Jornada Nacional de Lutas, Brasília, 24/08/2011

Reunião do Soviet de Petrogrado em 1917

A Revolução Russa: expressão mais avançada de uma onda revolucionária mundial.

Diretas Já

Luta por dias melhores

domingo, 11 de dezembro de 2011

João Pessoa precisa de uma Frente de Esquerda Socialista


A direção estadual do PSTU/PB, em reunião, aprovou esta nota sobre as eleições municipais de 2012. Ela revela uma proposta de tática que o partido pretende encaminhar no próximo período, visando fazer o melhor para o processo eleitoral do próximo ano. Abaixo, segue a nota, na sua íntegra.


João Pessoa precisa de uma Frente de Esquerda Socialista

Falta apenas um ano para as eleições municipais de 2012. Enquanto os trabalhadores, a juventude e o povo pobre estão lutando para melhorar sua vida, os políticos que representam os banqueiros, empresários e latifundiários já pensam em como se (re) eleger.
Hoje eles estão tentando derrotar as greves e mobilizações dos trabalhadores, para defender os patrões e evitar que tenhamos conquistas. Isso é o que aconteceu nas greves dos bancários, nas mobilizações de metalúrgicos, petroleiros; nas ocupações de reitorias do movimento estudantil; e recentemente na greve de 30 dias dos trabalhadores em educação e de 28 dias dos correios. Amanhã, vão jurar que defendem os mais pobres, e que querem melhorar a educação, a saúde, o transporte, a moradia e gerar empregos.

A Disputa Nacional 
Dois grandes projetos políticos vão estar em disputa nas próximas eleições. De um lado, teremos a base de sustentação do governo Dilma (PT, PMDB, PDT, PSB, PCdoB, etc) buscando eleger o maior número de prefeitos e vereadores país a fora, com o objetivo de reeleger Dilma presidenta em 2014. Do outro lado, estará a oposição de direita (PSDB, DEM e Cia), que tentará rachar a base do governo e ganhar aliados para disputar a presidência em 2014, talvez com Aécio Neves. Nenhum destes dois projetos representa as reivindicações e interesses dos trabalhadores e da maioria da população.
O governo Dilma, apesar de se apresentar como um governo democrático e popular, que diz governar para os mais pobres e garantir crescimento econômico com distribuição de renda, na verdade se utiliza da popularidade de Dilma (e de Lula) e das ilusões e esperanças que os trabalhadores têm no governo, para fazer ataques profundos aos nossos direitos: arrocho salarial, terceirização, privatizações, reforma da previdência, péssimas condições de saúde e educação, projetos de moradia e transporte que só favorecem as grandes empresas, e programas sociais compensatórios, como o bolsa-família, para os mais pobres.
Já a oposição de direita, representa o velho projeto neoliberal, que busca se apresentar como “moderno” e “que sabe administrar” para tentar enganar os trabalhadores.
Portanto, o desafio para os trabalhadores nestas eleições, é construir um terceiro campo. Contra os projetos de apoio ao governo federal e da oposição de direita, precisamos apresentar uma frente de esquerda, dos trabalhadores, socialista, que além dos partidos de esquerda, como o PSTU, o PSOL e o PCB consigam unificar o movimento sindical combativo, os movimentos sociais, ambientais, de luta por moradia, a juventude.

