a imagem da cidade de Bayeux






Em 28 de dezembro de 2016, neste mesmo espaço, fizemos um artigo intitulado "Berg Lima e a expectativa de todo um povo: o que podemos esperar???". Na ocasião, fazíamos um trocadilho com o nome do partido do novo prefeito de Bayeux, eleito na oportunidade e que trazia consigo uma grande esperança de mudança em boa parte da população bayeuxense, daí o sugestivo título do artigo.

Berg Lima, então no Podemos, foi eleito com 58,92% dos votos válidos na eleição de 2016. A maior votação já dada a um candidato em Bayeux até esta data. Foram exatos 33.437 votos de homens e mulheres de Bayeux, jovens e idosos, que foram às urnas naquele ano, insatisfeitos com os rumos da gestão do então prefeito Expedito Pereira (PSB), candidato à reeleição mas, que por conta de seus inúmeros desacertos no seu 4º mandato na Prefeitura de Bayeux, acabou derrotado pelo jovem ativista cultural que aparecia na cena política da cidade e que conseguiu construir uma ampla aliança política - que incluiu partidos como PT e PSDB, por exemplo - em torno de seu nome e, assim, conseguir a confiança do povo e ganhar a eleição. 

Mais do que tudo isso, Berg Lima conquistou a simpatia e a esperança do povo trabalhador, honesto e decente de Bayeux de que a cidade teria dias bem melhores com sua presença na Prefeitura, a partir de 1º de janeiro de 2017. Infelizmente, tudo isso veio abaixo em 05 de julho do citado ano, quando ele foi preso em flagrante pela força tarefa do Gaeco e MP, acusado de corrupção, no Restaurante Sal & Pedra, em Bayeux. A partir daí, a cidade passou a viver uma crise política, administrativa, social e econômica que, infelizmente, ainda não se encerrou.

Em novembro de 2020, depois de vários prefeitos terem passado pela Prefeitura de Bayeux após a prisão de Berg Lima (Luiz Antonio (PSDB), Noquinha (PSL), Kita (Cidadania) -, sem falar no próprio Berg Lima, que saiu da prisão por ordem judicial e reassumiu a Prefeitura, Bayeux voltou a ter uma eleição direta e Luciene de Fofinho (PDT) foi a vencedora do pleito. Ela já estava como prefeita indireta em Bayeux desde agosto de 2020, eleita pela Câmara Municipal da cidade, após Berg Lima ter apresentado sua renúncia ao cargo.

Luciene assumiu agora em 1º de janeiro de 2021, como a imensa maioria dos prefeitos/as de todo o país. Porém, assume envolta a várias denúncias que lhe custam processos na Justiça e, mais do que isso, Luciene tem uma dura e difícil tarefa a cumprir em seus 4 anos de mandato que ora se iniciam: resgatar a imagem da cidade de Bayeux e, consequentemente, a autoestima de seu povo que está profundamente arranhada - para sermos gentis - com tudo que ocorreu nos últimos anos, a partir dos estragos provocados por Berg Lima e seus sucessores. Falo sucessores porque os que vieram após este não se esforçaram muito para buscar fazer com que Bayeux saísse das páginas policiais e deixasse de vivenciar escândalos atrás de escândalos. Infelizmente..........

Isso se revelou nos números eleitorais verificados em 2020. Este ano, tivemos uma abstenção de 14,28% (contra 6,29% em 2016); os votos nulos e brancos, em 2020, totalizaram 11,93% (contra 8,88% em 2016). Quando partimos para os votos dados aos candidatos, a diferença é ainda maior. A candidata vencedora, Luciene de Fofinho (PDT), conseguiu ter uma votação menor do que a dada ao candidato derrotado em 2016, Expedito Pereira (PSB), que teve 21.989 votos. Luciene foi eleita com 21.103 votos.

Estes números explicam, por si só, a crise porque passa Bayeux e, consequentemente, a desconfiança e o descrédito com que o povo da cidade encara a situação e a classe política que gere os destinos de uma das cidades mais importantes da Paraíba. Colocar a responsabilidade desses números na pandemia do coronavírus é minimizar demais os problemas porque passam a cidade e retirar a imensa parcela de culpa que possuem os governantes da cidade durante todo esse período.

Isso só aumenta o peso da tarefa que Luciene de Fofinho tem pela frente. Evidentemente que os movimentos sociais de Bayeux também possuem sua cota de responsabilidade, no que diz respeito a mobilizar sua base de apoio e cobrar da gestão municipal o cumprimento de sua agenda política, especialmente no que diz respeito ao atendimento das políticas públicas, especialmente neste momento delicado que vivemos no combate à Covid-19, quando Bayeux encontra-se na bandeira laranja no "Plano Novo Normal PB do Governo do Estado da Paraíba e ainda estamos à espera da vacina para, definitivamente, erradicarmos esta terrível doença de nossas vidas. Falamos, especialmente e em 1º lugar, do SINTRAMB como a principal força política da cidade.

Como afirmamos ao longo do artigo, Luciene de Fofinho tem como principal tarefa resgatar a imagem de Bayeux e a autoestima de seu povo durante seu mandato. Para isso, entre outras coisas, em nossa avaliação, será preciso romper com o jogo político que, ao que parece, já se comprometeu desde a campanha. Como perguntamos no artigo feito há quatro anos, estará ela disposta a isso??? 

Desde já, respondo: creio que NÃO. Espero estar errado. Cenas dos próximos capítulos.............


  

domingo, 27 de dezembro de 2020

O inimigo de meu inimigo é meu amigo. Será???






A cultura humana, como quase tudo que existe em nossa sociedade, é uma construção dos homens e mulheres que habitam nosso mundo, há milhares de anos. Afirmo quase porque existem coisas que independem da vontade humana, como os fenômenos naturais, por exemplo.

