Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Trabalhadores e trabalhadoras da Educação municipal de Campina Grande continuam dando exemplo de LUTA enquanto demais sindicatos da Educação da Paraíba derrapam em seus próprios equívocos







Nesta terça-feira, 09 de fevereiro do corrente ano, os/as trabalhadores/as da Educação municipal de Campina Grande, organizados/as no SINTAB (Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste da Borborema), realizaram mais uma assembleia virtual, aonde decidiram manter a GREVE GERAL da categoria iniciada no último dia 01/02, reivindicando a volta às aulas só após a "vacinação em massa da população, incluindo todos os trabalhadores da educação e só iniciarão as aulas de forma remota se forem oferecidas as condições ideais para tanto" (https://sintab.org.br/8514-2/). Além das reivindicações específicas da categoria, incluídas na pauta de reivindicações aprovada na assembleia de deflagração da greve, já entregue à Prefeitura local e que, segundo a direção do sindicato, ainda não foi respondida.
Desta maneira, não houve outra alternativa aos/às trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Campina Grande em continuar com sua justa luta em defesa da vida e por uma Educação Pública, Gratuita e de Qualidade para todos/as. Mais do que isso, continuar dando um exemplo de LUTA e ORGANIZAÇÃO para várias direções sindicais espalhadas pela Paraíba e Brasil nesses tempos de pandemia do coronavírus que vivemos.
Sobre isso, queremos falar acerca de uma reunião virtual que ocorreu na sexta-feira, 05 de fevereiro deste ano, convocada pelo SINTEP/PB e que reuniu, segundo matéria constante no site do sindicato, "diversos sindicatos de profissionais da educação ou de servidores públicos municipais (totalizando cerca de 50 cidades representadas), além de dirigentes da CUT-PB, da Confetam (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal) e do SINTEP-PB" (http://www.sinteppb.com.br/noticias/visualizar/sindicatos-da-educacao-organizam-frente-em-defesa-da-vida-505).
Nesta reunião, os "diversos sindicatos" reunidos tiraram várias deliberações, as mais importantes, segundo a matéria do site: 
"-Manifesto conjunto, assinado pelas entidades presentes, focando principalmente na defesa da vida e que trabalhadores e trabalhadoras em educação só retornarão às atividades presenciais com ampla vacinação da categoria.
-Organizar campanha com outdoors por todo o estado.
-Cada sindicato preparar vídeos e postagens para as redes sociais.
-Formar uma comissão para garantir os encaminhamentos: SINTEP-PB, CUT-PB, SINTEM-JP, CONFETAM e CNTE" (Idem).
Sobre a reunião e suas deliberações, queremos afirmar o seguinte: 1) o fato dela ter sido convocada para debater um assunto de tamanha importância, por si só, foi importante, não resta dúvidas, especialmente por reunir várias entidades sindicais ligadas à educação e de todo o Estado; 2) porém, é inadmissível que uma reunião deste porte, com um debate desta envergadura, não tenha contado com a presença do representante do SINTAB, entidade que está promovendo uma forte GREVE GERAL neste momento em Campina Grande e que, com certeza, motivou a realização desta reunião, entre outros motivos. A não convocação do SINTAB para a reunião é de um equívoco político LAMENTÁVEL; 3) as deliberações da reunião, por mais corretas que sejam, infelizmente são coisas para "inglês ver" pois, passados 4 dias da reunião, nada foi encaminhado e, só falando de João Pessoa, as aulas reiniciaram na rede municipal de ensino e o sindicato da categoria, o SINTEMJP, que faz parte da comissão tirada na reunião para encaminhar as deliberações, sequer soltou uma nota de repúdio sobre isto. Tampouco seu presidente, Daniel de Assis, fez um vídeo repudiando tal procedimento da PMJP.
Isso só mostra que a reunião virtual de 05/02, infelizmente, não produziu e, provavelmente, produzirá poucos efeitos práticos na vida dos/as trabalhadores/as da Educação ligados a estas entidades que participaram da reunião. Isto se estes/as esperarem algo das direções dessas direções sindicais. Por exemplo: estamos sabendo que, em Bayeux, as aulas estão previstas para reiniciarem em 01/03, cujo modelo - se remoto ou hibrido ainda está para ser definido pelo Conselho Municipal de Educação -. O que a direção atual do SINTRAMB diz sobre isso??? Há mobilização na base de Bayeux sobre isso??? Temos informações de que a presidente do SINTRAMB, Germana Vasconcelos, esteve nesta reunião virtual; entrou muda e saiu calada, pra variar. Será esse o comportamento do SINTRAMB neste debate perante a base da Educação de Bayeux??? Será esta a reação dos/as trabalhadores/as da Educação de Bayeux diante dessa importante discussão de seu futuro???
Enquanto isso, trabalhadores e trabalhadoras da Educação de Campina Grande, junto com o SINTAB, continuam de PARABÉNS!!!





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O exemplo que vem de Campina Grande!!!