A disputa na Paraíba e João Pessoa
Na Paraíba, a disputa eleitoral se assemelha ao quadro nacional, com algumas variantes. Quem governa é Ricardo Coutinho (PSB), um aliado do governo Dilma, porém inserido numa composição de direita, representado pelos partidos que compõe nacionalmente a oposição de direita, como o PSDB e o DEM. Estes partidos estão representados por figuras como Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena (ambos senadores e do PSDB) e Efraim Morais, secretário estadual de infra-estrutura e presidente estadual do DEM. Um governo que, apesar do discurso de campanha – de que representaria para os trabalhadores um novo tempo – tem se revelado na prática em menos de um ano de mandato, um inimigo dos trabalhadores e da população pobre.
Em João Pessoa, quem representa este projeto é o atual prefeito Luciano Agra (PSB). Desde 2005, o PSB governa nossa cidade, primeiro com Ricardo Coutinho (atual governador), numa composição com PT, PCdoB, PMDB. Depois, na sua reeleição, rifou o PMDB para segundo plano e fez uma chapa puro-sangue, colocando o atual prefeito como vice, pois já tinha em mente se candidatar ao governo estadual. Durante este período, tanto Coutinho quanto Agra atacaram os salários e direitos dos servidores municipais; enfrentaram com truculência os ambulantes na luta destes por emprego; favoreceu as grandes empreiteiras e a especulação imobiliária na cidade; além de serem grandes avalistas nos lucros, cada vez maiores, dos empresários dos ônibus de nossa cidade (que, por sinal, são cada vez mais insuficientes para atender às necessidades de nossa população).
O governo do PSB, desde que passou a comandar os destinos da capital paraibana, promoveu uma tática que, precisamos assumir, inteligente. Esta tática foi eficaz no sentido de ganhar a consciência das massas, ao ponto dessas eleger Ricardo Coutinho governador do Estado. Tudo isso aliado, claro, com boas e generosas doses de milhões de reais em propaganda governamental à custa de investimentos em educação, saúde pública e outras coisas do gênero. Assim, recapearam-se vias urbanas, duplicaram-se outras, construiu-se a Estação Ciência (utilizando-se verbas do FUNDEB, de forma irregular) e, no entanto a saúde pública, especialmente nas periferias, durante todos esses anos esteve um caos, com os postos de saúde com constantes faltas de médicos, de remédios, sem infra-estrutura. Não é a toa que este é ponto mais criticado da gestão Ricardo/Agra nestes anos de administração “socialista” em João Pessoa.
Outro ponto que vale a pena ser lembrado aqui nestes anos de PSB em João Pessoa é a sucessão de escândalos proporcionados pela dupla Ricardo/Agra. Escândalos cada um maior do que o outro. Caso Cuiá, Caso do Gari Milionário, Caso SP Alimentação, Caso da Cesta de Frutas, Caso Aeroclube, Caso Vassouras, Caso Porrada em Ambulantes, são alguns dos muitos que assistimos nesses anos de “gestão socialista” em nossa capital, estranhamente abafados e não investigados pelas autoridades competentes.
O mais recente escândalo que afeta as estruturas da Prefeitura de João Pessoa envolve a compra de livros didáticos para a rede municipal de ensino. Segundo a revista Istoé, cerca de R$ 2 milhões foram utilizados de forma irregular para efetuar esta compra. O mais espantoso de tudo isso, porém, é a postura estática do Ministério Público da Paraíba que não toma NENHUMA providência com relação a este ou a qualquer outro escândalo que já ocorreu envolvendo a Prefeitura de João Pessoa. Ao mesmo tempo, o Ministério Público de São Paulo tomou a iniciativa, investigou um contrato irregular firmado entre a Prefeitura de São Paulo e uma empresa que atua prestando serviço naquela cidade e que, segundo o MP de São Paulo, já foram indiciados o secretário do Meio Ambiente da capital paulista, três funcionários da prefeitura, treze empresários e mais o prefeito, Gilberto Kassab (PSD). Este, inclusive, teve seus bens bloqueados a pedido do MP e acatado pela Justiça. A pergunta que fica no ar é: por que um MP atua como deve em um Estado e no outro permanece, cego, surdo e mudo? Com a palavra, o senhor Osvaldo Trigueiro, procurador geral do Estado.   
Apesar deste papel nefasto cumprido, tanto por Agra, quanto por Ricardo Coutinho, a maioria dos partidos que têm alguma influência no movimento sindical e nos movimentos sociais da Paraíba, como o PT e o PCdoB, travam lutas internas terríveis pelo apoio a Agra. Não existe, por hoje, nenhuma garantia, de que esses partidos marcharão com candidaturas próprias ou não apoiarão Agra.
O PT há vários anos vem cumprindo um papel vergonhoso na Paraíba: vive servindo de fiel avalista das oligarquias locais nas últimas eleições e por isso passa por uma nova crise interna com relação às eleições 2012 em João Pessoa. Um setor do partido, capitaneado pelo deputado estadual Luciano Cartaxo, defende a candidatura própria do partido – e conta com o apoio da direção estadual e da bancada da Assembleia Legislativa – e outro setor, liderado pelo deputado federal Luiz Couto, que apóia o governador Ricardo Coutinho, que defende que o PT defenda a reeleição de Luciano Agra – e conta com o apoio da direção municipal do partido e da bancada da Câmara Municipal de JP -. Isso é uma verdadeira traição a todos os militantes e movimentos sociais que ainda tinham alguma esperança em que o PT paraibano pudesse ser uma alternativa de luta. O PT abandona à própria sorte os movimentos que passaram estes anos todos lutando contra as oligarquias lideradas por Maranhão, Cunha Lima ou Efraim. E faz isso por objetivos mesquinhos: a ocupação de cargos na prefeitura.
O PCdoB, ainda considerado de esquerda por um setor importante dos movimentos sociais, ainda não anunciou seu apoio formal a nenhuma das candidaturas que já estão pré-colocadas, mas não nos assustaremos com nenhuma opção que venha a ser escolhida pelos camaradas de Orlando Silva e Aldo Rebelo.
Estes fatos demonstram que nem o PT nem o PCdoB estão dispostos a ser oposição consequente à prefeitura de Luciano Agra e ao governo Ricardo Coutinho.

A Necessidade da Frente em João Pessoa
Diante deste quadro, de falta de alternativas de oposição a Luciano Agra, é urgente que a esquerda socialista consiga viabilizar uma candidatura unificada, que possa canalizar todo o descontentamento dos trabalhadores contra Agra e Ricardo Coutinho e apresentar propostas que defendam os verdadeiros interesses dos trabalhadores e do povo pobre.
Por isso, o PSTU propõe a construção de uma Frente de Esquerda em João Pessoa, composto pelos partidos que são oposição de fato à prefeitura e ao governo, como o PSOL e PCB, e que, além disso, possa aglutinar os movimentos sociais da cidade em torno a esta alternativa.
Na nossa opinião, esta Frente deverá se apresentar como oposição de esquerda à prefeitura de Agra e aos governos Ricardo Coutinho e Dilma, para que possa ser uma alternativa à aliança PSDB/PSB/PT/PCdoB; não deverá aceitar coligações nem com partidos da burguesia, nem com a base de sustentação dos governos estadual e federal, rejeitando ainda qualquer figura identificada com a política tucana; deverá receber contribuições financeiras apenas dos trabalhadores, e não de empresas e bancos, denunciando o financiamento das demais candidaturas pelas grandes empresas; deverá respeitar as opiniões e a representatividade de cada organização na definição das candidaturas.
A Frente deverá apresentar um programa socialista dos trabalhadores para governar João Pessoa, que comece pela defesa dos interesses mais básicos da população, como o direito ao emprego com salário digno e direitos, educação e saúde públicas, moradia e transporte público de qualidade, e termine por defender uma prefeitura dos trabalhadores, que lute pela estatização das grandes empresas, terras, e bancos para que tenha recursos para beneficiar os trabalhadores.
Para a construção desta Frente, o PSTU defende a realização de reuniões e debates entre todos os interessados, que possa culminar em um Encontro dos Movimentos Sociais para definição do programa, alianças e candidaturas da frente.
Desde já, colocamos a disposição o nome do companheiro Antonio Radical, companheiro com larga trajetória de luta em João Pessoa e em nosso Estado, para composição dos nomes a serem debatidos e definidos pela frente.
Nos colocamos a disposição para iniciar a construção desta Frente o mais breve possível, para que possamos apresentar uma alternativa socialista para os trabalhadores de João Pessoa.
João Pessoa, 12 de Dezembro de 2011.








