Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dilma, Ricardo e o estelionato eleitoral

As eleições 2010 nem acabaram e os eleitos já estão dando mostras do que irão fazer quando sentarem nas suas respectivas cadeiras a partir de 1º de janeiro de 2011. Só para citar dois desses, Dilma Rousseff (PT) e Ricardo Coutinho (PSB), presidente e governador eleitos do Brasil e da Paraíba, respectivamente, já estão praticando um dos "esportes" favoritos dessa turma: o estelionato eleitoral.
Senão, vejamos e relembremos. Alguém viu e ouviu Dilma e Ricardo, durante os três meses de campanha, falar e/ou defender a volta da famigerada CPMF, o famoso imposto do cheque? Aquele que foi criado para arrecadar mais recursos para a saúde pública de nosso país mas que nosso povo nunca sentiu isso na pele, nos hospitais e postos de saúde públicos espalhados pelo território nacional? Ou então alguém viu e leu tal proposta referente a isso nos programas das duas candidaturas catalogadas nos respectivos tribunais eleitorais, o TSE e o TRE/PB?
A resposta, nos dois casos, é a mesma: NÃO! Configura-se, assim, o estelionato eleitoral que foram submetidos o/a eleitor/a brasileiro/a e paraibano/a. Foram às urnas em dois turnos e votaram em candidatos que afirmaram uma coisa para eles/as e, ao ganhar, imediatamente, passaram a falar outra língua. E agora, o que fazer? A quem reclamar? Ao Procon Municipal ou Estadual? Ou esperar mais 4 anos para, depositando um voto numa urna , rezar pra aquele/a candidato/a em quem você votou, realmente falou a verdade? Ou realizar o caminho mais coerente, se organizar numa entidade de luta, num partido combativo,que realmente defenda os interesses da classe trabalhadora e assim ajude a construir desde já a oposição a este estelionato eleitoral promovido por Dilma Rousseff e Ricardo Coutinho? 







sábado, 13 de novembro de 2010

A eleição mal terminou e o governo já começa a anunciar quais serão os ataques aos trabalhadores

Publicamos, na íntegra, artigo do companheiro Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas sobre o que nos espera do novo governo federal eleito recentemente. Boa leitura e luta a partir de 2011! 

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Por Paulo Barela
da Secretaria Executiva da CSP-CONLUTAS






O novo governo ainda não assumiu, mas suas futuras ações já começam a ser divulgadas pela grande imprensa. E não são nada alentadoras para os interesses da classe trabalhadora. Evidentemente não havia nenhuma expectativa, considerando o conteúdo programático das candidaturas que disputaram o segundo turno da eleição presidencial. Porém, agora, depois de garantida a cadeira de presidente da República, Dilma fica mais à vontade para anunciar os ajustes fiscais, a terceira reforma da previdência e os planos de cortes nos gastos com pessoal da União. Leia-se congelamento salarial.

Segundo O Estado de São Paulo, a revista Veja e outros órgãos da imprensa burguesa, as medidas começam com o estabelecimento de uma meta de superávit primário de 3,3% sobre o PIB. Trocando em miúdos, isso significa reduzir gastos com saúde, educação, habitação e cortar investimentos que poderiam melhorar a prestação dos serviços públicos para os trabalhadores e para a população mais pobre. Essa economia será canalizada para “honrar” os compromissos com os banqueiros e especuladores internacionais e seguir pagando mais e mais os juros da dívida pública.

A política de redução de gastos prevê ainda a edição de uma terceira reforma da previdência, a exemplo do que já vêm fazendo vários países da Europa e que tem provocado a reação de milhões de trabalhadores e estudantes em grandes manifestações naquele continente. Com a reforma do Regime Geral de Previdência, Dilma pretende estabelecer a idade mínima para a aposentadoria no setor privado (especula-se algo em torno de 60 anos para as mulheres e 65 anos para os homens), piorando ainda mais a situação dos trabalhadores, que já sofrem bastante para se aposentar por causa do famigerado Fator Previdenciário.

Para o funcionalismo público, a futura governante busca regulamentar a previdência complementar, beneficiando bancos e fundos de pensão privados que vão lucrar muito com a privatização desse serviço. Como se não bastasse, ainda propõe a redução dos custos das empresas com a contribuição previdenciária da parte do patrão. Como isso vai acontecer ainda não está bem claro, porém o conteúdo da proposta é evidente no discurso de Dilma: “desoneração gradual da contribuição previdenciária na folha de pagamento das empresas”.

Em síntese, sobre a previdência, a futura equipe econômica do governo Dilma quer impor as seguintes metas:

1. Idade mínima para a aposentadoria dos trabalhadores no setor privado;

2. Privatização de parte da previdência dos servidores públicos com benefício a banqueiros e fundos de pensão;

3. Redução da parte do patrão na contribuição para o Regime Geral de Previdência.

O saco de maldades da futura governante ainda aponta a retomada de projetos estacionados no Congresso Nacional que reduzem direitos e conquistas do funcionalismo público. Dentre esses, é corrente na imprensa que o novo governo buscará a aprovação do PLP-549, que prevê o congelamento salarial dos servidores públicos federais por dez anos e a inviabilização da edição de novos concursos públicos.