Há cerca de um ano no Brasil e na Paraíba, todos começamos a sofrer uma brutal mudança em nossas vidas, com o surgimento da pandemia do coronavírus em nossos cotidianos. Apesar do governo Bolsonaro, de seus seguidores, de seu negacionismo e das consequências desastrosas que isso vem causando desde então no país, refletindo-se em cerca de 9,5 milhões de casos confirmados no Brasil, com pouco mais de 230 mil mortes. Tudo isso demonstra que não estamos diante de uma "gripezinha", como chegou a classificar o presidente Jair Bolsonaro nem que esta terrível doença será curada por meio de cloroquina ou outros medicamentos igualmente ineficazes, sem comprovações científicas. Apenas as vacinas que vêm sendo aplicadas em todo o mundo, inclusive no Brasil (apesar do negacionismo que insiste em persistir) poderão salvar todos/as deste mal que aflige a humanidade. Além do uso de máscaras e outros cuidados protetores recomendados pelas autoridades científicas, como lavagem das mãos e distanciamento social.
Há meses também que vem sendo travado um debate em terras tupiniquins sobre a volta às aulas, com a consequente pressão dos empresários do setor educacional sobre as autoridades públicas - federal, estaduais e municipais - para que estas retornem mesmo durante a pandemia do coronavírus. Neste momento, apesar dos números mostrarem um novo aumento da Covid-19 no país, os empresários da Educação continuam a pressionar  o Poder Público nos Estados e Municípios para que haja uma volta às aulas, sobretudo na rede particular de ensino. Na rede pública de ensino, existem locais em que datas de retorno às aulas estão previstas, ainda que de forma híbrida.
No que diz respeito ao setor privado, tal decisão dos empresários educacionais revela a total insensibilidade destes com a VIDA humana e a única preocupação destes com o LUCRO, apesar do discurso "humanista" que muitos colocam para pais e mães, sem falar na "conivência criminosa" que Estados e Municípios têm com estes quando autorizam o funcionamento destas escolas. Um exemplo do risco que estas escolas colocam aos alunos e à comunidade como um todo verificou-se recentemente em Campinas/SP, quando três escolas particulares reabriram e tiveram que fechar após registrarem novos casos de Covid-19; uma delas teve 42 alunos infectados (https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/02/03/escola-de-campinas-tem-42-casos-de-covid-19-e-fecha-apos-volta-as-aulas). 
No caso da rede pública de ensino, há uma polêmica sendo travada entre a oferta do ensino remoto x ensino híbrido. Alguns Estados e Municípios têm a proposta de oferecer o ensino remoto; outros querem ofertar o ensino híbrido; poucos, ao que conheço, têm a proposta da oferta do ensino presencial. Mesmo assim, uma coisa é consensual, quando o assunto surge na grande mídia: todos falam, diretores de escolas, secretários de Educação (de Estado ou do Município), donos de escolas. Menos diretores de sindicatos ou professores. Coincidência??? Claro que não!!!
Assim, o exemplo que vem da cidade de Campina Grande, através dos/as trabalhadores/as da Educação municipal desta cidade, organizados no SINTAB (Sindicato dos Trabalhadores Municipais do Agreste da Borborema), é muito importante. 
Em assembleia virtual realizada no dia 01/02, servidores/as da Educação municipal de Campina Grande decidiram, por UNANIMIDADE, entrar em GREVE GERAL  e não iniciar o ano letivo de 2021.
Segundo a categoria reunida em assembleia, "ainda não é o momento para o retorno das aulas presenciais, ainda que de forma híbrida, já que a volta às atividades nas unidades educacionais neste momento, pode resultar em ainda mais mortes de profissionais da educação vítimas do novo coronavírus, como aconteceu com a professora Christianne Fátima, gestora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Manoel Francisco da Motta, que veio a óbito precocemente neste domingo, 31" (https://sintab.org.br/8444-2/).
A decisão dos/as trabalhadores/as da Educação de Campina Grande se deve, portanto em primeiro lugar, à  repercussão da pandemia do coronavírus no interior da categoria, mas também existem outras reivindicações específicas da categoria que não foram esquecidas pelo conjunto do movimento, como: "não pagamento do 14º salário da educação; não cumprimento das progressões; atrasos na recarga do cartão de passagem e falta de EPIs" (idem).
O SINTAB e os/as trabalhadores/as municipais de Campina Grande, com esta GREVE GERAL deflagrada no início de fevereiro, dão um exemplo de organização e luta para os demais trabalhadores da Educação da Paraíba e também do Brasil em plena pandemia do coronavírus, contra a ganância e insensibilidade dos patrões do ensino e a conivência criminosa de governadores e prefeitos espalhados pelo país, que se aliam a estes quando autorizam a reabertura das escolas particulares ou quando pretendem reiniciar as aulas em suas respectivas redes, apesar do avanço da Covid-19.
Que, em se tratando de Paraíba, sindicatos como SINTEP (que representa os/as trabalhadores estaduais da Educação), SINTEMJP (que representa os/as trabalhadores municipais da Educação de João Pessoa), SINTRAMB (que representa os/as trabalhadores municipais da Educação de Bayeux), SINFESA (que representa os/as trabalhadores municipais da Educação de Sta. Rita), além de outros sindicatos municipais de todo o Estado, sigam o exemplo que vem do  SINTAB e de Campina Grande e ponham suas categoria nos trilhos da LUTA!!!



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Só a LUTA muda a VIDA!!!

 


   

Nesta segunda-feira, 01 de fevereiro do corrente ano, os motoristas e cobradores de João Pessoa, organizados pela Sindicato dos Motoristas da Paraíba, que vem sendo dirigido pela Junta Governativa que está à frente da entidade enquanto esta aguarda as eleições desta que ocorrerão no próximo mês de maio (assim determinado pela Justiça), realizaram a 2ª paralisação da categoria em pouco mais de uma semana. A primeira havia ocorrido no dia 25 de janeiro e ambas se deram pelos mesmos motivos: contra as demissões que continuam ocorrendo entre os trabalhadores do setor, promovidas pelos patrões (apesar da pandemia, mesmo com estes recebendo recursos públicos dos governos federal, estadual e municipal, com compromisso de não demitir nenhum trabalhador); contra a redução no valor dos tickets-alimentação de cada trabalhador; contra as "duplas pegadas; contra a dupla função, que obriga o motorista a também ser cobrador e faz com que estes sejam demitidos aos montes. Além de todas essas reivindicações específicas dos motoristas e cobradores, havia nessas paralisações uma reivindicação que atinge a todo povo trabalhador de João Pessoa: o não aumento das passagens de ônibus pretendido pelos empresários do setor, com o consequente congelamento destas.    

Este reajuste nas passagens de ônibus em João Pessoa foi solicitado no início deste ano à SEMOB (Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana), autarquia ligada à Prefeitura Municipal de João Pessoa, no início deste ano, pelo SINTUR (sindicato dos empresários de ônibus) onde, com este gesto, eles já cobravam do novo prefeito da cidade, Cícero Lucena (PP), a fatura da campanha eleitoral passada (https://mauriliojunior.maispb.com.br/2021/01/08/sintur-pede-aumento-na-passagem-de-onibus-em-joao-pessoa/#new_tab&_ga=2.243909701.1965056016.1612307089-1981953311.1608553755).

Após a realização da segunda paralisação dos motoristas e cobradores que, como já afirmamos, também se deu na defesa do não reajuste das passagens de ônibus e pelo seu congelamento, além das pautas específicas da categoria já  aqui citadas, eis que repercutiu na imprensa local a notícia de que foi feito um acordo entre a SEMOB e o SINTUR de suspenderem um possível reajuste nas passagens de ônibus e manterem o atual preço de R$ 4,15 (R$ 4 no cartão de passagem) pelos próximos 60 dias. Com um detalhe importante: segundo o  SINTUR, nas palavras de seu diretor Isaac Júnior Moreira, "a proposta é manter o preço da passagem cobrado atualmente, que é de R$ 4,15" (https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2021/02/02/reajuste-da-tarifa-de-onibus-em-joao-pessoa-e-suspenso-por-60-dias.ghtml).

