Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Um ano da tragédia no "Ninho do Urubu": SOLIDARIEDADE às famílias dos "meninos do Ninho" e REPÚDIO à atitude desprezível da direção do Flamengo





Em 8 de fevereiro de 2019, ocorreu uma das maiores tragédias do esporte brasileiro (senão a maior) e do Clube de Regatas do Flamengo: um incêndio de grandes proporções tomou conta dos contêineres que serviam de alojamento para os garotos das divisões de base do Flamengo, no CT Ninho do Urubu. Segundo o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, "o incêndio começou num curto-circuito do ar condicionado de um dos quartos e que o fogo se alastrou rapidamente por causa do material que reveste as paredes dos contêineres" (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/05/08/incendio-no-ct-do-flamengo-comecou-em-curto-no-ar-condicionado-e-se-alastrou-devido-a-material-do-conteiner-aponta-laudo.ghtml).
Nesta tragédia, 10 jovens morreram e três ficaram feridos. Arthur Vinícius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo,Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaias eram os "meninos do Ninho". Passado um ano desse lamentável episódio, a direção do Flamengo ainda não se entendeu com a maioria das famílias dos jovens que perderam suas vidas neste sinistro e sequer existe uma previsão para o desfecho dessa triste "novela". Recentemente, em depoimentos ocorridos numa sessão de uma CPI sobre o caso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, dirigentes e ex-dirigentes do Flamengo deram depoimentos evasivos e pouco convincentes, no sentido de darem um desfecho nesse terrível caso, que mancha de sangue a história centenária do Flamengo. Mas, ao contrário de suas declarações à imprensa, isso parece pouco importar a esses dirigentes rubro-negros. Enquanto isso, pais, mães, irmãos e irmãs, dentre outros familiares sofrem com tudo isso.
O mais deplorável de tudo isso é perceber que a direção do Clube de Regatas do Flamengo parece estar muito mais preocupada com a preservação e manutenção do plantel de sua equipe de futebol (sobretudo) do que com o bem estar dessas famílias destroçadas pela irresponsabilidade da administração central de um clube, que demonstrou pouco interesse com a vida de suas divisões de base, pois as 31 multas recebidas por esta da Prefeitura do Rio atestando as diversas irregularidades do CT Ninho do Urubu comprovaram a pouca ou nenhuma viabilidade daquelas instalações para funcionar como alojamento. inclusive, verificou-se no decorrer das investigações que aquele local aonde os contêineres estavam localizados como alojamento constavam na Prefeitura como estacionamento. Mas, é preciso afirmar também que a irresponsabilidade também é da Prefeitura do Rio. Como se multa 31 vezes um mesmo local e, em nenhum momento, decide-se pela interdição deste???
Um simples cálculo revela a pouquíssima preocupação da direção do Flamengo com as famílias dos "meninos do Ninho"e, ao mesmo tempo, constata-se o mesmo empenho desta em garantir o atual elenco. Vamos aos números.
Para contratar em definitivo o atacante Gabigol, o Flamengo pagou R$ 78 milhões por um contrato de 5 anos com o atleta.
Na negociação da direção rubro-negra com as famílias dos jovens  de base, o MP sugeriu que esta pagasse uma indenização de R$ 2 milhões a cada uma das famílias + R$ 10 mil/mês até que cada atleta completasse 45 anos.
Assim, fazendo as contas, chegamos à conclusão que, segundo esta proposta do MP fluminense, o Flamengo desembolsaria R$ 20 milhões (de imediato) para pagamento de indenizações a cada uma das 10 famílias dos "meninos do Ninho", além de R$ 432 milhões durante 30 anos a cada uma destas, caso começasse a pagar mensalmente a quantia referida anteriormente.
Tudo isso é resultado de uma proposta do MP fluminense. Sobre isso, existem dois problemas, a saber: 1) a contraproposta do Flamengo é muito baixa e não reapresenta uma outra; 2) 3 famílias e o pai de um dos "meninos do Ninho" já aceitaram a proposta do Flamengo, o que faz a direção do clube a não reapresentar uma outra proposta e acaba prejudicando o andamento da negociação e, assim, as demais famílias. Lamentável!!!
Como podemos perceber, esta é uma "novela" que tende a ter muitos capítulos.........

Em tempo: quem vos fala é um torcedor rubro-negro que deseja JUSTIÇA!!!

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Mais lenha na fogueira: o pedido de impeachment de João Azevedo e a conjuntura política estadual