Por ser uma construção humana, a cultura é mutável, pois a sociedade humana é mutável. Por exemplo: na sociedade primitiva, morávamos em cavernas, a partir de um dado momento histórico, passamos a habitar em casas, que pertenciam a vilarejos, hoje cidades. E este hoje já faz um bom tempo, para não dizer milênios de nossa História. E assim podemos abordar aspectos da culinária humana, de suas vestimentas, modos de tratar-se, entre outras coisas. E não apenas de acordo com cada época histórica, mas também dentro de cada momento histórico, de acordo com cada povo e cada região habitada por um mesmo povo. Porque, como já afirmei, a cultura humana é mutável pois a sociedade e o ser humano mudam a cada instante.

A única coisa que não sofre mudança como a cultura humana e outras coisas feitas pelos seres humanas é a FÉ. Isso porque esta é absoluta. Ou você crê ou não crê. Não há meio termo para ela. Por isso, não discutimos sobre isso, pois trata-se de questão extremamente subjetiva e deve-se RESPEITAR, independente da crença pessoal de cada indivíduo.

Dito isso, vamos ao título deste artigo. Ele expressa um antigo provérbio, que foi encontrado inicialmente no século IV a.C., em um tratado sobre a arte de governar, escrito na língua sânscrita. Anos mais tarde, foi encontrado outro registro, em inglês, no ano de 1884. O exemplo clássico desse provérbio vem do uso na 2ª Guerra Mundial quando EUA e Inglaterra se uniram à URSS na ocasião para enfrentar e derrotar a Alemanha de Hitler e por fim àquela guerra. As potências capitalistas eram inimigas da URSS - e de seu líder na época, Stálin e vice-versa -, mas estes tinham em comum um inimigo maior, que era Hitler e a Alemanha nazista, por isso decidiram se aliar momentaneamente para derrotá-lo. Com isso, este provérbio ficou ainda mais famoso e seu uso associado, definitivamente, à política e negociações para que um grupo se sobreponha ao outro.

Após isso, muitos outros casos mundo afora usaram este provérbio para exemplificar suas ocasiões, algumas de forma exagerada. No Brasil, o caso mais recente vivido em nossa política foi o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que uniu diversas forças políticas para enfrentar e derrotar seu governo e colocar em seu lugar o vice da ocasião, Michel Temer (PMDB). Claro que o objetivo direto era tirar Dilma e o PT do Palácio do Planalto, mas indiretamente a intenção era enfraquecer politicamente o ex-presidente Lula, o que acabou sendo conquistado com sua prisão pela Polícia Federal meses depois. Mas isso é outra história.

Neste momento, vivemos um outro episódio da política brasileira, que os remete a colocar, mais uma vez em xeque, este antigo provérbio. Trata-se da eleição da Câmara dos Deputados, em Brasília, que ocorrerá no início de fevereiro, que definirá não apenas seu novo presidente mas, sobretudo, o destino do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seu governo no próximo período. 

Temos uma eleição polarizada por dois nomes. De um lado, o candidato de Bolsonaro e do Palácio do Planalto, o deputado do PP/AL, Arthur Lira, e o da "oposição de direita", deputado Baleia Rossi (MDB/SP), lançado e apoiado pelo atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ). Maia, especialmente após o resultado adverso que colheu no STF, que o impediu de ser mais uma vez candidato à Presidência da Câmara, tem se posicionado como "oposição" a Bolsonaro e conseguiu, nos últimos dias, construir uma rede de apoio a seu candidato na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados.

Segundo uma pesquisa feita pelo portal Poder360, o bloco construído por Maia tem, neste momento, maioria na disputa contra o candidato do Planalto e ganharia num 1º turno a eleição na Câmara. Porém, haveria 2º turno contra o alagoano Lira. E aí, a disputa segue incógnita. Pelo placar do portal acima, citado, Rossi tem 269 votos contra 204 de Lira (https://www.poder360.com.br/congresso/bloco-de-maia-ja-teria-votos-para-vencer-eleicao-na-camara-entenda-a-disputa/).

A importância de ter o Presidente da Câmara já foi por demais revelada. Entre outras coisas, é o seu presidente que faz a pauta da Casa e seus projetos avançarem ou não, de acordo com o interesse do governo. Outra coisa não menos importante para o governo Bolsonaro: neste momento, há 56 pedidos de impeachment de Bolsonaro na mesa do Presidente da Câmara. Um aliado deste pode perfeitamente fazer isto não avançar no próximo período e tranquilizar o governo, coisa bem diferente caso um adversário vença a eleição.

Portanto, a disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados entre o medebista Baleia Rossi, de São Paulo, e o progressista Arthur Lira, de Alagoas, comprovam que o provérbio "o inimigo de meu amigo é meu amigo", está longe de ser visto como absoluto. Especialmente quando vemos que forças ditas de esquerda, que se colocam como "defensoras dos interesses do trabalhadores", passam a defender um candidato apoiado por aquele que mais contribuiu com o governo Bolsonaro no último período para destruir vários direitos de nossa classe (como a "Reforma da Previdência", o "orçamento de guerra", dentre outros), sem falar no governo Temer, aonde aprovou a lei da terceirização, a "Reforma Trabalhista" e tantos outros ataques aos trabalhadores. Estamos falando de Rodrigo Maia (DEM/RJ) que entre tapas e beijos com Bolsonaro, fez coro com este governo para retirar várias conquistas de nossa classe. 

E agora, em nome de "derrotar" o governo Bolsonaro, PT, PCdoB, PSB, PDT, PV, Rede vem com o discurso falacioso de apoiar o candidato de Maia nesta eleição. O PSOL ainda não está envolvido, mas vem aí o 2º turno da votação, aguardem......

