Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Outro breve estudo sobre Fundeb na Paraíba






Já havíamos feito (e publicado neste mesmo espaço) um estudo acerca das estimativas do Fundeb para 2020 na Paraíba em torno de 6 municípios de nosso Estado. Cinco da Grande João Pessoa - João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita -, mais Campina Grande, por esta ser a 2ª cidade mais importante do Estado. 
Agora, voltamos ao mesmo tema, desta vez, fazendo outro breve estudo acerca do Fundeb consolidado de 2019, que mostra o quanto chegou de recursos deste fundo para Educação municipal, de cada uma dessas cidades paraibanas, durante todo o ano passado. Lembrando que, segundo a Lei 11.494, de 2007, em seu artigo 22, pelo menos 60% desses recursos devem ser utilizados para pagamento dos salários do magistério municipal. O restante deve ser empregado para manutenção do sistema educacional município. Sem esquecer também que existe o percentual constitucional de 25% que cada prefeito deve destinar para esta obrigação.
Assim, se seu município não está contemplado neste estudo, procure o site do FNDE e veja quanto foi o que este recebeu ao longo de 2019 e procure o Conselho do Fundeb de seu município para verificar se está tudo em ordem. Se não está, acione o Ministério Público. Fiscalize, é um direito seu enquanto cidadão. O dinheiro é público, é nosso!!!
Confiram a tabela a seguir!!!


Fundeb Consolidado
2019

Município/Ano
2019
João Pessoa
238.724.635,59
Campina Grande
122.949.455,19
Cabedelo
28.381.295,96
Santa Rita
57.271.079,62
Bayeux
40.590.725,18
Conde
24.501.031,97
            Obs: em R$
            Fonte: MEC/FNDE

domingo, 5 de janeiro de 2020

Um breve estudo acerca das estimativas do Fundeb para 2020 na Paraíba





Com base num rápido estudo feito por um amigo professor como eu, de Bayeux, decidi me aprofundar um pouco mais e fui até ao site do FNDE e fiz esta breve pesquisa acerca das estimativas do Fundeb em alguns municípios da Paraíba, fazendo uma comparação com as verbas deste fundo destinado à educação recebidos por seus prefeitos, em 2019 e o que deverão receber em 2020. Lembrando que isso trata-se apenas de uma ESTIMATIVA. Normalmente, os municípios costumam receber um pouco mais do que as estimativas apontam. Para constatar isso, basta acompanhar, pelo mesmo site do FNDE, o que vem de Fundeb, mês a mês, e conferir o total ao final do ano. Sem falar que é importante acompanhar o trabalho do Conselho Municipal do Fundeb em sua cidade. 
Outra coisa: Escolhemos, neste breve estudo, 6 (seis) municípios paraibanos: 5 (cinco) da Grande João Pessoa - João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita - mais Campina Grande, a segunda cidade mais importante de nosso Estado.
Confiram as tabelas e vejam que CRISE é uma palavra que acompanha a nós, trabalhadores e trabalhadoras da Educação e outras categorias, mas não esses prefeitos.
Grande abraço a todos/as!!!




Estimativas Fundeb
2019/2020

em Reais
Município/Ano
2019
2020
João Pessoa
200.412.939,41
232.163.931,64
Campina Grande
101.635.187,34
119.635.187,34
Cabedelo
23.086.824,29
27.629.000,09
Santa Rita
50.648.424,27
55.600.997,48
Bayeux
37.050.460,84
39.992.008,36
Conde
20.455.159,24
23.831.947,75
Obs: em R$

Município/Ano
2020
João Pessoa
15,84%
Campina Grande
17,87%
Cabedelo
19,67%
Santa Rita
9,77%
Bayeux
7,93%
Conde
16,5%
Variações (em percentuais)









sábado, 4 de janeiro de 2020

O caso do pedreiro Valmir e as "coincidências" sobre o CAOS na saúde pública na Paraíba