Em seu discurso após o resultado final da eleição, Dilma assinalou que “zelará pela meritocracia no funcionalismo”. Este é um argumento idêntico ao de Bresser Pereira que usou a meritocracia para fazer a Reforma Administrativa em 1996, promovendo a privatização de parte dos serviços, terceirizações com precarização do trabalho, eliminação dos concursos públicos e incentivos a evasão de servidores públicos. Igual ao ministro de FHC, Dilma defende um serviço público elitizado e enxuto, transferindo para empresas terceirizadas o atendimento à população nos postos de saúde, balcões do INSS e nas escolas.

Enquanto propõe medidas que promovem ataques profundos às conquistas dos trabalhadores, sobretudo em relação ao ajuste fiscal e redução de gastos no terreno de políticas públicas, a presidente eleita declara que vai liberar mais dinheiro para o BNDES financiar projetos de investimentos em bancos e empresas privadas.

Para compensar, Dilma promete aumentar os recursos para o programa Bolsa Família e expandir para mais famílias. Ao portal de O Globo na Internet, ela disse: “Não sei dizer agora qual será o reajuste, mas asseguro que haverá.” Se considerarmos que no governo Lula esse benefício não chegava nem sequer a 5% do Orçamento da União – contra 39% para pagamento dos juros da dívida pública – não se pode ter muita esperança. Mesmo sob o novo governo, o Bolsa Família continuará sendo um verdadeiro “Bolsa Miséria”, fruto das migalhas do banquete que o governo petista oferece aos ricos e poderosos desse país.

Frente a esse quadro, não resta outro caminho aos trabalhadores e à juventude brasileira que não seja preparar-se para organizar a luta contra essas políticas. Assim, a CSP-CONLUTAS (Central sindical e Popular) já articula com várias outras organizações da classe trabalhadora uma ampla unidade de ação para produzir um calendário de mobilizações que unifique sindicatos, federações, confederações, entidades estudantis e do movimento popular, urbano e rural, em resistência aos ajustes fiscais e a retirada de direitos. Ainda que Dilma tenha construído um amplo leque de alianças com os setores mais importantes da burguesia e que conte com uma maioria folgada no Congresso Nacional, suas medidas vão encontrar uma forte resistência por parte da classe trabalhadora.

A CSP-CONLUTAS coloca-se desde já na vanguarda da organização dessa resistência.







segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Declaração de Zé Maria sobre o salário mínimo

Publicamos a nota assinada pelo companheiro Zé Maria, do PSTU, sobre a atual condução da política econômica pela presidenta eleita do nosso país, Dilma Rousseff, do PT.
Leiam e reflitam!
Um grande abraço
Antonio Radical  





Uma exigência ao governo Dilma, ao PT e às centrais sindicais:



DOBRAR O SALÁRIO MÍNIMO EM 2011 !


Como um passo importante para garantir um salário mínimo realmente digno



Na semana passada, logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, já se iniciaram as negociações entre o governo Lula, a bancada governista da Câmara de Deputados e as centrais sindicais que apóiam este governo, sobre o novo valor do salário mínimo que começa valer em janeiro de 2011.

A proposta inicial do governo é reajustar o atual salário mínimo (R$ 510,00) apenas para R$ 538,00. E, o relator do projeto de lei do Orçamento de 2011, Gim Argello (PTB-DF), oficializou uma proposta de arredondar a proposta do governo para R$ 540.

As centrais sindicais que apóiam o governo Lula e Dilma, especialmente a CUT e a Força Sindical, começaram a negociar também uma proposta de reajuste. A Força Sindical, através do seu deputado federal Paulinho Pereira (PDT-SP), apresentou uma proposta de R$ 580.

O atual ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), frente à proposta das centrais sindicais governistas, já acena com uma negociação e falou em um salário mínimo que poderia chegar até a R$ 570.

A oposição de direita, especialmente o PSDB e o DEM, de forma oportunista, esquecendo que foi o governo Fernando Henrique que mais arrochou o salário mínimo, defende a proposta apresentada por seu candidato derrotado nas eleições, José Serra (PSDB-SP), de reajustar o salário mínimo já em 2011 para R$ 600.

Na opinião do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU, todas estas propostas são rebaixadas e vão representar mais arrocho salarial para uma parcela expressiva dos trabalhadores, aposentados e pensionistas brasileiros, que ganham somente um salário mínimo ou têm o valor de seus salários vinculados ao do salário mínimo. Especialmente para as mulheres e para os negros, que injustamente recebem os menores salários entre o conjunto dos trabalhadores.

A economia brasileira vive um momento de crescimento, e as projeções indicam que este crescimento pode chegar até 8% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano. O problema é que o crescimento de nossa economia vem sendo apropriado fundamentalmente pelos grandes empresários, os latifundiários e os banqueiros.

Apesar de todo o discurso do governo Lula de que vivemos um “momento mágico” no país, onde impera o crescimento econômico e a distribuição de renda, a realidade demonstra que o custo de vida para os trabalhadores vem aumentando a cada dia.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), somente em outubro deste ano, a cesta básica teve expressivo aumento em 16 das 17 capitais brasileiras pesquisadas. Em São Paulo, o aumento foi de 5,27%, elevando a cesta básica no Estado para R$ 253,79, o maior custo de produtos alimentícios do país. O maior aumento foi em Curitiba (PR), de 5,78%.