Evidentemente, nem os empresários de ônibus nem a Prefeitura de João Pessoa admitirão que tal acordo foi feito por conta da mobilização feita com sucesso pelos motoristas e cobradores da capital paraibana nos últimos dias. Mas, para bom entendedor, fica evidente e explícito que tais paralisações organizadas pelos trabalhadores do transporte coletivo de João Pessoa foram fundamentais para a mudança de postura de empresários e Prefeitura de João Pessoa - leia-se Cícero Lucena - neste delicado assunto chamado reajuste de passagens de ônibus em João Pessoa.

Assim, fica a lição para todo o povo trabalhador de João Pessoa e demais movimentos sociais da cidade e do Estado: só a LUTA muda a VIDA!!!

    

    

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A luta dos motoristas de ônibus e a relação com a vida do povo trabalhador em João Pessoa



Nesta segunda-feira, 25 de janeiro de 2021, ocorreram dois fatos nas duas principais cidades da Paraíba, João Pessoa e Campina Grande, envolvendo a categoria dos rodoviários, particularmente os motoristas de ônibus.

Em João Pessoa, esta categoria, organizada pela Junta Governativa que dirige atualmente o Sindicato dos Motoristas da Paraíba, majoritariamente composta pela Chapa 2, realizou uma paralisação na Lagoa que durou cerca de 2 horas. Nesta atividade, os trabalhadores reivindicavam vários pontos específicos do setor que vem sendo sistematicamente desrespeitados pelos empresários de transporte coletivo há muito tempo, como o exercício da dupla função nos ônibus da capital, as "duas pegadas" nos ônibus (levando trabalhadores à exaustão), reduzindo o valor dos tickets-alimentação da categoria e, em plena pandemia, demitindo trabalhadores mesmo recebendo verbas públicas dos governos federal, estadual e municipal. Além disso, os motoristas de ônibus fizeram a paralisação para protestar contra a possibilidade de mais um reajuste das passagens de ônibus, que vem sendo estudada pela SEMOB, a pedido dos empresários do setor, via SINTUR (https://mauriliojunior.maispb.com.br/2021/01/08/sintur-pede-aumento-na-passagem-de-onibus-em-joao-pessoa/#new_tab&_ga=2.49343394.522438575.1611605975-1981953311.1608553755). Na paralisação desta segunda-feira, o representante do SINTUR afirmou, em entrevista a uma emissora local de TV que não havia essa possibilidade de novo reajuste de passagens. Me engana que eu gosto...........

Em vários portais de imprensa, a paralisação dos motoristas se mostrou vitoriosa. A um desses portais, o presidente da Junta Governativa do Sindicato dos Motoristas da Paraíba, Claudemir, Nascimento, afirmou: "queremos chamar a atenção para nossa situação, que está precária, tanto do motorista, como a do cobrador. Também para para a passagem de ônibus já que não concordamos o que estão fazendo contra o trabalhador e o pai de família", concluiu (https://www.maispb.com.br/508987/motoristas-de-onibus-paralisam-atividades-contra-reajuste-de-passagens.html).

A paralisação organizada pela categoria feita nesta segunda-feira deu o recado aos empresários e SEMOB. Os trabalhadores estão descontentes (e muito) com a atual situação que enfrentam e não estão dispostos a continuar desta maneira.

Também na segunda-feira, 25 de janeiro do corrente ano, em Campina Grande, veio uma outra noticia, desta vez vinda dos empresários de ônibus. Segundo noticia do Portal Correio, os empresários de ônibus da 2ª maior cidade da Paraíba afirmam que o setor está falido e que, em reunião feita com o prefeito Bruno Cunha Lima (PSD) na última sexta-feira, 22 de janeiro, "não houve conclusão sobre o que pode ser feito para reverter o problema". Ainda segundo as empresas, estas enfrentam dificuldades desde 2019 e o quadro agravou-se com a pandemia. "Com a pandemia e as alterações na rotina de uso do transporte público, as dificuldades teriam se agravado", afirmam os empresários do setor em Campina Grande (https://portalcorreio.com.br/sistema-de-onibus-de-campina-grande-esta-falido-dizem-empresarios/).

Evidentemente, a Prefeitura de Campina Grande e seu novo prefeito, Bruno Cunha Lima (PSD), afirmam não saber como lidar com esta situação. No máximo, diz que "não podemos deixar a sociedade sem o serviço, nem deixar as empresas fecharem as portas". Isso, após ouvir os empresários do setor. Concordamos que não é possível que a Prefeitura de Campina Grande permita o fechamento dessas empresas, causando assim o desemprego de centenas de trabalhadores. Assim, como forma de evitar isso, o prefeito Bruno Cunha Lima poderia pegar as linhas de ônibus da "Rainha da Serra da Borborema" e, como todas são de propriedade da Prefeitura Municipal de Campina Grande, sendo uma concessão desta às empresas de ônibus da cidade, pegar todas para o município e, já que estas estão em sistema de falência (conforme declaração dos próprios empresários campinenses), formar uma EMTC - Empresa Municipal de Transporte Coletivo - e, ao lado disso, formar um Conselho Popular constituído de trabalhadores do setor + usuários do sistema, que seriam responsáveis pela administração da nova empresa pública.

Com a palavra, o novo prefeito Bruno Cunha Lima, do PSD!!!

Com a palavra, os/as vereadores/as de Campina Grande!!!

Com a palavra, a vereadora Jô Oliveira, do PCdoB!!!

Com a palavra, os/as lutadores/as de Campina Grande!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A "esquerda oficial" e os ziguezagues da sua política de colaboração de classes!!!





A "esquerda oficial" em nosso país vem, de muito tempo, praticando uma política que chamamos de colaboração de classes. Tal prática política se caracteriza, em poucas palavras, por possuir uma linha de "enfrentamento" com o capital em alguns momentos da conjuntura, colocando a classe trabalhadora em movimento contra os patrões, mas sempre colocando o regime político dominante em pé, sem correr riscos de cair perante uma insurreição ou mesmo uma revolução proletária, em aliança permanente com setores "progressistas" da burguesia. A "esquerda oficial" em nosso país, ao longo de nossa História, possuiu vários protagonistas, individuais e coletivos, mas desde o final da década de 1970 do século passado, a classe trabalhadora brasileira construiu uma ferramenta que protagonizou até a presente data as principais lutas em nosso país: o PT, capitaneado pela principal liderança operária construída pelas lutas operárias do ABC paulista na época, Lula.

