Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A vitória de Donald Trump nos EUA: entre a surpresa e o desnorteamento de setores da esquerda



As eleições norte-americanas, ocorridas em 08 de novembro próximo passado, provocaram um misto de surpresa e, ao mesmo tempo, certo desnorteamento em setores da esquerda brasileira (para não dizer internacional), sobre o real significado da vitória do republicano e magnata Donald Trump, agora o mais novo hóspede da Casa Branca pelos próximos 4 anos.
"A vitória de um personagem burguês populista de direita (com posições xenófobas, racistas e machistas) e com oposição dos aparatos de ambos os partidos tradicionais provocou forte impacto nos Estados Unidos e no mundo todo, e intensos debates sobre seu significado. 
Todos os analistas coincidem em assinalar que a votação de Trump se baseou em amplos setores de eleitores brancos das regiões rurais, de pequenos proprietários e, especialmente, no apoio de trabalhadores brancos empobrecidos há muitos anos, afetados pela desindustrialização, a crise, os baixos salários e a precarização trabalhista ou o desemprego. Uma queda social que não foi revertida pela "recuperação" econômica do período de Obama e a diminuição do desemprego". (http://www.pstu.org.br/a-vitoria-de-donald-trump-a-cara-feia-do-imperialismo/)
Além de tudo isso, some-se a postura direitista da candidata democrata Hillary Clinton, que esteve no centro do poder norte-americano nos últimos anos, seja no governo de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, seja no governo de seu sucessor, Barack Obama, quando ocupou o cargo de chanceler das relações exteriores e apoiou, em ambos os governos, todas as ações militares dos EUA, por exemplo, contra o Iraque e contra o terrorismo, o que gerou profundas insatisfações entre o povo deste país, piorando a situação após o 11/09. Assim, Hillary era identificada por uma parcela muito grande do povo norte-americano como a continuidade desse projeto, no que Trump soube explorar isso muito bem durante sua campanha, apesar de ser tão militarista quanto. 
Na verdade, o povo norte-americano se viu nesta campanha numa tremenda sinuca de bico. Não tinha alternativas de verdade. Tanto que uma parcela expressiva do eleitorado, especialmente os mais jovens, apostaram na candidatura de Bernie Sanders, que disputou contra Hillary as primárias pelo Partido Democrata. Derrotado, Sanders fez campanha para Hillary, mas segundo pesquisa divulgada antes das eleições de 08/11, apenas metade dos eleitores deste votaram em Hillary, comprovando o desgaste eleitoral da ex-primeira-dama.
O que nos surpreendeu, na verdade, foram algumas avaliações feitas por militantes da esquerda brasileira após a consagração da vitória de Trump. Muitos/as expressando sua surpresa, com um quê de indignação, como que se a vitória de Hillary pudesse ser mais positiva do que a de Trump para a conjuntura mundial e, consequentemente, para nós, classe trabalhadora brasileira e internacional. Coisas de quem não aprende com a História.
Há oito anos atrás, uma certa comoção tomou conta da esquerda brasileira e mundial com a vitória de Obama nas eleições norte-americanas. Um negro chegava à Casa Branca!!!. Isso foi celebrado e comemorado tal e qual o milésimo gol de Pelé, talvez até mais. Não negamos que a vitória de Obama foi um marco significativo na história mundial, especialmente na dos EUA, mas daí a comemorar como uma vitória do povo negro........... Menos, Batista, menos!!!
A vitória de Donald Trump vem confirmar o que dizíamos desde a vitória de Obama, há oito anos atrás. Não basta ser um negro ocupando a Casa Branca. É preciso ter política de raça e classe ocupando a Casa Branca para dar conta dos enormes desafios que se teria a partir daquele momento. E isso a História provou que Obama não tinha, pelo menos não com a classe trabalhadora. Nestes oito anos, quantos levantes do povo negro não aconteceram em pleno território norte-americano por conta da violência policial contra o povo negro??? E o que o governo Obama fez??? NADA!!! Assim, as diferenças (cada vez mais superficiais) entre Democratas e Republicanos foram cada vez mais desaparecendo, chegando ao ponto de desaparecerem de vez.
É preciso aprender com as lições da História. Democratas e Republicanos  nada mais são do que faces da mesma moeda. São norte-americanos e, como tais, movem seus interesses olhando em primeiro lugar para seu próprio umbigo e, depois, talvez, para o mundo. Assim tem sido a trajetória norte-americana na História mundial. Trump não mudará esse roteiro. Poderá torná-lo mais duro, muito provavelmente, pelo seu perfil e algumas de suas propostas expostas ao longo da campanha. 