Por isso, a proposta do nosso partido é dobrar de forma imediata o salário mínimo, em janeiro de 2011 para R$ 1.020, como um passo importante para se garantir realmente um salário mínimo digno. Afinal, o mesmo Dieese, calcula que o salário mínimo deveria ser de R$ 2.132,09, já em outubro de 2010, para se garantir minimamente os gastos dos trabalhadores com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Este valor equivale a 4,18 vezes o valor do mínimo atual.

Portanto, é totalmente factível a proposta de dobrar de forma imediata o salário mínimo, rumo ao valor calculado pelo Dieese. Para isso, no entanto, será preciso que o governo Dilma mude completamente a lógica da política econômica aplicada nos últimos anos em nosso país, tanto por FHC como por Lula, seu aliado político.

O primeiro passo necessário é reduzir os lucros exorbitantes das grandes empresas.

Somente nos oito anos do governo Lula, as grandes empresas aumentaram em 400% seus lucros, enquanto que para os trabalhadores vimos um aumento de apenas 53% no valor do salário mínimo. Isso se levarmos em consideração o período dos dois mandatos de Lula, e as migalhas das políticas sociais compensatórias, como o “Bolsa Família”, que são completamente insuficientes para resolver de fato a desigualdade social crescente.

Outro passo fundamental é acabar com a verdadeira sangria do Orçamento da União para garantir os pagamentos dos juros e das amortizações das dívidas externa e interna. Os juros da dívida pública seguem abocanhando a maior parcela do Orçamento da União.

Só em 2009 36% do Orçamento do país foi destinado para pagar somente os juros e as amortizações destas dívidas. Os juros das dívidas roubam anualmente do país as verbas que seriam necessárias para se investir nas áreas sociais, como saúde e educação, e na melhoria da vida dos trabalhadores e do povo pobre brasileiro. E o que é pior, este mecanismo perverso não impediu que a dívida interna brasileira chegasse este ano à incrível cifra de 2 trilhões de reais.

Infelizmente, a presidente eleita Dilma Rousseff já anunciou durante a sua campanha eleitoral que irá dar continuidade à política econômica do seu antecessor e padrinho político, Lula. Portanto, a única forma dos trabalhadores conquistarem um aumento significativo no salário mínimo é confiarem somente na força das suas mobilizações, como vemos hoje na Europa onde a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre estão indo a luta para resistir contra os ataques aos seus direitos e salários.

Por isso, o PSTU chama as centrais sindicais que apóiam este governo a romperam as negociações rebaixadas sobre o salário mínimo na Câmara de Deputados, e apostarem prioritariamente na mobilização dos trabalhadores para conquistar um salário mínimo realmente digno.

É preciso unificar as centrais sindicais ao redor de um plano de lutas para uma elevação real do salário mínimo. O PSTU apóia a construção de um amplo e unitário movimento de resistência dos trabalhadores brasileiros, que garanta não só um salário mínimo digno já no ano que vem, como também impeça ataques previsíveis do novo governo aos trabalhadores, que já estão sendo anunciados pela grande imprensa, como por exemplo, a proposta de uma nova reforma da Previdência que aumentaria ainda mais a idade mínima para a aposentadoria.

São Paulo, 8 de novembro de 2010.

Zé Maria, presidente nacional do PSTU

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mais uma vez. Marx estava certo!