No 1º dia de 2020, o pedreiro Valmir Pedro de Brito, de 43 anos, foi atropelado quando dirigia sua bicicleta a caminho de seu trabalho, por volta das 6h da manhã, no bairro de Quadramares, por uma mulher (segundo informações oficiais) que dirigia o carro em alta velocidade e atingiu o trabalhador, quando este estava trafegando na ciclofaixa existente no local. Pedestres que presenciaram o trágico acidente garantem que o esposo da condutora era quem estava ao volante, embriagado (conforme detectou o bafômetro), feito três horas após o ocorrido, na Central de Polícia, depois de muita confusão.
O impacto da batida foi tão violenta que Valmir teve politraumatismo craniano e foi levado ao Hospital de Trauma e aí, começaram as "coincidências" no CAOS da saúde pública paraibana. O pedreiro ficou na ala vermelha do Trauma durante algumas horas esperando uma vaga num leito na UTI do referido hospital. Quando surgiu esta vaga, ele foi levado para lá. Poucas horas após isto ocorrer, teve sua morte cerebral decretada pela equipe médica. Fica a pergunta: será que se fosse outra pessoa, e não o pedreiro Valmir, o procedimento seria o mesmo??? Pra concluir este caso, por aqui, a mulher que teria sido a causadora do acidente com o pedreiro Valmir foi acusada, no inquérito aberto contra ela, de homicídio culposo (aquele aonde não há intenção de matar). Durma com uma zoada dessas....
Estas "coincidências" no CAOS da saúde pública na Paraíba não vem de hoje. Na verdade, os vários governantes que já passaram pelo Palácio da Redenção não fizeram nada mais do que tratar a saúde pública do nosso Estado como um arremedo. É inadmissível que, em pleno século XXI, tenhamos presente em nosso Estado, índices alarmantes de doenças que já deveriam estar erradicadas, como dengue, e de outras, que prometem voltar com força, como sarampo. Tudo por conta de um Estado que não dá a mínima para a saúde do povo. Mas, quando se trata de desviar dinheiro dessa mesma saúde pública, a "Operação Calvário" está aí para mostrar os números..... Enquanto isso, esses mesmos governantes fazem cena para a galera, de que estão fazendo algo pela saúde de nosso povo. Me engana que eu gosto.
Com a "Operação Calvário" desvendando os bastidores da podridão que ocorria na saúde pública na Paraíba, via 0S's, o governador João Azevedo (sem partido), um dos implicados na questão - já que teve o Palácio da Redenção com mandado de busca e apreensão no último dia 17 de dezembro -, foi obrigado a anunciar o rompimento dos contratos com as OS's na saúde e educação e, ao mesmo tempo, afirmar que as unidades de saúde serão geridas, dentro em breve, por uma fundação de saúde, ainda a ser criada (dependendo de aprovação da Assembleia Legislativa). Tipo uma EBSERH, ao estilo federal, criada no final do governo Lula, em 2010.
É aí que, por mais incrível que possa parecer, as "coincidências" do CAOS na saúde pública reaparecem com uma velocidade impressionante. Da última semana de 2019 para cá, aconteceram algumas coisas que revelam isso. Além do caso Valmir, a imprensa tem noticiado outras coisas que chamam nossa atenção e causam revolta. Pessoas com seus familiares, com problemas sérios no Hospital de Trauma de JP, tendo que voltar pra casa, depois de passarem dias internos naquela unidade de saúde no meio de corredores, porque não realizaram os exames necessários à sua situação e, isso não ocorreu porque os dois tomógrafos da unidade estão quebrados. Os dois quebraram ao mesmo tempo. Coincidência, não??? Médicos de várias áreas realizaram paralisação porque estão há dois meses sem receber seus salários e, mesmo assim, o secretário de saúde do Estado, Geraldo Medeiros, em vez de resolver o problema para ajudar o povo, responsabiliza os médicos, procurando jogá-los contra o povo. A "novela" das macas retidas voltou a figurar no noticiário depois de algum tempo, para sofrimento de quem precisa de um atendimento rápido do SAMU. Apesar de ter um protocolo que afirma que as macas devem ficar retidas até, no máximo, 30 minutos, não é bem isso que ocorre, na prática. Quem mais sofre na ponta do atendimento, é quem mais precisa dele. O Estado, pra variar, faz "ouvidos de mercador", mais uma vez. Pra variar......
Por falar em Geraldo Medeiros, na entrevista que este concedeu ao JP2, na noite desta sexta-feira, 03 de janeiro do corrente ano, acerca deste CAOS na saúde pública em nosso Estado, chamou a atenção sua tranquilidade sobre o assunto. Pergunta-se: se um parente seu precisasse realizar um exame no Trauma e não o fizesse porque os dois tomógrafos estavam quebrados, ele estaria tão tranquilo assim??? Poderia até estar por um simples motivo: pessoas do estilo de Geraldo Medeiros e parentes, quando ficam assim, não vão para um hospital público e sim para o Sírio Libanês ou Albert Einstein, típicos de gente como o secretário de saúde do Estado da Paraíba e similares. Daí, sua preocupação zero com a situação do povo com o CAOS na saúde pública.
Afinal, o povo é apenas um detalhe.............Né, Geraldo Medeiros???

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Sobre o atentado à produtora de "Porta dos Fundos" e sobre o Especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo": Considerações críticas





Na véspera de Natal deste ano, ocorreu um lamentável incidente no Rio de Janeiro, mais especificamente na produtora de "Porta dos Fundos", por conta do Especial de Natal feito por este grupo de humoristas nacional, intitulado "A Primeira Tentação de Cristo", aonde já se sabe que um grupo de extrema-direita, autointitulado "Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira", assumiram o atentado na produtora exibindo um vídeo com as imagens do ocorrido, lendo um manifesto do grupo.
Antes de tecermos as considerações críticas, queremos expressar nosso TOTAL REPÚDIO a este grupo de extrema-direita, de natureza integralista, bem como ao atentado por ele protagonizado contra o grupo "Porta dos Fundos" e, ao mesmo tempo, defender veementemente as liberdades democráticas, como as liberdade de expressão, de manifestação (seja política, artística, cultural).
Assistimos o Especial de Natal do "Porta de Fundos" acima citado para fazermos não apenas o repúdio ao atentado, como vem sendo feito por boa parte da mídia, das redes sociais, sites de notícias e outros tipos de portais, mas também para fazermos outros tipos de abordagem, que ainda não verificamos, que achamos também necessários (creio eu). 
Rememorando, a história de "A Primeira Tentação de Cristo" se passa no instante em que Jesus (interpretado por Gregório Duvivier) chega em sua casa, após ter passado cerca de 40 dias no deserto. E chega acompanhado de Orlando (interpretado por Fábio Porchat), que é, percebe-se ao longo da narrativa, um relacionamento homoafetivo. Jesus, assim, é gay. Durante a trama, existem outras tramas, envolvendo por exemplo, Deus e Maria. No final, um final surpreendente entre Jesus e Orlando, que trataremos daqui a pouco.
Sobre a trama central do Especial de Natal, alvo central do atentado dos neointegralistas à sede da produtora do "Porta dos Fundos", Jesus é gay e tem um relacionamento homoafetivo com Orlando. Até aí, nada demais. Porém, neste caso, percebemos uma questão que permeia o Especial.
Desde pequeno, ouço (e creio que muitos/as que leem este artigo também) "piadinhas" preconceituosas, insinuando que Jesus seria gay por andar boa parte de sua vida acompanhado de 12 homens; ou, então, "piadinhas" de cunho machista por este ter tido um "caso" com Maria Madalena, chegando até a ter filhos. E, tais coisas sempre foram repudiadas pelas pessoas, dentro e fora da religião. Agora, o repúdio vem em forma de coquetéis molotov. Lamentável..... Cito estes exemplos para mostrar que, infelizmente, preconceitos sempre houve e setores ditos de esquerda não podem se dar ao direito de reproduzir, mesmo que sob o manto da "brincadeira", do "humor"!!! 
Quanto ao final surpreendente que falei acima entre Jesus e Orlando, trata-se, na minha opinião, de um viés preconceituoso emitido por "Porta dos Fundos". Ao fim da trama, Orlando se revela como sendo o Lúcifer, tendo enganado o tempo todo Jesus, Deus, Maria, José e os demais. Qual o viés preconceituoso, neste caso??? Lúcifer, Diabo, Demônio, Capeta, entre outros nomes, é associado historicamente a uma coisa ruim, negativa. E, sendo Orlando/Lúcifer tendo se colocado como um ser humano gay, com um relacionamento homoafetivo com Jesus, ser gay seria uma coisa ruim, negativa. Inevitável tal comparação, não??? Ou seria mais uma ironia feita por "Porta dos Fundos"??? Uma "licença poética" a ser utilizado numa obra artística???
De todo modo, creio que as religiosidades das pessoas devem ser respeitadas. Nosso Estado é laico e isso garante, entre outras coisas, o respeito a todas as manifestações religiosas, de todas as pessoas. Recentemente, em outro artigo feito por nós e publicado em nosso blog, "Porquê fé e política não devem andar juntos", criticamos o discurso do embaixador do governo Bolsonaro que, em conferência ocorrida na Hungria em novembro último, afirmou que "uma das principais mudanças conduzidas pelo governo Bolsonaro foi exatamente colocar a religião no processo de formulação de políticas no Brasil"(https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2019/11/28/governo-bolsonaro-cristaos-hungria-diplomacia-itamaraty.htm).
Queremos reafirmar o que dissemos acima. REPUDIAMOS TOTALMENTE o atentado feito pelo "Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira" e, ao mesmo tempo, defender veementemente as liberdades democráticas, como as liberdade de expressão, de manifestação (seja política, artística, cultural).
Exigimos também uma APURAÇÃO RIGOROSA e uma PUNIÇÃO EXEMPLAR aos responsáveis por este atentado não apenas à "Porta dos Fundos", mas às liberdades democráticas de uma forma geral!!!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Operação Calvário, a prisão de Ricardo Coutinho,a polêmica na esquerda paraibana e o centro do debate