sábado, 5 de novembro de 2016

TJPB imita STF e ataca direitos democráticos na Paraíba




Caiu como uma "bomba" no movimento dos setores educacionais da Paraíba nesta sexta-feira, 04 de novembro do ano em curso, a divulgação (pelas redes sociais), de um Acórdão de 15 de setembro deste ano, de uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade), de nº 0117689-57.2012.815.0000, proferida pelo TJPB, tendo como relatora a Desa. Mª das Graças Morais Guedes. Tal ADIN sugere o fim das eleições diretas para eleições de diretores e vices nas escolas do Estado e do Município de João Pessoa e foi colocada no tribunal pelos "democratas" Ricardo Coutinho e Luciano Agra - prefeito de João Pessoa à época da ADIN -, ambos do PSB. Seu sucessor, o igualmente "democrata" Luciano Cartaxo (PSD), poderia ter retirado a PMJP desta ação, mas a manteve, determinando assim pleno acordo com este duríssimo ataque a um dos maiores pressupostos democráticos da legislação educacional de nosso país, amplamente debatido na última CONAE  e garantido no atual Plano Nacional de Educação como uma de suas principais Metas.
Essa decisão AUTORITÁRIA e REACIONÁRIA do TJPB vem somar com as aberrações jurídicas que recentemente temos assistido nossa justiça tem tomado nos últimos tempos. Recentemente, o STF decidiu atacar o direito de milhões de aposentados/as de todo o país quando acabou com a desaposentação, ou seja, agora nenhum aposentado/a brasileiro/a  poderá pedir na justiça a revisão do valor do benefício de sua aposentadoria, caso esteja aposentado e trabalhando ao mesmo tempo. No dia seguinte a essa decisão, o STF atacou o direito de greve dos/as servidores/as públicos, quando determinou que, a partir daquele momento,  o/a servidor/a público que entrar em greve terá seu ponto (e, consequentemente, seu salário) imediatamente cortados. Na esteira dessas "insanidades" jurídicas, que na verdade seguem par e passo o plano de ajuste fiscal do governo Temer (leia-se arrocho salarial e retirada de direitos de nossa classe), o TJPB agora publica um Acórdão de setembro deste ano, em que ataca um dos mais elementares direitos democráticos do magistério paraibano e brasileiro: o direito de eleger, DEMOCRATICAMENTE, os diretores e e vices das escolas estaduais e municipais de João Pessoa.
Esta decisão, proferida pelo TJPB, com e Relatoria da Desa. Mª das Graças Morais Guedes, foi colocada neste Tribunal em 2012 pelos eminentes "democratas" Ricardo Coutinho e Luciano Agra - prefeito de João Pessoa à época da ADIN -, ambos do PSB. Estes senhores, que sempre posaram na frente das câmeras de defensores dos direitos dos/as trabalhadores/as, mostram com esta ADIN, suas verdadeiras caras. Querem, com isso, retirar de dentro das escolas e da comunidade escolar, a possibilidade de escolherem livremente aqueles/as que irão administrar o patrimônio público para continuarem indicando seus capachos nas escolas através do jogo sujo da indicação política, via balcão de negócios na Assembleia Legislativa e Câmara Municipal de João Pessoa. O sucessor de Agra na PMJP, Cartaxo (PSD), que poderia ter agido diferente, retirando a prefeitura dessa ação, mas a manteve, porque afinal de contas, também se beneficiará (assim pensa ele) dessa negociata política que essa lamentável decisão do TJPB trará.
Mais uma vez, perde a Educação. Mais uma vez, perde a categoria magistério. Mais uma vez, perdem os/as trabalhadores/as. Mais uma vez, ganha o fisiologismo e o clientelismo político. A pergunta que fazemos é: até quando??? E outra que também não quer calar: assistiremos a tudo isso de braços cruzados??? O que nossas entidades representativas farão contra mais esse ataque à educação pública na Paraíba??? Com a palavra, os dirigentes do SINTEP e SINTEM!!!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ministros do STF impõem mais duro ataque à organização sindical e ao direito de greve dos servidores públicos brasileiros da História




O dia 27 de outubro de 2016 já entrou, definitivamente, para a História do movimento sindical brasileiro como o dia em que a mais alta Corte da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal - STF -, por maioria de votos de seus ministros/as (6 a 4) - praticamente enterrou de vez qualquer possibilidade da categoria dos servidores públicos de nosso país (federais, estaduais e municipais) de realizarem, a partir de agora, greves nas suas respectivas categorias.
Isso porque, no entendimento dos ministros/as Dias Toffoli (relator da matéria), Luis Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, Luiz Fux e a presidente do STF, Cármen Lúcia, a partir de agora, o poder público deverá cortar o ponto (e consequentemente) os salários dos servidores que entrarem em greve. A exceção à regra, segundo o STF, será quando esses mesmos servidores decidirem entrar em greve por atraso no pagamento de salários. Foram contra esse entendimento os/as ministros/as Edson Fachin, Rosa Weber, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. O ministro Celso de Mello não esteve presente à esta sessão. (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/10/1826934-stf-decide-que-poder-publico-deve-cortar-salarios-de-servidores-grevistas.shtml)  
Como afirmamos anteriormente, esta lamentável decisão do STF praticamente enterrou a possibilidade de boa parte dos sindicatos de servidores públicos espalhados pelo país de a partir de agora, realizarem greves por reajustes salariais, melhores condições de trabalho ou mesmo por questões políticas, como ocorre neste momento, na base da Fasubra, que realiza uma greve contra a PEC 241 (agora PEC 55). Afirmamos praticamente porque nossa classe, desde que surgiu historicamente na História, nunca pediu licença aos patrões nem ao Estado burguês, nem tampouco à sua Justiça, para se organizar enquanto classe e consequentemente organizar suas formas de luta, dentre as quais a greve tem sido uma das mais eficazes ao longo de sua trajetória. Assim, se por um lado, momentaneamente, essa decisão draconiana tomada pelo STF, que atende integralmente aos desígnios do Palácio do Planalto nas suas mais perversas intenções de prosseguir com seus duríssimos ataques à nossa classe, poderá provocar (em um primeiro momento) um recuo na organização desta e, até mesmo, um refluxo nas lutas de várias categorias, não tenho dúvidas que, dentro em breve, a classe trabalhadora brasileira, por dentro ou por fora de suas direções, tenderá a encontrar saídas para superar mais esse duro ataque que tentam impor à sua organização sindical e ao direito de greve. Afinal, quem conseguiu superar o Estado Novo de Vargas, depois 21 anos de uma sangrenta Ditadura Militar, conseguirá também superar esses ataques de um governo reacionário como o de Temer.
Apesar de afetar toda a categoria dos servidores públicos, porém atinge mais especificamente o elo mais fraco desse setor, que são os servidores públicos municipais, espalhados pelos mais de 5.500 municípios brasileiros, na sua imensa maioria, muito pequenos, muitos deles com sindicatos muito pequenos (quando possuem), com pouquíssima força política, portanto, que com esta decisão do STF, estarão entregues à própria sorte!!!
Por falar no papel das direções sindicais nesta conjuntura de duríssimos ataques, cabe refletir sobre como estas se comportarão a partir de agora. Como CUT, CTB, Força Sindical, para citar apenas as maiores centrais sindicais do país se comportarão a partir desse momento, quando não apenas o Executivo, mas também o Legislativo e, agora, o Judiciário fecham o cerco contra nossa classe e desferem os maiores ataques contra nossa classe, nos últimos 30 anos???
Está provado, definitivamente, que a tática apresentada pelas direções dessas centrais NÃO tem trazido o resultado que elas tem dito para suas bases, que seja, o de negociar com esse Congresso corrupto e o governo idem, além de acreditar numa Justiça que, a cada dia que passa, se mostra cada vez mais subserviente aos ditames do Poder Executivo. Portanto, ou essas direções revisam, IMEDIATAMENTE, suas táticas ou nossa classe continuará alimentando mais derrotas, cada vez mais acachapantes como as que sofremos essa semana, aonde na quarta-feira, os celetistas viram ir pro ralo o direito à desaposentação e, na quinta, foi a vez dos servidores públicos, com essa triste decisão.
A CSP Conlutas NUNCA acreditou no papel da Justiça enquanto defensora do direito de nossa classe, assim como SEMPRE apostou na organização de nossa classe como a forma mais eficaz de enfrentar e derrotar os planos de todos os governos e dos patrões. Assim como também SEMPRE chamou a construção da unidade dos/as lutadores/as para derrotar os ataques à nossa classe, e continuamos a fazer esse chamado. Por isso, apesar dessa decisão do STF, achamos FUNDAMENTAL reforçar a construção do calendário aprovado pelas centrais sindicais e construir, pela base, os dias nacionais de LUTA dos dias 11 e 25/11, contra as Reformas da Previdência, Trabalhista e a PEC 241 (agora PEC 55). Só dessa forma, com muita organização de base e LUTA, é que conseguiremos derrotar o governo, os patrões e o STF!!! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Afinal, quem venceu as eleições municipais de 02/10 na Paraíba???