Desde o impeachment de Dilma, ocorrido em 2016, que a "esquerda oficial", capitaneada pelo PT, seguida por seus "satélites", dentro e fora do Congresso Nacional, espalhados nos movimentos sociais pelo país, criou a narrativa do "golpe" que havia sido aplicado na presidente e no partido naquela ocasião. A partir daquele momento, todos que haviam sido a favor do "golpe" foram tachados como "golpistas" e passaram a ser perseguidos desta forma. Isso não impediu, no entanto, de serem formadas alianças entre os partidos da "esquerda oficial" e os "golpistas" nas eleições gerais de 2018.

Assim, enquanto PT, PCdoB, PDT, PSOL, PCB, REDE se colocavam contrários à candidatura de Bolsonaro na eleição para Presidente, em alguns locais, estas legendas "esqueciam" o discurso do "golpismo" e faziam alianças eleitoreiras de todo tipo. Por exemplo, o "revolucionário" Flávio Dino, do PCdoB, se reelegeu governador do Maranhão numa aliança que teve como vice um filiado do PRB e esteve aliado também com partidos como DEM, PDT, PTB, PT, PATRIOTA, PSB, SOLIDARIEDADE, PP, dentre outros. Uma verdadeira "colcha de retalhos", para dizer o mínimo. Na Paraíba, situação semelhante: PSB, PT, PCdoB, PDT, REDE se uniram com DEM, PTB, PROS, dentre outros para formar um grande "chapão" e vencer a eleição estadual em 2018. E assim ocorreram em vários Estados.

A política de colaboração de classes implementada pela "esquerda oficial" não cessou com a ascensão de Bolsonaro ao Planalto. Pelo contrário, o discurso do "golpe" contra Dilma e o PT em 2016 intensificou-se após a prisão de Lula e ampliou-se também aquilo que chamamos de APP (Amnésia Política Proposital), instrumento bastante utilizado por setores da "esquerda oficial" para justificar sua prática política de ziguezagues constantes ao longo da conjuntura que vivemos.

Isto tem se intensificado ultimamente. Nas recentes eleições municipais 2020, a prática de alianças com os "golpistas" repetiu-se, seja por PT, PCdoB, PSOL. Todos estes partidos, em todo o país, em vários municípios, aliaram-se com partidos de direita, que apoiam o governo Bolsonaro e que possuem uma agenda totalmente contrária aos interesses dos trabalhadores, não possuindo portanto nenhum sinal de igualdade com nossa classe.

Agora, estamos perto das eleições das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. São eleições de extrema importância na cena política nacional, especialmente para o governo Bolsonaro, em se tratando de um ano pré-eleitoral como é 2021. Daí, sua importância.

Estas eleições, aparentemente simples, do ponto de vista da sua configuração (e, portanto, do seu voto), vêm mostrando os ziguezagues da política de colaboração de classes da "esquerda oficial" de nosso país e dos partidos que a compõem que estão presentes no Congresso Nacional: PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL, REDE.

De todos os partidos acima citados, PCdoB, PSB, PDT e REDE têm demonstrado, até agora, uma postura firme (e equivocada) na eleição da Câmara dos Deputados: todos apoiam o candidato do MDB, Baleia Rossi, ungido ao posto pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM/RJ), tido como o candidato da "oposição" a Bolsonaro. Quanto à eleição para o Senado, não possuímos informações a respeito.

Já PT e PSOL possuem posições distintas. O PT já decidiu apoiar Baleia Rossi para presidente da Câmara dos Deputados e assinou uma nota de apoio a este, junto com os demais partidos (exceto o PSOL), aonde se afirma que o motivo de apoiar Rossi é, entre outras coisas, "combater, dentro de fora do Parlamento, as políticas antidemocráticas, neoliberais, de desmonte do Estado e da economia brasileira". Porém, no Senado, o PT soltou uma nota da Liderança do Partido defendendo o voto e o apoio ao senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG) à Presidente da Casa, que é o candidato de Bolsonaro. E fez isso, segundo a nota, para enfrentar a "agenda de retrocessos da extrema-direita". Eis um dos ziguezagues da política de colaboração de classes da "esquerda oficial"!!!

O PSOL, por incrível que pareça, está dividido ao meio, no processo da eleição da Câmara dos Deputados. Metade da bancada do partido na Câmara defende candidatura própria, outra metade defende que o partido entre no "bloco da oposição" e apoie Baleia Rossi (MDB/SP). A líder do partido, Sâmia Bomfim, defende que o PSOL apoie Rossi "com exigências claras, como a aprovação de uma renda básica, não pautar nenhum retrocesso na ‘agenda de costumes’, não pautar privatizações nem autonomia do BC” (https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/samia-bomfim-defende-apoio-a-baleia-rossi/). A líder do PSOL quer enganar a quem com essas "exigências" ao candidato do MDB??? Além disso, Sâmia Bomfim afirmou que não seria bom para o PSOL ser visto como o partido que "não atuou ativamente para derrotar Lira". Mais um ziguezague da política de colaboração de classe de um partido da "esquerda oficial" de nosso país.

Tudo isso revela quão vacilante é a política desenvolvida pelos partidos da "esquerda oficial", em especial por seu protagonista, o PT. Seus "satélites" em questão também se mostram partidos altamente prejudiciais a uma luta consequente da classe trabalhadora em nosso país, por se mostrarem inconsequentes com seus ziguezagues constantes na cena política nacional, ao se colocarem na "sombra" do PT, por um lado, e na da burguesia, por outra. Enquanto isso, os trabalhadores são um detalhe...........





segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Luciene de Fofinho e o polêmico cartaz nas unidades de saúde de Bayeux





A prefeita de Bayeux, Luciene de Fofinho (PDT), nem bem assumiu em 1º de janeiro deste ano e já está causando polêmica dentro e fora da cidade, com uma atitude que merece um bom debate acerca da atitude tomada por ela. 

Em seu 1º dia de mandato, a prefeita Luciene de Fofinho afixou no Hospital Materno Infantil e na UPA de Bayeux um cartaz com os seguintes dizeres: "Você que é Funcionário do Hospital pago com recurso Público, trate bem as pessoas, se não for para atender bem o paciente, não venha trabalhar ou peça exoneração, ninguém procura o Hospital para passear, com certeza tem alguma necessidade." Em seguida, assina com seu nome, Luciene Gomes, Prefeita de Bayeux, e coloca uma observação: "Me ligue ou mande mensagem em caso de qualquer reclamação, você que é usuário, tomarei as providências na hora!". O comunicado é concluído com a disposição de um telefone de um serviço chamado "Alô Prefeita" para que toda a população insatisfeita possa fazer suas reclamações diretamente à Chefe do Poder Executivo Municipal.

Antes de abordarmos as reclamações de alguns órgãos classistas sobre este aviso colocado pela prefeita de Bayeux e também nossas impressões sobre este, gostaríamos antes de tecermos alguns comentários sobre o que, em nossa avaliação, levou Luciene de Fofinho a tomar tal atitude.