Há um dito popular, de vários anos, que circula entre o povo e no meio político em especial, que a "política é dinâmica". Na verdade, a realidade é que é dinâmica e, por conta disso, a política procura se adaptar a ela, tentando acompanhá-la. Assim, seus atores/atrizes e partidos se movimentam o tempo inteiro nessa busca incessante da tão falada dinâmica.
Para comprovar este dito popular, neste dia 08/02, escrevi e publiquei neste blog e em minhas redes sociais um artigo intitulado "O PT, sua posição política diante do governo João Azevedo, a "Reforma da Previdência Estadual" e os reflexos disso diante da conjuntura", aonde dissertava acerca da posição vacilante que este partido possui, até o momento, sobre sua participação (ou não) no atual governo paraibano.
Pois bem. Para amplificar este quadro do PT/PB e de seus satélites (e, consequentemente), de quem vive flutuando entre estes, vivemos mais um  momento importante da conjuntura estadual, que nos leva a fazermos mais algumas reflexões.
Em 20 de janeiro deste ano, também neste blog e em minhas redes sociais, fiz um artigo com o sugestivo título: "Quando João renunciará???" Fiz isso devido às suspeitas que envolviam (e, de certa forma) ainda envolvem o governador por conta da "Operação Calvário - Juízo Final", desencadeada em 17 de dezembro do ano passado, que levaram agentes do Gaeco e da PF a efetuarem um mandado de busca e apreensão nas dependências do Palácio da Redenção, nas primeiras horas da manhã daquele dia. Além disso, as pedras do asfalto que vão de João Pessoa a Cajazeiras sabem que o esquema criminoso delatado por Livânia Farias, Daniel Gomes, dentre outros, beneficiou politicamente o então candidato nas eleições de 2018, tornando-o governador do Estado.
Pois bem. Na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa da Paraíba, o deputado bolsonarista (que não esconde isso de ninguém), Walber Virgulino (Patriotas), apresentou e protocolou um pedido de impeachment do governador João Azevedo (Cidadania), aonde segundo o parlamentar, o pedido se justificaria por conta dos "crimes desvelados dentro do processo da Operação Calvário, que resultou na prisão de ex-secretários da gestão de João Azevêdo e também do ex-governador Ricardo Coutinho" (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2020/02/05/deputado-protocola-pedido-de-impeachment-de-governador-e-vice-governadora-da-paraiba.ghtml). Ainda segundo o pedido do deputado Walber Virgulino, "não pode haver dúvida de que a chapa eleitoral formada pelo sr. governador e sua vice sagrou-se vitoriosa através de uma eleição fraudada pelo uso escancarado da corrupção do governo que lhe dava sustentação, do qual ambos participaram como integrantes" (idem).
O governador João Azevedo, presente na retomada dos trabalhos da Assembleia nesta oportunidade, encarou com aparente tranquilidade esta atitude por parte do deputado e disse que "encara o registro do pedido de impeachment com naturalidade de qualquer processo democrático" (ibidem).
Tal questão colocou lenha na fogueira na já conturbada conjuntura política estadual. Não custa lembrar que esta já está devidamente tumultuada por conta da "Operação Calvário" e seus desdobramentos desde então no cenário político. Já causou até a suspensão da tramitação da "Reforma da Previdência Estadual" na Assembleia Legislativa, por parte do governo. Agora, vem mais esta "novidade", vinda não apenas do deputado já citado, mas de mais 11, que assinaram com ele tal protocolo de impeachment do governador. João Azevedo diz encarar tal fato com naturalidade, mas todos/as sabem que é só da boca pra fora. Ainda tem a indefinição do PT diante do governo. Hajam problemas para o Palácio da Redenção...........
Após este pedido de impeachment na Assembleia, o deputado federal, Damião Feliciano (PDT), veio em socorro do governador João Azevedo e declarou aos quatro cantos: "está tendo um golpe na PB", referindo-se ao fato citado e, com isso, atacando diretamente o deputado estadual Adriano Galdino (PSB), presidente da Assembleia Legislativa paraibana que teria dado encaminhamento ao pedido feito pelo seu colega Walber Virgulino, em vez de arquivá-lo, como gostaria o deputado federal pedetista. Vale lembrar a todos/as que Damião Feliciano não prestou socorro apenas ao governador, mas também à sua vice, Lígia Feliciano (também do PDT), que por uma dessas "coincidências da vida", vem a ser a esposa do nobre deputado. Que coisa, não???
Após esta declaração de Damião Feliciano, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, rebateu a mesma, afirmando que "recebeu com estranheza as declarações do deputado federal Damião Feliciano" e que "é prerrogativa de qualquer parlamentar apresentar requerimentos e projetos de Lei, desde que observados todos os pré-requisitos regimentais, não podendo essa prerrogativa ser tolhida em qualquer hipótese". (https://paraibaonline.com.br/2020/02/presidente-da-alpb-rebate-acusacoes-de-damiao-feliciano/) Por fim, ainda na mesma matéria, Adriano Galdino afirma que "por se tratar de matéria inédita na Casa Epitácio Pessoa e que envolve preceitos jurídicos, assim como em outros casos semelhantes, decidiu encaminhar o requerimento para a Procuradoria Jurídica da Casa, para que todos os requisitos jurídicos e legislativos fossem verificados pelo setor competente".
Percebe-se o tumulto político criado nesta conjuntura a partir deste pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa, na última quarta-feira, 05/02. Para acentuar ainda mais este cenário tumultuado, vários portais de notícias locais registraram, neste sábado (08/02/2020), uma nota de solidariedade ao governador João Azevedo (Cidadania) e sua vice, Lígia Feliciano (PDT), claramente articulada pelo deputado federal Damião Feliciano (PDT) e que, em certo ponto desta nota, chega a afirmar que tal "solidariedade" se deve ao fato do atual governo ter colocado a Paraíba num de seus "melhores momentos administrativos, com uma gestão fiscal rigorosa, equilíbrio absoluto nas contas públicas reconhecido pelo Tesouro Nacional, pagamento em dia de seus funcionários e fornecedores e, ainda, permitindo que, ao contrário da grande maioria dos estados brasileiros e do próprio Governo Federal, conceda aumento salarial aos servidores públicos acima da inflação" (https://parlamentopb.com.br/doze-partidos-divulgam-nota-de-solidariedade-a-joao-azevedo-e-ligia-feliciano/). A referida nota ainda afirma que tudo isso faz com que haja "atração de novos investimentos privados, além do próprio Governo realizando centenas de obras no estado que geram desenvolvimento com inclusão social distribuído por todas as regiões do território paraibano". Por fim, esta conclui afirmando que, após tudo isso, cabe fazer a seguinte pergunta: "a quem interessa e porque interromper a normalidade democrática e gerar um clima de profunda instabilidade política e social no Estado da Paraíba?" 
Nada disso é surpreendente para nós, partindo de onde está partindo. Porém, na citada nota acima reproduzida, dos doze partidos que assinam, dois particularmente chamam nossa atenção. Ao lado de PDT, DEM, Cidadania, Podemos, Avante, Republicanos, dentre outros, constam as assinaturas do PT e PCdoB. Esses são os partidos que dizem que estão na luta contra a "Reforma da Previdência Estadual" do governo João Azevedo que, por sua vez, garantiu ao PT em reunião que continuaria com sua agenda "progressista", que o levou ao Palácio da Redenção, em 2018. 
A pergunta que não quer calar: dá pra confiar em alguém???