DIREÇÃO ESTADUAL PARAÍBA









sábado, 19 de novembro de 2011

É preciso denunciar o golpe que a burocracia do SIMPERE, ligada à CUT/CTB, está aplicando na categoria

Mesmo após a profunda derrota sofrida pela burocracia ligada à CUT/CTB no SIMPERE - Sindicato Municipal dos Profissionais do Ensino do Recife - nas eleições ocorridas nos dias 10 e 11 de novembro, esta não se cansa de continuar aplicando golpes na categoria dos/as professores/as da capital pernambucana. Pior: a direção ligada à CUT/CTB e ao gabinete do prefeito João da Costa (PT) AINDA  não entendeu o recado que as urnas das eleições deram através da vitória acachapante da chapa 3, representada pelos/as lutadores/as da CSP Conlutas, ou seja, que a categoria do SIMPERE quer mudança no sindicato, quer o sindicato de volta à luta, consequentemente, rejeitou por completo a paralisia e o atrelamento à Prefeitura do Recife, feito nos últimos 3 anos pela atual gestão que, felizmente, está chegando ao fim.
Porém, a atual gestão da CUT/CTB/Prefeitura do Recife continua com seu "saco de maldades". Depois de, junto com o prefeito João da Costa, privatizar o Recife Saúde e não fazer nada para impedir o avanço da precarização das condições de trabalho da categoria e da infraestrutura das escolas municipais do Recife, agora estes pretendem realizar no apagar das luzes de sua (indi)gestão um Congresso da categoria profundamente burocratizado, totalmente afastado da categoria que ela diz representar. 
O SIMPERE, segundo informes dos/as companheiros/as da CSP Conlutas, deve ter algo de cerca de 5.000 trabalhadores na base, sendo 3.500 filiados ao sindicato (segundo dados de agosto/2011, que era o critério adotado para poder votar nas recentes eleições). Pois bem, segundo também os mesmos companheiros/as da CSP Conlutas, o Congresso convocado pela burocracia deverá ter entre 50 a 100 delegados. Ou seja, pouco mais de 1% de representação da base! Além do mais, o evento ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de novembro (quarta, quinta e sexta-feira que vem). Outro elemento importante desse congresso: ele será realizado em Olinda, apesar da categoria ser de Recife. Perguntamos: algum trabalhador/a terá condição de ir a um congresso convocado para esses dias, no meio da semana? Perguntando de maneira melhor: isso, realmente, é um congresso para trabalhadores/as de base?
A convocação deste congresso atende apenas aos interesses da bucrocracia da CUT/CTB. Pretendem, com este, amarrar a futura gestão da entidade à Prefeitura do Recife através de algumas resoluções políticas, já que sabem que esta não possui nenhum acordo político com João da Costa - ao contrário deles -; e, além disso, pretendem, à revelia da base, desfiliar o SIMPERE da CSP Conlutas. Afirmamos à revelia da base porque, por várias oportunidades, tentaram fazer isso em assembleias e a categoria, de forma massiva, rejeitou. Pretendem fazer isso agora num Congresso esvaziado e burocratizado.
Cabe registrar aqui o equívoco da posição da corrente O Trabalho. Esta, que já havia se recusado a formar com a CSP Conlutas uma chapa unificada da oposição nas últimas eleições  e, assim, construído uma chapa própria, semeando com isso confusão na categoria sobre quem era oposição à atual gestão, agora decide não participar do congresso. Com isso, mais uma vez ajuda a burocracia da CUT/CTB no seu projeto de atrelar o SIMPERE ainda mais ao projeto da Frente Popular capitaneado por João da Costa e, com isso, a prejudicar os interesses da categoria.
A CSP Conlutas já tirou seus delegados e delegadas. Iremos ao Congresso e, assim como fizemos no processo de tirada de delegados/as, faremos a denúncia dura desse GOLPE que está sendo aplicado na categoria pela burocracia da CUT/CTB/Prefeitura do Recife que AINDA estão encastelados no SIMPERE. 
Mas esse tempo está muito perto de acabar. A categoria, por 917 votos a 696, já deu seu veredito. E contra isso, ninguém pode mais reclamar. Só daqui a 3 anos. Talvez.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A criminalização dos movimentos sociais e a noção de democracia dos ministros do TST




Na terça-feira, 11 de outubro do corrente ano, foi julgada pelo TST - Tribunal Superior do Trabalho -, em Brasília, a greve dos trabalhadores em Correios que, àquela altura, já durava 28 dias, a maior greve da história da categoria. Os ministros do TST reunidos decidiram encerrar a greve da categoria a partir da zero hora do dia 13 de outubro, sob pena de uma multa diária de R$ 50 mil, a ser paga pela Fentect, a federação nacional da categoria.
No mesmo dia do julgamento, choveram declarações dadas à imprensa por alguns ministros do TST, bastante reveladoras para percebermos a noção que alguns dos nosso magistrados possuem de democracia e, assim, quando estão diante da possibilidade de resolver conflitos entre capital-trabalho, como funcionam suas lindas "cabecinhas". Não que tenhamos alguma ilusão de que lado da trincheira da luta de classes estão os membros do Poder Judiciário de nosso país, mas tais declarações são importantes para o conjunto de nossa classe começar a quebrar as ilusões que possuem em suas consciências, alimentadas que são pelas direções reformistas do movimento.
Uma dessas declarações foi dada pelo presidente do TST, João Oreste Dalazen. Afirmou à Folhaonline que a greve dos Correios teve “contornos inequivocamente políticos em alguns momentos”. Ele simplesmente descobriu a roda. O movimento sindical é um movimento político, desde seu nascedouro, como qualquer outro movimento social, como o estudantil, ecológico, de mulheres, LGBT, dentre outros. Apenas defendemos que este deve ser autônomo dos partidos políticos, sem contudo impedir a participação de seus militantes na elaboração de políticas para o movimento em questão. Também não defendemos que uma determinada corrente política transforme uma entidade do movimento em correia de transmissão de seus pensamentos e ideias. A intenção do presidente do TST, ao dar tal declaração, é claramente semear a confusão na classe trabalhadora como um todo, apostando na sua baixa consciência classista, para que esta se volte contra a categoria dos ecetistas. Não satisfeito, Dalazen ainda criticou a proposta do relator, ministro Maurício Godinho, que buscava apenas a compensação de 24 dias úteis de paralisação, e não o desconto de pelo menos seis jornadas, conforme acordo fechado com os Correios e rejeitado pelos trabalhadores.   
Mas os ataques aos trabalhadores em greve dos Correios não se restringiram ao presidente do TST. A ministra Maria Cristina Peduzzi foi mais além e questionou a organização interna do movimento e sua democracia, ao criticar a rejeição do acordo feito na semana anterior, celebrado entre a maioria do Comando Nacional de Greve - CNG -, representado por CUT e CTB e a empresa, às vistas do TST. Em matéria também publicada na Folhaonline, Peduzzi afirmara: “Um comando de greve sem capacidade de fazer valer os acordos que assina serve para quê?” Esta declaração da ministra mostra perfeitamente qual a noção de democracia que esta possui e, com certeza, outros da Corte mais alta da Justiça do Trabalho também devem possuir o mesmo entendimento. 
Para Peduzzi, o fato de um acordo celebrado pelo CNG ter que ser depois debatido e referendado em assembleias de trabalhadores espalhados pelo país é algo surreal para a ministra do TST. Esta, sentada em seu trono olímpico em Brasília, não consegue entender outra linguagem além daquela do "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
E assim está entregue a sorte e os destinos da classe trabalhadora brasileira. 