Relembremos que Luciene de Fofinho assume a Prefeitura de Bayeux com, pelo menos, 6 AIJEs (Ações de Investigação Judicial Eleitoral) sobre seus ombros, três destas ajuizadas pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e outras três por coligações adversárias na última eleição. As acusações vão desde uso indevido de recursos para o combate à Covid-19 em Bayeux até o inchaço na folha de pagamentos durante a campanha eleitoral (https://parlamentopb.com.br/justica-eleitoral-marca-audiencias-em-acoes-que-pedem-cassacao-de-luciene-de-fofinho/). Cabe destacar que as referidas audiências foram remarcadas para o início de fevereiro, a pedido da defesa de Luciene de Fofinho.

Este é ou não um bom motivo para a prefeita de Bayeux, Luciene de Fofinho, iniciar seu mandato colocando um aviso deste tipo nas principais unidades de saúde da cidade para, com isso, buscar encobrir tais notícias negativas     que envolvem sua figura, especialmente no início de seu governo??? Outra coisa não menos importante: Luciene se aproveita de uma insatisfação latente do povo de Bayeux, especialmente os mais necessitados, que buscam os serviços de saúde da cidade e que normalmente encontram tal serviço sucateado há anos e, com este aviso, procurar jogar o povo contra os servidores de saúde que, assim como o povo, são tão prejudicados quanto este. Pois o serviço de saúde de Bayeux sofre há anos com a falta de atenção da Prefeitura local em vários aspectos, como a falta de EPI's para que seus servidores possam trabalhar minimamente (será que já esqueceram da falta de luvas para dentistas trabalharem em seus gabinetes odontológicos nos PSF's???); a falta de medicamentos básicos nas farmácias dos diversos PSF's espalhados pela cidade para poder remediar o sofrimento do povo bayeuxense, quando este procura o serviço ambulatorial, como uma simples dipirona (esqueceram disso também???); a falta de receituário médico em alguns PSF's para que médicos possam efetuar suas receitas para os pacientes que os procuram nas unidades de saúde; sem falar que, em algumas ocasiões, tanto o CRM quanto o CRO vieram a Bayeux e interditaram algumas unidades de saúde (em diferentes governos municipais) por conta da total falta de condições de trabalho nestas unidades (será que Luciene de Fofinho, vereadores/as e apoiadores da gestão já esqueceram disso???) Observem todos/as que abordamos apenas questões referentes a condições de trabalho, não citamos questões salariais, que também são importantes, pois afinal de contas, é inconcebível que, em Bayeux, profissionais efetivos ganhem menos do que profissionais prestadores de serviço, mesmo sendo da mesma função. E isso já  acontece há muitos anos, basta constatar no Sagresonline do TCE/PB!!!

Atender bem o usuário do serviço público é obrigação do servidor público, seja ele da Saúde, da Educação, da Segurança, da Infraestrutura, da Administração, das Finanças, da Chefia de Gabinete ou de qualquer outra área ligada à Prefeitura Municipal de Bayeux. Assim, não há a necessidade da prefeita Luciene de Fofinho vir a público pregar um cartaz como fez. Basta exigir que os diretores das unidades públicas, de qualquer setor, faça o que tem de fazer: exigir que cada servidor (independente se é efetivo ou prestador de serviço) cumpra seu horário e dever. Porém, para isso, é fundamental que a Prefeitura de Bayeux também faça seu "dever de casa", qual seja, no caso da saúde, ofereça as condições de trabalho mínimas para que o profissional possa exercer bem sua função. Se assim não fizer, como cobrar deste profissional o cumprimento de seu dever???

As reclamações de órgãos classistas, como SIMED e SINTRAMB, quando criticam a decisão da prefeita Luciene de Fofinho em fazer o que fez na divulgação do aviso, são corretas em classificá-lo como "assédio moral". Porém, para além disso, proponho que estas entidades deveriam buscar construir uma unidade de ação neste momento e, junto com outras entidades, fazerem uma reunião e tomar algumas providências práticas com relação a isto. Assim, proponho: 

1) Que SINTRAMB e SIMED chamem entidades e Conselhos da área da Saúde para debaterem a questão e tirarem encaminhamentos sobre o assunto, como Sindicato dos Enfermeiros, Sindicato dos Odontólogos, SINDSAÚDE, COREN, CRM, CRO, CRESS, dentre outros;

2) Que busque se agendar uma reunião com o MPT para debater este problema criado com esta divulgação feita com o aviso publicado pela prefeita Luciene de Fofinho;

3) Que se organize com todas estas entidades um ato de protesto em frente ao HMI em Bayeux. A pandemia do coronavírus não pode, em minha avaliação, ser empecilho para uma atividade deste tipo (a não ser para pessoas do grupo de risco).

Ainda sobre os dizeres do aviso que Luciene de Fofinho afixou em Bayeux, queremos também enfatizar o seguinte: ela cobra um bom atendimento do servidor público aos usuários da saúde porque estes são pagos com "recurso público", de acordo com ela. Neste aspecto, ela tem razão. Sendo assim, colocamos a Luciene de Fofinho e aos novos secretários de Finanças e de Administração de Bayeux a responsabilidade de realizarem uma auditoria nas contas municipais da cidade, especialmente de 2017 para cá. Afinal, foram  recursos públicos utilizados neste lamentável período que Bayeux vivenciou e que seu povo precisa saber, detalhadamente, como tudo isso foi ou não aplicado. 




sábado, 2 de janeiro de 2021

Luciene de Fofinho e a dura e difícil tarefa de resgatar a imagem da cidade de Bayeux






Em 28 de dezembro de 2016, neste mesmo espaço, fizemos um artigo intitulado "Berg Lima e a expectativa de todo um povo: o que podemos esperar???". Na ocasião, fazíamos um trocadilho com o nome do partido do novo prefeito de Bayeux, eleito na oportunidade e que trazia consigo uma grande esperança de mudança em boa parte da população bayeuxense, daí o sugestivo título do artigo.

Berg Lima, então no Podemos, foi eleito com 58,92% dos votos válidos na eleição de 2016. A maior votação já dada a um candidato em Bayeux até esta data. Foram exatos 33.437 votos de homens e mulheres de Bayeux, jovens e idosos, que foram às urnas naquele ano, insatisfeitos com os rumos da gestão do então prefeito Expedito Pereira (PSB), candidato à reeleição mas, que por conta de seus inúmeros desacertos no seu 4º mandato na Prefeitura de Bayeux, acabou derrotado pelo jovem ativista cultural que aparecia na cena política da cidade e que conseguiu construir uma ampla aliança política - que incluiu partidos como PT e PSDB, por exemplo - em torno de seu nome e, assim, conseguir a confiança do povo e ganhar a eleição. 