sábado, 8 de fevereiro de 2020

O PT, sua posição política diante do governo João Azevedo, a "Reforma da Previdência Estadual" e os reflexos disso na conjuntura!!!







Na sexta-feira, 31 de janeiro do corrente ano, os vários portais de notícias de nosso Estado e nossa imprensa em geral, repercutiram a filiação do governador João Azevedo a seu novo partido, o Cidadania, antigo PPS. Em uma carta em que anuncia, ao mesmo tempo, o rompimento com seu antigo partido, o PSB, e a entrada no Cidadania, João Azevedo afirma que não havia mais espaço democrático em seu antigo partido e que vinha sofrendo ataques e sabotagens deste em seu governo, desde o início de sua gestão e que encontrou, na nova legenda, não apenas este espaço democrático, como também um partido que possui o "pluralismo de ideias, a independência e o respeito entre os poderes; que professe a liberdade de imprensa e de religião, o estado laico, o multiculturalismo, o desenvolvimento sustentável, a globalização e a inclusão social com desenvolvimento; a defesa das causas ambientais, o direito das minorias e o respeito ás famílias; a diversidade, o empreendedorismo e o Estado para corrigir as desigualdades e também como indutor da economia; os valores cristãos, sem usar em vão o nome de Deus em atividade política; e, por fim, a harmonia, o diálogo e a paz social entre nós cidadãos" (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2020/01/31/governador-da-paraiba-joao-azevedo-se-filia-ao-partido-cidadania.ghtml).
Na segunda-feira, 03 de fevereiro, a direção do PT/PB reuniu-se com o governador João Azevedo para discutir com este acerca de sua filiação a seu novo partido, visto que o Cidadania é um partido de centro-direita e, no cenário nacional, vem se alinhando há muito tempo, com o PSDB e, recentemente, com o governo Bolsonaro em matérias importantes para este e nocivas para os trabalhadores, como as "Reformas" Trabalhista (ainda no governo Temer, mas com o voto de Bolsonaro) e "Previdenciária". Sem falar que o PT/PB não apenas apoia o governo João Azevedo, mas participa deste, pois tem um secretário de Estado em seu interior, o ex-deputado federal Luiz Couto, secretário da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba.
Nesta reunião, o governador João Azevedo (Cidadania) reafirmou uma "agenda progressista", segundo matéria do site ClickPB. Participaram deste encontro, pelo PT/PB, o presidente estadual do partido, Jackson Macedo, Luiz Couto, Giucélia Figueiredo, Anísio Maia e o vereador da capital, Marcos Henrique. Apesar da "garantia" dada pelo governador, a direção do PT/PB saiu da reunião reafirmando que iria debater melhor o assunto e definir uma posição numa reunião do diretório estadual na sexta-feira, 07 de fevereiro do corrente ano.
Porém, na sexta-feira 07/02/2020 definida pela direção estadual do PT/PB para decidir, definitivamente sua posição acerca do governo João Azevedo, se permaneceria apoiando-o ou não, eis que, por volta das 13h desta data a direção do partido comunicou que, por conta de um entendimento havido entre as direções estadual e nacional, decidiu-se desmarcar a reunião de ontem e discutir melhor o assunto com a direção nacional, em especial com a deputada federal, Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda, haja visto que esta tem interesse em participar deste debate.
Segundo esta, "Em entrevista concedida à imprensa da capital, Gleisi Hoffmann fez diversas ponderações e deixou claro que não é a favor da continuidade (do apoio ao governo, grifo nosso). Primeiro por conta do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), que é considerado pela cúpula nacional, apesar de ter sido preso pela Operação Calvário, um grande aliado do partido" (https://paraibaonline.com.br/2020/02/presidente-nacional-do-pt-pondera-sobre-apoio-ao-governo-de-azevedo/). Depois, na mesma matéria, ela faz vários ataques ao governador João Azevedo e ao Cidadania, além de outros elogios ao ex-governador Ricardo Coutinho. E completa: ".. as alianças políticas sólidas se constroem ao longo do tempo na luta e na defesa das mesmas causas que acreditam e que hoje eles têm um bom diálogo e atuação com o PSB em grande parte, pela construção que os aliados fizeram na Paraíba".
Isso, como disse, foi por volta das 13h desta sexta-feira, 07/02/2020. Depois, ainda no mesmo, por volta das 18h, o suplente de deputado estadual pelo PT/PB, Anísio Maia, declarou no mesmo portal de notícias que a presidente nacional de seu partido que "- Não quero dizer cantando vitória, que é deselegante, mas as pessoas que defendem continuar o apoio ao governo de João Azevedo, tenho certeza que hoje é uma maioria expressiva no partido. Tenho certeza, mas acho melhor não cantar bola - disse" (https://paraibaonline.com.br/2020/02/maioria-do-pt-defende-manutencao-de-apoio-ao-governo-diz-suplente/).
Quem estaria com a razão nesse debate interno no PT/PB??? A presidente nacional, que acompanha o debate mais amplo, ou Anísio Maia, que conhece o partido estadual mais de perto??? Será que a postura de Anísio Maia teria a ver com a orientação, ventilada pela imprensa paraibana alguns duas atrás, de que o governador João Azevedo deslocaria o deputado Júnior Araújo (Avante) para uma secretaria de Estado e, com isso, abriria uma vaga na Assembleia Legislativa justamente para o petista???
De todo modo, caso Anísio Maia ou Gleisi Hoffmann estejam certos em suas análises, isso trará uma repercussão imediata no desenrolar da luta da "Reforma da Previdência" Estadual que João Azevedo já encaminhou à Assembleia Legislativa, desde dezembro do ano passado.
Caso o PT decida por permanecer no governo e Anísio Maia assuma uma cadeira na Assembleia Legislativa, o cenário, com certeza, tenderá a mudar de figura. Alguns e algumas poderão afirmar que a permanência de Luiz Couto  como secretário de Estado, até agora, não influenciou a postura do PT e de seus satélites (como PCdoB, CUT, CTB, dentre outros) nesta luta em defesa dos direitos dos servidores estaduais. É verdade, mas é inegável que a presença de um parlamentar petista, além do reforço do apoio de um partido ao governo pode, substancialmente, mudar o panorama deste jogo político.
Contudo, é aguardar as cenas dos próximos capítulos. Tudo pode se esperar desta "novela petista". Inclusive nada!!!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Mais um aumento de passagem de ônibus em João Pessoa. E o salário.....