Passados pouco mais de uma semana após milhões de paraibanos/as terem ido às urnas em 02 de outubro próximo passado e de todos/as já estarem sabendo quem irão governar os 223 municípios de nosso Estado, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, tendo assim redefinido o mapa político da Paraíba e, de certa forma, preparado terreno para a disputa que se avizinha, as eleições de 2018, quando se disputará o Palácio da Redenção e as 36 cadeiras da Assembleia Legislativa, sem falar nas 12 vagas da Câmara dos Deputados e as 2 vagas do Senado Federal, em Brasília, uma pergunta permeia o debate político nas colunas políticas e nas rodas de conversa o tempo todo: afinal de contas, qual o grupo político que venceu as eleições municipais na Paraíba? O do governador Ricardo Coutinho (PSB) ou de seu principal oposicionista, o senador tucano Cássio Cunha Lima?
Desde a campanha para governador, ocorrida em 2014, cristalizaram-se, de forma bem definida, dois blocos políticos oligárquicos e burgueses na política paraibana, liderados pelo atual governador Ricardo Coutinho (PSB), que mantém em sua órbita partidos díspares em suas ideologias (pelo menos, em seus discursos), como o PT e o DEM - ambos são base de sustentação do governo na Assembleia Legislativa -, além de ter contado nesta recente eleição municipal em João Pessoa com o apoio da organização chamada "Consulta Popular", vinculada aos movimentos sociais da esquerda petista; e o senador tucano, líder desse partido naquela Casa Legislativa, Cássio Cunha Lima, que tem como aliados partidos como PP e PSD e, por vezes, o PR.Porém, recentemente, tem conseguido trazer para junto de si o PMDB do até então adversário, o também senador Zé Maranhão, dando a entender de que ambos poderão estar juntos em uma possível aliança em 2018 contra Ricardo Coutinho. Já fizeram isso esse ano em João Pessoa e foram vitoriosos, ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD), colocando um peemedebista, o deputado federal Manoel Júnior, como vice. E logo no primeiro turno!!!
Muitos analistas políticos,em suas crônicas, avaliam que Ricardo Coutinho saiu derrotado dessas eleições municipais. O governador, porém, apresenta dados que contrariam essas análises, Ambos trabalham com dados oficiais da Justiça Eleitoral e, assim, buscam confundir ainda mais a cabeça do/a trabalhador/a que deseja apenas UMA coisa, na verdade: que essa crise, que NÃO foi criada por ele/a,seja resolvida o mais rápido possível, e que o desemprego e o arrocho salariais vão pro quinto dos infernos!!!
De um lado, o governador Ricardo Coutinho se apega a dados que mostram que, sozinho, o seu partido, o PSB, fez mais prefeitos e vereadores na Paraíba, o que demonstraria força partidária. Segundo os números oficiais, o PSB quase dobrou o número de prefeitos em relação a 2012, quando elegeu 28 prefeitos naquela ocasião. Agora, o partido tem 53 prefeituras e, no caso de vereadores, conseguiu eleger 395 em todo o Estado, contra 282 do 2º colocado, o PMDB. Porém, quando vamos analisar outros números, estes observados pelo governador se perdem no vazio. Vejamos.
Segundo o jornalista Rubens Nóbrega, em sua coluna no "Jornal da Paraíba, no dia 06 de outubro deste ano (http://blogs.jornaldaparaiba.com.br/rubensnobrega/2016/10/06/oposicao-ricardo-fez-250-mil-votos-de-maioria-nos-30-maiores-eleitorados/#more-3151), tendo como fonte outro jornalista, Joilton Costa (que, segundo Rubão, foi quem coletou os dados na Justiça Eleitoral e fez a tabela que consta na matéria), nos 30 maiores colégios eleitorais do nosso Estado, a oposição a Ricardo Coutinho venceu em 19 desses, restando ao esquema liderado pelo governador, a vitória em 11 desses. Isso, contando com a vitória de Emerson Panta em Santa Rita. Em sendo descartada a vitória do tucano na "terra dos canaviais" pelo TSE,  então a oposição venceria em 18 dos maiores colégios eleitorais da Paraíba e Ricardo venceria nos demais. Em número de votos, isso representa exatos 716.463 votos para a oposição (com a vitória de Panta) e 467.774 para a situação. Sem a vitória de Panta, essa vitória da oposição cai para 665.424 votos.
Mas, tudo isso NÃO é o mais importante.Isso é só APARÊNCIA!!!
Como marxistas que somos, devemos sair das aparências e ir à ESSÊNCIA das coisas!!!
Aparentemente, tanto Ricardo quanto Cássio estão certos em comemorarem suas vitórias, de acordo com os dados que optarem por analisar. Assim como os analistas políticos da terrinha que escolherem as fontes que escolherem por balizar suas observações.
Porém, nós, marxistas, balizamos nossas avaliações por um viés CLASSISTA. Esse é o método que nos interessa, que REALMENTE deve servir às nossas análises.
A pergunta devemos fazer, neste momento, é: A QUEM INTERESSA A VITÓRIA DE UM DESSES LADOS NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS NA PARAÍBA, EM 2016??? Respondemos: À classe trabalhadora, com certeza, é que NÃO é!!!
Portanto, se a vitória foi do esquema político liderado pelo atual governador Ricardo Coutinho (PSB) ou do senador tucano, Cássio Cunha Lima, com o beneplácito do também senador Zé Maranhão (PMDB), isso não serve em nada para os/as trabalhadores/as paraibanos/as. Assim, o que resta a nós, classe trabalhadora da Paraíba??? Arregaçar as mangas e organizar a resistência contra os ataques que estão por vir, tanto do governo Temer, como do governo Ricardo Coutinho e dos novos (velhos) governos municipais a partir de janeiro de 2017 que, na sua imensa maioria (pra não dizer TODOS) aplicarão a cartilha do governo federal de retirada de direitos.   