Uma das frases mais famosas do revolucionário alemão, criador - junto com Engels - do socialismo científico, Karl Marx, é sem dúvida que a "religião é o ópio do povo". Muitos padres, pastores e pensadores a serviço da burguesia, ao longo do tempo, sem fazerem a devida análise da frase, tentam deturpar a essência deste pensamento de Marx para, com isso, promover mais um ataque à teoria marxista.
Porém, a atual campanha eleitoral - tanto no plano nacional quanto na Paraíba - tem demonstrado inequivocamente que, a despeito dos ataques que Marx e seus companheiros/as de luta tem sofrido até hoje, este mais uma vez está com a razão. Sua frase, dita nos idos do século XIX, continua mais atual do que nunca.
Vamos primeiro contextualizar tal frase. O ópio a que se refere Marx na referida frase era a droga do momento no final do século XIX, a "cocaína" da época. Esta droga era extraída da papoula. Por ele, a Inglaterra chegou a entrar em guerra por duas vezes contra a China para que esta fosse obrigada a aceitar que a droga pudesse ser comercializada dentro do território chinês. Isso ocorreu ´primeiro entre 1839-42 e depois entre 1856-60. O ópio só foi definitivamente proibido de entrar na China após a vitória da Revolução Comunista em 1949.
Como toda droga, o ópio tinha como característica fundamental levar a pessoa viciada a viver em uma outra realidade, ainda que momentânea. Mais ainda, ele quer também fazer com que a pessoa que nele se vicia passe a viver sempre naquela realidade, se aprofundando nesta até não sair mais, pensando em todo o momento como viver nela o tempo todo. Para isso, a pessoa faz tudo para permanecer na realidade criada pelo ópio ou qualquer que seja a droga.
Quando Marx afirma a frase "a religião é o ópio do povo", ele quer dizer praticamente a mesma coisa em relação às pessoas que vivem suas vidas apenas olhando-as do ponto de vista da religião, do ponto de vista do discurso religioso, anunciado pelo seu padre, do seu pastor ou de seu guia espiritual, qualquer que seja o nome que se dê a este.
A reta final da atual campanha eleitoral, tanto em nível nacional quanto local  tem servido para mostrar o acerto de Marx quando afirmou tal frase no século XIX. Os candidatos têm explorado a temática religiosa a despeito de explicitar ao eleitorado assuntos que realmente interessam a todos nós, como por exemplo o que vão fazer com a Previdência pública no próximo período (ver o que acabou com a França, apesar dos inúmeros protestos realizados pela classe trabalhadora daquela país), a questão das privatizações, uma política real para o salário minimo, a questão da dívida externa, a política de reforma agrária, entre outros. Tudo isso está sendo deixado de lado para se encobrir atrás da discussão religiosa que tomou conta da campanha eleitoral de Dilma X Serra e agora também de Zé Maranhão X Ricardo Coutinho.
O objetivo de tudo isso é claro. A tática dos candidatos e de suas assessorias é proposital.  Centrar fogo na questão religiosa significa esconder da população e, especialmente da classe trabalhadora, os ataques que cada um dos candidatos, caso eleitos, irão desferir contra todos nós a partir de 1º de janeiro quando tomarem posse, seja no Planalto ou no Palácio da Redenção. E, ao mesmo tempo, aumentar o arsenal dentro da classe de reacionarismo e preconceitos e discriminações contra as mulheres, negros e homossexuais. pois o ataque à legalização do aborto  é um ataque à luta das mulheres; ao casamento gay à luta do movimento LGBTT; e, no caso da Paraíba, às manifestações religiosas africanas, um ataque à luta dos negros/as. Tudo isso só serve para aumentar o machismo, homofobia e racismo em nossa sociedade, no que a burguesia agradece rindo às gargalhadas. 
Apesar dos pensadores burgueses, padres e pastores, Marx mais uma vez acertou. A religião é o ópio do povo!

Os vencedores e vencidos nas últimas eleições na Paraíba

Terminado o processo eleitoral 2010, chegou a hora de se fazer um balanço do que ocrreu e suas consequências. Começaremos por este artigo avaliando quem ganhou e quem perdeu após as eleições concluídas.
Evidentemente, o ex-prefeito da Capital, Ricardo Coutinho (PSB), sai das urnas como o grande vencedor da eleições na Paraíba. É o novo governador eleito da Paraíba e conseguiu, no 2º turno, uma vitória acachapante sobre seu concorrente, o atual governador Zé Maranhão (PMDB). Em outro artigo, faremos uma valiação mais precisa do que realmente significa essa vitória de Ricardo Coutinho e o que a classe trabalhadora pode esperar de seu governo nos próximos 4 anos.
Além de Ricardo, Cássio Cunha Lima (PSDB) sai também vitorioso no processo. Por duas razões: derrotou seu principal rival na política local na disputa pelo governo do Estado, tendo apoiado decisivamente Ricardo Coutinho desde o início da campanha - na verdade, há quase um ano que Cássio defendia o nome de Ricardo Coutinho para unificar a oposição de direita - e ainda por cima, elegeu-se senador com mais de 1 milhão de votos. Passado o teste das urnas, Cássio agora terá que passar pelo exame do STF, já que ele foi enquadrado na Lei Ficha Limpa e teve, recentemente, seu registro de candidatura cassado pelo TSE. A decisão final dessa novela cabe agora ao STF. Porém, o que cabe assinalar aqui é que boa parte da vitória expressiva de Ricardo Coutinho no 2º turno das eleições deve-se ao fato de Cássio Cunha Lima ter se jogado de corpo e alma nas ruas e também - principalmente isso - ter conquistado o apoio de vários prefeitos/as para Ricardo Coutinho. Isso fez com que Ricardo virasse o jogo em vários municípios paraibanos na votação conquistada no 2º turno.
Sai vitorioso também no processo o deputado federal reeleito pelo PT, Luiz Couto. Ele enfrentou uma intensa briga interna no partido para que este apoiasse Ricardo Coutinho nas eleições deste ano. O partido preferiu seguir na linha traçada pela nacional e apoiou Zé Maranhão e ainda por cima, a direção estadual colocou pra bater de frente com o padre deputado uma candidatura a deputado federal, capitaneada por Jeová Campos, que deixou de se lançar à reeleição como deputado estadual para comprar essa briga. Durante a campanha, Luiz Couto chegou a acusar publicamente a direção estadual do PT/PB de estar boicotando sua participação no guia eleitoral por conta de seu apoio a Ricardo Coutinho. No final, o candidato a governador apoiado por ele foi eleito, ele reelegeu-se mais uma vez deputado federal (o 5º mais votado no Estado) e ainda teve o gostinho de ver seu concorrente direto no partido perder nas urnas. Santa vitória a de Luiz Couto, não?
Vamos agora falar dos vencidos. São muitos esses. A começar pelo grande derrotado que foi o governador atual Zé Maranhão. Tido como vitorioso já no 1º turno, teve que amargar a ida a um 2º turno nunca antes pensado por seus correligionários e apoiadores. Finalmente, amargou mais uma derrota humilhante nas urnas. Encerra assim melancolicamente sua carreira política, pois com 80 anos de idade e sem mandato algum não é possível imaginar que Zé Maranhão pense em alguma disputa política diretamente daqui pra frente.
Outro derrotado é o senador e presidente estadual do PSDB, Cícero Lucena. Este perdeu duas vezes: era um dos coordenadores na região Nordeste da candidatura de Serra à presidência e viu seu candidato ser trucidado nas urnas nordestinas, em todos os Estados, sem exceção, especialmente no seu, a Paraíba; depois, ao apoiar Zé Maranhão contra Ricardo Coutinho - apesar de seu partido estar na coligação de Ricardo e ter indicado o vice na chapa - Cícero e seu grupo dentro do partido saem profundamente derrotados desta eleição. Cícero, com esta derrota, vê seu sonho de disputar - e ganhar - a Prefeitura de João Pessoa daqui a dois anos como algo praticamente improvável.
Não podemos esquecer de Efraim Morais, que viu ser derrotado nas urnas seu projeto de reeleição ao Senado. Sai da eleição profundamente derrotado e nem a vitória de seu filho à Câmara dos Deputados ameniza isto. É mais um dos grandes caciques da política nacional que sai derrotado. Os vários escândalos e denúncias sobre sua pessoa foram decisivos para o resultado por ele obtido.
Há mais um derrotado e este atende pelo nome de direção estadual do PT. A primeira derrota desta direção foi não ter conseguido unificar o partido em torno do nome de Zé Maranhão. Uma parte expressiva do partido esteve, desde a primeira hora, apoiando a candidatura de Ricardo Coutinho, liderada pelo deputado federal reeleito Luiz Couto. Isso fracionou o PT ao meio em todo o Estado. A aposta feita pela direção estadual do PT em seguir a linha nacional e indicar o vice da chapa, o deputado estadual e presidente da legenda no Estado, Rodrigo Soares, foi muito alta e ela perdeu. Além disso. dos 3 deputados estaduais eleitos, apenas 1 - Frei Anastácio - comunga das ideias defendidas por esta direção estadual. Agora, é esperar pelas cenas dos próximos capítulos para ver o que vai acontecer no PT/PB.
Mas existe o maior derrotado de todos/as com o resultado destas eleições na Paraíba. Ele atende pelo nome de classe trabalhadora. Esta será duramente atacada por Ricardo Coutinho no póximo período e a hora agora é dos setores mais consequentes da classe se organizarem para construir as lutas de resistência que serão muitas nos 4 anos que vem aí. Ela seria também atacada caso Zé Maranhão vencesse. Mas agora, a partir de 1º de janeiro de 2011, será Ricardo Coutinho e o PSB, junto com a dupla dinâmica PSDB-DEM, a liderar tais ataques contra os/as trabalhadores na Paraíba.