Por isso, concluímos: Em alguns momentos, como este, o inimigo de meu inimigo continua sendo meu inimigo. Por isso, precisamos construir uma ALTERNATIVA SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIA!!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O cretinismo parlamentar cobra sua fatura!!!





Em abril deste ano, neste mesmo espaço, fizemos um artigo intitulado "Quando o cretinismo parlamentar e o eleitoralismo se juntam como tática oportunista para camuflar uma alternativa de luta da classe trabalhadora!!!". Abordávamos a decisão do professor universitário da UEPB e militante, Nélson Júnior, em se desfiliar do PSOL e ir para o PCdoB em Campina Grande, seguindo a linha da "filiação democrática", através de uma Carta Aberta feita por este, explicando seus motivos para tal atitude.

Em seu texto, Nélson Júnior afirmava, resumidamente, que tomava tal decisão para enfrentar (e derrotar) o governo de ultradireita de Bolsonaro, vendo no PCdoB melhores condições para fazê-lo - inclusive no terreno eleitoral -, ao invés do PSOL, classificando seu novo partido como um partido coerente com "seus princípios fundantes" e que está "na linha de frente" no combate a um "presidente de perfil neofascista", no caso Bolsonaro. Posteriormente, no período eleitoral, as alianças feitas pelo PCdoB com PSL, DEM (dentre outros) fizeram com que esse perfil citado por Nélson Júnior se esvaíssem como fumaça. Agora, durante o processo da eleição na Câmara dos Deputados, o PCdoB mais uma vez apoia Rodrigo Maia (DEM/RJ) e seu candidato, repetindo o discurso de que isso se deve a combater o governo Bolsonaro e seu preferido. Até quando isso???

O ex-presidente da ADUEPB conseguiu, em seu projeto eleitoral pelo PCdoB, na tentativa de chegar à Câmara Municipal de Campina Grande, exatos 300 votos. Com certeza, ele teve um desempenho um pouco superior ao conquistado nas duas vezes em que conseguiu ser vitorioso nas eleições em que tornou-se presidente da ADUEPB. Mesmo assim, o resultado deve ter sido bem aquém do que pensou em obter, levando-se em consideração as expectativas criadas em sua Carta Aberta, divulgada entre março/abril deste ano, que divulgamos no artigo feito por nós, já citado.

Isso apenas revela o traço do cretinismo parlamentar que já identificávamos naquela ocasião, misturado a uma pitada grande de eleitoralismo que, historicamente serve para confundir e iludir a consciência dos trabalhadores e levá-los a acreditar que é possível mudar suas vidas num regime burguês cada vez mais decadente e nocivo a seus interesses. Ainda mais numa situação como essa em que vivemos, aonde estudos e mais estudos, inclusive divulgados por PCdoB, PSOL e demais setores reformistas vivem a afirmar que, mesmo durante a pandemia do coronavírus, os lucros dos grandes empresários e banqueiros cresceu como nunca (no Brasil e no mundo), enquanto a miséria humana aumentou de forma assustadora. Porém, esses mesmos setores levam para milhões de trabalhadores a mensagem de que, via eleições, tudo pode ser resolvido, inclusive tal situação. O resultado de tamanho cretinismo parlamentar apresenta-se agora, passado o dia 15 de novembro. 

Será que Nélson Júnior e outros/as de mesmo tipo aprenderão a lição ou farão o mesmo de sempre, colocando a "culpa" no povo que não sabe votar???

Cenas dos próximos capítulos..............

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Bayeux celebra 61 anos de emancipação política ainda em meio a uma grave crise!!!






Neste dia 15 de dezembro do corrente ano, a cidade de Bayeux celebrou seus 61 anos de emancipação política num momento extremamente delicado da vida política nacional, estadual e local. No plano nacional, estadual e local, vivemos sob uma pandemia do coronavírus que, infelizmente, voltou a ter números alarmantes de casos e mortes, forçando a que tenhamos novas medidas restritivas em nosso cotidiano de vida enquanto não chega a vacina, apesar desta já estar presente em várias partes do mundo, como Reino Unido, Canadá Bahrein, México, EUA e outras partes do mundo. Aqui no Brasil, ainda há uma grande indefinição quanto a isso e uma excessiva politização quanto a este assunto, de interesse público, tanto da parte do governo Bolsonaro (sem partido), quanto da parte do governo Doria (PSDB/SP), como também de outros governantes, como até mesmo o governador João Azevedo (Cidadania/PB) e o prefeito eleito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP/PB), que foi se reunir com o governo de São Paulo para tratar da aquisição da vacina chinesa Coronavac para nossa capital. Enquanto isso, o STF cobra que o governo federal entregue a este um plano nacional de imunização para o todo o povo brasileiro e este entrega um plano sem o aval de especialistas. E assim caminha a humanidade. No caso, o Brasil com quase 200 mil mortos por causa da Covid-19. E, apesar de tudo isso, Bolsonaro lança a ideia na Câmara dos Deputados, com o relator da "MP da Vacina", de que cada brasileiro/a que tome a vacina, seja ela qual for, assine um "termo de responsabilidade". Daí, surge a pergunta que não quer calar: para quê e porquê esse "termo de responsabilidade" se a vacina já terá o aval da Anvisa??? Coisas de Bolsonaro..................

Saímos um pouco do tema do artigo para enfatizar que, não apenas o Brasil, mas Bayeux também passa por momentos turbulentos. E não apenas na questão da saúde. Bayeux, infelizmente, convive há meses com a pandemia do coronavírus e também com o "fantasma" da bandeira amarela do "Plano Novo Normal PB" decretado pelo governo estadual já há algum tempo, o que faz com que vários serviços existentes na cidade não possam ocorrer da maneira devida, prejudicando a já sensível economia da cidade. Isso só faz agravar ainda mais a situação da cidade, que convive há pelo menos 3 anos com uma grave crise político-administrativa iniciada pelo ex-prefeito Berg Lima, quando de sua prisão em flagrante, em 05 de julho de 2017.