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Carta Aberta ao Desembargador Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho



Os/as servidores/as da Educação do município de Sta. Rita, na Grande João Pessoa, em greve há mais de 50 dias, por conta de atraso nos seus salários promovido pela Prefeitura, fato conhecido por todo o povo paraibano e amplamente divulgado pela imprensa estadual, foram surpreendidos na data de hoje, 06 de outubro do ano em curso, com uma sentença, em forma de tutela antecipada deferida pelo desembargador Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho, determinando a imediata suspensão e o "imediato retorno ao trabalho em 24 horas,  pena de multa diária de R$ 10 mil imposta ao Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Santa Rita (Sinfesa)". (http://www.parlamentopb.com.br/Noticias/?justica-manda-suspender-greve-de-professores-e-servidores-de-santa-rita-06.10.2016)
Ainda segundo a decisão do magistrado, conforme o site acima, as razões que levaram o desembargador a tomar tal decisão teriam sido a falta de motivos satisfatórios para a deflagração da greve, já que, segundo este, "(...) Quando enviados ofícios ao sindicato solicitando documentação, este apresentou documentos insatisfatórios, o que demonstraria a abusividade do movimento”.
O que nos interessa observar, mais uma vez, nesta decisão judicial, é a rapidez da Justiça para atacar a LUTA dos/as trabalhadores/as, no caso, dos/as servidores/as municipais de  Sta. Rita. Toda a Paraíba tem acompanhado, pelos meios de comunicação, o sofrimento desta categoria por conta da IRRESPONSABILIDADE dos prefeitos Reginaldo Pereira e Netinho de Várzea Nova, além dos/as dezenove vereadores/as da Câmara Municipal da cidade, espectadores privilegiados/as da bandalheira que tomou conta da "terra dos canaviais".
Desde abril deste ano ficamos sabendo que a direção do Sinfesa deu entrada com um pedido de bloqueio nas contas da Prefeitura para que, assim, fosse feito o pagamento dos salários atrasados dos/as servidores/as da ativa e aposentados/as. Porém, só em setembro, é que tal medida foi providenciada pela justiça em benefício dos/as servidores/as. Cinco meses para que a justiça tomasse uma decisão a favor dos/as trabalhadores/as!!! Pense numa rapidez....
Agora, vem um desembargador, junto com o Procurador Geral de Justiça do Estado e o Promotor de Justiça de Defesa da Educação de Sta. Rita para atacar um direito líquido e certo dos/as servidores/as da Educação da "terra dos canaviais". E aí, fica a pergunta, caras autoridades do Direito Paraibano: como os/as trabalhadores/as de Sta. Rita poderão ministrar suas aulas com dois meses de salários atrasados??? Como farão para sustentar suas famílias dessa maneira??? E os demais trabalhadores/as, vigilantes, merendeiras, auxiliares de serviços gerais, FUNDAMENTAIS para o bom funcionamento de uma escola, como farão??? Por favor, senhores, respondam. Não a mim, mas a esses/as senhores e senhoras!!!   

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Por quê Amanda Gurgel não foi reeleita vereadora em Natal