Desde o dia 17 de dezembro deste ano que está se encerrando - e não deixa saudades para a classe trabalhadora de nosso país e paraibana -, que a militância dos movimentos sociais de nosso Estado vive uma discussão acalorada, por conta da conjuntura política estadual, que já vinha se acirrando em meio ao debate em torno à "Reforma da Previdência" do governo João Azevedo encaminhada à Assembleia Legislativa, em regime de urgência urgentíssima, que conseguia (e consegue) ser pior do que a aprovada por Bolsonaro no Congresso Nacional, com apoio decisivo dos canalhas e corruptos de Brasília.
Tudo por conta da "Operação Calvário - Juízo Final", desenvolvida em conjunto pelo Gaeco, MP e PF, que no dia acima citado, cumpriram 54 mandados de busca e apreensão de documentos, além de prisão preventiva. Destes, 17 mandados foram de prisão preventiva, contra o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), seu irmão, Coriolano Coutinho, a prefeita do Conde, Márcia Lucena (PSB), o ex-procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro, a deputada estadual, Estela Bezerra (PSB), o ex-secretário de Saúde do Estado, Waldson Sousa e outros. Destes, o ex-governador, a prefeita e a deputada já estão soltos. Os demais e outros continuam presos e tiveram seus HCs negados pelo STJ. 
A prisão do ex-governador Ricardo Coutinho, que governou a Paraíba por 8 anos (entre 2011 e 2018) e também a capital do Estado, entre 2005 e 2010, gerou um impacto muito forte na população paraibana como um todo, e na militância em especial. Além de sua prisão, as acusações contra ele vindas da "Operação Calvário" ainda repercutem entre todos/as. Segundo esta, Ricardo Coutinho seria o chefe da ORCRIM (sigla de "organização criminosa"), responsável direto tanto pela tomada de decisão quanto aos métodos de arrecadação, divisão e aplicação de propina. Seria, portanto, o "cabeça" do esquema criminoso e, junto com as deputadas Estela Bezerra, Cida Ramos e a prefeita do Conde, Márcia Lucena, integrante do núcleo político desse esquema (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/12/17/ex-governador-ricardo-coutinho-e-alvo-da-setima-fase-da-operacao-calvario-na-paraiba.ghtml).
O debate em torno da prisão de Ricardo Coutinho pelo Gaeco e PF em cima de Ricardo Coutinho é, guardadas as devidas proporções, semelhantes ao mesmo utilizado de quando Lula foi preso pela PF, em abril de 2018 e permaneceu preso em Curitiba por cerca de 580 dias. Antes de entrarmos nesta "seara", vale ressaltar que Ricardo Coutinho já está solto, por decisão de um ministro do STJ (não ficou preso nem por um dia sequer). E assim deverá permanecer, pelo menos até fevereiro do próximo ano, quando a juíza Laurita Vaz, tb do STJ, se debruçar sobre seu caso, como assim determinou a vice-presidente do mesmo tribunal, Maria Thereza.
Pelo menos, dois argumentos foram preponderantes usados na defesa de Ricardo Coutinho por seus seguidores: o de que havia uma seletividade da justiça sendo feita por esta contra o ex-governador (como havia ocorrido contra Lula) e que estavam usando Ricardo (como também usaram Lula) para criminalizar a esquerda. 
Não vamos entrar aqui no debate se Ricardo Coutinho merece ser classificado (ou não) de "esquerda". Tal debate, acreditamos, seria infrutífero neste momento. Preferimos deixar tal caracterização ao gosto de cada um/a. Já às demais questões sublinhadas por nós no parágrafo anterior, iremos expor nossa opinião e estamos abertos ao debate.
Fazemos uma primeira pergunta a todos/as, pra começar: desde quando existe movimento operário, movimento social, feito pela classe trabalhadora, no Brasil e no mundo, e, consequentemente, existe justiça burguesa, que esta deixou de ser seletiva??? Desde quando, sob o capitalismo, a justiça deixou de ser cega aos interesses e direitos da classe trabalhadora??? Ou será que todos/as aqui "esqueceram" que, para conquistar direitos e conquistas, os/as trabalhadores/as tiveram que ir às ruas, lutar muito e alguns/algumas até morreram para que outros/as conseguissem algo??? Portanto, tal seletividade da justiça, para nós, nunca foi novidade. O fato de setores da direita, corruptos há anos, décadas e até séculos estarem livres, leves e soltos e os ditos de "esquerda" estarem presos é a prova cabal desta seletividade.
Segunda pergunta. Desde quando, tb desde a existência do movimento operário e social, a esquerda deixou de ser criminalizada, no Brasil e no mundo??? Em alguns momentos, isso ocorreu de forma mais agressiva, como agora; em outros, de forma mais branda. Mas, isso nunca deixou de ocorrer. Também já "esqueceram" disso??? 
Porém, tudo isso "esconde" na verdade, o centro do debate que alguns colocam de forma clara: a defesa do "Estado Democrático de Direito". Este é o problema central da imensa maioria da "esquerda oficial" de nosso país, quiçá do mundo. E porquê isso??? Por que o que a "Operação Calvário" está fazendo, o que a "LavaJato" anda realizando é, bem ou mal, sob o status do tal "Estado Democrático de Direito". E, defender este tipo de Estado, para quem se diz de esquerda, é pra lá de contraditório, pra não dizer completamente equivocado. E aí está o "xis da questão".
Em nosso país, o PT, PCdoB, PSOL e seus "satélites" ensinaram à imensa maioria da militância a fazer a defesa deste instrumento burguês a partir da Constituição de 1988. Muitos/as reproduzem esta defesa sem nem terem ideia do que isso significa. E fazem isso de foma apaixonada e apaixonante, fazendo coro com a burguesia, como MDB, DEM, PSDB, PSL e por aí vai.
Defender o "Estado Democrático de Direito" é, em síntese, defender a propriedade privada. E esta é, para todo "progressista", socialista, comunista, o princípio fundante das desigualdades sociais. Portanto, defender o "Estado Democrático de Direito" é defender o regime capitalista. Por isso, defendemos (com unhas e dentes) a derrubada da propriedade privada e, consequentemente, o fim do "Estado Democrático de Direito". Isto porque somos contra o capitalismo e queremos construir o socialismo. Evidentemente, através da organização popular, por meio da luta do povo contra este regime opressor e explorador.
Portanto, este é pra nós, o grande problema deste debate que envolve a "Operação Calvário" e a repercussão que causa a prisão de Ricardo Coutinho e os demais que estão neste esquema denunciado pelo Gaeco, MP e PF. Enquanto boa parte da esquerda não resolver esta questão importante, a revolução socialista em nosso país tende a continuar em regime de impasse. Infelizmente..............