domingo, 25 de setembro de 2011

Cuecas, meias e mochila



Em 2005, o Brasil assistiu impressionado o escândalo do Mensalão do PT, com denúncias de compras de parlamentares iniciada a partir de estruturas do governo, como os Correios. Ninguém esquece as imagens lamentáveis do diretor dos Correios recebendo a propina, retransmtitidas em nível nacional por todos os telejornais do país. Tal escândalo provocou uma crise enorme no governo Lula, levando a queda do todo-poderoso Zé Dirceu, então ministro chefe da Casa Civil, além de outras figuras de destaque do governo Lula naquele momento, como José Genoíno, Luiz Gushiken, Delúbio Soares e tantos outros. No entanto, o Mensalão do PT ficou no imaginário popular com o episódio do dinheiro encontrado nas cuecas de um assessor parlamentar de um deputado estadual do PT/CE, irmão de José Genoíno. Esse ficou sendo um símbolo da corrupção nos tempos petistas no governo: dinheiro na cueca.
Em 2009, outro escândalo semelhante provocou igual revolta no povo brasileiro, particularmente na população de Brasília. Era o Mensalão dos Democratas, ocorrido durante o governo de José Roberto Arruda. Imagens gravadas pelo secretário de governo, Durval Barbosa, mostravam farta distribuição de dinheiro para vários políticos do Distrito federal, desde o próprio governador, até a deputados distritais. Neste escândalo, surgiu também um novo símbolo da corrupção. Um dos deputados distritais escondeu o dinheiro recebido do então secretário em suas meias.
Quando pensamos que o arsenal de criatividade da corrupção se esgotara, eis que a realidade sempre nos surpreende. Na recente eleição do DCE UFPB, ocorrida nos dias 20 e 21 de setembro deste ano, disputaram a direção da entidade 4 chapas. Uma delas, "Juntos Somos Mais", identificada como a chapa dos Democratas, foi impugnada antes da apuração dos votos por conta da descoberta de uma fraude eleitoral sem precedentes na história do movimento estudantil da UFPB. 
Um dos membros da Comissão Eleitoral desconfiou da série de telefonemas dado em menos de uma hora por Lucas Pereira, membro da chapa acima citada para uma pessoa da referida Comissão por conta da presença de sua mochila na sala de apuração dos votos, para que ninguém tocasse nesta. Assim, desconfiado, este membro da Comissão Eleitoral pediu que fosse aberta a mochila para que todos vissem o que havia nela. Quando esta foi aberta, a surpresa: havia em seu interior uma urna recheada de votos para o curso de Odontologia, onde a chapa "Juntos Somos Mais" foi fragorosamente derrotada pela chapa 3, que acabou sendo vitoriosa na eleição. Estava criado mais um símbolo da corrupção, a mochila.
Vamos esclarecer algumas coisas aqui para todos entenderem o caso. A Comissão Eleitoral do DCE UFPB é, segundo o estatuto da entidade, composta por um estudante indicado pelo COEB (Conselho de Entidades de Base) mais um indicado pelas chapas disputantes. Assim, esta tinha 5 membros na sua composição. O membro que denunciou e exigiu a abertura da mochila de Lucas Pereira (membro da chapa "Juntos Somos Mais", do Democratas) foi o companheiro Baiano, da chapa "O Novo Pede Passagem", da ANEL e independentes.
Lucas Pereira pertence aos quadros do Democratas e já foi presidente do DCE UFPB e agora tentava voltar à entidade. Foi candidato a deputado estadual nas eleições passadas e teve a ridícula votação de 1.655 votos (0,08% do total). É essa a grande liderança jovem  do Democratas na UFPB? Acho que deveriam repensar nisso. Principalmente após esse episódio lamentável da "mochila grávida de votos" descoberta na eleição do DCE UFPB. Para uma suposta liderança jovem, é um péssimo exemplo e que deve ser denunciada em todos os locais, dentro e fora da UFPB. Porque é papel daqueles e daquelas que têm compromisso com os/as trabalhadores/as e a juventude defender as entidades do movimento de todo tipo de oportunistas e golpistas que tentam utilizar-se destas em defesa de seus interesses próprios em detrimento do coletivo, apesar de publicamente afirmarem o contrário, como lobos em pele de cordeiros que são.          

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Miss Universo e as Mulheres Angolanas: Nada em Comum






No dia 12 de setembro, o mundo olhou para o concurso de beleza que elege a mulher mais bela do universo. Segundo sua auto-apresentação, este histórico concurso, que hoje é dirigido pela Miss Universe Organization, de propriedade de Donald Trump, conhecido milionário norte americano, busca avaliar além da beleza das mulheres, suas “capacidades de liderança e inteligência”, para difundir valores como a paz pelo mundo.