A semana começa em João Pessoa com uma notícia desastrosa para o povo pobre e trabalhador de João Pessoa: o Conselho de Mobilidade Urbana da SEMOB aprovou na última sexta-feira, 24 de janeiro do corrente ano, o reajuste das passagens de ônibus, que começou a vigorar à meia-noite desta segunda-feira, 27/01/2020. Agora, as passagens custam R$ 4 para quem usa o cartão Passe Legal (a maioria do povo) e R$ 4,15 (para quem paga em dinheiro). Um reajuste de 5,26% e 5,06% respectivamente, contra um reajuste de 4,70% no salário mínimo recentemente anunciado pelo governo Bolsonaro e de 4,31% no índice da inflação anual de 2019, medida pelo INPC. Assim é a vida da classe trabalhadora de nossa cidade, amargurada com mais um peso em seu minguado orçamento.
Com mais este reajuste das passagens de ônibus, por mês o/a trabalhador/a de João Pessoa irá consumir de seu salário cerca de 23% só com gastos em transporte. Sem falar em outras despesas, como alimentação, aluguel, educação, saúde e lazer, evidentemente, que a cada dia que passa, fica mais e mais restrito. Graças aos empresários do setor e à PMJP, que mantém com estes, há anos, uma "conivência criminosa" neste aspecto.
Isto se revela ainda mais com o argumento cínico revelado pelo superintende da SEMOB que, em entrevista a uma emissora local, afirmou que uma das razões do atual aumento se deve à baixa do número de passageiros nos ônibus da capital. Basta perguntar a qualquer trabalhador da cidade para verificar que isso trata-se de uma desculpa esfarrapada, usada pelos prepostos dos empresários para justificar mais uma abusivo aumento das passagens de ônibus em nossa capital. Isso tanto é verdade que, recentemente, em Fortaleza, cidade muito maior do que João Pessoa, a passagem dos ônibus de lá está congelada até novembro deste ano em R$ 3,60. A pergunta que não quer calar: porque lá pode e aqui não??? Além disso, a SEMOB e os empresários usam deste argumento falacioso da queda do número de passageiros para substituir o reajuste dos trabalhadores do setor, já que até agora não houve o dissídio da categoria, suspenso por conta da não realização das eleições do sindicato da categoria.
Isso mostra, mais uma vez, o poder que os empresários de ônibus têm sobre a PMJP e a necessidade que os trabalhadores e a juventude devem ter em se organizar para quebrar este monopólio existente na nossa cidade. Por isso, defendemos a estatização do sistema de transporte coletivo e a construção de um Conselho Popular para administrar o setor, formado pelos trabalhadores do setor e os usuários do sistema, pois estes são aqueles que efetivamente sabem dos reais problemas enfrentados e, consequentemente, das soluções que este pode vir a ter para todo o povo.

* NÃO AO AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS!!!
* PELO CONGELAMENTO IMEDIATO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS!!!
* PELA ESTATIZAÇÃO DOS TRANSPORTES COLETIVOS!!!
* PELA CONSTRUÇÃO DE UM CONSELHO POPULAR PARA ADMINISTRAR O SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO, FORMADO POR TRABALHADORES DO SETOR E USUÁRIOS DO SISTEMA!!! 