sábado, 11 de setembro de 2010

Samba do crioulo doido ou oportunismo político?


Todos sabem que o PT não segue o modelo leninista de organização partidária, onde se pratica o centralismo democrático - regra de convivência interna onde todos/as militantes discutem internamente todas as questões políticas do partido e tem a mesma condição de decidir e, sobretudo, ter a capacidade de dirigir os dirigentes, ou seja, o que os dirigentes do partido fazem ou deixam de fazer; falam ou deixam de falar representam aquilo que o partido, ou melhor, o que os militantes decidem nas reuniões internas-. O PT, desde sua fundação, há 30 anos não segue nem nunca seguiu este modelo mas todos/as concordam que um partido político tem que ter pelo menos coerência. E está cada vez mais difícil de se esperar isso do PT, seja no plano nacional ou estadual ou municipal.

O mais novo exemplo disso está aqui na Paraíba. O PT nacional decidiu lançar Dilma como sua candidata a Presidente, tendo como vice o ex-presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Michel Temer. Até aí, tudo tranquilo. Porém, quando as coisas saíram da esfera nacional e vieram para o terreno da política local, aí tudo começou a ficar mais complicado.

Tudo porque o PT/PB estava profundamente rachado por conta da disputa local, com um setor apoiando o governador candidato à reeleição, Zé Maranhão (PMDB) e outro apoiando o ex-prefeito da capital, Ricardo Coutinho (PSB). O primeiro bloco é liderado pelo deputado estadual Rodrigo Soares, que inclusive é o candidato a vice-governador na chapa majoritária enquanto o outro bloco petista é liderado pelo deputado federal Luiz Couto.

O "xis" da questão desse artigo é que na última sexta-feira, 10/09, o presidente nacional da legenda, Eduardo Dutra, produziu uma declaração do presidente do PT de João Pessoa, Antonio Barbosa - aliado de Luiz Couto, portanto do bloco que apóia a candidatura de Ricardo Coutinho - de que a vinda de Dutra à Paraíba "não muda em nada o apoio dos militantes do PT da capital ao candidato ao Governo do Estado, Ricardo Coutinho (PSB)".

Qual o problema disso? Como já afirmei anteriormente, o mínimo que se espera de um partido é coerência. Também se espera de um partido respeito ás suas deliberações internas, a começar por suas lideranças. Não é isso que observamos no PT.