terça-feira, 10 de dezembro de 2019

CUT e CSP Conlutas: uma comparação de seus princípios fundacionais





O movimento operário surgiu no século XIX, na Inglaterra, por conta da extrema necessidade da classe trabalhadora se organizar e lutar contra a exploração e, consequentemente, as injustiças promovidas pelos patrões e o capitalismo em geral, ainda no seu nascedouro. Diversas maneiras de organização foram criadas pelos trabalhadores para lutarem por seus direitos e muitas foram suas reivindicações e formas de luta, desde esta época.
No Brasil, embora isto tenha se dado de forma um pouco tardia - final do século XIX  e início do século XX -, tal luta da classe trabalhadora também é recheada de acontecimentos, lideranças e, sobretudo, inúmeras organizações de classe surgidas desde então.
Em agosto de 1981, ainda durante a ditadura militar no Brasil, ocorreu a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora - CONCLAT -, na Praia Grande (SP). Tal evento reuniu a vanguarda do movimento operário brasileiro da época, juntando num mesmo local os velhos militantes do movimento operário (tachados como os pelegos do movimento) e a nova vanguarda que surgia, por conta das recentes greves que ocorriam no ABC paulista, em especial dos metalúrgicos, espalhando-se por todo o país, no que ficou conhecido como o "novo sindicalismo". Destas lutas, surgiram lideranças como Lula, por exemplo.
Em agosto de 1983, foi fundada a CUT. Num outro CONCLAT - Congresso Nacional da Classe Trabalhadora -, os dissidentes da CONCLAT de dois anos antes fundaram a Central Única dos Trabalhadores (CUT), promovendo a partir de então uma grande transformação no mundo sindical no Brasil. Tal central foi criada para dar uma resposta política aos pelegos que construíram a CONCLAT de 1981, com os quais não se tinha nenhum acordo político-programático naquele momento.
Em 2004, começou a ocorrer uma nova modificação no movimento operário brasileiro. Pouco mais de um ano após a chegada de Lula e do PT ao governo federal, trabalhadores/as de todo o país reuniram-se num Encontro Nacional de Trabalhadores, em Luziânia/GO e, ao final de muita discussão política, uma parte decidiu construir a CONLUTAS - Coordenação Nacional de Lutas -, como resposta aos ataques promovidos à nossa classe pelo governo Lula, a começar da "reforma da previdência" feita pelo governo petista na ocasião.
Dois anos depois deste encontro de trabalhadores/as, ocorreu o Congresso de Fundação da Conlutas, em Betim/MG. Da fundação da CUT até a criação da Conlutas, passarem-se 23 anos entre um evento e outro e, neste período, havíamos passado por uma ditadura militar, um governo de redemocratização política (Sarney), dois governos neoliberais - Collor e FHC -, cada um a seu modo, mas idênticos em atacar a classe trabalhadora nacional e vivíamos uma experiência inédita no país, com um partido vindo do movimento operário (PT) e sua principal liderança política - Lula -, ocupando o poder central em nosso país. Infelizmente, a experiência com este governo decepcionou a muitos milhares de trabalhadores/as, desde aquela época. Daí a razão do surgimento da Conlutas.
Em 2010, ocorreu um novo CONCLAT, desta vez em Santos/SP. O Congresso da Classe Trabalhadora aconteceu nos dias 5 e 6/06 daquele ano e, ao seu final, criou a CSP Conlutas (Central Sindical e Popular - Conlutas). Tal encontro foi puxado por 6 organizações sindicais na época - Conlutas, Intersindical, MTL, MTST, Pastoral Operária e Coletivo Prestista). Várias foram as avaliações acerca da criação desta nova central, mas uma queremos destacar: a de Júlio Turra, da CUT e da corrente petista (autodesignada como trotskista) "O Trabalho", aonde este classifica o Conclat de Santos como um "fiasco". A História mostra outra coisa, bem distinta desta avaliação.
Queremos, neste artigo, destacar apenas os princípios fundacionais da CUT e da CSP Conlutas. Alguns destes princípios são idênticos. O que vai diferenciar as duas centrais diz respeito ao seu caráter e à sua prática no cotidiano da classe trabalhadora. Quanto ao primeiro ponto, é fácil distinguir as duas organizações. Enquanto a CUT trata-se apenas de se constituir como uma central de trabalhadores (portanto, aqueles/as filiados aos sindicatos ligados a ela), a CSP Conlutas busca construir-se como uma central não apenas sindical, representativa dos/as trabalhadores/as filiados aos sindicatos ligados à central, mas também trata de organizar outros movimentos, que assim como o sindical, são profundamente atingidos pela lógica capitalista de destruir nossa classe. Assim, a CSP Conlutas também reúne, em seu interior, movimentos de luta contra as opressões (mulheres, negros/as e LGBT's), trabalhadores/as do campo, sem teto, desempregados/as e estudantes. Todos estes setores devidamente representados na central, desde a Coordenação Nacional (que se reúne a cada dois meses), passando pela Executiva Nacional (também chamada de SEN), chegando até aos estados aonde está organizada. O segundo ponto que apontamos aqui quanto diferenças essenciais entre as duas centrais, queremos deixar isto ao gosto de cada um/a.