sábado, 25 de janeiro de 2020

Os lucros dos empresários de ônibus de João Pessoa e a conivência da PMJP





Os motoristas de ônibus de João Pessoa realizaram um protesto na capital paraibana em outubro do ano passado por conta de salários atrasados da categoria. O portal G1 PB, em sua matéria sobre esta atividade (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/10/21/motoristas-retomam-atividades-e-onibus-voltam-a-circular-em-joao-pessoa.ghtml), fez um diagnóstico sobre o transporte público de João Pessoa, aonde colocava que a cidade é abastecida com 475 ônibus, que transportam 175 mil passageiros por dia (à época). Pegando esses dados elencados pela matéria de 21 de outubro de 2019, um amigo meu fez as contas com o novo reajuste das passagens de ônibus feito pelo Conselho de Mobilidade Urbana, da SEMOB, e chegou a conclusões impressionantes acerca dos lucros líquidos dos empresários de ônibus da nossa capital. Apesar de toda chiadeira deste setor. Confiram.
Segundo esses cálculos, se temos 475 ônibus circulando transportando 170 mil passageiros por dia, a receita disso, diariamente a R$ 4,00 é igual a R$ 680 mil. Dividindo este total pelo número de ônibus, temos uma receita diária por ônibus de R$ 1.431,58. Multiplicando este valor por 30 dias (um mês), chegamos ao total de R$ 42.947,37, sendo esta a receita mensal de cada um dos 475 ônibus de nossa capital.
Tirando cerca de R$ 12 mil para pagar os trabalhadores, impostos e manutenção, os empresários ficam com um lucro líquido de R$ 25 a 30 mil por mês de cada ônibus. Por ano, cada ônibus dará um lucro líquido ao empresário entre R$ 300 a 360 mil.
Este é o setor que explora os trabalhadores, possui uma das piores frotas do país, oferecendo um dos piores serviços aos usuários mas, no entanto, mais "choram" por supostos prejuízos que enfrentam. Tudo isso contando com a conivência da PMJP ao longo dos anos, independente do partido que esteja no comando do órgão. 
Por isso, é preciso ser contra o aumento das passagens e, além disso, defender a estatização do sistema de transporte coletivo, com a implantação de um Conselho Popular formado por trabalhadores do setor e usuários administrando este sistema.








segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Quando João Azevedo renunciará???






Em 17 de dezembro do ano passado, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), órgão ligado à Procuradoria Geral do Estado da Paraíba, junto com a Polícia Federal, realizou a 7ª fase da "Operação Calvário", intitulada "Juízo Final". Segundo as investigações feitas nesta fase da Operação, foram detectados desvios de dinheiro público de R$ 134,2 milhões nas áreas da saúde e educação estaduais. Vários agentes políticos foram alvos desta fase acima citada, dentre elas, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), apontado como "chefe da organização criminosa" e o atual governador, João Azevedo (atualmente sem partido, mas eleito pelo PSB), que teve o Palácio da Redenção objeto de mandado de busca e apreensão de documentos. Outros/as agentes políticos também estão envolvidos nesta grave denúncia, a exemplo das deputadas estaduais Estela Bezerra e Cida Ramos (ambas do PSB), assim como o ex-procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro; o ex-secretário de saúde estadual, Waldson Souza; a prefeita do Conde, Márcia Lucena (PSB); o irmão de Ricardo Coutinho, Coriolano Coutinho; a ex-secretária de saúde estadual, Cláudia Veras, entre outros/as. Alguns continuam presos, até o momento.
Tudo isso ocorreu devido à "delação premiada" feita pela ex-secretária de Administração do governo Ricardo Coutinho e também do atual governo, Livânia Farias. Ela é uma das principais artífices do esquema fraudulento que assolou nosso Estado e, após sua prisão em março de 2019, já se esperava que algo bombástico aconteceria no interior da gestão estadual. E não deu outra, Livânia fez o acordo de delação com a justiça paraibana e começou a entregar todo o esquema criminoso de anos existente no Estado, a partir do núcleo do governo.
Com esta "Operação Calvário", o governador João Azevedo se viu obrigado a recuar em sua intenção de aprovar a "toque de caixa" a "Reforma da Previdência" dos servidores estaduais enviada por ele à Assembleia Legislativa e esta foi transferida para ser rediscutida em fevereiro deste ano. Isso foi uma das consequências trazidas pela citada "Operação" ao governo estadual. Sem falar nos danos à imagem de "homem sério, trabalhador e honesto" cultivada por João Azevedo desde a vitoriosa campanha eleitoral de 2018.
Recentemente, esta imagem foi profundamente arranhada com mais um trecho da "delação premiada" de Livânia Farias que veio a público, dentre tantos outros. Neste, especificamente, a ex-secretária de Administração de Ricardo Coutinho e João Azevedo desvela completamente a máscara de "bom moço" construída ´por este último e aproveita para detonar ainda mais com o ex-governador, Ricardo Coutinho, e entregar as relações com Cássio Cunha Lima e Zé Maranhão, por exemplo. Quem quiser conferir tudo isso, basta verificar tal vídeo de Livânia Farias fazendo tudo isso, nas redes sociais.
Sobre o atual governador, João Azevedo, ela revela, em várias partes do vídeo, que ele sabia do que estava sendo feito no Estado, através dos desvios ocorridos na saúde pública, via Cruz Vermelha Brasileira, que administrava o Hospital de Trauma de João Pessoa desde 2011 (início do 1º mandato de Ricardo Coutinho como governador) até a campanha eleitoral passada. Tudo isso por conta do contato que este tinha com Daniel Gomes,preso na 1ª fase da referida "Operação".
Livânia revela, por exemplo, que quando João Azevedo se licenciou do cargo de secretário de Recursos Hídricos em abril/18 para poder disputar as eleições daquele ano, foi combinado entre ela e Ricardo Coutinho um valor que deveria ser repassado ao então pré-candidato antes do início da campanha propriamente dita. Ela e o ex-governador acertaram que tal valor deveria ser de R$ 120 mil, e isso ocorreu entre abril e junho do citado ano. O dinheiro era entregue ao então secretário de Recursos Hídricos da ocasião, Deusdeth Queiroga que, por sinal, continua secretário de governo. A partir de julho, segundo a ex-secretária, os recursos para o candidato João Azevedo viriam da própria campanha. De onde vinha essa bagatela paga a um pré-candidato? Das propinas feitas por Daniel Gomes, direto do Hospital de Trauma.
Após este episódio, Livânia Farias detalha mais um fato que teria ocorrido, segundo ela, numa reunião com João Azevedo no dia 30 de julho do ano passado, nas dependências do Canal 40, produtora dos programas eleitorais da coligação encabeçada pelo atual governador. Nesta conversa, João Azevedo teria pedido a Livânia que fossem exoneradas de seus cargos e funções sua nora e também a cunhada, que trabalhavam na Angevisa e Sudema (não recordamos agora quem trabalhava aonde), para não ser criticado de "praticar nepotismo", afirmou a delatora. Porém, ainda segundo a ex-secretária, este teria pedido a ela que os salários brutos das duas parentes fossem mantidos (apesar de exoneradas), entre julho e novembro de 2019. Assim foi feito e era João Azevedo quem recebia, mensalmente, os salários das duas e repassava a estas.
Como diz o velho ditado, "para bom entendedor, meia palavra basta". Estas revelações de Livânia Farias sobre João Azevedo e seu comportamento durante o episódio exposto pela "Operação Calvário" não deixam dúvidas sobre seu envolvimento, tendo sido um dos maiores beneficiados com o esquema criminoso, pois este (segundo Gaeco e PF) teria se "alimentado" destes recursos para garantir sua vitória eleitoral. Ainda segundo a "Operação Calvário" (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/12/17/ex-governador-ricardo-coutinho-e-alvo-da-setima-fase-da-operacao-calvario-na-paraiba.ghtml), dos R$ 134,2 milhões desviados pela ORCRIM, "mais de R$ 120 milhões foram destinados a agentes políticos nas campanhas eleitorais de 2010,2014 e 2018.
Em resposta a essas revelações feitas por Livânia Farias, o atual governador desmentiu e afirmou que possui "história neste Estado" (https://www.blogdoandersonsoares.com.br/2020/01/13/jamais-recebi-mensalao-de-ninguem-tenho-uma-historia-nesse-estado-diz-joao-azevedo-ao-rebater-delacao-de-livania/). Mas, cabe aqui a pergunta: quem não tem história??? Todos/as temos, mas ao que parece, a de João Azevedo não tem nada de limpa.
Se isso não for suficiente para instauração de CPI na Assembleia Legislativa, bem como abertura de processo de impeachment de João Azevedo, o que será preciso???
A outra alternativa a isto seria a renúncia de João Azevedo. Mas, por suas declarações recente, isto está praticamente descartado.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.........