O PT definiu mais do que lançar Dilma Rouseff como sua candidata á sucessão de Lula ao Palácio do Planalto. Definiu também um programa - bom ou ruim, não vamos discutir aqui o mérito dessa questão, não é esse o objeto desse artigo - e o arco de alianças do partido nas atuais eleições. Neste ponto, a resolução sobre tática e política de alianças definida no 4º Congresso Nacional do PT é dúbia quando afirma, por um lado, com todas as letras que "o partido busque alianças com todos os partidos da base de sustentação do governo", isso para cumprir a tarefa de eleger Dilma Roussef, e por outro, acena com a possibilidade de construção de mais de um palanques nos Estados onde não for possível construir a unidade partidária.

Os aliados de Luiz Couto se sustentam neste ponto da resolução para defenderem a candidatura de Ricardo Coutinho, apesar deste estar sendo apoiado pelo PSDB e pelo DEM na Paraíba, partidos que não fazem parte da base governista em nível federal. Assim, eles sentem-se à vontade para continuarem tocando a campanha do ex-prefeito da capital paraibana e não sofrerem nenhuma retaliação da direção nacional do PT, apesar dos protestos da direção estadual do partido, que está na campanha de Zé Maranhão.

Para um simples mortal, isso pinta como um samba do crioulo doido. Como um mesmo partido pode ter duas alas defendendo dois candidatos a Governador de Estado? O que pode explicar isso é, primeiro, o profundo apego ao aparelho de Estado que o PT, ao longo dos anos, passou a ter. Nas duas alas em disputa, existem pessoas e mais pessoas que pertencem a várias correntes políticas internas do partido que estão vinculadas a cargos dentro da máquina administrativa ou do Estado ou da Prefeitura Municipal de João Pessoa e, com o processo eleitoral em questão, procuram assegurar tais cargos e mais alguns caso seus candidatos vençam o processo eleitoral. Não existe, portanto, nenhuma disputa política-ideológica mas sim tão somente a sobrevivência de cada uma dessas pessoas e, por tabela de suas correntes políticas internas e, finalmente, a do partido.

É a boa velha campanha do "meu cargo, minha vida" e por causa disso Zé Maranhão ou Ricardo Coutinho são os melhores candidatos do mundo, serão os melhores governadores desse Estado no próximo período, realizarão coisas que nunca foram realizadas nos 425 anos da Paraíba. Afinal de contas, as duas alas do PT/PB precisam sobreviver a qualquer custo no cenário político paraibano.

Enquanto isso, o povo está aí alheio a tudo isso. Mas isso, para essas pessoas, é apenas um detalhe.

sábado, 10 de julho de 2010

Uma avaliação da eleição do Sinfesa

No último dia 5 de julho deste ano, ocorreu a eleição para renovação da diretoria do Sindicato dos Funcionários Públicos de Sta. Rita - SINFESA -. Na disputa, duas chapas, a chapa 1 liderada pelo atual presidente, José Farias, e a chapa de oposição, capitaneada por Manoel Vieira, vice presidente da gestão que encerrava o mandato mas que rompera com José por conta dos desvios de conduta deste à frente da direção da entidade.
O SINFESA tem hoje com José no comando da entidade uma entidade completamente paralisada, que vive sob controle da Prefeitura, sem ter nenhuma autonomia e independência de classe. Daí a necessidade que um setor da categoria sentiu de dar uma resposta efetiva a esta situação. A greve do Magistério, em 2007, foi o estopim para se perceber a traição da maioria da direção do Sindicato quando esta por trás da categoria negociava o fim da greve com a Prefeitura sem nenhuma conquista para os trabalhadores às custas da perseguição a vários lutadores/lutadoras que atuavam na greve. Tudo isso com a permissão do presidente do Sindicato, José e a maioria de seus companheiros/as de diretoria.
Além disso, outra coisa bastante grave que se deu ao longo da gestão foi a completa falta de transparência na prestação de contas da entidade à categoria, afinal trata-se do dinheiro da categoria. Em 4 anos de gestão, nenhuma prestação de contas foi feita e só às vésperas da eleição, de forma muito atabalhoada, tal coisa foi feita e mesmo assim, há muito o que se questionar nas contas apresentadas.
No processo eleitoral em si, o que se viu foi uma tremenda desorganização proposital, tudo para garantir a qualquer custo a vitória da chapa da situação - ou a chapa da Prefeitura, podemos assim dizer -. Desde a eleição forjada da Comissão Eleitoral em Assembleia convocada sem a devida convocação bem feita na base até a atuação da "competente" e "eficiente" presidente da referida Comissão, para não dizer o contrário, que fez de tudo para tumultuar o processo eleitoral. Até mesmo ameaçar eleitores esta presidente fez, a fazvor da chapa 1. Isso é que é isenção!!!
Apesar de tudo isso, somado à "compra de votos" pela chapa situacional com as indicações de diretores/as de escolas, dobras de cargas para vários profissionais em escolas e outros tipos de favores feitos tal qual um candidato burguês da pior espécie, o comportamento político da chapa 2 durante todo o processo eleitoral e, especialmente, o desempenho eleitoral verificado ao abrir das urnas foi EXCELENTE!!!
Na eleição passada, a chapa de oposição a José saiu das urnas com um pífio resultado de 14%. Agora, a chapa 2, de Manoel, Valdir, Cleiton, Glória, Nevinha, Gilmar, Socorro, Elisângela, Elizama, Márcio e cia. saem das urnas com cerca de 34% dos votos, o que lhes dá uma credibilidade para iniciar um forte trabalho na base da categoria com muito mais respaldo.
Ainda mais que olhando para a atual composição da nova gestão do SINFESA, podemos verificar que a tendência é que José e cia. deverão se degenerar cada vez mais rápido, pois agora não há mais um Manoel Vieira para olhar os descalabros da gestão e, em seu lugar, entraram umas figurinhas que nós, servidores/as da base, devemos nos preocupar e muito com o futuro de nosso SINFESA.