Mais do que tudo isso, Berg Lima conquistou a simpatia e a esperança do povo trabalhador, honesto e decente de Bayeux de que a cidade teria dias bem melhores com sua presença na Prefeitura, a partir de 1º de janeiro de 2017. Infelizmente, tudo isso veio abaixo em 05 de julho do citado ano, quando ele foi preso em flagrante pela força tarefa do Gaeco e MP, acusado de corrupção, no Restaurante Sal & Pedra, em Bayeux. A partir daí, a cidade passou a viver uma crise política, administrativa, social e econômica que, infelizmente, ainda não se encerrou.

Em novembro de 2020, depois de vários prefeitos terem passado pela Prefeitura de Bayeux após a prisão de Berg Lima (Luiz Antonio (PSDB), Noquinha (PSL), Kita (Cidadania) -, sem falar no próprio Berg Lima, que saiu da prisão por ordem judicial e reassumiu a Prefeitura, Bayeux voltou a ter uma eleição direta e Luciene de Fofinho (PDT) foi a vencedora do pleito. Ela já estava como prefeita indireta em Bayeux desde agosto de 2020, eleita pela Câmara Municipal da cidade, após Berg Lima ter apresentado sua renúncia ao cargo.

Luciene assumiu agora em 1º de janeiro de 2021, como a imensa maioria dos prefeitos/as de todo o país. Porém, assume envolta a várias denúncias que lhe custam processos na Justiça e, mais do que isso, Luciene tem uma dura e difícil tarefa a cumprir em seus 4 anos de mandato que ora se iniciam: resgatar a imagem da cidade de Bayeux e, consequentemente, a autoestima de seu povo que está profundamente arranhada - para sermos gentis - com tudo que ocorreu nos últimos anos, a partir dos estragos provocados por Berg Lima e seus sucessores. Falo sucessores porque os que vieram após este não se esforçaram muito para buscar fazer com que Bayeux saísse das páginas policiais e deixasse de vivenciar escândalos atrás de escândalos. Infelizmente..........

Isso se revelou nos números eleitorais verificados em 2020. Este ano, tivemos uma abstenção de 14,28% (contra 6,29% em 2016); os votos nulos e brancos, em 2020, totalizaram 11,93% (contra 8,88% em 2016). Quando partimos para os votos dados aos candidatos, a diferença é ainda maior. A candidata vencedora, Luciene de Fofinho (PDT), conseguiu ter uma votação menor do que a dada ao candidato derrotado em 2016, Expedito Pereira (PSB), que teve 21.989 votos. Luciene foi eleita com 21.103 votos.

Estes números explicam, por si só, a crise porque passa Bayeux e, consequentemente, a desconfiança e o descrédito com que o povo da cidade encara a situação e a classe política que gere os destinos de uma das cidades mais importantes da Paraíba. Colocar a responsabilidade desses números na pandemia do coronavírus é minimizar demais os problemas porque passam a cidade e retirar a imensa parcela de culpa que possuem os governantes da cidade durante todo esse período.

Isso só aumenta o peso da tarefa que Luciene de Fofinho tem pela frente. Evidentemente que os movimentos sociais de Bayeux também possuem sua cota de responsabilidade, no que diz respeito a mobilizar sua base de apoio e cobrar da gestão municipal o cumprimento de sua agenda política, especialmente no que diz respeito ao atendimento das políticas públicas, especialmente neste momento delicado que vivemos no combate à Covid-19, quando Bayeux encontra-se na bandeira laranja no "Plano Novo Normal PB do Governo do Estado da Paraíba e ainda estamos à espera da vacina para, definitivamente, erradicarmos esta terrível doença de nossas vidas. Falamos, especialmente e em 1º lugar, do SINTRAMB como a principal força política da cidade.

Como afirmamos ao longo do artigo, Luciene de Fofinho tem como principal tarefa resgatar a imagem de Bayeux e a autoestima de seu povo durante seu mandato. Para isso, entre outras coisas, em nossa avaliação, será preciso romper com o jogo político que, ao que parece, já se comprometeu desde a campanha. Como perguntamos no artigo feito há quatro anos, estará ela disposta a isso??? 

Desde já, respondo: creio que NÃO. Espero estar errado. Cenas dos próximos capítulos.............


  

domingo, 27 de dezembro de 2020

O inimigo de meu inimigo é meu amigo. Será???






A cultura humana, como quase tudo que existe em nossa sociedade, é uma construção dos homens e mulheres que habitam nosso mundo, há milhares de anos. Afirmo quase porque existem coisas que independem da vontade humana, como os fenômenos naturais, por exemplo.

Por ser uma construção humana, a cultura é mutável, pois a sociedade humana é mutável. Por exemplo: na sociedade primitiva, morávamos em cavernas, a partir de um dado momento histórico, passamos a habitar em casas, que pertenciam a vilarejos, hoje cidades. E este hoje já faz um bom tempo, para não dizer milênios de nossa História. E assim podemos abordar aspectos da culinária humana, de suas vestimentas, modos de tratar-se, entre outras coisas. E não apenas de acordo com cada época histórica, mas também dentro de cada momento histórico, de acordo com cada povo e cada região habitada por um mesmo povo. Porque, como já afirmei, a cultura humana é mutável pois a sociedade e o ser humano mudam a cada instante.

A única coisa que não sofre mudança como a cultura humana e outras coisas feitas pelos seres humanas é a FÉ. Isso porque esta é absoluta. Ou você crê ou não crê. Não há meio termo para ela. Por isso, não discutimos sobre isso, pois trata-se de questão extremamente subjetiva e deve-se RESPEITAR, independente da crença pessoal de cada indivíduo.

Dito isso, vamos ao título deste artigo. Ele expressa um antigo provérbio, que foi encontrado inicialmente no século IV a.C., em um tratado sobre a arte de governar, escrito na língua sânscrita. Anos mais tarde, foi encontrado outro registro, em inglês, no ano de 1884. O exemplo clássico desse provérbio vem do uso na 2ª Guerra Mundial quando EUA e Inglaterra se uniram à URSS na ocasião para enfrentar e derrotar a Alemanha de Hitler e por fim àquela guerra. As potências capitalistas eram inimigas da URSS - e de seu líder na época, Stálin e vice-versa -, mas estes tinham em comum um inimigo maior, que era Hitler e a Alemanha nazista, por isso decidiram se aliar momentaneamente para derrotá-lo. Com isso, este provérbio ficou ainda mais famoso e seu uso associado, definitivamente, à política e negociações para que um grupo se sobreponha ao outro.