A CUT se construiu baseada em 7 princípios fundamentais, na sua gênese. São eles: independência de classe, mobilização e luta da categoria (ou ação direta), democracia operária, autonomia frente aos partidos, colocar toda a estrutura sindical a serviço das OLT's (organizações por locais de trabalho), combinar luta econômica com luta pelo socialismo e a defesa do internacionalismo proletário.
A CSP Conlutas, em seu estatuto, expõe também 7 princípios na sua fundação. São idênticos à CUT os quatro primeiros princípios (independência de classe, mobilização e luta da categoria - ou ação direta -, democracia operária, autonomia frente aos partidos) mais a defesa do internacionalismo proletário. A defesa da união da luta econômica com a luta pelo socialismo e a defesa das OLT's está presente ao longo do estatuto da central e da prática da central e seus sindicatos.
Os pontos idênticos entre as duas centrais, apesar do espaço de tempo entre a criação das duas organizações, revela  a continuidade das lutas da classe trabalhadora brasileira, apesar das divergências existentes entre as duas no tocante à análise das conjunturas nacional e internacional e a consequente política adotada por cada uma na superação (por parte da classe) destes problemas, sem falar nas mudanças conjunturais ocorridas no período. Os dois outros pontos de princípios são substituídos, pela CSP Conlutas, pela defesa da autonomia das entidades de base filiadas à central e a construção da unidade, como valor estratégico, na luta dos/as trabalhadores/as.
Em tempos de Bolsonaro, o princípio fundacional da CSP Conlutas, de construção da unidade, como valor estratégico, na luta dos/as trabalhadores/as permanece atual (mais do que nunca) e de fundamental importância para resistirmos, enquanto classe, aos ataques vindos dos governos (nacional, estadual e municipal) e dos patrões.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Paraisópolis, a chacina da PM paulista, a questão das drogas e o voto da "oposição de esquerda" no pacote anticrime de Moro!!!








A semana que está acabando já começou de uma forma terrível para muitas pessoas, especialmente os familiares dos nove mortos na chacina promovida pela PM paulista, de João Doria (PSDB), contra jovens negros e da periferia paulistana. Apesar do discurso de boa parte da mídia em classificar o sinistro como uma "tragédia", o que se viu foi uma ação orquestrada, muito bem pensada, por policiais militares na capital paulista para, segundo a própria PM, "dispersar" a galera que se divertia no baile funk, em Paraisópolis. A PM de Doria também alega o combate ao "crime organizado" e à repressão às drogas, presentes nos bailes funk da vida.
Tendo essas afirmações vindas da PM paulista como verdadeiras, aproveitamos para perguntar a todos/as: será que apenas nos bailes funk e nas periferias de nossas cidades, como Paraisópolis, existem consumo de drogas??? Por que a PM de Doria também não fez (ou faz) uma "incursão" no elegante bairro do Morumbi, vizinho à Paraisópolis??? Coincidência???
Claro que não. O alvo preferido das PM's de nosso país é atacar, a cada dia que passa, os jovens negros de nossas periferias com este tipo de argumento para justificar suas sangrentas invasões a essas comunidades. Enquanto isso, o setor nobre e rico dessas mesmas cidades pouco ou nada são atingidos pela corporação militar. Trata-se de mais um episódio do genocídio negro que vivemos há muito tempo em nosso país, herança perversa de um país racista, aumentado pela presença da ultradireita liberal no poder, como Bolsonaro, Doria e Witzel. Nenhuma surpresa no modus operandi de todos esses.
Infelizmente, nesta mesma semana de mais essa chacina contra o povo pobre, negro e periférico de nosso país, a Câmara dos Deputados aprovou o "pacote anticrime" de Moro e Bolsonaro. Pior ainda: com o voto das bancadas do PCdoB, PT e PSOL. A justificativa de Marcelo Freixo (PSOL/RJ): "(...) Um projeto seria aprovado, ou era esse ou era o do Moro", afirmou o pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro em 2020, aliado ao PT de Lula e cia.
Ou seja, Freixo (como o senso comum e boa parte da "esquerda oficial" pensam), optou pelo "mal menor". Assim como fizeram também com a recente "reforma da previdência", aprovada pelo governo Bolsonaro, no mesmo Congresso Nacional corrupto. Quem tem inimigos, não precisa de um "aliado" desses. O voto dos deputados do PCdoB, PT e PSOL refletem, muito bem, a atitude dos policiais militares de São Paulo e qualificam a chacina (mais uma) como apenas um "detalhe". Lamentável......... 
Para aqueles/as que nos criticam por fazermos tais considerações críticas à postura dos parlamentares de "esquerda" no Congresso, dizemos o seguinte: já conhecemos perfeitamente o pensamento de Bolsonaro, Doria e Witzel. Portanto, não há porque se surpreender com este tipo de coisa, vindos desses governantes. Mas, quando tal ação encontra respaldo na "esquerda oficial", é preciso exercer um pouco a análise crítica sobre os fatos. Senão, como diria uma amiga minha, é corroborarmos com o exercício da APP (Amnésia Política Proposital), praticada por esses/as ditas de "esquerda" já hp algum tempo!!!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Disputa no PSB/PB chega ao fim e a pergunta que NÃO quer calar: quem traiu quem nesta disputa???