Uma polêmica de relativa monta atravessa uma parcela da esquerda socialista de nosso país e traz, novamente, à tona o debate sobre a participação dos socialistas nas eleições burguesas: a não reeleição da vereadora Amanda Gurgel em Natal, capital do Rio Grande do Norte, neste domingo, 02 de outubro de 2016.
Amanda, mais uma vez, mostrou sua força eleitoral na capital potiguar, apesar de disputar a eleição por uma pequena legenda. Obteve exatos 8.002 votos (2,69% dos votos válidos), sendo a 2ª mais votada na cidade, ficando atrás apenas do vereador eleito Raniere Barbosa (PDT), que teve 10.510 votos. Para se ter uma ideia do absurdo eleitoral que se verificou nestas eleições em Natal, o último vereador eleito na capital norte riograndense teve 1.829 votos e estará exercendo o mandato a partir de fevereiro de 2017.
Tudo isso ocorreu por conta de uma profunda distorção no sistema político-eleitoral brasileiro que permite que as coligações partidárias, através de uma coisa chamada QUOCIENTE ELEITORAL, faça com que candidatos/as com menos votos, mas pertencentes a coligações enormes, possam (mesmo com menos votos do que outros/as, mas desde que tais coligações atinjam o tal quociente) possam ser eleitos/as e, assim, exerçam um mandato eleitoral. Amanda Gurgel, para ser realmente eleita nas eleições deste ano, deveria ter obtido algo em torno de 15 mil votos sozinha, já que o PSTU não fez coligação nas eleições deste ano em Natal. Assim, como obteve pouco mais da metade desses votos necessários à obtenção do quociente eleitoral, Amanda não conseguiu sua reeleição.
Aí entra o "xis" da polêmica sobre a não da reeleição de Amanda. Setores da esquerda e de sua nova organização, o MAIS* (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) acusam o PSTU pela não reeleição de Amanda justamente por este não ter feito uma aliança com o PSOL em Natal e, assim, inviabilizado tal projeto político da companheira.
É uma acusação caluniosa, infundada  e desprovida de elementos políticos mínimos para um debate sério. Assim que saiu o resultado eleitoral, a nova organização da vereadora Amanda Gurgel divulgou uma nota onde reafirma essa acusação, onde textualmente diz que "a divisão da frente de esquerda e socialista na maioria das cidades brasileiras cobrou o seu preço. Por exemplo, caso existisse uma frente de esquerda em Natal, com PSOL, PSTU e PCB, Amanda seria tranquilamente reeleita e a bancada da esquerda socialista na câmara poderia se manter". 
Sobre esta afirmação do MAIS, temos algumas coisas a dizer.
1º) os/as companheiros do MAIS parecem desconhecer profundamente a extrema dificuldade da atual conjuntura porque TODA a esquerda, de conjunto, passa atualmente, por conta da crise política que o país atravessa, onde a direita se aproveita para desmoralizar todos os setores militantes da esquerda socialista, aproveitando-se do exemplo dos 13 anos de governo do PT e espalhando isso nas consciências de nosso povo;
2º) os/as companheiros/as do MAIS parecem desconhecer o que ocorreu em algumas cidades brasileiras a respeito da tal "divisão" da Frente de Esquerda. Esquecem (ou fazem de conta que esqueceram, o que é pior) o que ocorreu em Porto Alegre, por exemplo, quando os companheiros do MAIS deixaram de lançar candidaturas pelo PSTU para passar a apoiar a candidatura de Luciana Genro, do PSOL;
3º) o entendimento dos/as companheiros/as do MAIS sobre a necessidade de uma Frente de Esquerda em Natal é estranho. Para os/as companheiros/as, a Frente seria importante apenas para reeleger Amanda, já que ela seria "tranquilamente reeleita", segundo a nota dos/as companheiros/as. Isso revela uma diferença FUNDAMENTAL entre o que o MAIS pensa sobre as eleições em relação a nós.
Queremos, por fim, deixar uma questão para o pensamento de todos/as. Em alguns locais desse país, fizemos aliança com o PSOL nestas eleições. Porém, não conseguimos eleger NENHUM vereador/a. Por quê??? Terá sido culpa do PSTU???

*MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) é uma nova organização surgida este ano, da qual Amanda Gurgel faz parte, fruto de uma ruptura com o PSTU. Por conta do prazo eleitoral, o PSTU decidiu ceder de forma democrática a legenda para que esta pudesse participar das eleições deste ano pelo partido, mas pela sua nova organização.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Eleições municipais DESMASCARAM e DESMORALIZAM direções do PT e PCdoB na Paraíba