Essa concepção do concurso foi se transformando ao longo dos anos de uma possibilidade de ingresso no mundo das celebridades de Hollywood (este era o prêmio das edições do meio do século para cá) para a “luta” pela paz ao redor de nosso planeta. Perguntamos, no entanto, por que tanta rigorosidade estética para se escolher uma mulher capaz de difundir a paz? E mais, perguntamos onde estiveram as Misses Universo sob o acontecimento de guerras tão questionadas pelo mundo, como a invasão norte americana no Iraque e no Afeganistão?


O concurso em questão reforça e difunde a idéia de que as mulheres devem ter um padrão de beleza e ainda demonstra que, na sociedade machista em que vivemos, quando se trata de avaliação física e estética, as mulheres podem ser protagonistas, em outros momentos, é muito difícil existirmos como figura central.


Esta última edição recebeu uma atenção particular do Brasil. Em primeiro lugar, porque sediou o evento e depois porque a Miss Brasil chegou muito perto do título, ficando em terceiro lugar. A Miss Brasil é eleita ao disputar o título com as representantes de todos os estados brasileiros. Para se eleger a Miss de algum estado, há uma disputa entre diversas garotas de cada estado. Atentamos para um fato curioso de que as meninas que concorreram para o título de Miss Bahia eram em sua maioria garotas brancas, em um estado que é majoritariamente negro.


Apesar de a Miss Universo de 2011 ser negra – fato que ocorre pela 3° vez – não há como não reconhecer um padrão de beleza que é perseguido na avaliação das meninas que concorrem ao título. A maior parte das concorrentes e das vitoriosas ao longo da história são mulheres brancas, com um padrão marcadamente europeu, o que é expresso no caso acima citado em relação à eleição da Miss Bahia e mesmo pela quantidade de mulheres negras que venceram o concurso ao longo da história.


Ainda assim, o impacto da vitória de uma negra sobre as mentes mais conservadoras é bastante forte. Assim que anunciada a vitória de Leila Lopes, representante de Angola, a internet foi palco de declarações absurdamente racistas e fascistas contra a recém vitoriosa do concurso. Repudiamos veementemente esse tipo de prática.


No entanto, reconhecemos que o racismo que a atual miss Universo sofreu não passa nem perto do racismo e da humilhação que sofrem a maior parte das mulheres angolanas. Toda a Imprensa saiu em defesa de Leila Lopes e até denunciou as declarações racistas. No entanto, nenhuma imprensa defende ou se preocupa com a situação das mulheres angolanas, cujo índice de desemprego atinge 79%. A Miss Universo não é analfabeta como as 70% de mulheres de seu país. A cada 100 mil bebês que nascem no país, cerca de 1500 mães morrem, em função das péssimas condições de saúde e saneamento básico de Angola. Leila Lopes dificilmente passará por isso.


Essa situação é conseqüência de séculos de opressão e exploração do povo negro angolano, que hoje está em várias partes do mundo tendo sua mão de obra super explorada pela sua condição de negros e imigrantes, fato agravado ao se tratarem de mulheres.


A vitória da angolana no concurso de beleza mais conhecido do mundo reflete um abismo cruel entre a situação da maior parte das mulheres angolanas, trabalhadoras e pobres e uma ínfima minoria que pode ter tudo o que quer, inclusive a coroa da Miss Universo. Apesar de também estar submetida ao racismo, Leila Lopes está muito mais “protegida” do que as mulheres angolanas.




Movimento de Mulheres em Luta - Filiado à CSP Conlutas

Fonte: www.mulheresemluta.blogspot.com


sábado, 17 de setembro de 2011

1.968 km de ataques à classe trabalhadora




1.968 km separam o Centro Administrativo Municipal de João Pessoa, onde está instalado o gabinete do prefeito Luciano Agra (PSB) do Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, onde fica o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB). Apesar da distância, existe um sinal de igualdade entre esses dois senhores: o ataque à saúde pública.
Nesta semana que passou, tanto Luciano Agra quanto Sérgio Cabral atacaram duramente a saúde pública em suas regiões de atuação pública. E com a mesma política perversa, dura e fulminante. 
No Rio de Janeiro. Sérgio Cabral apresentou o projeto de lei nº 767/2011 à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde autoriza a "gestão privada da rede estadual por meio das Organizações Sociais". Este projeto foi votado e aprovado por 49 votos a favor e 12 contra no dia 14/09. Na ocasião, no dia da votação, alguns manifestantes chegaram a ser presos e agredidos no interior da Alerj pelos seguranças da instituição.   
Na mesma semana, em João Pessoa, a Câmara Municipal de João Pessoa colocou em pauta o projeto de lei nº 1064/11, que previa a "qualificação de organizações sociais" para atuar em várias áreas da administração municipal, como saúde, educação, meio ambiente, ciência e tecnologia, cultura e assistência social. A partir de terça-feira, 13/09, vários ativistas, incentivados a partir do Forum Paraibano em Defesa do SUS e Contra as Privatizações, foram à Câmara lutar contra a aprovação do projeto e, ao mesmo tempo, solicitar daquela Casa Legislativa que fosse aberta uma rodada de debates sobre este projeto, já que este não foi discutido com a sociedade. O que se viu foi uma inexplicável reação da bancada governista e da Mesa Diretora da Câmara Municipal de João Pessoa que orientou os seguranças da Casa a   provocar os ativistas e, assim, o inevitável ocorreu na terça e quarta-feiras: pancadaria e quebra-quebra na Câmara, por culpa exclusiva dos seguranças daquela Casa Legislativa que provocaram os militantes das organizações que compõem o Forum Paraibano em Defesa do SUS e Contra as Privatizações.
Algumas coisas marcam a igualdade entre Agra e Cabral. Primeiro: o envio dos PL's em REGIME DE URGÊNCIA, para dessa forma aprovar sem nenhuma discussão com a sociedade; segundo: com o regime de urgência, apressar a entrada do capital nos serviços públicos através das OS's (organizações sociais), razão de ser dos dois PL's enviados por Agra e Cabral; terceiro: a truculência com que os dois tratam os ativistas que "ousam" lutar contra este projeto privatizante da saúde e/ou dos serviços públicos por meio da instalação de OS's, por meio do uso da tropa de choque da PM e outros meios mais sofisticados de repressão.
Tais ataques são obra de uma política orquestrada e bem afinada dos governos em todos os níveis. Na mesma semana em que Agra e Cabral promoviam tais ataques em seus locais de atuação, em Brasília, Dilma - apoiada pelos dois - tentou aprovar no Congresso Nacional o PL 1749/2011, que pretende criar a EBSERH - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares -, que na prática representa a privatização dos HU's (Hospitais Universitários) das Universidades Federais espalhadas pelo nosso país. Isso só não ocorreu por conta dos servidores federais organizados na Fasubra em greve há mais de 100 dias, que impediram a votação no Congresso essa semana.  
Luciano Agra e Sérgio Cabral representam o perfil cada vez mais perfeito do político atual, personificadores fiéis da novela chamada "estelionato eleitoral". Quando em campanha eleitoral, prometem mundos e fundos; depois de eleitos, fazem exatamente o contrário e até o que não afirmaram na campanha. Neste aspecto, Agra representa muito  mais este papel do que Cabral, afinal, não foi votado em eleição alguma. Chegou ao cargo de prefeito pela janela, apenas porque o ex-prefeito renunciou ao cargo para se tornar governador do Estado. Aliás, muitos comentam que ele nem mesmo governa, apenas assina. Mas isso é outra história.    