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Outro breve estudo sobre Fundeb na Paraíba






Já havíamos feito (e publicado neste mesmo espaço) um estudo acerca das estimativas do Fundeb para 2020 na Paraíba em torno de 6 municípios de nosso Estado. Cinco da Grande João Pessoa - João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita -, mais Campina Grande, por esta ser a 2ª cidade mais importante do Estado. 
Agora, voltamos ao mesmo tema, desta vez, fazendo outro breve estudo acerca do Fundeb consolidado de 2019, que mostra o quanto chegou de recursos deste fundo para Educação municipal, de cada uma dessas cidades paraibanas, durante todo o ano passado. Lembrando que, segundo a Lei 11.494, de 2007, em seu artigo 22, pelo menos 60% desses recursos devem ser utilizados para pagamento dos salários do magistério municipal. O restante deve ser empregado para manutenção do sistema educacional município. Sem esquecer também que existe o percentual constitucional de 25% que cada prefeito deve destinar para esta obrigação.
Assim, se seu município não está contemplado neste estudo, procure o site do FNDE e veja quanto foi o que este recebeu ao longo de 2019 e procure o Conselho do Fundeb de seu município para verificar se está tudo em ordem. Se não está, acione o Ministério Público. Fiscalize, é um direito seu enquanto cidadão. O dinheiro é público, é nosso!!!
Confiram a tabela a seguir!!!


Fundeb Consolidado
2019

Município/Ano
2019
João Pessoa
238.724.635,59
Campina Grande
122.949.455,19
Cabedelo
28.381.295,96
Santa Rita
57.271.079,62
Bayeux
40.590.725,18
Conde
24.501.031,97
            Obs: em R$
            Fonte: MEC/FNDE

domingo, 5 de janeiro de 2020

Um breve estudo acerca das estimativas do Fundeb para 2020 na Paraíba





Com base num rápido estudo feito por um amigo professor como eu, de Bayeux, decidi me aprofundar um pouco mais e fui até ao site do FNDE e fiz esta breve pesquisa acerca das estimativas do Fundeb em alguns municípios da Paraíba, fazendo uma comparação com as verbas deste fundo destinado à educação recebidos por seus prefeitos, em 2019 e o que deverão receber em 2020. Lembrando que isso trata-se apenas de uma ESTIMATIVA. Normalmente, os municípios costumam receber um pouco mais do que as estimativas apontam. Para constatar isso, basta acompanhar, pelo mesmo site do FNDE, o que vem de Fundeb, mês a mês, e conferir o total ao final do ano. Sem falar que é importante acompanhar o trabalho do Conselho Municipal do Fundeb em sua cidade. 
Outra coisa: Escolhemos, neste breve estudo, 6 (seis) municípios paraibanos: 5 (cinco) da Grande João Pessoa - João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita - mais Campina Grande, a segunda cidade mais importante de nosso Estado.
Confiram as tabelas e vejam que CRISE é uma palavra que acompanha a nós, trabalhadores e trabalhadoras da Educação e outras categorias, mas não esses prefeitos.
Grande abraço a todos/as!!!