O ano de 2016 tem sido recheado de muitos fatos políticos, que tem provocado muitas polêmicas, e por isso mesmo acirrado os debates do velho confronto entre direita versus esquerda, mas também dentro da própria esquerda.entre os setores reformista e revolucionário. Se há um ponto positivo nesse debate, é que as posições políticas, de ambos os lados, têm se clarificado como nunca antes havia sido feito , algumas vezes de forma exacerbada demais ao nosso gosto, exalando ódio e preconceitos. Infelizmente, quando a polarização ocorre, tais fatos se reproduzem.
O impeachment da presidente Dilma Rousseff, ocorrido recentemente, foi o ápice desse processo, que evidentemente, ainda repercute na conjuntura e, certamente, repercutirá por algum tempo (pelo menos até as próximas eleições presidenciais de 2018). Este fato, juntamente com as medidas que já estão sendo tomadas e as que virão a ser pelo novo governo Temer, aliadas aos desdobramentos da "Operação LavaJato", renderão muitas manchetes de jornais e longos debates nos próximos meses em rodas de conversas, mesas de análise de conjuntura e bate-papos de facebook e whatsapp. 
Mas, desde a sacramentação do impeachment da presidente Dilma (e antes mesmo desse episódio), o PT e seus aliados dentro e fora do Congresso Nacional - dentre eles, seu mais fiel escudeiro desde o primeiro dia do governo Lula, em 2003 -, o PCdoB, bradavam em altíssimo som por todos os corredores do parlamento nacional e nas ruas que aquilo era um "GOLPE" e que por isso deveria ser barrado e denunciado a todo custo.
Nós, do PSTU, nunca concordamos com esse discurso por acreditarmos que já havia, desde o primeiro governo Lula, assim como já havia ocorrido nos 8 anos do (des) governo FHC, um GOLPE contra a classe trabalhadora, quando Lula e o PT governaram em parceria com os empresários, distribuindo migalhas para nossa classe (como Bolsa Família). Não podemos NUNCA esquecer que foi o próprio Lula quem afirmou, ainda no seu primeiro mandato, que os banqueiros "nunca ganharam tanto quanto no seu governo". No governo do PT, todos os anos os banqueiros acumularam milhões de lucros à exploração dos bancários e da péssima qualidade dos serviços prestados aos seus clientes, NÓS. No governo do PT, acelerou-se o processo de privatização de poderosas estatais, como Petrobras e Correios, que senão estão totalmente entregues ao capital internacional (ainda), foi por conta da LUTA dos/as trabalhadores/as dessas empresas, que promoveram ao longo dos anos heroicas lutas e greves em defesa de seus empregos e do patrimônio público. O mesmo se deu nas universidades públicas e IF's, sistematicamente atacados pelos governos petistas, que às custas do discurso da ampliação de unidades de ensino e de vagas (com a criação de programas como REUNI e PROUNI), aumentou a precarização do trabalho docente e, ao mesmo tempo, encheu o bolso dos tubarões de ensino das universidades particulares, paralelamente em que favoreceu os donos de hospitais com a criação da EBSERH, terceirizando os hospitais universitários. Entregou de mão beijada portos e aeroportos para a iniciativa privada, com o discurso de "concessão" e não PRIVATIZAÇÃO. Sem falar no golpe fatal, quando logo após sua reeleição, Dilma Rousseff, acabou com os benefícios históricos do seguro desemprego, seguro defeso, auxílio doença, pensão por morte e outros. Uma covardia sem tamanhos. E por MP!!!
Isso sim, para nós, foi o verdadeiro GOLPE cometido contra nossa classe. E foi feito pelo PT, por Dilma. E essas medidas, como as MP's 664 e 665 ( que acabaram com os benefícios citados acima) foram votadas no Congresso Nacional, com os votos favoráveis das bancadas do PT e do PCdoB e contrárias do PSDB e DEM. Incrível!!!!
Pois bem, nas atuais eleições municipais, PT e PCdoB decidiram fazer destas uma campanha de denúncia do "golpe parlamentar" sofrido pela presidente Dilma e tentar, assim, catapultar alguns votos e, sobretudo, resgatara a autoestima de sua militância. Tentam, com isso, reconquistar o apoio de setores do movimento à sua causa, como MST, MTST e Consulta Popular.
Na Paraíba, não foi diferente. Em João Pessoa, o PT lançou a candidatura do professor universitário Charliton Machado, presidente estadual do partido, que licenciou-se do cargo para encarar a empreitada. É a primeira vez que "Charlinho", como é carinhosamente chamado pela militância, enfrenta uma campanha e, cá entre nós, tem se saído bem nos debates. Já o PCdoB decidiu marchar com o atual prefeito Luciano Cartaxo (PSD), em sua campanha à reeleição à Prefeitura Municipal de João Pessoa. E é aí que começam as contradições desses dois partidos quando o assunto é o tão famoso "golpe parlamentar".
Em 11 de junho deste ano, em reunião da Direção Estadual, ocorrida em Campina Grande, o PT aprovou uma Resolução Eleitoral que proibia, "terminantemente" alianças com PSDB, DEM, PPS e Solidariedade, partidos classificados como "adversários históricos de nosso projeto nacional e instrumentos do golpe contra o nosso governo". (http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20160613095331&cat=paraiba&keys=-pt-paraiba-prioriza-aliancas-partidos-campo-democrático-popular).
Mesmo sabendo das diferenças históricas existentes entre PT e PCdoB, porém neste momento acompanhando o desenrolar dos acontecimentos envolvendo o impeachment de Dilma Rousseff, em nível nacional e local, havia (e ainda há, de certa forma) uma convergência na linha de argumentação e de defesa unindo os dois partidos e suas direções quando estas avaliam, por exemplo, o caráter dos partidos de direita acima citados. Porém, o que espanta (um pouco, não muito, conhecendo suas direções como conhecemos) é quando pegamos os dados oficiais do TSE e analisamos as alianças feitas por esses partidos na Paraíba nestas eleições municipais de 2016. A conclusão é IMPRESSIONANTE!!! O discurso da luta contra o "golpe parlamentar" cai por terra e DESMORALIZA por completo todas essas direções, tanto do PT quanto do PCdoB. Vamos aos números!!!. Repetimos: DADOS OFICIAIS DO TSE!!!
A Paraíba, como todos/as sabem, possui 223 municípios. Destes, o PT fez aliança com partidos ditos "golpistas" em 125, ou em 56% desses; já o PCdoB aliou-se em 77 municípios, ou em 34,5% desses. Em 12,5% do total dos municípios paraibanos, PT e PCdoB estão juntos em alianças com os partidos ditos "golpistas". Alguns desses municípios são importantes no cenário paraibano, como Campina Grande e Sta. Rita, por exemplo (onde estão juntos apoiando o candidato do PSB) ou Mamanguape (onde estão numa aliança que envolve além do PSB também o DEM). Mas tem um caso interessante, que é em São Vicente do Seridó, no sertão paraibano, onde PT e PCdoB estão numa coligação que envolvem partidos como PSB, PSD, PP, DEM e PTB. Pense num combate ao "golpe parlamentar" da gôta...........
Na Grande João Pessoa, dos 11 municípios que compões a Região Metropolitana, PT e PCdoB estão juntos em uma mesma coligação em 3 cidades (Sta. Rita, Mamanguape e Caaporã); em 3 delas, apenas o PCdoB coligou-se (João Pessoa, Cruz do Espírito Santo e Lucena) e em 1 apenas o PT (Conde); em 3 outras, estão em coligações diferentes (Bayeux, Rio Tinto e Alhandra) e em apenas 1 (Cabedelo), nem PT nem PCdoB lançaram candidatos ou coligaram-se com algum partido.   
Pegando as cidades pólo da Paraíba, pelo critério do PIB, nas 5 maiores do nosso Estado (João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Sta. Rita e Bayeux), em 2 delas - Campina Grande e Sta. Rita -, PT e PCdoB estão na mesma coligação apoiando um partido "golpista", em outras 2 estão em coligações diferentes (João Pessoa e Bayeux) e em outra, Cabedelo, como já afirmamos, PT e PCdoB não lançaram candidaturas nem se aliaram a nenhum partido. Queremos ressaltar o caso de Bayeux, na Grande João Pessoa. Nesta cidade, o PCdoB está apoiando o atual prefeito candidato à reeleição, que é do PSB, que conta em sua coligação com os também partidos "golpistas" PSD, DEM, PSC, PMDB e PP). Pra quem não lembra, PSC é o partido do FASCISTA Bolsonaro, que o PCdoB da deputada federal Jandira Feghali tem debates ferrenhos na Câmara dos Deputados, em Brasília; já o PT de Bayeux está apoiando o candidato do PTN, que tem como vice o "golpista" PSDB, além de outros, como PPS e PTB. Pense numa coerência!!!
Enfim, depois de toda essa pesquisa, podemos chegar a DUAS conclusões:
1ª) O discurso do "golpe parlamentar" contra a presidente Dilma Rousseff, utilizado insistentemente pelas direções do PT e PCdoB, é uma FARSA;
2ª) Essas alianças feitas com os partidos de direita, "golpistas", espalhadas pelo interior da Paraíba, SEMPRE ocorreram, isso não é novidade. A novidade está no cenário político atual,com esse discurso das direções do PT/PCdoB a respeito do impeachment da presidente. Isso mostra, na prática, a completa DESMORALIZAÇÃO dessas direções, já que suas resoluções e orientações de NADA serviram para nortear as direções municipais pelo interior do Estado. 

terça-feira, 15 de março de 2016

Renan Palmeira rompe com PSOL e anuncia ingresso no PT. Um novo tempo???