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Os TRAIDORES do SUS e do povo de João Pessoa

A Câmara Municipal de João Pessoa aprovou hoje, por 12 votos a 5, o PL 1064/11, enviado pelo prefeito Luciano Agra (PSB), que autoriza a entrada das Organizações Sociais - OS's - em diversos setores da administração municipal da capital paraibana, como saúde, educação, meio ambiente, ciência e tecnologia, cultura e assistência social. O prefeito e seus aliados classificam isto de "terceirização", mas na verdade o que foi feito hoje pelo Executivo e Legislativo municipais é a privatização de serviços essenciais do povo pessoense. É, sem dúvida, o maior ataque jamais feito contra os direitos sociais na cidade de João Pessoa. Nem os governos apoiados pela ditadura militar ou claramente adeptos neoliberais ousaram tanto como o atual, liderado pelo PSB, autoproclamado como "socialista" e do campo "democrático e popular".
Tal fato, porém, não nos espanta. Não é de hoje que o PSB fala uma coisa e faz outra. Faz tempo que esse partido é um velho adepto do "estelionato eleitoral", assim como partidos conhecidos da direita e da classe trabalhadora, como PMDB, PSDB e PFL/DEM. Em Pernambuco, terra natal do PSB, o ex-governador Miguel Arraes - já falecido - privatizou a Celpe e o Banco do Estado de Pernambuco. Ricardo Coutinho e Luciano Agra apenas estão seguindo os ensinamentos e a prática do velho mestre.
Junto com estes, estão 12 vereadores e vereadoras de João Pessoa que hoje, protegidos pela tropa de choque da PM, passaram por cima da vontade do povo e aprovaram a privatização de serviços essenciais ao povo pessoense. São os TRAIDORES DO SUS E DO POVO DE JOÃO PESSOA  e precisam ser denunciados de forma intensiva, para que estas pessoas não passem impunes e, em 2012, não posem de santos perante o povo. 
Vamos, aqui, dar nossa pequena colaboração com esta tarefa.


O chefe dos TRAIDORES


OS LÍDERES DA TRAIÇÃO


             Bira Pereira (PSB)                                           Sandra Marrocos (PSB)



OS DEMAIS TRAIDORES/AS



        Bosquinho (DEM)                                                Bruno Farias (PPS)


          Felipe Leitão (PRP)                                             Geraldo Amorim (PDT)                    


         Jorge Camilo (PT)                                                Pastor Edmilson (PRB)

        Raíssa Lacerda (DEM)                                      Sales Dantas (PR)
                                          
         Vera Lucena (PSDB)                                        Zezinho do Botafogo (PSB)




                              


domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro: dez anos do atentado ao World Trade Center e a farsa da mídia mundial