Quando toda a cidade (ou, pelo menos, a maioria desta) pensava que tais questões começariam a acabar - ou a minimizar - a partir de novembro deste ano, com a eleição da nova prefeita de Bayeux, feita pelo povo, nas urnas, à pedetista Luciene de Fofinho, eis que Bayeux já se encontra mergulhada em mais vários capítulos de uma nova crise política que afeta a cidade. Um destes capítulos atinge diretamente a prefeita reeleita, Luciene de Fofinho, com 6 ações na Justiça, suspeita de ter sido eleita por uso ilegal da máquina pública durante a campanha e seu mandato à frente da Prefeitura (já que fora eleita de forma indireta para o cargo, em agosto, pela Câmara Municipal da cidade); depois disso vir à tona, surgiu a denúncia, que também já começa a ser investigado pelo MP, que cerca de 10 vereadores/as eleitos e reeleitos/as teriam assinado uma "carta renúncia" de seus mandatos na próxima legislatura (a partir e 2021), para que apoiassem a eleição do vereador Noquinha (PSL) à presidência da Câmara Municipal da cidade e, ao mesmo tempo, "derrubassem" a prefeita Luciene de Fofinho (PDT) de seu cargo. Como afirmamos, tudo está sendo apurado por investigações do MP.

Assim, Bayeux chega a 61 anos de sua História abalada com tais denúncias de corrupção envolvendo pessoas que deveriam dar o exemplo de bem cuidar da cidade e zelar por sua imagem. Porém, não é isso que o povo trabalhador, honesto e decente de seus 97.203 habitantes - segundo o Censo de 2020, feito pelo IBGE - percebe no dia-a-dia pelo seu "ganha pão". Além disso, recentemente, este mesmo povo foi surpreendido cm a lamentável notícia do brutal assassinato do ex-prefeito de Bayeux, Expedito Pereira, quando este passeava numa rua do bairro de Manaíra, em João Pessoa, perto de sua residência.

Todos/as que me conhecem em Bayeux sabem que possuía muitas diferenças políticas com Expedito Pereira. Estas se aprofundaram no período em que este foi prefeito de Bayeux pela última vez (2013-16) e eu estive na direção do SINTRAMB - Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Bayeux -, no mesmo período. Durante este momento, Expedito cassou as consignações do sindicato por 6 meses, fizemos uma greve geral da categoria dos servidores municipais em 2014 por 45 dias, conseguimos uma vitória na Justiça do reajuste dos vigilantes em 2015 (de forma definitiva), além de várias outras conquistas. Tudo isso serviu para, de certa forma, arrefecer ainda mais os ânimos entre nós, do ponto de vista político. Porém, nunca desejei o mal a Expedito Pereira, muito menos querer que este tivesse uma morte trágica como foi esta que ele teve. Quero aqui desejar nossos sentimentos à família e que os responsáveis por isto sejam punidos exemplarmente, como determina a lei.

Enquanto isso, que Bayeux volte a ter dias melhores, se livre de todos esses escândalos que vêm passando e, principalmente, das pessoas que causam tantos danos e males à cidade e à sua imagem. Que Bayeux tenha muito mais do que 61 anos e que esse presente lamentável de hoje seja um aprendizado para não errarmos mais num futuro próximo.

Parabéns, Bayeux!!!

Parabéns ao povo trabalhador, honesto e decente de Bayeux!!!





 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Algumas impressões sobre as eleições municipais 2020 em João Pessoa






Em artigo anterior feito neste mesmo espaço (http://antonioradical.blogspot.com/2020/11/algumas-consideracoes-sobre-as-eleicoes.html), debatemos sobre os números das eleições municipais estabelecidos em todo o país, divulgados pelo TSE e amplamente repercutidos pela grande mídia. Segundo estes números, a média de abstenção em todo o país atingiu a marca recorde de 29,43%, superando eleições anteriores. De acordo com a Justiça Eleitoral e vários analistas dos principais sites e canais da grande mídia do país, isso se deveu sobretudo à pandemia do coronavírus, que começa a aumentar consideravelmente no Brasil e no mundo nos últimos dias. Coincidência que isso está se dando após as eleições??? Tema para um próximo comentário neste blog.

Em João Pessoa, as eleições municipais encerradas no último domingo, 29 de novembro passado, não fugiram à regra do que ocorreu no restante do país. Também na "Cidade das Acácias" verificou-se um alto índice de abstenção no processo eleitoral, tendo o número no 2º turno superado o registrado no 1º turno - 23,34% (121.917 eleitores/as) contra 21,28% (111.120 eleitores/as). Quando somamos estes números aos votos brancos e nulos no 2º turno, temos um resultado ainda maior: 36,4% de eleitores/as pessoenses se abstiveram, anularam ou votaram em branco nas recentes eleições. Em números absolutos, exatos 174.184 pessoas decidiram não participar do processo eleitoral apoiando nenhuma candidatura posta. Entre a forca e a guilhotina, entre a "Operação Confraria" e a "Operação Vitrine", estas pessoas escolheram a luta!!!

Há outros dois números bem interessantes verificados na eleição municipal de João Pessoa. O primeiro diz respeito ao ocorrido na 76ª zona eleitoral da capital. Nesta, os votos dados ao candidato Nilvan Ferreira (MDB), foram menores do que a abstenção. Segundo mapa eleitoral do TRE/PB, nesta zona eleitoral, ocorreram 30.858 abstenções, enquanto o candidato do MDB recebeu 24.292 votos (https://paraibaja.com.br/cicero-lucena-conquistou-quatro-das-cinco-zonas-eleitorais-em-joao-pessoa/). Uma demonstração explícita da insatisfação popular com o processo eleitoral. As abstenções superaram os votos dados a um candidato e se aproximaram - e muito - da quantidade dada ao candidato vencedor na citada zona eleitoral.