O militante social (como ele se autodefine) Renan Palmeira surpreendeu boa parte da militância dos movimentos sociais de esquerda ao anunciar hoje, 15/03/16, através de nota em sua página no Facebook, que estará se filiando ao PT, na próxima sexta-feira, 18/03. Renan, que anunciou rompimento com seu antigo partido, o PSOL, em fevereiro deste ano, publicou uma carta explicando as razões de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores.
Nesta, o presidente do MEL afirma que sua filiação ao PT aproxima-o dos "nossos ideais e das bases sociais que sempre acompanharam a nossa trajetória política". Afirma ,também, em outro trecho da nota, que entra no PT por conta dos "tempos difíceis" que vivemos, onde assistimos "um visível crescimento do fascismo no Brasil" e que a "direita está cada vez mais conservadora" (ela , algum dia, deixou de ser???).
Renan afirma também que seu ingresso no PT, "apesar das suas contradições ao longo dos anos", representa o melhor espaço para resistirmos à "onda conservadora" que vivenciamos, segundo ele.
Por fim, Renan entoa uma palavra de ordem bastante difundida pelos apoiadores do governo do PT: "golpe nunca mais!!!"
Antes disso, Renan havia afirmado, em sua carta-despedida do PSOL, que saía do partido para "fortalecer minhas convicções e não para abandoná-las".
Diante de tudo isso, vamos às considerações:
1º) O que pode justificar a ida de um  militante forjado na lutas sociais, no campo da esquerda socialista, romper com este projeto e decidir por filiar-se ao PT, justamente em sua fase de profunda degeneração política, a não ser projetos puramente pessoais???
2º) Afinal de contas, quais são os "ideais e convicções" de Renan Palmeira? Por acaso, há similaridades entre estes expressos pelo PSOL e PT???
3º) O que Renan chama de "contradições ao longo dos anos" na política do PT, na verdade, classificamos como TRAIÇÃO POLÍTICA. O PT, durante seu governo, traiu as bandeiras históricas de nossa classe, aliando-se com a burguesia nos ataques à nossa classe, como observamos recentemente ne antrega do pré-sal e agora, na nova Reforma da Previdência do governo Dilma, que ataca especialmes as mulheres trabalhadoras. Até mesmo nos setores de atuação de renan Palmeira, o governo do PT, durante todos esses anos, só promoveu ataques: Dilma vetou a distribuição da cartilha LGBT nas escolas públicas para atender à pressão da bancada evangélica no Congresso Nacional; fez aprovar no mesmo Congresso corrupto a lei antiterrorismo, que criminaliza os movimentos sociais; promoveu profundos cortes no orçamento da educação ao longo dos anos, enfim, o "projeto democrático-popular" do PT na verdade representou e representa um profundo ataque aos direitos de nossa classe. É esse projeto que Renan Palmeira abraça agora, com sua filiação ao Partido dos Trabalhadores;
4º) Por fim, Renan chama a palavra de ordem preferida dos apoiadores do governo petista: "Golpe nunca mais!". Renan, assim como vários/as outros/as apoiadores/as do governo Dilma, não entendem (ou não não querem entender) que JÁ EXISTE UM GOLPE em curso em nosso país. Só que esse golpe ocorre sobre as costas de nossa classe, que diariamente sofre com a violência,  com a alta da inflação, aumento da inadimplência, do desemprego, aumento das tarifas públicas, etc. É contra esse GOLPE que devemos reunir o conjunto de nossa classe para organizar e lutar contra este governo, que é o responsável por estes ataques, mas também contra a oposição de direita (dirigida pelo PSDB), que já governou esse país e também atacou nossa classe.
Infelizmente, Renan Palmeira decidiu trilhar o caminho mais fácil na hora da dificuldade. E e sempre muito mais fácil escolher ficar debaixo do guardasol do governo!!!  
        

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Carta Aberta ao Governador Ricardo Vieira Coutinho


Excelentíssimo Senhor Governador Ricardo Vieira Coutinho

Antes de evidenciar o real motivo pelo qual escrevo esta carta a V. Excia., gostaria de lhe fazer algumas perguntas. Não precisa responder, sei que o senhor é muito ocupado, costuma chegar em sua humilde residência por volta de duas, três horas da manhã, como certa vez falou em um dos muitos debates dos quais participamos na última campanha para Governador  do Estado da Paraíba, em 2014.

A 1ª das perguntas que quero lhe fazer é a seguinte: o senhor costuma se autoproclamar como sendo "socialista", inclusive pertence a um partido que carrega esse termo em seu nome. Governador Ricardo Vieira Coutinho, o senhor tem certeza de que é mesmo "socialista"???

A 2ª pergunta que lhe faço é: desde que o senhor assumiu a PMJP, em 2005, e a partir de 2011, quando chegou ao Palácio da Redenção, uma de suas falas favoritas é afirmar que sua forma de governar é "republicana". Assim, governador Ricardo Vieira Coutinho, V. Excia. tem certeza de que governa de maneira "republicana" esse Estado???

Por fim, governador, apesar de sua arrogância, empáfia e prepotência, até recentemente, achava eu que pelo menos havia uma coisa comum entre o senhor e eu e os demais paraibanos e paraibanas. Achava eu que éramos formados de carne, osso, nervos e músculos. Mas houve um fato ontem que mudou essa minha impressão. Cheguei à conclusão de que todos/as paraibanos e paraibanas são formados por carne, osso, nervos e músculos, menos um: o senhor, governador Ricardo Vieira Coutinho!   

E que fato tão foi esse que causou essa impressão que me fez mudar de opinião? O fato atende pelo nome de JOÃO BATISTA, trabalhador aposentado que residia em Bayeux, que faleceu na madrugada desta terça-feira, 19 de janeiro deste ano, por conta do DESCASO do Governo do Estado da Paraíba que, mesmo de posse de uma decisão judicial emitida há quase um ano determinando a imediata cirurgia de uma angioplastia venosa no citado cidadão, mas que por conta da bur(r)ocracia estatal não foi feita e que, por causa disso, piorou o quadro de saúde do trabalhador a tal ponto que ele teve seu braço esquerdo amputado uma semana antes de seu falecimento e, após este procedimento, seu quadro piorou ao ponto dele não resisitir e vir a falecer na data acima colocada.