Nesta terça-feira, 03 de dezembro do corrente ano, o governador João Azevedo (agora, sem partido) anunciou através de uma carta distribuída à imprensa sua desfiliação do PSB. Minutos após este anúncio vindo do governador, a direção do PSB/PB apresentou também à imprensa, uma nota respondendo ao ato de João Azevedo.
Para lembrar a todos/as uma coisa importante nesta história, antes de tecermos algumas considerações a respeito. O atual presidente estadual do PSB/PB, nomeado pela direção nacional do partido há poucos meses, é o ex-governador Ricardo Coutinho. Afirmamos isso para explicar que tal nota divulgada pelo PSB local tem as digitais do ex-governador.
Também para relembrar a todos/as, um pouco da história dessa disputa interna no PSB local. Ela começou quando o governador João Azevedo nomeou como Secretário Chefe do governo, em agosto deste ano. Quase que imediatamente após este ato, a deputada estadual Estelizabel Bezerra (PSB), afirmou à imprensa que Edvaldo NÃO poderia ocupar este cargo, tendo ao mesmo tempo o posto de presidente estadual do partido, como era até então. No que foi seguido por outras parlamentares do PSB, como Cida Ramos e Sandra Marrocos. Começava ali a disputa interna do PSB/PB que, neste processo, fez com que a direção nacional elegesse uma Comissão Interventora - chamado por esta de Comissão Provisória Estadual -, tendo o ex-governador Ricardo Coutinho como seu novo presidente estadual - ou interventor, como queiram -.
Depois de muitas idas e vindas, de várias reuniões para tentar resolver o problema, de muitas acusações de lado a lado no interior do partido, o governador João Azevedo decidiu sair do partido e anunciar isto pela imprensa. E, como já afirmamos, a direção estadual do PSB/PB, respondeu à altura acerca da desfiliação do governador.
As duas cartas - tanto a de João Azevedo comunicando a desfiliação do partido quanto à da direção estadual do PSB/PB sobre o anúncio - são  muito duras, recheada de acusações de ambas as partes, como já ocorria desde agosto deste ano.
João Azevedo chega a afirmar, em determinado momento de seu anúncio, que "(...) A maioria das críticas - ou melhor, dos ataques - veio de membros do nosso próprio partido". Segue afirmando que "(...) O antagonismo veio de figuras de proa do PSB, que mesmo antes da intervenção ou do golpe, já atacavam o Governo, secretários e o governador"  (https://parlamentopb.com.br/joao-azevedo-anuncia-desfiliacao-do-psb-em-busca-da-democracia-perdida).
Na mesma carta de desfiliação, o governador faz outra grave denúncia ao grupo liderado pelo ex-governador, Ricardo Coutinho. "(...)Convivi neste período, com boicotes e sabotagens internos à gestão promovidos por alguns, que apegados às funções e salários, não tiveram a dignidade de entregar seus cargos, agindo ou não sob algum tipo de comando superior" (Idem). Ao final de seu anúncio, afirma que ainda não manteve contato com legenda alguma acerca de seu provável destino, mas que isso ocorrerá ainda este ano. E aproveita pára alfinetar. mais uma vez, o PSB local. "(...) Irei mudar de partido porque o meu atual desconfigurou-se por completo na Paraíba" (Ibidem).
Como afirmamos antes, a resposta da direção estadual do PSB foi também dura. Nela, o partido afirma que a saída de João Azevedo "é a formalização de um ato de traição" (https://paraibaonline.com.br/2019/12/a-politica-ama-a-traicao-mas-abomina-o-traidor-diz-nota-do-psb-pb/).
Aproveita também para "desculpas ao povo paraibano por tê-lo feito acreditar que o técnico, o secretário e "fiel escudeiro" do ex-governador Ricardo Coutinho, daria continuidade à gestão que transformou nosso Estado" (Idem).
Neste e em outros pontos da carta, a direção estadual do PSB/PB tece considerações elogiosas a Ricardo Coutinho e procura apresentar o atual governador como um "traidor". Conclui afirmando uma bonita frase, certamente pensada por Ricardo Coutinho: "a política ama a traição, mas abomina o traidor". Neste ponto, queremos iniciar nossas considerações acerca dessa disputa.
Pra começo de conversa, Ricardo Coutinho precisa responder à seguinte pergunta: "quem traiu quem" nesta disputa interna do PSB/PB??? João Azevedo também precisa responder a este questionamento. Se forem políticos sérios, comprometidos com a verdade, como afirmam ser, responderão. Desde já, respondo a todos/as sobre isso, sem medo de errar: nem Ricardo Coutinho nem João Azevedo darão esta resposta. Por um motivo bastante simples: ambos são TRAIDORES, não apenas de seu partido, mas do povo paraibano, especialmente.
Tanto RC quanto JA adotaram um projeto de governo que, na aparência (e por meio de uma competente e vultosa propagando institucional), iludiram (e continua iludindo) boa parte de nosso povo, quanto à sua forma de administrar. Como pode Ricardo Coutinho criticar João Azevedo porque este não deu "continuidade à gestão que transformou nosso Estado"??? Esta "transformação" seria, por exemplo, a montanha de dinheiro público desviada dos cofres estaduais para beneficiar alguns elencados na "Operação Calvário"??? Tal "transformação" seria o pagamento de baixos salários à boa parte dos servidores estaduais, a começar pela Educação??? Ou ainda, esta "transformação" estaria vinculada ao fechamento de inúmeras empresas em nosso Estado, apenas para pegar desde 2011 pra cá??? Sem falar nas alianças espúrias feitas por Ricardo Coutinho e sua "tropa de choque" para consolidar este domínio político na Paraíba, a exemplo da aliança feita em 2010 com Cássio Cunha Lima. 
Do mesmo jeito que Ricardo Coutinho merece críticas por tudo isso, o mesmo aplica-se a João Azevedo. Isto porque, como a nota do PSB local afirma, o atual governador foi, durante os 8 anos de RC no governo, seu "fiel escudeiro", defendendo e implementando a mesma política nociva ao povo paraibano, escondida através de alianças políticas esdrúxulas e oculta por meio de uma propaganda oficial bem cuidada e extremamente cara. Assim como Ricardo Coutinho, João Azevedo também é responsável por tudo isso. e mais, como seu principal cúmplice. A "Operação Calvário" que o diga........
Pra concluir este assunto, uma coisa se mostra absolutamente nítida neste caso: trata-se de mais um capítulo da infindável novela "Estelionato Eleitoral", cometida por ambos, com a conivência do PSB, seja local ou nacional. E, pelas palavras de João Azevedo e da direção estadual do PSB (leia-se Ricardo Coutinho), isto não irá acabar tão cedo. Infelizmente............