Estimativas Fundeb
2019/2020

em Reais
Município/Ano
2019
2020
João Pessoa
200.412.939,41
232.163.931,64
Campina Grande
101.635.187,34
119.635.187,34
Cabedelo
23.086.824,29
27.629.000,09
Santa Rita
50.648.424,27
55.600.997,48
Bayeux
37.050.460,84
39.992.008,36
Conde
20.455.159,24
23.831.947,75
Obs: em R$

Município/Ano
2020
João Pessoa
15,84%
Campina Grande
17,87%
Cabedelo
19,67%
Santa Rita
9,77%
Bayeux
7,93%
Conde
16,5%
Variações (em percentuais)









sábado, 4 de janeiro de 2020

O caso do pedreiro Valmir e as "coincidências" sobre o CAOS na saúde pública na Paraíba






No 1º dia de 2020, o pedreiro Valmir Pedro de Brito, de 43 anos, foi atropelado quando dirigia sua bicicleta a caminho de seu trabalho, por volta das 6h da manhã, no bairro de Quadramares, por uma mulher (segundo informações oficiais) que dirigia o carro em alta velocidade e atingiu o trabalhador, quando este estava trafegando na ciclofaixa existente no local. Pedestres que presenciaram o trágico acidente garantem que o esposo da condutora era quem estava ao volante, embriagado (conforme detectou o bafômetro), feito três horas após o ocorrido, na Central de Polícia, depois de muita confusão.
O impacto da batida foi tão violenta que Valmir teve politraumatismo craniano e foi levado ao Hospital de Trauma e aí, começaram as "coincidências" no CAOS da saúde pública paraibana. O pedreiro ficou na ala vermelha do Trauma durante algumas horas esperando uma vaga num leito na UTI do referido hospital. Quando surgiu esta vaga, ele foi levado para lá. Poucas horas após isto ocorrer, teve sua morte cerebral decretada pela equipe médica. Fica a pergunta: será que se fosse outra pessoa, e não o pedreiro Valmir, o procedimento seria o mesmo??? Pra concluir este caso, por aqui, a mulher que teria sido a causadora do acidente com o pedreiro Valmir foi acusada, no inquérito aberto contra ela, de homicídio culposo (aquele aonde não há intenção de matar). Durma com uma zoada dessas....
Estas "coincidências" no CAOS da saúde pública na Paraíba não vem de hoje. Na verdade, os vários governantes que já passaram pelo Palácio da Redenção não fizeram nada mais do que tratar a saúde pública do nosso Estado como um arremedo. É inadmissível que, em pleno século XXI, tenhamos presente em nosso Estado, índices alarmantes de doenças que já deveriam estar erradicadas, como dengue, e de outras, que prometem voltar com força, como sarampo. Tudo por conta de um Estado que não dá a mínima para a saúde do povo. Mas, quando se trata de desviar dinheiro dessa mesma saúde pública, a "Operação Calvário" está aí para mostrar os números..... Enquanto isso, esses mesmos governantes fazem cena para a galera, de que estão fazendo algo pela saúde de nosso povo. Me engana que eu gosto.
Com a "Operação Calvário" desvendando os bastidores da podridão que ocorria na saúde pública na Paraíba, via 0S's, o governador João Azevedo (sem partido), um dos implicados na questão - já que teve o Palácio da Redenção com mandado de busca e apreensão no último dia 17 de dezembro -, foi obrigado a anunciar o rompimento dos contratos com as OS's na saúde e educação e, ao mesmo tempo, afirmar que as unidades de saúde serão geridas, dentro em breve, por uma fundação de saúde, ainda a ser criada (dependendo de aprovação da Assembleia Legislativa). Tipo uma EBSERH, ao estilo federal, criada no final do governo Lula, em 2010.
É aí que, por mais incrível que possa parecer, as "coincidências" do CAOS na saúde pública reaparecem com uma velocidade impressionante. Da última semana de 2019 para cá, aconteceram algumas coisas que revelam isso. Além do caso Valmir, a imprensa tem noticiado outras coisas que chamam nossa atenção e causam revolta. Pessoas com seus familiares, com problemas sérios no Hospital de Trauma de JP, tendo que voltar pra casa, depois de passarem dias internos naquela unidade de saúde no meio de corredores, porque não realizaram os exames necessários à sua situação e, isso não ocorreu porque os dois tomógrafos da unidade estão quebrados. Os dois quebraram ao mesmo tempo. Coincidência, não??? Médicos de várias áreas realizaram paralisação porque estão há dois meses sem receber seus salários e, mesmo assim, o secretário de saúde do Estado, Geraldo Medeiros, em vez de resolver o problema para ajudar o povo, responsabiliza os médicos, procurando jogá-los contra o povo. A "novela" das macas retidas voltou a figurar no noticiário depois de algum tempo, para sofrimento de quem precisa de um atendimento rápido do SAMU. Apesar de ter um protocolo que afirma que as macas devem ficar retidas até, no máximo, 30 minutos, não é bem isso que ocorre, na prática. Quem mais sofre na ponta do atendimento, é quem mais precisa dele. O Estado, pra variar, faz "ouvidos de mercador", mais uma vez. Pra variar......
Por falar em Geraldo Medeiros, na entrevista que este concedeu ao JP2, na noite desta sexta-feira, 03 de janeiro do corrente ano, acerca deste CAOS na saúde pública em nosso Estado, chamou a atenção sua tranquilidade sobre o assunto. Pergunta-se: se um parente seu precisasse realizar um exame no Trauma e não o fizesse porque os dois tomógrafos estavam quebrados, ele estaria tão tranquilo assim??? Poderia até estar por um simples motivo: pessoas do estilo de Geraldo Medeiros e parentes, quando ficam assim, não vão para um hospital público e sim para o Sírio Libanês ou Albert Einstein, típicos de gente como o secretário de saúde do Estado da Paraíba e similares. Daí, sua preocupação zero com a situação do povo com o CAOS na saúde pública.
Afinal, o povo é apenas um detalhe.............Né, Geraldo Medeiros???