A Espanha pode fazer História!

Neste 11/07/10, a Espanha poderá fazer História no futebol mundial e se igualar à Alemanha como a seleção vencedora da Copa do Mundo imediatamente após ter vencido a Eurocopa. Isto só ocorreu antes na História no longínquo período 1972-74, quando a então Alemanha Ocidental, liderada por Beckenbauer, Maier, Gerd Müller e tantos outros craques conquistou a Eurocopa em 1972, vencendo na final a URSS por inapeláveis 3x0 e dois anos após, jogando em casa, derrotou a fantástica Holanda de Crujff e Cia., por 2x1, conquistando seu segundo Mundial.
A Espanha de Puyol, Casillas e Villa pode repetir esse feito tentado por tantos outros mas não conseguido, o que convenhamos realmente não é fácil. Porém, terá pela frente uma Holanda que honra a velha tradição da "Laranja Mecânica" de seus melhores tempos, em que chegou às finais das Copas de 74 e 78 e não levou. A Holanda de Sneider e Robben tem uma vantagem que as de Crujff e van der Kerkhoff não tinham: uma defesa consistente, já avaliaram vários críticos da bola - e quando falo críticos da bola, não estou me referindo a Neto nem a Galvão Bueno, façam-me o favor, isto aqui é um blog de vergonha, ok? -. Portanto, isto só aumenta a dureza da tarefa que a Espanha terá se quiser repetir o feito que a Alemanha produziu há exatos 36 anos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uma avaliação mais atualizada do "Escola Nota 10", de Ricardo Coutinho


Em 28 de março próximo passado, fizemos uma análise do principal programa educacional do então prefeito de nossa capital e hoje candidato da oposição de direita, Ricardo Coutinho - PSB - o "Escola Nota 10" e perguntávamos, ao final do artigo, se este realmente merecia esta nota.

O MEC acaba de divulgar, há alguns dias, o novo IDEB, com os dados definitivos do ano de 2009. Quando escrevemos o artigo, em março passado, ressaltávamos naquela oportunidade que fazíamos aquele baseado em duas premissas importantes a serem verificadas: 1- que os dados fornecidos pelo MEC, naquela oportunidade, eram projeções e; 2- que realizaríamos nossa análise com os dados do IDEB dos anos finais, quando os alunos/as estão saindo da escola. A primeira premissa está descartada agora nesta análise que ora fazemos, pois como afirmamos anteriormente, o MEC já divulgou o IDEB definitivo de 2009, mas a segunda continua valendo.

Iremos realizar nossa análise utilizando também a pesquisa feita pelo IDEME apontando os 15 municípios paraibanos de maior e menor PIB e, assim, fazermos um comparativo do IDEB destes com o de João Pessoa na era Ricardo Coutinho.

Antes da análise em cima destes dados, vamos aos números definitivos do IDEB 2009, segundo o MEC, dentro dos 15 municípios de maior PIB e os 15 de menor PIB na Paraíba:

João Pessoa - 3,4

Campina Grande - 2,9

Cabedelo - 3,2

Santa Rita - 2,4

Bayeux - 2,8

Patos - 3,0

Caaporã - 2,9

Cajazeiras - 2,7

Sousa - 2,3

Guarabira - 2,8

Pedras de Fogo - 2,9

Conde - 3,3

Mamanguape - 2,2

Alhandra - 2,7

Sapé - 2,6

Analisando os 15 municípios mais ricos da Paraíba, já se percebe uma diferença em relação ao estudo anterior feito por nós, em março deste ano, com as metas projetadas pelo MEC. Naquela oportunidade, João Pessoa, o município de maior PIB da Paraíba perdia para outros 8 municípios dentre os 15 de maior PIB - Campina Grande, Cabedelo, Caaporã, Cajazeiras, Sousa, Guarabira, Conde e Alhandra - e agora, com os números definitivos do MEC, isso não ocorre mais, muito embora municípios como Conde, Cabedelo e Patos se aproximem muito do índice alcançado pela Cidade das Acácias.