Hoje, 11 de setembro de 2011, em todo o mundo, lembramos do atentado terrorista ao World Trade Center, localizado em Manhattan, EUA. Tal ataque teria sido organizado pelo grupo Al Qaeda, comandada na época por Osama bin Laden. 
Este fato histórico alterou profundamente a conjuntura internacional. Os EUA, liderados na  ocasião pelo presidente George W. Bush, iniciou após o episódio uma guerra mundial contra o "terrorismo internacional", conseguindo para isso apoio de outros países imperialistas e também da sempre subserviente ONU, com a aprovação da Resolução 1373, aprovada por unanimidade nesta organização, em setembro de 2001. Tal resolução autorizava que fossem empreendidas ações para combater "organizações terroristas e os países que as protegem". Após isso, em outubro de 2001, o presidente Bush assinou a "Lei Patriótica", que dava plenos poderes ao governo dos EUA e às forças de segurança para "fazer frente a uma ameaça como nenhuma outra nação enfrentou". Com isso, o imperialismo estava liberado para classificar, a seu bel prazer, quem são "terroristas" e os países que "os protegem" e assim iniciar sua caçada mundial. Esta lei, sancionada pelo republicano Bush e renovada por mais 4 anos, agora em maio deste ano, pelo democrata Obama.
Desde então, várias ações foram realizadas pelo imperialismo anglo-americano, como a invasão do Iraque em 20 de março de 2003. Esta invasão faz parte da farsa do imperialismo mundial e da mídia colaboradora deste. Os argumentos levantados pelo governo Bush para justificar a invasão ao Iraque eram de que o presidente daquele país, Saddam Hussein, colaborava com grupos terroristas e dispunha, em seu território, de armas químicas e de destruição em massa e, assim, precisava ser detido. Este argumento caiu por terra alguns anos mais tarde, quando ficou comprovado que o Iraque não tinha as famosas "armas químicas e de destruição em massa", como foi colocado pelo governo Bush. Tal invasão dura até hoje, agora com um governo local mas completamente subordinado aos ditames do imperialismo. Ainda em 2003, em dezembro, Saddam Hussein foi capturado pelas forças de segurança e 3 anos mais tarde, também em dezembro, este foi enforcado em Bagdá por determinação do imperialismo.
O Brasil, de certa forma, foi também atingido pela caçada imperialista. Em 22 de julho de 2005, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi barbaramente assassinado em Londres pela polícia inglesa na estação de metrô de Stockwell, sul da capital inglesa. O brasileiro foi confundido com um terrorista e perseguido até ser morto em pleno vagão do metrô londrino. Até hoje, os policiais assassinos de Jean Charles estão impunes.  
A caçada imperialista atingiu seu ponto máximo com o assassinato do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden. Ele foi morto nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão. Sua morte foi anunciada em 1º de maio deste ano pelo presidente Barack Obama. O principal inimigo do imperialismo mundial estava morto. Tal notícia serviria aos interesses de Washington para amenizar um pouco perante a população norte-americana dos efeitos da crise econômica que assola este país desde 2008.
O ataque às torres gêmeas do World Trade Center, além de todos esses efeitos aqui elencados (houve mais, colocamos aqui os mais importantes), trouxe também à discussão um outro assunto relevante: a farsa promovida por grande parte da mídia mundial, que associou-se desde a primeira hora ao imperialismo para inundar a consciência de milhões em todo o mundo, para que assim houvesse apoio popular às ações imperialistas.
O maior indicador desta farsa midiática dura até hoje, dez anos após, é a classificação feita por esta quando coloca, de forma afirmativa e definitiva, que o episódio de 11 de setembro de 2001 teria sido o "maior atentado terrorista da história". Tenta, assim, ganhar a consciência das massas com esta falsificação histórica. Fazem questão de que a humanidade esqueça os ataques promovidos pelo imperialismo norte-americano em agosto de 1945 quando foram lançadas as primeiras bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Naquela ocasião, cerca de 220 mil pessoas foram mortas, de imediato, nas duas cidades pelo ataque patrocinado pelo governo dos EUA. Sem falar nas milhares de pessoas que morreram após os ataques de agosto de '45, por conta dos efeitos da radiação da bomba atômica. 
Evidentemente que lamentamos a morte das cerca de 3000 pessoas mortas no ataque ao World Trade Center. Mas não podemos nos solidarizar com a mensagem propagada pela mídia mundial, aliada do imperialismo, com a caracterização deste ser o "maior atentado terrorista da história". É preciso colocar a informação correta para os/as trabalhadores/as.
Repudiar o terrorismo sim, mas confirmar a mensagem da mídia mundial, nunca. O terrorismo repudiamos porque para os socialistas revolucionários, esta é uma ação individual, que não conta com a simpatia da classe, justamente por causa disso: é uma ação isolada das massas, sem contar com a participação decisiva desta. Apesar do terrorismo argumentar que tais atos se devem à repulsa à ação imperialista, sobretudo ao apoio deste ao estado de Israel e por tudo o que isso significa para o povo árabe, não podemos nos solidarizar com este discurso. A verdadeira transformação da vida das massas trabalhadoras no mundo só se dará através de sua ação decisiva. Sempre foi assim e não será diferente. Basta olhar para as revoluções árabes atualmente, com os casos do Egito, Tunísia e mais recentemente, Líbia.  
  

É tudo farinha do mesmo saco

A revista "Isto É" dessa semana traz uma matéria que, mais uma vez, atinge em cheio a Paraíba, novamente pela negativa. E, de novo, provocada por um agente político de prestígio no Estado.
A matéria atinge em cheio o senador Wilson Santiago (PMDB), que briga na Justiça para permanecer no cargo de senador e, dessa maneira, tentando impedir a posse de Cássio Cunha Lima (PSDB), já que este, apesar sido o mais votado nas eleições de 2010 para uma das vagas do Senado pela Paraíba, não pode assumir por que foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, por conta do processo que resultou na sua cassação do posto de governador do Estado, quando promoveu uma farra com o dinheiro público através da entrega de vários cheques à população carente pela FAC.   
Segundo a revista, investigações promovidas pelo Ministério da Fazenda revelam que Wilson Santiago teria usado "laranjas em construtora com dívida milionária e de repassar patrimônio para empresa do filho a fim de evitar o confisco pela receita federal". Ainda segundo Isto É, o senador teria cometido uma série de irregularidades, desde a presença de "laranjas à frente dos negócios da família até transferências de bens para terceiros numa tentativa de fugir de processos judiciais e do pagamento de dívidas".
Ainda segundo a revista Isto É, a juíza federal da 5ª Vara Privativa de Execuções Fiscais, Helena Delgado Fialho Moreira, Wilson Santiago é o atual proprietário da empresa Construções e Incorporações Adrina e esta, segundo as investigações do Ministério Fazenda, teria sonegado cerca de R$ 34 milhões aos cofres públicos, através das manobras feitas por este e sua construtora. Para variar, Wilson Santiago atribui tais denúncias à manobras feitas por seus adversários políticos.
Tal notícia revela o conteúdo do título deste artigo. TODOS os políticos da direita - e até mesmo alguns da "esquerda" - demonstram que hoje em dia estes são cada vez mais parecidos, farinha do mesmo saco. Envolvidos em golpes eleitorais (através do famoso estelionato eleitoral), corrupções ativas e passivas envolvendo dinheiro público, é cada vez mais difícil para o/a trabalhador/a brasileiro/a seguir acreditando na classe política nacional. Até o PT, partido que pregava a "ética na política" rendeu-se a esse mar de lama que rola neste país a cada dia que passa (vide o caso do mensalão, ocorrido ainda no 1º mandato de Lula presidente). 
Cássio Cunha Lima foi impedido de assumir a vaga de senador por conta de corrupção eleitoral com dinheiro público; Cícero Lucena, senador pelo PSDB e ex-prefeito de João Pessoa, acusado de participar de superfaturamento quando prefeito e que chegou a ser preso e algemado pela Polícia Federal, por conta da "Operação Confraria"; Ricardo Coutinho, que também quando prefeito de João Pessoa, foi condenado pelo TCE/PB a devolver aos cofres públicos municipais cerca de R$ 4 milhões por conta de ter utilizado esta quantia destinada ao FUNDEB para ajudar a construir a Estação Ciência, o que é ilegal; Veneziano Vital, prefeito de Campina Grande, já cassado em 1ª instância e esperando julgamento pelo TRE/PB, acusado de ter usado verba da saúde pública municipal para sua campanha eleitoral de 2008; e agora, Wilson Santiago, com esta acusação de sonegação fiscal de R$ 34 milhões.