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Sobre o atentado à produtora de "Porta dos Fundos" e sobre o Especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo": Considerações críticas





Na véspera de Natal deste ano, ocorreu um lamentável incidente no Rio de Janeiro, mais especificamente na produtora de "Porta dos Fundos", por conta do Especial de Natal feito por este grupo de humoristas nacional, intitulado "A Primeira Tentação de Cristo", aonde já se sabe que um grupo de extrema-direita, autointitulado "Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira", assumiram o atentado na produtora exibindo um vídeo com as imagens do ocorrido, lendo um manifesto do grupo.
Antes de tecermos as considerações críticas, queremos expressar nosso TOTAL REPÚDIO a este grupo de extrema-direita, de natureza integralista, bem como ao atentado por ele protagonizado contra o grupo "Porta dos Fundos" e, ao mesmo tempo, defender veementemente as liberdades democráticas, como as liberdade de expressão, de manifestação (seja política, artística, cultural).
Assistimos o Especial de Natal do "Porta de Fundos" acima citado para fazermos não apenas o repúdio ao atentado, como vem sendo feito por boa parte da mídia, das redes sociais, sites de notícias e outros tipos de portais, mas também para fazermos outros tipos de abordagem, que ainda não verificamos, que achamos também necessários (creio eu). 
Rememorando, a história de "A Primeira Tentação de Cristo" se passa no instante em que Jesus (interpretado por Gregório Duvivier) chega em sua casa, após ter passado cerca de 40 dias no deserto. E chega acompanhado de Orlando (interpretado por Fábio Porchat), que é, percebe-se ao longo da narrativa, um relacionamento homoafetivo. Jesus, assim, é gay. Durante a trama, existem outras tramas, envolvendo por exemplo, Deus e Maria. No final, um final surpreendente entre Jesus e Orlando, que trataremos daqui a pouco.
Sobre a trama central do Especial de Natal, alvo central do atentado dos neointegralistas à sede da produtora do "Porta dos Fundos", Jesus é gay e tem um relacionamento homoafetivo com Orlando. Até aí, nada demais. Porém, neste caso, percebemos uma questão que permeia o Especial.
Desde pequeno, ouço (e creio que muitos/as que leem este artigo também) "piadinhas" preconceituosas, insinuando que Jesus seria gay por andar boa parte de sua vida acompanhado de 12 homens; ou, então, "piadinhas" de cunho machista por este ter tido um "caso" com Maria Madalena, chegando até a ter filhos. E, tais coisas sempre foram repudiadas pelas pessoas, dentro e fora da religião. Agora, o repúdio vem em forma de coquetéis molotov. Lamentável..... Cito estes exemplos para mostrar que, infelizmente, preconceitos sempre houve e setores ditos de esquerda não podem se dar ao direito de reproduzir, mesmo que sob o manto da "brincadeira", do "humor"!!! 
Quanto ao final surpreendente que falei acima entre Jesus e Orlando, trata-se, na minha opinião, de um viés preconceituoso emitido por "Porta dos Fundos". Ao fim da trama, Orlando se revela como sendo o Lúcifer, tendo enganado o tempo todo Jesus, Deus, Maria, José e os demais. Qual o viés preconceituoso, neste caso??? Lúcifer, Diabo, Demônio, Capeta, entre outros nomes, é associado historicamente a uma coisa ruim, negativa. E, sendo Orlando/Lúcifer tendo se colocado como um ser humano gay, com um relacionamento homoafetivo com Jesus, ser gay seria uma coisa ruim, negativa. Inevitável tal comparação, não??? Ou seria mais uma ironia feita por "Porta dos Fundos"??? Uma "licença poética" a ser utilizado numa obra artística???
De todo modo, creio que as religiosidades das pessoas devem ser respeitadas. Nosso Estado é laico e isso garante, entre outras coisas, o respeito a todas as manifestações religiosas, de todas as pessoas. Recentemente, em outro artigo feito por nós e publicado em nosso blog, "Porquê fé e política não devem andar juntos", criticamos o discurso do embaixador do governo Bolsonaro que, em conferência ocorrida na Hungria em novembro último, afirmou que "uma das principais mudanças conduzidas pelo governo Bolsonaro foi exatamente colocar a religião no processo de formulação de políticas no Brasil"(https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2019/11/28/governo-bolsonaro-cristaos-hungria-diplomacia-itamaraty.htm).
Queremos reafirmar o que dissemos acima. REPUDIAMOS TOTALMENTE o atentado feito pelo "Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira" e, ao mesmo tempo, defender veementemente as liberdades democráticas, como as liberdade de expressão, de manifestação (seja política, artística, cultural).
Exigimos também uma APURAÇÃO RIGOROSA e uma PUNIÇÃO EXEMPLAR aos responsáveis por este atentado não apenas à "Porta dos Fundos", mas às liberdades democráticas de uma forma geral!!!