Vamos agora olhar para a situação do IDEB dos 15 municípios de menor PIB do Estado e a sua relação com o estudo anterior:

Bom Jesus - 3,8

Passagem - 3,3

Bernardino Batista - 2,8

Amparo - 3,1

Riacho de Sto. Antonio - 3,1

Santarém - s/IDEB dos anos finais

Várzea - 3,9

Carrapateira - 4,5

Zabelê - IDEB não disponível

Curral Velho - 3,1

Parari - IDEB não disponível

Coxixola - IDEB não disponível

São José do Brejo do Cruz - 2,9

Areia de Baraúnas - 2,6

Quixabá - 3,8

Também neste ponto aqui há uma pequena melhora para o município de João Pessoa. No estudo anterior, João Pessoa perdia para 8 municípios mais pobres da Paraíba - Bom Jesus, Amparo, Santarém, Várzea, Carrapateira, Curral Velho, São José do Brejo do Cruz e Areia de Baraúnas -. Neste novo estudo, 3 municípios da análise anterior permanecem á frente de João Pessoa - Bom Jesus, Várzea e Carrapateira - e mais um somou-se a lista - Quixabá - que no estudo anterior sequer tinha IDEB disponível e agora conta com um índice de 3,8. No mínimo, decepcionante para as pretensões de quem deseja ocupar a cadeira mais importante de nosso Estado.

E agora, mais uma vez, a pergunta, caro/a leitor/a: você acha, realmente, que o programa "Escola Nota 10" de Ricardo Coutinho merece esta nota?


domingo, 4 de julho de 2010

Agora ficaram 4!

Chegamos às semifinais da Copa do Mundo 2010. Uruguai e Holanda de um lado, Alemanha e Espanha do outro, farão as partidas da fase semifinal da primeira Copa disputada no continente africano, berço da humanidade. A Europa, que até então estava mal das pernas na competição, mostra sua força na reta final. Dos 4 semifinalistas, 3 são do Velho Continente, apenas 1 da América. A África, mais uma vez, ficou pelo caminho com Gana, que esbarrou - literalmente - na trave, no jogo contra a Celeste Olímpica, como é conhecida a seleção uruguaia, num jogo onde o artilheiro Suárez, com certeza, ganhará várias homenagens quando retornar a Montevidéu por conta daquela mão salvadora no último minuto de jogo contra a seleção ganesa.
Podemos fazer várias projeções de quem chegará à final do próximo domingo, 11/07, por vários caminhos. Um deles é pela paixão. Por esse caminho, torço pelo Uruguai, em primeiro plano, por ser irmão latino americano; depois, pela Espanha, pelo ineditismo da conquista. Creio que isso seria muito bom para o futebol mundial como um todo, incluir mais uma força no hall dos campeões mundiais, apimentaria ainda mais a disputa nos próximos mundiais. Alguns poderiam argumentar que a Holanda também poderia cair neste critério, mas prefiro hoje a Espanha por conta desta jogar um futebol mais bonito do que esta, apenas isto. Só não quero a Alemanha, por conta desta ter eliminado minha seleção favorita, a Argentina.
Outro critério é examinarmos, detidamente, as campanhas de cada uma das seleções que chegaram à fase decisiva do Mundial 2010. Das 4 seleções, apenas Uruguai e Holanda estão invictas na competição, sendo que a "Laranja Mecânica" venceu TODAS as 5 partidas que disputou até agora, enquanto o Uruguai empatou 2 das 5 partidas que disputou. Alemanha e Espanha trazem no seu currículo 1 derrota cada uma nesta Copa, ambas na 1ª fase - Alemanha perdeu para a Sérvia e a Espanha para a Suiça, ambas por 1x0 -, ganhando as outras 4 partidas disputadas. Os alemães, das 5 partidas realizadas, venceram 3 marcando 4 gols em seus adversários (4x1 sobre a Inglaterra e 4x0 em cima da Austrália e Argentina), fazendo com que estes possuam o ataque mais positivo da Copa 2010, com 13 gols marcados e que seu atacante, o polônes naturalizado Miroslav Klose, já tenha 14 gols marcados em suas participações em Copas do Mundo, se igualando ao legendário artilheiro alemão das Copas de 1970/74, Gerd Müller e se aproximando da marca do maior artilheiro de todas as Copas, o brasileiro Ronaldo Fenômeno, que anotou 15 gols em 3 atuações em Copas - 1998, 2002/06 -. Alemanha, Espanha e Uruguai possuem as defesas menos vazadas da Copa, com 2 gols sofridos cada uma, mas é a Alemanha que tem o melhor saldo de gols, 11. O artilheiro da Copa é espanhol, David Villa, com 5 gols, uma marca impressionante, pois a Espanha marcou até agora na Copa 2010 exatos 6 gols, ou seja, sozinho Villa é responsável por 83,3% dos gols da "Fúria", o que mostra uma extrema dependência da seleção espanhola de seu atacante, o que é um dado preocupante ´para qualquer equipe que se pretenda campeã de qualquer competição, ainda mais de uma Copa do Mundo.
Portanto, se formos recorrer aos números postos pelas campanhas das equipes que chegaram às finais da Copa 2010, poderíamos concluir com base nisto que a final da Copa será Alemanha e Holanda, ou seja, a repetição da Copa '74, disputada na então Alemanha Ocidental e vencida pela dona da casa, onde a grande novidade daquela Copa foi o "Carrossel Holandês" de Rinus Michel comandado em campo por Crujff, Neeskens e cia., mas que sucumbiu na final à Alemanha de Beckenbauer, Breitner, Müller, Maier e cia.
Vamos esperar pelos acontecimentos, pelas definições que virão nas próximas terça e quarta-feira, com as semifinais e torcer para que o bom futebol prevaleça e não botinadas a la Felipe Melo. É isso que nós, amantes do bom futebol, queremos sempre.