É TUDO FARINHA DO MESMO SACO!!! 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A privatização da saúde pública na PB e as furadeiras do Mago



A Paraíba assiste, há alguns meses, o caos na saúde pública em nosso estado. Médicos reclamando das condições de trabalho, do rebaixamento do valor dos plantões pagos a esses profissionais e imagens feitas pelos sindicatos ligados à categoria revelando as péssimas condições de trabalho existentes num dos maiores hospitais do Estado, o Trauma, localizado às margens da BR 230.
O governador Ricardo Coutinho, farmacêutico de profissão, formado pela UFPB, autointitulado de "socialista", está promovendo o maior ataque já sofrido pela saúde pública da Paraíba: a privatização do sistema, iniciando por uma das maiores unidades de saúde do estado, referência no tratamento a pacientes em situações extremamente graves: o Hospital de Emergência e Trauma Humberto Lucena.
A condução agora desse hospital está entregue à uma OS (Organização Social) chamada Cruz Vermelha, sob inúmeras suspeitas de sua idoneidade, levantadas por ninguém menos que o Procurador do Trabalho, Eduardo Varandas, que recentemente enumerou várias irregularidades na assinatura do contrato feito entre o governo do Estado e a dita Organização Social.
Como se não bastasse o ataque feito por Ricardo Coutinho, agora vem o seu pupilo fiel, Luciano Agra, prefeito de João Pessoa, querer imitar seu chefe e mandar para a Câmara Municipal um projeto de lei que prevê a entrada das OS's nos serviços de saúde e educação em nossa capital. 
Isso tudo acontecendo na mesma medida e velocidade em que nos chegam notícias de que o atendimento aos usuários do Hospital de Trauma continua precário e com superlotação de pacientes. O mais espantoso de tudo isso é que as notícias ruins sobre a saúde pública continua produzindo matérias nos meios de comunicação numa velocidade espantosa.  
A mais recente dá conta da utilização de furadeiras sendo utilizadas para cirurgias do crânio. Os instrumentos específicos para tais cirurgias, os craniótomos, estão passando por uma manutenção eterna, daquelas que só a morosidade do serviço público ineficiente pode explicar.
Até os equipamentos necessários para a realização de cirurgias extremamente delicados ficarem disponíveis para os médicos poderem fazer suas cirurgias, vamos rezar e torcer pelo sucesso de tais cirurgias, tanto para o paciente quanto para o cirurgião.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Promessa de campanha de Ricardo Coutinho sobre segurança pública

Companheiros e companheiras, observem bem o vídeo abaixo disponibilizado pelo site ClickPB (www.clickpb.com.br) sobre a fala do então candidato ao governo de nosso Estado, durante a última campanha eleitoral, quando este fala sobre Segurança Pública. Prestem bastante atenção a promessa (não cumprida) de Ricardo Coutinho. Mais uma evidência do famoso "estelionato eleitoral", praticada por RC e todos os políticos burgueses de nosso país.



sábado, 20 de agosto de 2011

Alguns números do governo Ricardo Coutinho em poucos meses de mandato II







O site ClickPB registrou, em dição eletrônica no dia 17 de agosto do corrente ano, um dado preocupante do governo "socialista" de Ricardo Coutinho. Segundo a matéria, que já foi extraída de uma outra feita pelo portal G1, o nosso Estado ficou em 7º lugar entre os estados nordestinos no quesito geração de empregos entre janeiro e julho de 2011, com a criação de 809 novos empregos em terras tabajaras. A Paraíba ficou à frente apenas dos estados do Rio Grande do Norte e Alagoas e bem distante do 6º colocado no ranking do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. O Piauí, que ficou na 6ª posição, gerou 3.130 empregos no mesmo período acima citado, ou quase 4 vezes mais que na Paraíba.
Esse desempenho de nosso Estado administrado por um governo "socialista" não resiste a uma simples conta matemática. 809 empregos em 7 meses de governo representam 115 empregos/mês, em média, ou numa conta mais detalhada, cerca de 4 empregos/dia. Alguns dirão que isso são bons números, mas quando comparados a outros estados da região, somem como fumaça. Comparando com o Piauí (6º do ranking), a diferença é grande. Este, no mesmo período, gerou 447 empregos/mês (em média) e cerca de 15/dia. Portanto, a diferença é incomparável.  
Por que será que tal fenômeno ocorre em nosso Estado? Qual a causa de tão triste e pífio desempenho em tão preciosa e importante política pública? Por quê, em vez de se importar em melhorar este índice, o governador "socialista" Ricardo Coutinho prefere travar uma guerra para bancar um shopping em Mangabeira, utilizando-se de argumentos tão esdrúxulos quanto a própria causa que este abraça?
Porém, como bem diz um ditado bíblico e popular, "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". A razão (ou as razões) para este gigantesco fracasso na geração de empregos na Paraíba e, especialmente, na falta de uma política de Estado para alavancar esta não é "privilégio" de Ricardo Coutinho e sua tropa de elite que assola a máquina governamental neste momento. Vivenciamos o resultado histórico de governos que tiveram uma única  preocupação em todos esses anos quando se instalaram no Palácio da Redenção: melhorar as condições de vida de seus grupos políticos e ao povo, apenas as migalhas. Ricardo Coutinho apenas é mais um a continuar com este roteiro de uma velha peça já conhecida e encenada há décadas (quiçá séculos) e que se prepara para ter mais um ato em 2012, com as eleições municipais.
Em tempo: só a título de informe, segundo dados do CAGED, os 3 primeiros Estados nordestinos com melhor desempenho no ranking da geração de empregos na região foram Bahia, Ceará e Pernambuco (com 64.861, 29.449 e 23.057, respectivamente). Não precisa nem dizer que a diferença destes para nosso Estado é, no minimo, absurda!