Isso tudo porque V. Excia, o governador Ricardo Vieira Coutinho, se coloca politicamente como "socialista" e "republicano"!!! Imagine se não fosse!!! Para quem não sabe ou "esqueceu" o que significam esses dois conceitos políticos, em poucas palavras, ser REALMENTE socialista significa, entre outras coisas, ter amor pela vida humana, em especial pela vida de um trabalhador que passou uma vida inteira dando o máximo de suas energias por um mísero salário para sustentar sua família e, na hora em que mais necessitou do amparo do Estado e do serviço público desse Estado - para o qual passou a vida inteira pagando impostos e contribuindo com o suor de seu trabalho com a previdência pública -, justamente nessa hora ele e sua família se vêem completamente desamparados, apesar de possuírem uma decisão judicial dando pleo direito à sua causa, que nada mais era do que o direito à VIDA!!! Neste ponto, governador Ricardo Vieira Coutinho, o senhor foi reprovado no teste do socialismo: não, governador, o senhor pode ser qualquer coisa neste mundo, menos socialista!!!

Quanto a ser "republicano", o senhor também foi reprovado neste teste. Pois, para ser REALMENTE republicano, governador, precisa-se cumprir um princípio fundamental nesta prova: o VERDADEIRO republicano, governador Ricardo Vieira Coutinho, respeita e, principalmente, CUMPRE as leis. TODAS as leis, não apenas aquelas que lhe interessam! O trabalhador aposentado de Bayeux, João Batista, tinha em suas mãos há quase um ano, governador, uma decisão judicial, lhe assegurando uma cirurgia para que ele fosse curado da doença que o afligia. Ele morreu, governador Ricardo Vieira Coutinho, porque o SEU governo não conseguiu assegurar a seu João Batista um DIREITO garantido pela Justiça paraibana. Este é seu conceito de ser "republicano", governador Ricardo Vieira Coutinho??? 

Finalmente, governador Ricardo Vieira Coutinho, o senhor demonstrou neste episódio não possuir a principal das qualidades. Ninguém, nem mesmo o senhor, precisa ser socialista ou republicano. Isso são escolhas políticas que qualquer um de nós podemos ou não fazer ao longo de nossas vidas. Mas, há uma coisa que nós não escolhemos, ou pelo menos, pensava eu, nascíamos com ela: a qualidade de sermos humanos, feitos de carne, osso, nervos e músculos. Mas, com esse fato lamentável cocorrido com o trabalhador aposentado de Bayeux, João Batista, e sua família, começo a perceber que as coisas não são bem assim. Que existem diferenças entre nós muito além das escolhas políticas ou dos gostos pessoais que cada um temos em se tratando de opções musicais, literárias, etc. O senhor governador Ricardo Vieira Coutinho mostrou que, ao contrário de todos/as nós, não é feito do mesmo material orgânico que nós, pobres mortais. Pois se fosse, não teria permitido, com SUA autoridade de GOVERNADOR de Estado, ter ocorrido o que ocorreu com este trabalhador. Será que sua autoridade de governador, Ricardo Coutinho, serve apenas para massacrar os servidores estaduais concedendo 1% de reajuste salarial? Ou para ir até à justiça estadual pedir a decretação da ilegalidade da greve dos servidores estaduais? É para isso que serve sua AUTORIDADE equanto GOVERNADOR???  

Ricardo Vieira Coutinho, sua omissão e, principalmente, seu compromisso com aqueles que exploram nossa classe fizeram mais uma vítima. Seu nome: JOÃO BATISTA, trabalhador aposentado de Bayeux. Que você carregue esse peso em sua consciência até o fim de sua vida, Ricardo Coutinho. Porque essa morte é de sua INTEIRA e TOTAL RESPONSABILIDADE!!!                   

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Quando foi que o governo Cartaxo deixou de ser conservador??? Parte I



O PT de João Pessoa, aos poucos, parece acordar e sair da letargia em que ficou após a pancada que levou ano passado quando o prefeito Luciano Cartaxo anunciou, para surpresa de todos/as no partido, sua saída da estrela vermelha e ingresso nas fileiras do PSD de Rômulo Gouveia. Nesta segunda-feira, 18/01, a Executiva Municipal reunida aprovou, por unanimidade (fato raro no PT) que o partido terá candidatura própria na capital paraibana. Só não se sabe ainda quem será o/a candidato/a. Sabe-se apenas que não será o deputado federal Luiz Couto, que já anunciou que não topa essa empreitada.
Na resolução aprovada pela Executiva Municipal do PT/JP, chamou a atenção deste blogueiro uma coisa, em especial. É quando, no ponto V desta, a Executiva afirma que "João Pessoa não pode ficar premida entre um presente conservador e uma visão meramente gerencial de governo...". 
Esta é uma afirmação que imediatamente levanta várias perguntas, tais como: quando foi que João Pessoa NÃO teve uma visão "meramente gerencial de governo?" A gestão Cartaxo só apresenta um presente conservador após a saída de Cartaxo do PT? Se, após a saída de Cartaxo do PT, João Pessoa apresenta um "presente conservador", então com Cartaxo no PT, a cidade vivia um ambiente "revolucionário"? Que pontos o PT/JP pode elencar para considerar isso na época de Cartaxo no partido e na gestão nessa época?
São questionamentos que precisam ser respondidos pela Executiva Municipal do PT/JP para a sociedade pessoense, pois senão passa a velha impressão das correntes de esquerda de que, enquanto aquela pessoa está dentro de suas fileiras, militando entre seus quadros, esta é a melhor pessoa do mundo, não tem nenhum defeito, mas basta ela sair da organização, ela se transforma em um demônio e tudo que ela faz ou fez é ruim, nada presta pou prestou. É este o discurso que o PT/JP vai apresentar aos/às eleitores/as na campanha que se aproxima?