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Porquê fé e política NÃO devem andar juntos II




Resolvemos continuar a tratar deste assunto por conta deste ser muito importante e representar o mais novo ataque do governo Bolsonaro às liberdades democráticas.
Quando Bolsonaro e sua "tropa de choque" resolvem, junto com aliados de direita e extrema-direita espalhados pelo mundo, como o governo Órban na Hungria, atacar (e, consequentemente, destruir) um dos pilares mais importantes da tradição histórica desde a Revolução Francesa de 1789, tal fato dá a dimensão do que representa - e pode representar ainda mais - o governo Bolsonaro, não apenas em nosso país mas em boa parte do mundo. Isto porque tal ideia ganha aliados espalhados por nosso planeta, como EUA, Hungria, Polônia e demais países.
Como já dissertamos no texto anterior, Bolsonaro ataca o caráter laico do Estado brasileiro para querer impor, segundo palavras do embaixador Fábia Mendes Marzano, a possibilidade concreta do Estado poder ter uma religião oficial e, pior ainda, de que esse Estado possa "converter" seus habitantes à esta religião oficial. Um absurdo pensado em pleno século XXI. Mas, isso é Bolsonaro!!!
O caráter laico do Brasil está presente não apenas em sua atual Constituição, em seu artigo 5º, incisos VI e VIII, mas provém de um certo consenso existente na maioria dos países ocidentais acerca desta questão, desde a eclosão da Revolução Francesa, em 1789. Este permite que todas as pessoas, indistintamente, tenham a liberdade de possuir (ou não) religião. Mais do que isso, defende a prática da intolerância religiosa entre seus habitantes para que, assim, possamos RESPEITAR todas as crenças existentes e, desta forma, construirmos uma sociedade plural em vários aspectos, inclusive em sua religiosidade.
Isto também é defendido por nós, socialistas, há muito tempo, provavelmente no mesmo período citado anteriormente. Tal defesa baseia-se na garantia das liberdades democráticas construída pela sociedade como um todo e que tal assunto - a religiosidade de cada um ou de um povo - é uma questão pessoal, individual e que NÃO pode nem deve ser objeto de definição de seus governantes ou Estado. 
Para lembrar a alguns, Lênin - dirigente maior da Revolução Russa de 1917 - defendia que qualquer pessoa poderia tornar-se membro do partido bolchevique e que NÃO se deveria cobrar delas acerca de sua posição religiosa, pois isso, segundo o revolucionário russo, serviria para afastar tais pessoas da luta política. Infelizmente, Stálin e seus aliados NÃO seguiram esta recomendação do líder bolchevique quando chegaram ao poder na antiga URSS, chegando a destruir mesquitas para obrigar as pessoas a defenderem o ateísmo em seu território. Um ataque brutal (mais um) praticado pelo stalinismo em sua trágica história.
Portanto, é para isto que serve a laicidade do Estado em que vivemos. Para que possamos construir uma sociedade não apenas plural, mas também que as pessoas possam se RESPEITAR e fazer o mesmo com todas as crenças religiosas existentes. É natural que uma ou outra pessoa NÃO sinta simpatia por aquela determinada religião (ou por nenhuma, como os ateus e agnósticos), mas o princípio de exercitar a compreensão acerca da individualidade de cada um é extremamente salutar para todos/as.
Infelizmente, esta NÃO é a orientação traçada por Bolsonaro e aliados. É preciso, assim, construirmos mais esta defesa contra este ataque de seu governo. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Porquê fé e política NÃO devem andar juntos!!!