O número mais significativo desta eleição em João Pessoa surgiu no resultado final do processo, quando Cícero Lucena (PP) foi anunciado o novo prefeito da cidade. Cícero foi eleito com exatos 185.055 votos (53,16% dos votos válidos). Porém, teve uma votação menor do que quando foi reeleito prefeito da capital paraibana em 2000. Naquela ocasião, Cícero Lucena era candidato pelo PMDB, disputou a eleição contra o candidato do PT, Luiz Couto, e venceu o processo em 1º turno com 193.156 votos. Isso num universo eleitoral total de 343.326 pessoas em João Pessoa naquele ano, bem inferior ao registrado neste ano, que foi de 522.269 eleitores/as aptos/as a votar nas últimas eleições.

Estes números só reforçam aquilo que estamos afirmando há tempos: a indignação de nosso povo com o sistema político que vivenciamos cotidianamente. Além disso, estamos comprovando cada vez mais que, se o voto não fosse obrigatório, estes números seriam ainda maiores do que já foram e a crise política seria ainda maior.

Isso faz com que a esquerda socialista e revolucionária de nosso país repense urgentemente suas táticas e estratégias no próximo período junto à classe trabalhadora, aprofundando e/ou modificando algumas elaborações que estão em curso ou construindo novas políticas com e para a classe e os explorados do capital!!!

Os números da vitória eleitoral e política de Cícero Lucena mostram que seu futuro governo não será um "mar de rosas". De cara, ele já construiu uma "oposição de direita", caracterizado na figura de Nilvan Ferreira e no MDB; há também o setor da esquerda, seja a "esquerda oficial", seja a esquerda socialista e revolucionária que, apesar de fragilizada, possuem uma base social que, de acordo com a evolução da conjuntura nacional e local, podem provocar problemas na gestão do PP. Assim, podemos sugerir que o governo Cícero Lucena será um governo de conflitos, à direita e à esquerda. A evolução da conjuntura (local e nacional) dirá como isso se resolverá!!! 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Algumas considerações sobre as eleições 2020





Passadas as eleições municipais 2020, curadas as feridas e terminada a ressaca eleitoral, é hora de começar a fazer as avaliações eleitorais. Evidente que cada pessoa, grupo, setor e partido político têm suas avaliações e considerações acerca do processo eleitoral que acabou de encerrar, de acordo com suas linhas teóricas e orientações político-programáticas que tomaram antes e durante o processo eleitoral que vivenciamos. Assim, pode-se concordar ou discordar dessas avaliações, mas entendendo que estas obedecem a tais premissas que acabamos de enunciar. Sem descambar para os fanatismos!!! 

Faremos, posteriormente, um balanço das eleições municipais em João Pessoa, que acarretou na vitória de Cícero Lucena (PP), fazendo com que este passe a governar a capital paraibana pela 3ª vez a partir de janeiro de 2021. Sobre isto, dedicaremos um artigo próprio.

A grande imprensa nacional destaca que as eleições municipais de 2020 revelaram que os partidos de centro-direita tiveram uma vitória expressiva em todo o país, ao mesmo tempo que a "esquerda oficial" sofreu uma derrota eleitoral de grande monta, igual aos partidos da base do governo Bolsonaro ou apoiados por este, seja no 1º ou no 2º turno.

O resultado das eleições demonstram que os partidos que compõem o "Centrão" - base política que apoia o governo Bolsonaro no Congresso Nacional - administrará 45% das cidades brasileiras, governando para cerca de 73 milhões de pessoas em todo o país. Dos 11 partidos que fazem parte do "Centrão", apenas PP, PL e PSD vão comandar 1.685 municípios em todo o país. Na Paraíba, por exemplo, PP e PSD administrarão João Pessoa e Campina Grande, respectivamente. 

Para se ter uma ideia da força política conquistada pela centro-direita nestas eleições municipais 2020, os 5 primeiros partidos que mais conquistaram prefeituras em todo o país, segundo dados do TSE, pertencem a este grupo político, pela ordem: MDB, PP, PSDB, PSD e DEM. Quando vamos para as capitais, o MDB conseguiu 5 capitais, DEM e PSDB ficaram com 4 cada um e o PP conquistou 2 prefeituras. Lembrando que as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo - duas das mais importantes do país - ficaram com o DEM  e o PSDB, respectivamente.

Paralelo a isto, a "esquerda oficial" vive um dilema. O PT sofreu uma dura derrota nestas eleições. Encolheu seu tamanho eleitoral (tinha 254 prefeituras em 2016 e agora, depois das eleições 2020, passou a ter 183) e, pela primeira vez, depois da redemocratização iniciada em 1985, não governará nenhuma capital brasileira. Por outro lado, outros partidos desta "esquerda oficial" tiveram um desempenho superior ao do PT, como o PSOL, que reelegeu Edmilson Soares em Belém do Pará e levou Guilherme Boulos ao 2º turno em São Paulo contra Bruno Covas, superando o candidato de Bolsonaro - Russomano (Republicanos) e Tatto (PT) -, dentre outros. Além de Manuela D'Ávila (PCdoB) que, em Porto Alegre, também foi ao 2º turno e fez uma disputa pra valer com o vitorioso Sebastião Melo, do MDB, na capital gaúcha. A exceção petista foi em Recife, com a herdeira política e familiar de Arraes, Marília Arraes, que perdeu a disputa para seu primo, o também bisneto de Miguel Arraes, João Campos (PSB).