Após isso, muitos outros casos mundo afora usaram este provérbio para exemplificar suas ocasiões, algumas de forma exagerada. No Brasil, o caso mais recente vivido em nossa política foi o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que uniu diversas forças políticas para enfrentar e derrotar seu governo e colocar em seu lugar o vice da ocasião, Michel Temer (PMDB). Claro que o objetivo direto era tirar Dilma e o PT do Palácio do Planalto, mas indiretamente a intenção era enfraquecer politicamente o ex-presidente Lula, o que acabou sendo conquistado com sua prisão pela Polícia Federal meses depois. Mas isso é outra história.

Neste momento, vivemos um outro episódio da política brasileira, que os remete a colocar, mais uma vez em xeque, este antigo provérbio. Trata-se da eleição da Câmara dos Deputados, em Brasília, que ocorrerá no início de fevereiro, que definirá não apenas seu novo presidente mas, sobretudo, o destino do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seu governo no próximo período. 

Temos uma eleição polarizada por dois nomes. De um lado, o candidato de Bolsonaro e do Palácio do Planalto, o deputado do PP/AL, Arthur Lira, e o da "oposição de direita", deputado Baleia Rossi (MDB/SP), lançado e apoiado pelo atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ). Maia, especialmente após o resultado adverso que colheu no STF, que o impediu de ser mais uma vez candidato à Presidência da Câmara, tem se posicionado como "oposição" a Bolsonaro e conseguiu, nos últimos dias, construir uma rede de apoio a seu candidato na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados.

Segundo uma pesquisa feita pelo portal Poder360, o bloco construído por Maia tem, neste momento, maioria na disputa contra o candidato do Planalto e ganharia num 1º turno a eleição na Câmara. Porém, haveria 2º turno contra o alagoano Lira. E aí, a disputa segue incógnita. Pelo placar do portal acima, citado, Rossi tem 269 votos contra 204 de Lira (https://www.poder360.com.br/congresso/bloco-de-maia-ja-teria-votos-para-vencer-eleicao-na-camara-entenda-a-disputa/).

A importância de ter o Presidente da Câmara já foi por demais revelada. Entre outras coisas, é o seu presidente que faz a pauta da Casa e seus projetos avançarem ou não, de acordo com o interesse do governo. Outra coisa não menos importante para o governo Bolsonaro: neste momento, há 56 pedidos de impeachment de Bolsonaro na mesa do Presidente da Câmara. Um aliado deste pode perfeitamente fazer isto não avançar no próximo período e tranquilizar o governo, coisa bem diferente caso um adversário vença a eleição.

Portanto, a disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados entre o medebista Baleia Rossi, de São Paulo, e o progressista Arthur Lira, de Alagoas, comprovam que o provérbio "o inimigo de meu amigo é meu amigo", está longe de ser visto como absoluto. Especialmente quando vemos que forças ditas de esquerda, que se colocam como "defensoras dos interesses do trabalhadores", passam a defender um candidato apoiado por aquele que mais contribuiu com o governo Bolsonaro no último período para destruir vários direitos de nossa classe (como a "Reforma da Previdência", o "orçamento de guerra", dentre outros), sem falar no governo Temer, aonde aprovou a lei da terceirização, a "Reforma Trabalhista" e tantos outros ataques aos trabalhadores. Estamos falando de Rodrigo Maia (DEM/RJ) que entre tapas e beijos com Bolsonaro, fez coro com este governo para retirar várias conquistas de nossa classe. 

E agora, em nome de "derrotar" o governo Bolsonaro, PT, PCdoB, PSB, PDT, PV, Rede vem com o discurso falacioso de apoiar o candidato de Maia nesta eleição. O PSOL ainda não está envolvido, mas vem aí o 2º turno da votação, aguardem......

Por isso, concluímos: Em alguns momentos, como este, o inimigo de meu inimigo continua sendo meu inimigo. Por isso, precisamos construir uma ALTERNATIVA SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIA!!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O cretinismo parlamentar cobra sua fatura!!!





Em abril deste ano, neste mesmo espaço, fizemos um artigo intitulado "Quando o cretinismo parlamentar e o eleitoralismo se juntam como tática oportunista para camuflar uma alternativa de luta da classe trabalhadora!!!". Abordávamos a decisão do professor universitário da UEPB e militante, Nélson Júnior, em se desfiliar do PSOL e ir para o PCdoB em Campina Grande, seguindo a linha da "filiação democrática", através de uma Carta Aberta feita por este, explicando seus motivos para tal atitude.

Em seu texto, Nélson Júnior afirmava, resumidamente, que tomava tal decisão para enfrentar (e derrotar) o governo de ultradireita de Bolsonaro, vendo no PCdoB melhores condições para fazê-lo - inclusive no terreno eleitoral -, ao invés do PSOL, classificando seu novo partido como um partido coerente com "seus princípios fundantes" e que está "na linha de frente" no combate a um "presidente de perfil neofascista", no caso Bolsonaro. Posteriormente, no período eleitoral, as alianças feitas pelo PCdoB com PSL, DEM (dentre outros) fizeram com que esse perfil citado por Nélson Júnior se esvaíssem como fumaça. Agora, durante o processo da eleição na Câmara dos Deputados, o PCdoB mais uma vez apoia Rodrigo Maia (DEM/RJ) e seu candidato, repetindo o discurso de que isso se deve a combater o governo Bolsonaro e seu preferido. Até quando isso???

O ex-presidente da ADUEPB conseguiu, em seu projeto eleitoral pelo PCdoB, na tentativa de chegar à Câmara Municipal de Campina Grande, exatos 300 votos. Com certeza, ele teve um desempenho um pouco superior ao conquistado nas duas vezes em que conseguiu ser vitorioso nas eleições em que tornou-se presidente da ADUEPB. Mesmo assim, o resultado deve ter sido bem aquém do que pensou em obter, levando-se em consideração as expectativas criadas em sua Carta Aberta, divulgada entre março/abril deste ano, que divulgamos no artigo feito por nós, já citado.