Bolsonaro usa de seu poder como Presidente da República para não apenas atacar os trabalhadores com suas medidas draconianas e, ao mesmo tempo, apoiar ainda mais banqueiros e grandes empresários a aumentarem seus lucros e, consequentemente, a exploração sobre nossa classe, como também se dedica, desde seu primeiro dia de governo, a estabelecer novos paradigmas comportamentais. E isso NÃO se destina apenas ao território nacional, mas começa a espalhar seus tentáculos pelo mundo afora. 
Isso revela um dado importante a ser avaliado do governo Bolsonaro. Ele (ao contrário do que alguns afirmam) representa um projeto elaborado, de cunho profundamente ideológico - apesar de Bolsonaro e cia não gostarem muito do uso desse termo -.
O site do UOL afirma, em matéria publicada no dia de hoje (28/11/19), assinada pelo colunista Jamil Chade, acerca da participação do Brasil na 2ª Conferência Internacional na Perseguição Cristã, que ocorre na Hungria, organizada pelo governo de direita de Viktor Órban. Segundo informações do colunista, participam deste evento "aliados do regime de extrema-direita de Órban: os EUA de Donald Trump, os ultraconservadores da Polônia e o Brasil de Jair Bolsonaro" (https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2019/11/28/governo-bolsonaro-cristaos-hungria-diplomacia-itamaraty.htm).
Nesta conferência internacional, há um consenso, típico de uma "nova Inquisição", que estaria sendo vivida em todo o mundo. Órban e aliados acreditam firmemente que os cristãos estão sendo perseguidos em todos os recantos do planeta e que, por isso, seria necessário formular políticas públicas para combater tal situação. Porém, a clara intenção do evento NÃO é ocultada pelo governo húngaro: trata-se de combater a imigração existente. Segundo Órban, este "alertou sobre o risco de seu país ser uma 'rota de invasão islâmica' e que tem o 'direito de defender sua cultura'" (idem). Na esteira desse pensamento, o secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania, embaixador Fábio Mendes Marzano deixou claro que há uma mudança na linha de pensamento do governo brasileiro a partir de Bolsonaro e que "não se deve considerar como agressivo tratar de religião, nem em fóruns nacionais ou internacionais" (ibidem). E ainda defendeu que o Estado deva "converter" pessoas à religião melhor pensada por esse mesmo Estado. Em pleno século XXI, voltamos ao período colonial do Brasil, aonde jesuítas converteram, com uso da força da Igreja Católica da época, os indígenas que habitavam nosso território. Ou, se alguém quiser, ao período da escravidão negra em nosso país, quando o povo negro foi impedido pelos senhores de engenho e também pelo governo brasileiro a manterem sua fé vinda da África. Tal perseguição à fé do povo negro também foi incorporada aos primeiros anos da República.
Bolsonaro e seu embaixador "esquecem" que o Brasil é um país laico, definido pela Constituição de 1988. Trata-se uma cláusula pétrea, estabelecida em seu artigo 5º, incisos VI (em especial) e VIII. Mas, como todo bom capitão da reserva do Exército e fiel representante do reacionarismo e da direita ultraliberal de nosso país, desconhece completamente esta liberdade democrática prevista em nossa Constituição. Mais do que isso, pretende com seu governo atacar esta norma constitucional e incitar a intolerância religiosa em nosso país, ainda que este afirme todo o tempo que este NÃO é de seu interesse. Acredite se quiser.....
Quando o embaixador brasileiro presente à conferência afirma, com todas as letras, que " uma das principais mudanças conduzidas pelo governo Bolsonaro foi exatamente colocar a religião no processo de formulação de políticas no Brasil" (https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2019/11/28/governo-bolsonaro-cristaos-hungria-diplomacia-itamaraty.htm), isto explicita o projeto encabeçado por Bolsonaro para a sociedade brasileira. Quando tal afirmação encontra eco em alguns países, como os presentes à conferência na Hungria, isso se torna mais preocupante ainda. Tal fato demonstra que o governo Bolsonaro NÃO se destina apenas a atacar a classe com suas medidas, mas implantar um pensamento em nosso povo de que se não houver uma ligação entre Estado e religião, o Brasil será um país ingovernável. Bolsonaro tenta, com isso, derrotar a laicidade do Estado e impantar as raízes da intolerância religiosa em nossas fronteiras. E apoiar o o combate a isto, segundo o secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania, embaixador Fábio Mendes Marzano. 
O discurso da perseguição ocorrida contra os cristãos é o mote para tal intenção de Bolsonaro e aliados internacionais. Além disso, o aumento da xenofobia, racismo e outras mazelas que assolam nossa sociedade tenderão a figurar como "política de Estado". Com isso, Bolsonaro manda para a lata do lixo da História a máxima do "somos todos iguais perante a lei, sem distinção de cor, raça, sexo ou quaisquer outros motivos", prevista em nossa Constituição, dos EUA e de outros países ocidentais, consequentemente.
Não à toa, começam a surgir críticas ao posicionamento do governo Bolsonaro e seus aliados acerca deste assunto. A mais veemente, neste ponto, vem do Vaticano, onde segundo o arcebispo Antoine Camilleri, vice-secretário para a Relação com Estados, afirmou que tal postura presente à conferência e externada pelo governo brasileiro seria um desserviço para o cristianismo, aprofundando a tensão na sociedade" (https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2019/11/28/governo-bolsonaro-cristaos-hungria-diplomacia-itamaraty.htm).
Portanto, construir a UNIDADE entre os/as lutadores/as e ativistas políticos é fundamental não apenas no Brasil, mas em todos os locais aonde a perseguição contra os direitos da classe trabalhadora (esta sim, bem real e perceptível) poderá ser derrotada. Pois já está muito claro que, para Bolsonaro e sua "tropa de choque", NÃO há limites para este bando quando o assunto é destruir a todos/as, de todas as formas possíveis e imagináveis.