Esse dilema da "esquerda oficial" provoca dois debates dentro e fora dela. Primeiro, fortalece a ideia da construção da "Frente Ampla" para as eleições gerais de 2022. Neste sentido, uma chapa começa a ser construída desde já: Boulos/Manuela ou Manuela/Boulos. Em minha humilde avaliação, com o fracasso eleitoral demonstrado pelo governador Flávio Dino (PCdoB/MA) nestas eleições, seu projeto eleitoral em 2022 está seriamente comprometido em terras maranhenses. Pensar em voos maiores, neste momento, é algo muito impensável.....

Em segundo lugar, tal debate reverberará nos movimentos sociais e, consequentemente, nas lutas que continuarão a ocorrer no próximo período. E aí a pergunta que não quer calar: como esta "esquerda oficial" se comportará diante disso e como levará a classe trabalhadora brasileira a se comportar diante de tudo isso??? Levará a classe a se levantar contra os ataques que o governo Bolsonaro continuará a fazer contra os trabalhadores e o povo ou acomodará tudo isso até as eleições 2022, canalizando tais insatisfações até as urnas eleitorais???

Um outro dado das eleições municipais 2020 que não pode ser deixado de lado é acerca do elevado número de abstenção registrado no pleito deste ano. Segundo o TSE, divulgado pela mídia, a média nacional de abstenção nas eleições em todo o país  foi de 29,43%, superior à média registrada no 1º turno, que foi de 23,14%. Sem falar em o 2º turno de eleições anteriores, como 2016 e 2012 - média de 21,55% e 19,12%, respectivamente - (https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2020/noticia/2020/11/30/as-eleicoes-de-2020-em-numeros.ghtml).

Quando observamos estes números por região, somados aos de votos em branco + nulos, percebemos haver um soma considerável em todo o país uma parcela substancial do povo brasileiro que não acredita mais na forma política que existe em nosso país e que, com isso, passa um recado claro sobretudo às forças efetivamente comprometidas com as lutas da classe trabalhadora e explorada do capital em nosso país. E que é preciso aprender com este recado e partir para a ofensiva junto com a classe para iniciar uma mudança real!!! 


domingo, 22 de novembro de 2020

Mais do mesmo em João Pessoa. Ou o sujo falando do mal lavado!!!









A campanha do 2º turno chega à sua metade em João Pessoa tendo ocorrido dois debates televisivos e, neste contexto, nenhuma surpresa a quem acompanha com razoável atenção os movimentos dos candidatos que chegaram a esta etapa da eleição na capital paraibana. 

No debate realizado neste sábado, 21 de novembro, promovido pela TV Correio, afiliada da Record em João Pessoa, assistiu-se a tudo envolvendo os candidatos à PMJP a partir de 1º de janeiro de 2021, menos propostas que definitivamente irão alterar para melhor a vida dos mais de 800 mil habitantes da "Cidade das Acácias". O que se viu no debate acima citado foi um um festival de provocações e acusações trocadas entre Cícero Lucena (PP) e Nilvan Ferreira (MDB).

Provocações e acusações como sonegação, falsificação, recebimento de pensão vitalícia de ex-governador, prática de racismo por candidato, manipulação de opinião pública, tudo isso foram pontos utilizados pelos candidatos ao Paço Municipal de nossa capital para intimidar e acuar o outro candidato no debate da TV Correio. Propostas concretas, efetivas, que resultem em melhoria de vida para o povo pobre, trabalhador e decente de João Pessoa não foram colocadas em questão em nenhum momento que os dois tiveram à disposição para isto. Infelizmente!!!

Tal postura não se trata de novidade, haja visto que tanto Cícero quanto Nilvan representam interesses semelhantes de um mesmo setor da sociedade pessoense e paraibana, quiçá brasileira. Ambos fazem parte da elite política e econômica que está no comando do nosso país há algum tempo, mais especificamente desde o governo Temer (MDB), passando agora pelo governo Bolsonaro (sem partido), tendo por trás os grandes empresários e banqueiros a darem suporte às "reformas" que vêm sendo implantadas em nosso país que, apesar de seu discurso, colocam o país (e especialmente a classe trabalhadora) no mais profundo retrocesso ao retirar direitos históricos e implementar a precarização no processo de trabalho no Brasil cada vez mais. Taí a lei de terceirização, as "reformas" da Previdência e Trabalhista aprovadas, sem falar na implantação do trabalho intermitente, dentre outras coisas. Tudo com aprovação de atores políticos pertencentes a partidos como PP e MDB, partidos de Cícero e Nilvan, por acaso. Coincidência??? Aí vai outra coincidência para vocês. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro e o senador Zé Maranhão, ambos da Paraíba, são dos partidos citados (PP e MDB, respectivamente) e votaram a favor de todos esses ataques aos trabalhadores citados anteriormente.

Assim, não nos espanta, de forma alguma, que o debate da TV Correio não tenha apresentado propostas para a melhoria de vida dos trabalhadores. Esta não é a intenção das referidas candidaturas. Estas estão - sempre estiveram - a serviço do capital e de seus donos e assim estarão até o final de seus dias, caso um destes sejam eleitos em 29 de novembro próximo. Como já afirmamos, insistimos em reafirmar: mais uma vez, desde já,  os/as trabalhadores/as são os/as principais derrotados/as!!!


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

"Esquerda oficial" de João Pessoa coloca trabalhadores entre a forca e a guilhotina no 2º turno!!!