Isso apenas revela o traço do cretinismo parlamentar que já identificávamos naquela ocasião, misturado a uma pitada grande de eleitoralismo que, historicamente serve para confundir e iludir a consciência dos trabalhadores e levá-los a acreditar que é possível mudar suas vidas num regime burguês cada vez mais decadente e nocivo a seus interesses. Ainda mais numa situação como essa em que vivemos, aonde estudos e mais estudos, inclusive divulgados por PCdoB, PSOL e demais setores reformistas vivem a afirmar que, mesmo durante a pandemia do coronavírus, os lucros dos grandes empresários e banqueiros cresceu como nunca (no Brasil e no mundo), enquanto a miséria humana aumentou de forma assustadora. Porém, esses mesmos setores levam para milhões de trabalhadores a mensagem de que, via eleições, tudo pode ser resolvido, inclusive tal situação. O resultado de tamanho cretinismo parlamentar apresenta-se agora, passado o dia 15 de novembro. 

Será que Nélson Júnior e outros/as de mesmo tipo aprenderão a lição ou farão o mesmo de sempre, colocando a "culpa" no povo que não sabe votar???

Cenas dos próximos capítulos..............

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Bayeux celebra 61 anos de emancipação política ainda em meio a uma grave crise!!!






Neste dia 15 de dezembro do corrente ano, a cidade de Bayeux celebrou seus 61 anos de emancipação política num momento extremamente delicado da vida política nacional, estadual e local. No plano nacional, estadual e local, vivemos sob uma pandemia do coronavírus que, infelizmente, voltou a ter números alarmantes de casos e mortes, forçando a que tenhamos novas medidas restritivas em nosso cotidiano de vida enquanto não chega a vacina, apesar desta já estar presente em várias partes do mundo, como Reino Unido, Canadá Bahrein, México, EUA e outras partes do mundo. Aqui no Brasil, ainda há uma grande indefinição quanto a isso e uma excessiva politização quanto a este assunto, de interesse público, tanto da parte do governo Bolsonaro (sem partido), quanto da parte do governo Doria (PSDB/SP), como também de outros governantes, como até mesmo o governador João Azevedo (Cidadania/PB) e o prefeito eleito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP/PB), que foi se reunir com o governo de São Paulo para tratar da aquisição da vacina chinesa Coronavac para nossa capital. Enquanto isso, o STF cobra que o governo federal entregue a este um plano nacional de imunização para o todo o povo brasileiro e este entrega um plano sem o aval de especialistas. E assim caminha a humanidade. No caso, o Brasil com quase 200 mil mortos por causa da Covid-19. E, apesar de tudo isso, Bolsonaro lança a ideia na Câmara dos Deputados, com o relator da "MP da Vacina", de que cada brasileiro/a que tome a vacina, seja ela qual for, assine um "termo de responsabilidade". Daí, surge a pergunta que não quer calar: para quê e porquê esse "termo de responsabilidade" se a vacina já terá o aval da Anvisa??? Coisas de Bolsonaro..................

Saímos um pouco do tema do artigo para enfatizar que, não apenas o Brasil, mas Bayeux também passa por momentos turbulentos. E não apenas na questão da saúde. Bayeux, infelizmente, convive há meses com a pandemia do coronavírus e também com o "fantasma" da bandeira amarela do "Plano Novo Normal PB" decretado pelo governo estadual já há algum tempo, o que faz com que vários serviços existentes na cidade não possam ocorrer da maneira devida, prejudicando a já sensível economia da cidade. Isso só faz agravar ainda mais a situação da cidade, que convive há pelo menos 3 anos com uma grave crise político-administrativa iniciada pelo ex-prefeito Berg Lima, quando de sua prisão em flagrante, em 05 de julho de 2017.

Quando toda a cidade (ou, pelo menos, a maioria desta) pensava que tais questões começariam a acabar - ou a minimizar - a partir de novembro deste ano, com a eleição da nova prefeita de Bayeux, feita pelo povo, nas urnas, à pedetista Luciene de Fofinho, eis que Bayeux já se encontra mergulhada em mais vários capítulos de uma nova crise política que afeta a cidade. Um destes capítulos atinge diretamente a prefeita reeleita, Luciene de Fofinho, com 6 ações na Justiça, suspeita de ter sido eleita por uso ilegal da máquina pública durante a campanha e seu mandato à frente da Prefeitura (já que fora eleita de forma indireta para o cargo, em agosto, pela Câmara Municipal da cidade); depois disso vir à tona, surgiu a denúncia, que também já começa a ser investigado pelo MP, que cerca de 10 vereadores/as eleitos e reeleitos/as teriam assinado uma "carta renúncia" de seus mandatos na próxima legislatura (a partir e 2021), para que apoiassem a eleição do vereador Noquinha (PSL) à presidência da Câmara Municipal da cidade e, ao mesmo tempo, "derrubassem" a prefeita Luciene de Fofinho (PDT) de seu cargo. Como afirmamos, tudo está sendo apurado por investigações do MP.

Assim, Bayeux chega a 61 anos de sua História abalada com tais denúncias de corrupção envolvendo pessoas que deveriam dar o exemplo de bem cuidar da cidade e zelar por sua imagem. Porém, não é isso que o povo trabalhador, honesto e decente de seus 97.203 habitantes - segundo o Censo de 2020, feito pelo IBGE - percebe no dia-a-dia pelo seu "ganha pão". Além disso, recentemente, este mesmo povo foi surpreendido cm a lamentável notícia do brutal assassinato do ex-prefeito de Bayeux, Expedito Pereira, quando este passeava numa rua do bairro de Manaíra, em João Pessoa, perto de sua residência.

Todos/as que me conhecem em Bayeux sabem que possuía muitas diferenças políticas com Expedito Pereira. Estas se aprofundaram no período em que este foi prefeito de Bayeux pela última vez (2013-16) e eu estive na direção do SINTRAMB - Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Bayeux -, no mesmo período. Durante este momento, Expedito cassou as consignações do sindicato por 6 meses, fizemos uma greve geral da categoria dos servidores municipais em 2014 por 45 dias, conseguimos uma vitória na Justiça do reajuste dos vigilantes em 2015 (de forma definitiva), além de várias outras conquistas. Tudo isso serviu para, de certa forma, arrefecer ainda mais os ânimos entre nós, do ponto de vista político. Porém, nunca desejei o mal a Expedito Pereira, muito menos querer que este tivesse uma morte trágica como foi esta que ele teve. Quero aqui desejar nossos sentimentos à família e que os responsáveis por isto sejam punidos exemplarmente, como determina a lei.

Enquanto isso, que Bayeux volte a ter dias melhores, se livre de todos esses escândalos que vêm passando e, principalmente, das pessoas que causam tantos danos e males à cidade e à sua imagem. Que Bayeux tenha muito mais do que 61 anos e que esse presente lamentável de hoje seja um aprendizado para não errarmos mais num futuro próximo.

Parabéns, Bayeux!!!

Parabéns ao povo trabalhador, honesto e decente de Bayeux!!!