A imagem que ilustra este artigo não relaciona por acaso Cícero Lucena (PP) à forca e Nilvan Ferreira (MDB) à guilhotina. Faz isso por conta da diferença de idade entre os dois candidatos, da mesma maneira que existe entre os dois instrumentos que servem para ceifar vidas de pessoas ao longo da História. E essa figura de linguagem que usamos, através dessa imagem, serve para exemplificar o que setores da "esquerda oficial" da cidade de João Pessoa estão fazendo com a classe trabalhadora da capital paraibana, bem como com sua juventude explorada e oprimida, sem falar no povo pobre que vive na cidade e suas várias representações sociais que habitam os bairros e comunidades da "Cidade das Acácias", quando colocam para todos/as a "opção" entre votar de forma crítica em Cícero Lucena ou se manter "neutro" neste 2º turno eleitoral.

Neste artigo, nos concentraremos a analisar as posturas dos partidos da "esquerda oficial", pois são estas forças políticas que atuam no interior de nossa classe e que, por conta disso, exercem influência nos destinos do movimento da classe trabalhadora em nossa cidade, Estado e país. 

O PCdoB foi um dos primeiros partidos a tomar uma postura no 2º turno em João Pessoa. Reuniu suas principais lideranças no Estado e em João Pessoa e, reunido com o candidato Cícero Lucena, anunciou seu apoio ao candidato "progressista", sob o argumento de que "não devemos correr o risco de entrar em aventuras", segundo o presidente municipal do partido, Jonildo Cavalcanti, além de que (segundo nota do partido), é preciso combater fortemente "o candidato opositor que representa o Bolsonarismo e os grupos da política de retrocesso na capital e no estado" (https://parlamentopb.com.br/pcdob-anuncia-apoio-a-cicero-lucena/).

O PDT é outro partido da "esquerda oficial" que também declarou apoio a Cícero Lucena, seguindo os passos de seu fiel aliado no governo estadual paraibano, João Azevedo (Cidadania), que já apoia o PP desde o 1º turno. Segundo o PDT, o apoio a Cícero deve-se ao fato deste ter "capacidade para gerir o futuro da cidade neste momento crítico que passamos, nesta pandemia" (https://parlamentopb.com.br/damiao-feliciano-adere-a-cicero-lucena/).

A Rede Sustentabilidade, que lançou o candidato Carlos Monteiro, também decidiu pelo apoio à Cícero Lucena. Este apoio se deu, segundo o partido, para haver "uma valorização do serviço público" em João Pessoa, coisa que a Rede acredita que o candidato "progressista irá fazer.

O PT, em reunião da Executiva Municipal do partido, seguiu a linha política do PCdoB, decidindo pelo "voto critico" a Cícero Lucena para combater "a política de ódio representada por Bolsonaro e seu candidato em João Pessoa. Nenhum voto em Nilvan Ferreira", afirma a nota do partido.

Posturas diferentes foram tomadas por PSB e PSOL. Ambos os partidos decidiram manter-se "neutros" na disputa eleitoral do 2º turno em João Pessoa, como se isso fosse possível.

As posturas adotadas pelos vários partidos da "esquerda oficial" em João Pessoa mostram que todos, sem distinção, pensam única e exclusivamente, apenas em seus próprios interesses e não estão nem um pouco interessados no destino dos/as trabalhadores/as e do povo pobre da cidade de João Pessoa.

Se estivessem interessados nisso, deveriam chamar esta parcela majoritária da população pessoense a se organizar no seu sindicato, na sua associação de moradores, no seu grêmio estudantil, ou qualquer outra forma de organização, e construir uma alternativa de luta da classe trabalhadora do povo pessoense, contra a situação que existe atualmente, e chamar o VOTO NULO no próximo dia 29/11, contra as alternativas eleitoreiras representadas por Cícero Lucena (PP) e Nilvan Ferreira (MDB), que serão a partir de janeiro de 2021 os próximos algozes do povo pessoense pelos próximos 4 anos.

Assim, o que PT, PCdoB, PDT, REDE, PSOL e PSB estão fazendo com a classe trabalhadora pessoense e com os explorados/as da cidade é dando a "opção" da forca e da guilhotina para que todos/as possam, se quiserem, escolherem a "boa morte".

Ninguém merece isso. Ao contrário, merecemos um futuro melhor, aonde possamos construir uma sociedade governada pelos trabalhadores, socialista, com apoio dos Conselhos Populares. Vamos construir, desde já, este projeto!!!   

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

PSOL/Freixo e PT/RJ decidem optar por apoio a Eduardo Paes (DEM) no 2º turno carioca para "derrotar" Crivella. Durma com uma zoada dessas.....





Estávamos prontos para fazer um artigo sobre os resultados do 1º turno da eleição neste domingo, 15 de novembro, e darmos nossas primeiras impressões acerca disso. Mas, em virtude dessas posições que vem do Rio de Janeiro, expressadas pela direção do PT/RJ e pela principal figura política do PSOL daquela cidade, o deputado federal Marcelo Freixo, decidimos tecer algumas considerações sobre isso. Posteriormente, abordaremos nossas impressões sobre as eleições de domingo, bem como o que ocorreu em João Pessoa e outras cidades da Paraíba.

Primeiro, afirmar que as afirmações do PT/RJ e de Freixo surpreendem pela rapidez com que foram veiculadas, mas não pelo seu teor. Isso porque a razão pela qual cada um destes setores expõem o motivo pelo "voto crítico" em Eduardo Paes e no DEM no 2º turno da eleição na "Cidade Maravilhosa" no próximo dia 29 de novembro já foi amplamente divulgada ao longo do processo eleitoral antes mesmo deste começar, como uma defesa da construção da "Frente Ampla". E, com certeza, será ainda mais defendida para a construção de tal frente em 2022: a necessidade de derrotar o "bolsonarismo" - leia-se a "extrema-direita" no país, representada pelo governo Bolsonaro, a começar pelo seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro.

Que é preciso derrotar o presidente Bolsonaro e seus aliados nos Estados e Municípios, temos pleno acordo com esta tese. Porém, discordamos que isto se dê aproveitando o período eleitoral como principal ponto de apoio para isto, rejeitando o terreno das lutas para se fazer isto. Tomemos como exemplo a recente greve dos trabalhadores dos Correios. Uma greve heroica, em que pese a disposição de luta da categoria, pouco se observou a movimentação de setores da classe trabalhadora para acompanhar e apoiar esta categoria no enfrentamento contra o governo Bolsonaro, fazendo com que demais setores da classe se alinhassem com os ecetistas para que estes pudessem ter uma efetiva vitória na sua greve. E isso vem se notando em outras categorias e lutas em todo o país, infelizmente. Muitos partidos que se reivindicam defensores da classe trabalhadora priorizam o terreno eleitoral ás custas da luta da classe, buscando nestas apenas um trampolim para alcançar seus objetivos eleitoreiros.

Voltemos ao debate inicial do artigo. A postura do PT/RJ  e de Freixo em apoiarem Eduardo Paes, mesmo que criticamente no 2º turno, possuem esta explicação dada acima como "pano de fundo" principal para sua definição - a luta contra o "bolsonarismo" -, mas não deixa de ser um contrassenso quando olhamos a realidade dos fatos apresentados por estas mesmas organizações bem recentemente, quando analisamos o tal "enfrentamento" à extrema-direita no país, inclusive no terreno eleitoral.

Antes de mais nada, vamos verificar o que cada um (PT/RJ  e Freixo) dizem sobre seus apoios.

O PT/RJ afirma, em nota da direção municipal do partido, que Eduardo Paes "se encontra em um campo político distante" das bandeiras que o partido defende, mas que é preciso "virar a página" da administração atual, comandada por Crivella (Republicanos). Afirma ainda que não quer nenhuma contrapartida de Paes, caso este seja eleito, e cobrará "a manutenção de seu compromisso com uma agenda democrática e que atenda as demandas mais sentidas para recuperação de qualidade de vida dos cariocas" (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2020/noticia/2020/11/17/pt-do-rio-se-manifesta-por-voto-contra-crivella-em-2o-turno-com-paes.ghtml). Em bom português, o PT/RJ espera que a bruxa má da Branca de Neve a salve do caçador e que o povo do Rio de Janeiro, assim como o de todo o Brasil, sofra de APP (Amnésia Política Proposital) e "esqueça" que foi o PT, com Lula e Dilma, como carros-chefe na campanha eleitoral de 2014, que fizeram surgir na cena política carioca um "cidadão" chamado Marcelo Crivella, na época do PRB, candidato ao Senado na oportunidade, numa aliança que envolvia (além do do PT e PRB), o PMDB do candidato à reeleição ao governo do Estado, o hoje presidiário Sérgio Cabral. Todos foram eleitos, na ocasião.

Marcelo Freixo (PSOL/RJ) também tem esse mesmo desejo que o PT/RJ em relação à APP e declarou à imprensa sobre seu "voto crítico" à Paes que "o Rio tem que derrotar Crivella" (https://diariodorio.com/freixo-defende-voto-critico-em-eduardo-paes-o-rio-tem-que-derrotar-crivella/). No caso de Freixo, isso tem a ver com a posição que o PSOL assumiu com os resultados eleitorais obtidos pelo partido a partir de 15/11. As urnas revelaram que o partido passou a possuir uma postura de protagonista dentro da "esquerda oficial", chegando a rivalizar com o PT na condição de assumir a cabeça desta "esquerda" para 2022. Não à toa, Boulos está no 2º turno em São Paulo, "abençoado" por Lula já na manhã do domingo, 15/11. Freixo, com esta postura, revela algo que já vinha se gestando no interior do PSOL, além de clarificar uma posição típica dele própria.

Mas, há outros fatores que servem para justificar a postura do PT/RJ e de Freixo expressadas neste assunto. No início de outubro próximo passado, o site "Esquerda Diário" publicou três matérias, através de dados extraídos do TSE, que revelavam bem  a contradição entre a teoria e a prática de PT, PCdoB e PSOL no tocante ao combate à extrema-direita no país, em especial ao "bolsonarismo", especialmente no período eleitoral.

"Esquerda Diário" revelou, em 1º/10 que o PT coligou-se em 140 cidades com o PSL, além de se aliar em tantas outras no país com partidos da base do governo Bolsonaro, como PP, DEM, PSDB, MDB, PSC, PRTB, dentre outros; revelou também que o fiel escudeiro do PT, o PCdoB, fez igual movimento, se aliando ao PSL em 70 cidades em todo o país, mas sem deixar de se aliar com outros partidos da direita e extrema-direita, como PSD, MDB, DEM, PSDB, Republicanos, PTB, Podemos, PSC, Patriotas, dentre outros. Por fim, esta degeneração política também atingiu o PSOL que, segundo o site acima citado, aliou-se em várias cidades no país com PSDB, MDB, DEM, PSC, Podemos, PP, PMN, PRTB, DC, dentre outros. Na Paraíba, aliou-se na cidade de Campina Grande ao PSB, do ex-governador Ricardo Coutinho, acusado pelo Ministério Público Estadual e pelo Gaeco de chefiar uma "organização criminosa" que teria desviado milhões de reais da saúde pública estadual, a partir do Hospital de Trauma em João Pessoa.

Portanto, os discursos feitos por PT/RJ  e Freixo (PSOL/RJ) estão diretamente relacionados à postura parlamentar que estes partidos possuem no cenário nacional, aonde precisam se apresentar ao povo e, em especial, à burguesia brasileira e internacional como "responsáveis", pois só assim conseguirão - quem sabe - reconquistar o Palácio do Planalto algum dia, nas graças do capital.